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14 de ago. de 2014

«La oportunidad para la mujer al borde de la calle»

María José Alos y Consuelo Rojo son dos religiosas adoratrices. Son mujeres de juventud madura que quieren vivir al pulso del momento presente. Después de varios destinos, ahora están dando lo mejor de sí en Valencia y Burgos, respectivamente. Manifiestan realismo, pero con más fuerza, esperanza. Siguen, como toda su congregación, al lado de la mujer excluida, marginada o explotada. En las situaciones de máxima debilidad, han descubierto la bienaventuranza que les da vida. Porque –como afirman– es posible un mundo distinto.
¿Qué misión estáis realizando ahora en vuestras comunidades?
María José Alos: Vivimos en una casa pequeña destinada a la acogida de “mujeres víctimas de trata” con fines de explotación sexual. El proyecto acaba de sufrir un cambio. El motivo surge por querer dar respuesta a una necesidad que se nos planteaba en Valencia –pues no existen casas de acogida para “mujeres víctimas de trata” en toda la Comunidad Valenciana–, así que nos arriesgamos para atender las necesidades de estas mujeres.leia mais:

28 de jul. de 2014

Jesus e as mulheres: 'Vocês estão livres'

Fonte:   domtotal.com
As parábolas que Jesus contou também honram as mulheres apontando para a suas realidades humanas.Além de suas ações, pregação de Jesus é inclusiva para com as mulheres.
"A teologia nas mãos das mulheres descobriu Jesus Cristo como um amigo compassivo, libertador dos fardos, um amigo que consola na tristeza e um aliado nas lutas das mulheres. Por meio de sua vida e de seu Espírito, ele traz salvação – dando-lhes de volta a plena dignidade pessoal diante de Deus. A bênção que elas encontram em sua relação com Jesus não é apenas uma bênção particular e espiritual, embora seja isso também", afirma Elizabeth Johnson.
Vida, morte e ressurreição de Jesus
Os estudos das relações de Jesus durante sua vida pública revelam a sua falta de temor às mulheres e um forte interesse no florescimento delas. Nenhuma palavra de menosprezo ou ridicularização saiu de sua boca, nem ele viu as mulheres como uma classe inferior de seres humanos. Tratando-as com graça e respeito, curou, exorcizou, perdoou e restaurou-as a “shalom”, estando atencioso com as mais necessitadas: a pequena que tinha acabado de morrer, a viúva cujo filho tinha falecido recentemente, a viúva pobre que deu tudo o que tinha ao templo, a adúltera prestes a ser apedrejada.
Jesus teve uma preocupação particular pelas pessoas nas margens da sociedade, e esta preocupação se estendia por completo às prostitutas a quem ele acolheu em sua mesa, até mesmo dizendo ao sacerdotes que tais mulheres entrariam no Reino do Céu antes deles. (Mt:21,31). Pessoalmente, as mulheres são contadas entre seus amigos; as irmãs Marta e Maria, por exemplo, o abrigaram em sua casa e receberam seus ensinamentos. Resumir isto está próximo do impossível, mas o Papa João Paulo II captou a essência:
“Que este pesar se traduza, para toda a Igreja, num compromisso de renovada fidelidade à inspiração evangélica que, precisamente no tema da libertação das mulheres de toda a forma de abuso e de domínio, tem uma mensagem de perene atualidade, que brota da atitude mesma de Cristo. Ele (...) teve para com as mulheres uma atitude de abertura, de respeito, de acolhimento, de ternura. Honrava assim, na mulher, a dignidade que ela sempre teve no projeto e no amor de Deus. (...) Vem-nos espontaneamente a pergunta: em que medida a sua mensagem foi recebida e posta em prática?” (Carta às mulheres, Conferência Mundial sobre a Mulher, julho de 1995, parágrafo 3.)
Além de suas ações, a pregação de Jesus é inclusiva para com as mulheres. Ele nunca estabeleceu uma forma de agir para homens e outra para mulheres. Observemos e ficaremos surpresos pelo fato de que o Sermão da Montanha é endereçado a todos; tudo o que é certo aos homens também o é às mulheres. De forma radical, a visão do Reino de Deus que permeia o seu ensino supera as relações de injustiça: os últimos deverão ser os primeiros, e os primeiros os últimos, de forma que, no final, um novo tipo de comunidade possa se formar.
As parábolas que Jesus contou também honram as mulheres apontando para a suas realidades humanas como símbolos dignos do Deus vivo. Nas escrituras judaicas, Deus é dito com imagens femininas em formas comoventes e belas – como uma mulher grávida, mãe lactante, parteira, cuidadora, ou como Senhora Sabedoria (“Sophia”) governando o mundo com ternura e poder.
Influenciado por esta sua própria herança bíblica, Jesus também falou via imagens femininas em sua pregação. O Reino de Deus é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado; eis aqui o Deus feminino que faz pão, trabalhando no fermento da nova criação até que tudo esteja transformado. (Mt:13,33)
Talvez ainda mais surpreendente seja a parábola da mulher que procura por sua moeda. Ela perdeu uma das suas 10 moedas de prata (economias, seguro para quando estiver na velhice?), e então vira a casa de cabeça para baixo até a encontrar. Em seguida, chama suas amigas e vizinhas para se alegrar com elas, pois tinha encontrado o que havia perdido. (Lc:15,8-10). Aqui temos uma imagem maravilhosa de Deus, o Redentor, procurando – de cima a baixo – pelo pecador.
Esta parábola é uma de duas, sendo a outra a do bom pastor que procura por sua ovelha perdida. Ambas revelam o amor enorme de Deus pelos que se perdem. Embora o imaginário cristão favoreceu o pastor, a dona de casa está lá para refletir como a vida diária das mulheres oferece imagens para se falar de Deus. O mesmo acontece com animais fêmeas: certa vez Jesus referiu-se a si mesmo usando o imaginário feminino, ao desejar poder reunir o povo de Jerusalém em de seus braços como uma mãe galinha reúne seus pintinhos debaixo das asas. (Mt:23,37).
Além de curar as mulheres de suas enfermidades, de desfrutar de suas amizades e de falar de Deus por meio delas, Jesus as convidou para fazerem parte de seu círculo de seguidores próximos. Elas deixaram suas famílias e lares para se juntar a ele na estrada para a Galileia. Elas absorveram o seu ensinamento e se juntaram a ele em refeições comunitárias alegres –uma antecipação da vinda do Reino. Os ricos entre eles financiaram o seu ministério, provendo de seu próprio bolso o que era necessário à comunidade:
Depois disso, Jesus andava por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus. Os Doze iam com ele, e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e doenças: Maria, chamada Madalena, da qual haviam saído sete demônios; Joana, mulher de Cuza, alto funcionário de Herodes; Susana e várias outras mulheres, que ajudavam a Jesus e aos discípulos com os bens que possuíam. (Lc:8,1-3).
Os nomes destas e de outras mulheres (“várias outras”, “com ele”) são ditos inúmeras vezes nos evangelhos, mas se tornaram uma parte esquecida da história.
O discipulado das mulheres durante o ministério de Jesus não cessou no final de sua vida. Elas o acompanharam até Jerusalém, tornando-se o ponto em movimento do testemunho para a paixão. Cada um dos quatro evangelhos narra que, enquanto os discípulos correram e se esconderam quando Jesus foi preso, as mulheres se mantiveram em vigília com ele na cruz. Na verdade, a única pessoa nomeada em todos os quatro evangelhos como tendo permanecido junto à cruz é Maria Madalena. Por terem sido as mulheres que ficaram, elas sabiam onde estava a sepultura e foram as primeiras a descobri-la vazia quando foram finalizar a unção de seu corpo no primeiro dia da semana. Aí, elas encontraram o Cristo ressuscitado e foram incumbidas de “ir e informar” aos outros.
Maria Madalena, a quem a Igreja mais tarde chamou de “a apóstola aos apóstolos, e as demais mulheres assim fizeram, embora os homens não acreditassem nelas, pensando que eram apenas mulheres histéricas. Não obstante, a Escritura mostra que, tanto em sua vida terrena quanto em sua vida de ressuscitado, Jesus Cristo incluiu as mulheres em sua comunidade não como subordinadas aos homens, mas como irmãs de seus irmãos e, no caso das proclamação da ressureição, mesmo como aquelas em quem primeiramente confiou.
Através do prisma da experiência feminina, a crucificação de Jesus constitui uma enorme crítica contra o patriarcado. Eis aqui a própria carne transformada em Verbo (“E a palavra se fez homem” [Jo,1:14]) trazida à morte por tortura pelo poder estatal, derramando-se no amor abnegado. Este evento é o exato oposto do exercício do poder dominador masculino. À luz da cruz, teólogas feministas refletem que, sociologicamente, seria melhor que a encarnação tivesse ocorrido num ser humano masculino.
Pois, se uma mulher tivesse pregado a compaixão e tivesse doado a si mesma até morte, o mundo teria se perguntado: Afinal, não será isso o que as mulheres devem fazer? Mas para um homem viver e morrer assim num mundo de privilégios masculinos é desafiar o ideal patriarcal da dominação masculina em sua raiz. A cruz é a “kenosis”, o autoesvaziamento, do patriarcado.
Na ressurreição, o Espírito de Deus preenche Jesus com vida nova para além da morte. Presente de uma forma nova, Jesus Cristo se torna a pedra angular da nova comunidade que é o seu corpo, a Igreja. Em Pentecostes, as mulheres bem como os homens estão no andar de cima quando línguas de fogo sinalizam o derramamento do Espírito: “Todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas.” (At,2:4). Os primeiros cristãos adotaram o rito de iniciação do batismo.
Diferentemente o ritual judeu da circuncisão, desenvolvido apenas com os homens, o batismo é administrado pela imersão em água, e assim é feito da mesma forma com pessoas de ambos os gêneros. A carta de Paulo aos Gálatas contém um hino batismal cristão primitivo que mostra o que significa esta prática. Assim que o recém-batizado é retirado da água, trajando vestes brancas, cantam: “Não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo.” (Gl,2:4) Na unicidade do Espírito santificador, transcendem-se todas as divisões baseadas na raça ou classe, ou mesmo no gênero. O poder do Cristo ressuscitado se torna efetivo ao ponto em que esta visão se torna realidade na comunidade.
Nas primeiras décadas da Igreja há uma grande evidência para com um forte ministério das mulheres divulgando o Evangelho assim como seus colegas homens. A partir dos Atos dos Apóstolos e das cartas de Paulo, temos uma imagem das mulheres como missionárias, pregadoras, mestres, profetas, apóstolas, curadoras, que falam em línguas e líderes das comunidades. Elas são colegas de trabalho de Paulo e de outros homens, com todos os dons do carisma que se deu para a edificação da Igreja. Hoje, estudiosos estão tentando listar quais forças trouxeram este ministério das mulheres nos primórdios da Igreja para um estado diminuto. Mas não há dúvida de que Febe, Prisca, Júnia, Pérside e muitas outras pregaram o evangelho nos primeiros dias da Igreja. (Ver as cartas de Paulo aos Romanos, capítulo 16).
Conclusão
A teologia nas mãos das mulheres descobriu Jesus Cristo como um amigo compassivo, libertador dos fardos, um amigo que consola na tristeza e um aliado nas lutas das mulheres. Por meio de sua vida e de seu Espírito, ele traz salvação – dando-lhes de volta a plena dignidade pessoal diante de Deus. A benção que elas encontram em sua relação com Jesus não é apenas uma benção particular e espiritual, embora seja isso também.
Esta benção igualmente influencia suas vidas nos domínios públicos e sociais, inspirando a luta por libertação das estruturas de dominação em todas as dimensões da vida. Em nome de Cristo, a sociedade e a Igreja são chamadas à conversão dos corações, das mentes e estruturas, de forma que o Reino de Deus possa se afirmar neste mundo. Eis aí uma visão de mundo desafiadora. Porém, as palavras libertadoras já foram ditas: “Mulher, você está livre de sua doença”. Ponham-se de pé, dêem graças a Deus e sigam com a obra de curar o mundo.
Global Sisters Report
* Elizabeth A. Johnson, religiosa da Congregação das Irmãs de São José, é professora de teologia na Universidade de Fordham, em Nova York. Ela irá receber o Prêmio Liderança de Destaque da LCWR (LCWR Outstanding Leadership Award) na assembleia anual da organização, a ocorrer Nashville, Tennessee, em agosto.

14 de jun. de 2013

Jesus e a Prostituta

                                            Júlio Lázaro Torma*
                                                          " Seus numerosos pecados lhe foram perdoados,porque ela tem demostrado muito amor"
                                                                                        ( Lc 7,47)
   O Evangelista Lucas neste final de semana nos fala de mulheres.Ele é o que mais tem valorizado a mulher na vida de Jesus  e das comunidades. Os seus leitores e ouvintes são os cristãos de origem helênica.
   Jesus está sempre a caminho, quando recebe o convite para ir almoçar em casa de um fariseu notável do lugar.
    Neste ínterim chega uma moça anônima que o evangelho não cita o nome, que tinha uma má fama no lugar,era conhecida como prostituta uma pecadora pública.
    Ele estava deitado sobre a mesa almoçando quando ela lava os seus pés com perfume e os seca com os cabelos.Era costume na cultura semita o dono da casa lavar os pés do convidado, era o motivo de acolher e servir aquele que o visitava.
   O Fariseu Simão homem importante e honrado da localidade se esquece de acolher e servir Jesus.
   A mulher de cabelos soltos era um sinal de independência e de insubordinação a autoridade do homem.
   Era um sinal de que a mulher não era submissa e de rebeldia ante ao patriarcalismo e o machismo da sociedade de seu tempo.
   A mulher era desprezada por ser prostituta, mas não era criticado as causas que a jogavam na prostituição, nesta cruel situação de pecado em que fora submetida.
  Elas eram estigmatizadas e desprezadas pela sociedade que viam nelas como criminosas e culpadas pela situação em que viviam e tinham que ficar longe das pessoas de bem, honradas e honestas.
   Mas Jesus como é de seu feitiou, inverte a situação e seus destinatários o que provoca a reação dos fariseus,saduceus,povo e até de João Batista em relação a ele ( Lc 7,19-23).
   Diferente dos fariseus e os chamados honestos que se achavam os melhores do povo,sem pecado porque cumpre as leis,os preceitos religiosos.Os " publicanos e as meretrizes vos procedem no Reino de Deus"( MT 21,31).
   Eles e elas vão entrar no Reino de Deus porque eles tem fé, amor e se arrependem do mal em que eles tem causados as pessoas que estão ao seu redor.
   Muitas vezes condenamos as prostitutas, mas não condenamos o sistema que as joga,escraviza e destrói o seu corpo e as psicologicamente . Que faz com que o seu corpo seja usado como mero objeto e meras mercadorias.
  Onde são obrigadas a fazerem coisas contra a sua vontade, muitas vezes caem na prostituição enganadas e iludidas por falsas promessas de uma vida melhor, de sair das situações de pobreza e miséria. Onde iludidas sofrem o trafico humano em outros países e no próprio território nacional.
  O tráfico humano, a prostituição de mulheres, homens, crianças e adolescentes e agora também idosos, que são submetidos a esta prática, que tem destruído estas pobres vidas e enriquecido os empresários do sexo.
  Que as submetem no turismo sexual, na pornografia,pedofilia e uso de filmes pornograficos. Onde a prostituição e o trafico humano, que junto com o tráfico de drogas e armas tem aquecido e salvado o capitalismo mundial da atual crise em que este sistema está passando.
  Pois como fala um empresário do sexo, " droga,arma, você vende uma vez e a mulher tu podes comercializar varias vezes até ela ficar louca e se matar".Quando elas não tem mais valor para os seus lucrativos negócios eles as executam e falam que elas se mataram.
    Quantos que condenam estas mulheres, que as usam e praticam coisas piores e não se arrependem de seu mal,do seu pecado e passam por pessoas respeitáveis na sociedade e na igreja.Muitas vezes falam mal das prostitutas, mas praticam de forma escondida, passando de profissionais competentes em seus trabalhos. 
  Usam suas empresas de fachadas para fazer lavagem do dinheiro da prostituição;defendem a maioridade penal e a regularização da prostituição para jogarem mais pessoas e menores de idade nesta rede.
  " As prostitutas últimas da sociedade, são as primeiras a entrar no céu";pois elas em seu sofrimento são as que com fé e amor acolhem Jesus.Jesus não as condena, mas a acolhe e as valoriza sem fazer distinção, as olha como seres humanos que merece o nosso respeito.
  Somos chamados como comunidades a acolher a todos sem distinção, sem condenar e ver estas tristes vitimas da prostituição com amor,estar aberto a elas. A denunciar toda a forma de trafico humano e turismo sexual, fazer com que elas encontrem e a dignidade e reconstroem a sua vida.
  O Evangelista Lucas, nos mostra o papel das mulheres na comunidade de Jesus, onde elas também são protagonistas da mensagem de Jesus. Pois sem a participação decidida da mulher a Igreja não vai para frente.
                       Bom Final de  Semana e boas meditações.
                           Lc 7,36-8,3
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  * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária do Brasil

18 de fev. de 2012

“Dama de Ferro”, ou dócil serviçal do 'establishment' britânico?

Thatcher foi a figura política da Grã-Bretanha que foi mais dócil e servil para com os grupos mais poderosos daquele país. Foto de Alex Bailey, site oficial do filme
O que atinge níveis absurdos no filme é apresentar Margaret Thatcher como feminista, já que ela foi a dirigente britânica que recortou mais drasticamente os direitos das mulheres na Grã-Bretanha.
A que se deve a atual promoção de Margaret Thatcher? Existe uma perceção bastante generalizada em círculos conservadores de que, nestes momentos difíceis de crise, do que se necessita é de um líder de um governo que se atreva a fazer as mudanças necessárias, enfrentando os grupos poderosos responsáveis pela crise. Entre estes, considera-se os sindicatos como um dos maiores culpados pelo elevado desemprego. Na sua pretensa “defesa egoísta” dos seus próprios interesses (atribuindo-lhes estreiteza de vistas por se preocuparem exclusivamente com os trabalhadores que já têm trabalho – os famosos “insiders”»), os sindicatos estão a dificultar a integração no mercado de trabalho dos jovens, das mulheres e de outros coletivos – conhecidos como “outsiders”-. Do que se precisa – dizem-nos – é de enfraquecer os sindicatos e de implementar, entre outras medidas, a facilidade de despedir os trabalhadores com contratos fixos, fazendo com que seja mais fácil os ”insiders” transformarem-se em “outsiders”, o que, paradoxalmente, facilitará – de acordo com eles – a descida do desemprego.
Nesta interpretação dos factos, o elevado desemprego atribui-se ao poder excessivo dos sindicatos com os quais ninguém se atreve a meter-se. O que faz falta é alguém com tomates que os meta nos eixos e, de caminho, reduza os direitos sociais e laborais adquiridos, arrasando o Estado-Providência, porque este consome recursos que o país não tem, além de a disponibilidade de tantos benefícios sociais amolecer os cidadãos e dar-lhes segurança excessiva, fazendo-os perder a sua criatividade e atitude empreendedora. Tem de reduzir-se a pretensamente excessiva proteção social para fortalecer o espírito empreendedor da população. Competitividade e dinamismo têm de substituir a colaboração, a solidariedade e a segurança.
Durante estes anos de crise assistimos ao domínio deste pensamento em centros financeiros, empresariais, mediáticos e políticos de países dos dois lados do Atlântico Norte. A deterioração da situação económica que a aplicação das políticas derivadas deste pensamento conservador e neoliberal estão a criar, gerou o apelo, por parte destes centros, a uma figura política (que costumava chamar-se 'caudilho' e que agora se define como “personalidade a quem não tremem as mãos”) para enfrentar os “poderosos”, como os sindicatos, os funcionários públicos, as classes populares e uma longa lista de sectores da população que não se caracterizam precisamente pelo seu grande poder económico, financeiro, mediático ou político. Na realidade, “valentia ou machismo político” é atrever-se a enfrentar os fracos, em representação dos poderosos.
O que o filme não diz
Um exemplo desta pretensa coragem política é a chamada “Dama de Ferro”, Margaret Thatcher, a figura política da Grã-Bretanha que foi mais dócil e servil para com os grupos mais poderosos daquele país (desde a City, o centro financeiro, ao grande mundo empresarial). Um “líder” destes era um mero instrumento destes poderes, realidade ocultada no filme “A Dama de Ferro” (que idealiza esta figura a níveis hiperbólicos).
Longe de ser a figura antiestablishment britânica que o filme apresenta, Margaret Thatcher foi um produto desse establishment, promovida por ele próprio. A Grã-Bretanha (país onde vivi durante vários anos) é um país onde a classe social adquire uma dimensão muito marcante na vida quotidiana da população. Este establishment britânico sempre se preocupou com a imagem que o seu instrumento político (o Partido Conservador) apresenta à população. A origem social dos seus dirigentes dá uma imagem que preocupa o establishment. Daí que, num momento de grande agitação social, esse establishment tenha querido dirigentes que não procedessem das classes dominantes, que quebrassem essa imagem. Thatcher, filha de merceeiros, e Major, filho de um desempregado, foram figuras escolhidas para quebrar aquela imagem que, apesar destas mudanças, o Partido Conservador continua a ter (David Cameron é filho de uma família de grande fortuna).
Thatcher foi uma figura promovida pelo establishment com o objetivo de destruir os sindicatos, cujo grupo central e mais radical foi o sindicato dos mineiros. Reduziu também a proteção social a tal ponto, que a mortalidade na maior parte dos sectores populares (como largamente documentou Richard G. Wilkinson no seu livro Unhealthy Societies) aumentou durante o seu mandato, incluindo as taxas de suicídio, homicídio e alcoolismo, fazendo aparecer de novo um problema já extinto: a fome, em especial entre as crianças, e muito particularmente nas regiões mais pobres, como Yorkshire, Escócia e País de Gales (ver The Iron Lady: the Margaret Thatcher Movie we don’t need, de Laura Flanders, The Nation, 04.01.12).
O filme mostra os sindicalistas como sendo violentos, vociferadores e irracionais mas nunca explica por que razão as classes populares e os sindicatos se revoltaram contra as condições miseráveis que as políticas thatcherianas estavam a impor à classe trabalhadora da Grã-Bretanha. Foi ela quem tornou famosa a expressão “acreditamos na luta de classes e venceremos”. Thatcher, tal como Reagan nos Estados Unidos, tentou criar uma cultura na qual todas as vítimas do sistema darwiniano que ela desejava estabelecer se sentissem responsáveis pela sua própria situação.
Thatcher feminista?
Mas o que atinge níveis absurdos no filme é apresentar Margaret Thatcher como feminista, o que deu origem a protestos generalizados dos círculos feministas nos dois lados do Atlântico Norte. Como referiu a NOW (a maior associação feminista dos Estados Unidos), Thatcher foi a dirigente britânica que recortou mais drasticamente os direitos das mulheres na Grã-Bretanha. O seu desprezo pelas feministas e os cortes de direitos laborais e sociais que efetuou atingiram duramente as mulheres britânicas. O seu profundo reacionarismo levou-a também a apoiar as ditaduras mais reacionárias existentes no mundo, incluindo a do general Pinochet, transformando-a numa das suas maiores defensoras. E as suas políticas neoliberais foram a causa da crise que vemos agora na Europa.
Mas o seu cinismo chegou ao extremo de criar uma guerra (a guerra das Malvinas) para tentar recuperar a sua popularidade, coisa que se reconhece no filme e que os seus promotores apresentam como exemplo de equilíbrio na análise a esta figura. Mas esta apresentação crítica (excecional no filme) de Margaret Thatcher foi muito pouco explorada, porque não revela suficientemente o equacionamento oportunista na programação da guerra que Thatcher efetuou e que foi claramente documentada nos meios de comunicação. Hoje, os establishmentsconservadores e neoliberais britânicos, americanos ou espanhóis, entre outros, sentem a falta da Sra. Thatcher, uma das figuras – a par de Ronald Reagan – mais negativas e destrutivas do século XX.
http://www.vnavarro.org/index.php?p=6841&lang=es
Tradução de Helena Pitta para o Esquerda.net