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12 de jan. de 2014

Portugal é o sexto país mais envelhecido do mundo


Foto Paulete Matos.

Portugal passou de país menos envelhecido da Europa, em 1970, para o sexto país mais envelhecido do mundo em 2011. Em 2012, batemos o recorde da mais baixa natalidade de sempre. Engravidar mais tarde e ter unicamente um filho é, cada vez mais, uma opção determinada pelas condições do mercado de trabalho e pela deterioração das condições de vida.
A investigadora Anália Torres e a especialista em demografia Maria João Valente Rosa traçaram, durante uma conferência realizada pelo Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) subordinada ao tema “Demografia, Natalidade e Políticas Públicas”, um cenário avassalador no que respeita ao envelhecimento do país.
Se, há quarenta anos, o país apresentava a maior taxa de natalidade da Europa, atualmente, Portugal é o detentor da taxa de natalidade mais baixa.
Segundo Maria João Valente Rosa, que partiu da análise dos dados estatísticos da Pordata, ainda que a população portuguesa tenha aumentado 1,7 milhões entre 1960 e 2010, em 2012, “batemos o recorde da mais baixa natalidade de sempre, com 89.841 nascimentos”, um número bastante inferior ao registado em 2011 (107.598).
Anália Torres referiu, por sua vez, que Portugal foi o país europeu onde se observou uma maior redução da natalidade entre 1990 e 2011. “Era o país com a maior taxa de natalidade e agora a menor”, frisou.
Por isso, “nascer em Portugal é nascer num país envelhecido”, adiantou Maria João Valente Rosa, sublinhando que em Portugal se “envelhece de forma acelerada”.
Em 1970, Portugal era o país menos envelhecido da Europa, tornando-se, em 2011, “um dos mais velhos do mundo”, ocupando o sexto lugar.
Há dois anos, a idade média da população portuguesa era de 42 anos. Em 1960 era de 28 anos. Atualmente, o número de pessoas com idade igual ou superior a 65 anos é maior do que o número de pessoas com idade inferior a 15 anos.
Entre 1990 e 2011 todos os países nórdicos, em particular os escandinavos, começaram a subir no índice de fecundidade, sendo que, atualmente, o ponto mínimo de fecundidade nos países nórdicos é o ponto máximo de fecundidade nos países do sul, avançou Anália Torres.
Segundo esta investigadora, a mudança justifica-se pelas políticas sociais adotadas nos países escandinavos, onde é assumido que “mulheres e homens têm direito ao trabalho e à família e que as crianças devem ser protegidas por todos e são uma responsabilidade da sociedade”.
Já em Portugal, as mulheres portuguesas trabalham “muito mais tempo” do que as mulheres da União Europeia a 27.
“Nos países de referência em termos de fecundidade (como os escandinavos, os países baixos ou a Bélgica), as mulheres estão acima da média da União Europeia (UE) em termos de trabalho a tempo parcial”, apontou Maria João Valente Rosa, sublinhando que, em Portugal, o trabalho a tempo parcial representa 17%, metade da média da UE (33%).
As mulheres não só são sujeitas a uma carga horária laboral superior à dos homens como auferem rendimentos inferiores, ainda que sejam, inclusive, mais escolarizadas.
As mulheres são mães cada vez mais tarde e acabam por ter unicamente um filho, opção que é cada vez mais determinada pelas condições do mercado de trabalho e pela deterioração das condições de vida.
Entre 1986 e 2012, a idade materna aumentou, em média, seis anos, para os 30 anos.

Artigo publicado no esquerda.net a 8 de novembro de 2013
Fonte:  http://www.esquerda.net/dossier/portugal-%C3%A9-o-sexto-pa%C3%ADs-mais-envelhecido-do-mundo/30914

20 de jul. de 2012

Seca nos EUA pode provocar crise global de alimentos


O governo do presidente Barack Obama preveniu que o abastecimento alimentar estava ameaçado pelo agravamento da seca que aflige mais da metade do país e pediu para o Congresso reativar programas extintos de ajuda em situações calamitosas.

Obama reavaliou a situação com o secretário da Agricultura, Tom Vilsack, que a chamou de "situação mais séria" em cerca de 25 anos e acrescentou que estava rezando para chover. "Eu me ajoelho todos os dias, e faço uma oração extra", disse Vilsack aos jornalistas na Casa Branca, depois de discutir a situação com o presidente. "Se soubesse uma oração da chuva ou uma dança da chuva, eu poderia fazê-la", afirmou.


Vilsack disse que 1.297 condados, aproximadamente um terços dos condados do país, foram classificados como áreas de desastre. Ele disse também que outros 39 foram incluídos na conta nesta semana.


Mais de três quartos da safra de milho e soja do país estão em áreas atingidas pela seca, e mais de um terço dessas safras estão agora classificadas como muito fracas, disse o secretário. O preço do milho subiu 38% nas últimas semanas, e o da soja, 24%. O país ainda poderá ter a terceira maior safra de milho da história porque o tempo bom anterior encorajou o plantio, mas Vilsack disse que a seca faria aumentar os preços dos alimentos em 2013.


O custo da carne bovina, suína e de aves poderá cair no curto prazo porque os rebanhos estão sendo liquidados, levando mais carne ao mercado, disse ele. Mas esses preços provavelmente subirão mais para o fim deste ano ou no começo do próximo.


Ele não quis especular sobre a possibilidade de a seca estar relacionada à mudança climática.


"Tudo que sabemos é que nesse momento há muitos agricultores e criadores em dificuldade", disse Vilsack, acrescentando que a prioridade deve ser "o que nós podemos fazer para ajudá-los".


O governo baixou a taxa de juro para empréstimos de emergência e tem trabalhado para acelerar programas de ajuda. Vilsack disse que o Congresso poderia ajudar recuperando programas para desastres que expiraram no ano passado ou fornecendo outra ajuda via o Food, Farm and Jobs Act, uma reforma pendente do programa de agricultura e nutrição do país.
The New York Times/O Estado de S. Paulo