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11 de out. de 2014

Por um sínodo permanente

Fonte: domtotal.com

Nesse domingo, o papa Francisco abriu em Roma a 13a sessão do Sínodo dos bispos, com representantes do episcopado católico do mundo inteiro. Esse sínodo extraordinário está reunido para refletir e tomar decisões que atualizem a posição da Igreja Católica em relação a questões da família e da moral sexual. Na semana passada, cinco cardeais, membros da Cúria romana, publicaram um livro coletivo. Nesse livro, afirmam que, em matéria de moral e disciplina, a Igreja nada tem a mudar, porque a lei é lei e vem de Cristo. No mundo inteiro, muitos padres e bispos são da mesma posição dogmática e rígida. Ao contrário, o papa Francisco e boa parte do povo, católico e não católico, pensa de modo diferente. O papa cita o Evangelho no qual Jesus diz claramente: “A lei foi feita para o ser humano e não o ser humano para a lei” (Mc 2, 27). “Eu vim chamar os pecadores e não os justos (Mc 2,17). Eu quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9, 13).
De fato, há mais de 50 anos, quando o papa João XXIII convocou os bispos católicos do mundo inteiro para se reunirem no Concílio Vaticano II, explicava que uma coisa é a verdade da fé e outra a expressão que, em cada época, toma essa verdade. A palavra de Deus é eterna e não muda. No entanto, a formulação de sua palavra é humana, histórica e contextual. Precisa ser interpretada à luz do projeto divino para o mundo que é justiça, paz e amor inclusivo e nunca desamor, incompreensão ou condenação de nenhuma categoria humana. No século II da nossa era, Tertuliano, um pai da Igreja do norte da África, afirmava: “Para quem é cristão, nada do que é humano pode ser estranho”.

De fato, o Concílio Vaticano II renovou profundamente a forma como a Igreja Católica interpreta a revelação divina, a relação com as outras Igrejas cristãs e sua missão no mundo. Na época do Concílio, a Igreja podia contar com muitos bispos que se colocavam como pastores do seu povo e profetas do projeto divino no mundo. Hoje, a Igreja continua contando com bispos que são homens espirituais e bons pastores do seu povo. No entanto, para garantir a continuidade dessa missão, é preciso rever a natureza e o estilo da atual formação dos padres nos seminários. Muitos bispos se dizem de acordo com a proposta de renovação eclesial do papa, mas mandam os jovens serem formados por seminários que os formam em uma linha contrária a qualquer renovação.

O que está em jogo não é apenas um modelo de atuação e de presença no mundo. O mais importante é que imagem de Deus as pessoas que creem e os ministros apresentam. Como disse alguém: “Sem dúvida, Deus é bom, mas parece que se deixa rodear de pessoas que não amam”.

No século I de nossa era, Igreja era um termo político. Designava as assembleias de cidadãos das cidades gregas do Império Romano. Tinham funções semelhantes à nossa câmara de vereadores. Em suas cartas, Paulo se apoderou desse termo (Igreja) para as primeiras comunidades cristãs. Ele fez isso para afirmar que os grupos cristãos deveriam sempre ser comunidades nas quais se pratica permanentemente o diálogo, a unidade nas diferenças, como parábola do projeto divino de justiça e de paz no mundo. Essa vocação é expressa pelo termo grego “sínodo” (caminhar juntos). Há algumas décadas, quando surgiu a teologia da libertação e alguns bispos e padres conservadores afirmavam que a Igreja não é uma democracia, Dom Pedro Casaldáliga, então bispo de São Félix do Araguaia, respondia: “Absolutamente de acordo. A Igreja não pode ser apenas uma democracia. Ela tem de ser muito mais. Deve ser e se mostrar como comunhão”.

Infelizmente, durante séculos, as Igrejas cristãs adotaram modelos de organização vindos da cultura dominante na época. O papa se tornou chefe de Estado e era sempre visto como o pontífice reinante e os bispos, príncipes da Igreja. Desde que foi eleito no dia 13 de março de 2013, Francisco optou por se apresentar como bispo de Roma e tem sempre proposto uma Igreja descentralizada e em diálogo com a humanidade, diálogo que há mais de 50 anos, o papa João XXIII começou e depois dele, não teve mais continuidade. Agora, o papa Francisco o retoma e propõe uma Igreja voltada para o mundo e a serviço dos mais pobres. Uma Igreja sinodal que caminhe junto com a humanidade. Mesmo os ritos religiosos e a espiritualidade devem ser profundamente penetrados por essa mística do diálogo e da busca de comunhão. E a profecia e os sinais de contradição devem ser vividos em relação às estruturas injustas e excludentes da sociedade e não contra as pessoas. O atual sínodo dos bispos durará três semanas, mas o mais importante de tudo é que ele recoloque a Igreja em um processo de sínodo permanente e não somente de bispos  e sim de todas as pessoas que quiserem participar desse caminho. Como escreve o anjo do Apocalipse: “Quem tiver ouvidos, escute o que o Espírito diz hoje às Igrejas” (Ap 2, 5).

Marcelo Barros Marcelo Barros é monge beneditino e teólogo especializado em Bíblia. Atualmente, é coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT). Assessora as comunidades eclesiais de base e movimentos sociais como o Movimento de Trabalhadores sem Terra (MST). Tem 45 livros publicados dos quais está no prelo: "O Evangelho e a Instituição", Ed. Paulus, 2014. Colabora com várias revistas teológicas do Brasil, como REB, Diálogo, Convergência e outras. Colabora com revistas internacionais de teologia, como Concilium e Voices e com revistas italianas como En diálogo e Missione Oggi. Escreve mensalmente para um jornal de Madrid (Alandar) e semanalmente para jornais brasileiros (O Popular de Goiânia e Jornal do Commercio de Recife, além de um jornal de Caracas (Correo del Orinoco) e de San Juan de Puerto Rico (Claridad).

6 de fev. de 2012

La gente piensa que el obispo no es católico




Por: Emiliano Ruiz Parra 
Raúl Vera López, el obispo de Saltillo, canta mambos, celebra misa con prostitutas, denuncia santos falsos, acoge a la comunidad homosexual y piensa que la salvación en el Cielo no es posible sin la liberación en la Tierra.


El obispo de Saltillo es muy odiado y muy amado al mismo tiempo.
Fotos de Ana Lorenzana

Bergen, Noruega. Raúl Vera López se enfunda el hábito de dominico y se peina el delgado cabello blanco para tomarse una fotografía con defensores de derechos humanos de todo el mundo, entre ellos una premio Nobel de la Paz. Mientras tanto cuenta un chiste. Y luego otro. Y otro. Los de curas son su especialidad: curas borrachos, curas que desobedecen el celibato, y luego vienen los de presidentes de México. El miércoles 3 de noviembre es un día excepcional en Bergen, Noruega, la ciudad más lluviosa de Europa, porque el sol calienta el patio de la Escuela de Economía de Noruega, donde se reúnen para una fotografía grupal hombres y mujeres que han sobrevivido a condenas de muerte, que han pasado años o décadas en la cárcel o exiliados, que fueron torturados y perseguidos por pertenecer a minorías étnicas, religiosas o sexuales. Raúl Vera, obispo de Saltillo, se acomoda el solideo mientras cuenta el último chiste, ahora en inglés, para que le entienda un noruego que se acerca a pedirle que no se ría ni haga reír a los demás mientras les toman la fotografía, o de lo contrario su imagen saldrá borrosa.
El obispo de Saltillo, Raúl Vera López, recibió en 2010 el premio de la Fundación Rafto para los Derechos Humanos, uno de los más importantes del mundo -cuatro laureados de Rafto obtuvieron después el Nobel de la Paz-, cuando el comité de selección valoró el número de batallas en las que estaba involucrado: la defensa de los transmigrantes centroamericanos, los mineros de carbón, los homosexuales, los indígenas, las trabajadoras sexuales, los familiares de desaparecidos de la guerra contra el narcotráfico, los deudos de la mina de Pasta de Conchos, donde sesenta y cinco mineros murieron sepultados; los trabajadores del Sindicato Mexicano de Electricistas, despedidos en masa de una empresa paraestatal en octubre de 2009… A Raúl Vera no lo han torturado o exiliado, pero ya tomó precauciones: en su muñeca izquierda porta una pulsera de acero con su nombre, sus datos de contacto, su tipo de sangre, su alergia a los antibióticos: "Para el día que me disparen sepan quién soy", me dice. La misma pulsera la lleva su compañera de batallas, Jackie Campbell, quien sí tuvo que salir de México tras casi tres años acosada por los paramilitares, las incursiones a su departamento, donde le cortaban los cables del teléfono sin tocar sus pertenencias, y los robos temporales de su vehículo.
Entre los premiados Rafto, Raúl Vera López goza de fama de trasnochador y fiestero. Y bien ganada: el obispo de Saltillo se siente tan cómodo en el bullicio de una cantina como en el silencio de su reclinatorio, y tan a gusto celebrando misa con prostitutas en Viernes Santo como discutiendo dogmas de fe con teólogos del mundo. Siempre está conversando -ya sea con alguien más o consigo mismo-, y por eso tarda eternidades en las pequeñas tareas de la vida cotidiana, como vestirse o estacionar el coche. Pero esa torpeza con el volante se compensa con el dominio de susgadgets. Chico Mac -como lo define Campbell-, carga con laptop, iPhone, iPad y BlackBerry y si acaso no hay Wi-Fi sabrá cómo compartir la red de internet desde su teléfono. Y es tan celoso de su dosis diaria de oración que a menudo se disculpa en medio de una sobremesa, sube a la capilla del segundo piso de su casa y celebra la misa en soledad.
Sencillo en las necesidades de su vida diaria, Vera López duerme en una camita igual a la de sus tiempos de novicio y vive en una casa de amueblado rústico en cuya sala cuelga un cuadro que le regalaron indígenas de Chiapas cuando dejó la diócesis de San Cristóbal, con decenas de pequeñas manos y la leyenda: "Jtatik, no existe lejanía". Maneja un Honda Accord blanco después de que el anterior coche de la diócesis, un Pontiac de modelo viejo, se perdiera completamente en una volcadura cuando el conductor esquivó un tráiler y Vera López saliera ileso. Deportista en su juventud, aunque impedido de correr tras una fractura mal cuidada en la pierna izquierda, dedica unos cincuenta minutos diario a caminar, tiempo en el que prepara mentalmente su sermón del día.
La primera semana de noviembre de 2011, la Fundación Rafto -nombrada en honor a Thorolf Rafto, economista noruego y promotor de la democracia en Europa del Este, que fue torturado por la policía soviética en Praga- cumplió su veinticinco aniversario y una decena de sus veinticinco premiados acudieron a celebrarlo. No todos pudieron venir: el vietnamita Thích Quàng ô vive bajo arresto domiciliario; José Ramos-Horta es el presidente de Timor Oriental, por mencionar dos destinos divergentes. Seguí al obispo Raúl Vera hasta esta ciudad de la costa occidental de Noruega y atestigüé algunos rasgos de la personalidad del obispo de los que ya me habían platicado sus amigos y colaboradores.
La noche del sábado 5, unas jóvenes voluntarias de la fundación lo llevan a tomar una cerveza al bar Biskopen, y cuando le dicen que el nombre del bar significa "obispo", Vera López canta el merengue puertorriqueño: "Mamita, llegó el obispo, llegó el obispo de Roma, / si tú lo vieras, mamita, qué cosa linda, qué cosa mona", y da algunos pasos de baile a las puertas del local frente a unas sorprendidas y emocionadas voluntarias. Unas horas antes, sin embargo, se apasiona, manotea, levanta la voz cuando le pido que me explique, una vez más, la teología de Santo Tomás de Aquino y que me cuente la vida de Domingo de Guzmán, Vicente Ferrer y Catalina de Siena, tres santos de su congregación.
Su rasgo de carácter es el apasionamiento. Pareciera indignado cuando su tez blanca -fue pelirrojo y pecoso antes de encanecer- se torna rosada, aumenta la potencia de su voz y agita el índice de la mano derecha. En las reuniones con obreros despedidos, campesinos despojados, transmigrantes extorsionados, homosexuales perseguidos y esposas de hombres desaparecidos, es un diapasón que vibra al ritmo de las denuncias que oye. Pero de inmediato la indignación abre paso a una calidez de abuelo: con las dos manos estrecha la cara de las mujeres y después les planta un beso por mejilla: "Raúl Vera trata a la gente que acaba de conocer como si fuera su amigo de toda la vida", me dice una colaboradora de la Rafto.

Fonte: Gatopardo