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10 de jun. de 2015

Nós votamos, eles elegem

Só um imbecil pensa que empresas realmente 'doam' a candidaturas.
fonte: domtotal.com
Frei Betto
Haverá eleição presidencial nos EUA em 2016. Como no Brasil, lá também o povo vota, mas quem elege é o dinheiro. Os pré-candidatos estadunidenses já paparicam os grandes doadores de campanhas: Sheldon Adelson, dono de cassinos, nos últimos 12 anos doou US$ 120 milhões aos republicanos; George Soros, especulador, US$ 44 milhões aos democratas. Os irmãos David e Charles Koch, do ramo petroquímico, se dispõem a arrecadar US$ 900 milhões para os republicanos; e tantos outros bilionários se mobilizam. Na corrida ao Planalto, em 2014, nossos candidatos arrecadaram, juntos, R$ 586 milhões. A campanha de Dilma abocanhou R$ 318 milhões, mais da metade do total. Zerou todas as despesas e ainda sobraram R$ 169 mil. Aécio arrecadou R$ 201 milhões, e ficou dependurado na dívida de R$ 15 milhões. Até 1997, no Brasil era proibido empresas financiarem campanhas eleitorais. O PSDB quebrou a boa norma e fez aprovar a lei eleitoral nº 9.504, que permite financiar candidatos sem que o dinheiro passe pelos partidos. Só um imbecil pensa que se trata de "doação". É, de fato, investimento. Empresas e bancos "emprestam" grana à espera de retorno assegurado pelo desempenho político do eleito. Não há papel assinado, exceto quando a doação é ao partido. Se o candidato perde, o investidor contabiliza na folha de "perdas e danos". E nada impede de o candidato embolsar parte do recurso recebido. Se é eleito, sabe que deverá ser leal a seus "investidores", caso contrário será castigado nas próximas eleições e ficará a pão e água... Os maiores investidores procuram formar bancadas, como a do BBB (bola, bala e Bíblia), assim como há bancadas do agronegócio, da bebida alcoólica, dos frigoríficos etc. São 39 os países que, hoje, proíbem empresas de financiarem eleições, entre eles Portugal, França, Canadá, México, Colômbia e Peru. Além da grana "por fora" de empresas e bancos, no Brasil há ainda a grana do Fundo Partidário. Até abril deste ano era de R$ 290 milhões. Dilma, apesar do ajuste fiscal, triplicou-o. Agora é de R$ 868 milhões. Também ela investe na base aliada... Em época de eleições, você já escutou "Interrompemos a nossa programação para o programa eleitoral gratuito." Mentira. Não é gratuito. O valor do tempo cedido por rádios e TVs à campanha eleitoral é abatido no imposto de renda das emissoras. Em 2014, elas ganharam R$ 840 milhões de isenções fiscais. E o mais intrigante: a União é, constitucionalmente, a proprietária do sistema radiotelevisivo brasileiro. E, no entanto, paga para utilizá-lo em campanhas de interesse público. O STF decidiu por 6 a 1, em maio de 2014, proibir doação de empresas a campanhas eleitorais. Porém, o juiz Gilmar Mendes, contrário à decisão, apelou para o recurso de "pedido de vistas" e enfiou o processo debaixo do braço. E não há lei que o apresse. Na verdade, ele queria ganhar tempo para transferir a decisão para o Congresso. Acreditava que deputados e senadores, capitaneados por Eduardo Cunha, vetariam a proibição. Resta à sociedade civil pressionar para que os nossos políticos tenham vergonha na cara e decência no bolso. E, na próxima eleição, votar com mais consciência.

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.

30 de mai. de 2012

Efêmeros


"Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor;" (1 Pedro 1:24 ARA)
Quando eu tinha a idade que os meus filhos têm hoje, entre 12 e 15 anos, eu olhava para um homem de 30 anos e pensava "ele é um velho". Um homem de 50 anos me despertava pena, pois eu pensava "logo vai morrer, é muito velho". via,h Alguém com mais de 70 anos me deixava intrigado como ainda estava andando.
Passaram-se os anos e, hoje com mais de 40 invernos, meu pensamento amadureceu e mudou muito, mas algo Deus me fez perceber. Eu sou exatamente aquilo que eu observava nos homens de 40 anos, quando eu tinha meus 14. Eu via barrigas, cabelos brancos, algumas rugas, em uma rampa decrescente de vigor, como que murchando lentamente. Acho que não sou o único...
No sentido inverso vem nosso ser imaterial, com alma e espírito em aperfeiçoamento contínuo, clamando por uma carroceria que suporte mais impactos para poder fazer mais. Como sempre, a Palavra de Deus estava certa e eu errado. Não sou velho como pensava que eram os homens de 40 anos, mas sem dúvida a erva começa a secar. Isso pode desanimar a algums, mas não a mim.
Isso me faz focar no que realmente é importante, pois perdi muito tempo com coisas sem nenhum valor. Me faz também lembrar que meu destino é eterno e minha caminhada é passageira. Me faz perceber coisas que valem a pena. Vejo o valor das verdadeiras amizades, com pessoas que, como eu, estão caminhando, uns no vigor dos 18 anos e outros mais adiantados no secar da erva. Vejo o valor de aprender a Palavra de Deus e gastar tempo na Sua Presença. Vejo o quanto me renova e me fortalece investir no Reino de Deus e não neste mundo. Tenho gratidão pelo privilégio de chegar ao ponto de ver a erva começar a secar, mas entender que ainda tem muito chão pela frente até que caia a flor. Tenho gratidão pela alegria dos bons momentos e pelo ensino dos momentos difíceis.
Viverei ainda muitos anos para glória do Senhor, mas jamais voltarei a ser jovem como fui um dia. Sou grato por isso.
"Pai, obrigado pelo dom da vida que traz consigo essa dinâmica de um dia envelhecer por fora. Tua Presença me anima e me renova. Obrigado por me dar vida e me receber em Teu Reino."
Mário Fernandez
Fonte site: http://www.ichtus.com.br/dev/2012/05/29/efemeros/