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2 de abr. de 2015

Eu vim para servi

                        Júlio Lázaro Torma*
                               " Amou-os até o fim"
                                               ( Jo 13,1)
     Estamos no Tríduo Pascal, onde celebramos e viveremos a entrega,paixão e morte e ressurreição do Senhor,o ápice do ano litúrgico.Onde recordamos e vivemos o Amor de Deus por nós que se concretiza na morte de Jesus de Nazaré o Deus que se fez homem por seu amor por cada um e uma de nós.
   Esta noite é diferente como nos fala o filme de Mel Gibson, a " Paixão de Cristo", e nos pergunta; " Porque está noite é diferente das outras?", porque nos mostra o amor de Jesus por nós, que se esvaziou se da sua condição e se tornou o menor de todos se fez servo, como ele mesmo nos fala:" Eu vim para servir" ( Mc 10,45).
    Na primeira leitura nos fala da Festa da Pesach ( Páscoa), quando YHWH ( Javé), liberta o seu povo escravo no Egito, onde os hebreus deveriam reunir as suas famílias para a ceia pascal e quando Deus vem e liberta o seu povo escravo.
   O Evangelho de João não nos apresenta a Instituição da Eucaristia, como nos evangelhos sinóticos,pois para as comunidades joaninas é o serviço. O Evangelho de João é um evangelho litúrgico e eucarístico, onde nos fala no Pão da vida ( Jo 6,22-56), Vinho ( Jo 2), Água viva( Jo 7,37-39, 19,34).
   Ao estarmos em comunhão e comungarmos o corpo e sangue de Jesus somos chamados a fazer parte de sua vida e a termos o mesmos sentimentos que Ele teve e que o moveu.
   Jesus vai lavar os pés dos discípulos, Pedro não entende ele tem uma outra visão de Jesus, de alguém superior na qual deve ser servido. Jesus vai contra a corrente como ele mesmo falava, " Quem quiser ser o maior deve ser aquele que serve" ( Mc 10,43) e "quem quiser ser o primeiro deverá ser servo de todos" ( Mc 10,44). Lavar os pés no tempo de Jesus, era oficio do escravo.Quando chegava um hospede, um convidado, o escravo tinha que lavar os pés, era o oficio do escravo e Jesus nos ensina que nada é mais humilhante do que amar.
   Quem ama se coloca a serviço do outro e isso exige que sejamos humildes, quem não é humilde não ama. Pedro não entendeu o gesto de Jesus, quando não deixa lavar os pés " tu nunca me lavarás os pés" ( Jo 13,8).
    Porque ele reagiu desta maneira? porque considerava o Mestre muito importante para aquela função reservada aos de menor importância em uma casa.
    " Não se pode amar se não é humilde. Não se pode amar se não tem o sentido do serviço no coração. Não se pode construir a civilização do amor sem bases de humildade e de serviço ao irmão! Abrir o coração ao irmão! Irmão que te faz falta, em que te pode servir" ( Dom Oscar Romero).
    Lavar os pés significa '' eu estou ao teu serviço", servir e ajudar o outro é estar aberto ao outro e não ficar isolado e fechado em si mesmo. É nós sairmos do nosso orgulho,prepotência, arrogância e ter a humildade de acolher e ajudar o outro e estar com o outro.
   Nós discípulos do Senhor temos que ser humildes e " fazer em memória dele" ( I Cor 11,25) é " Dei vos o exemplo para que façais a mesma coisa que eu fiz" ( Jo 13,15).
   Devemos ser servidores e proclamadores da " civilização do amor e da solidariedade", principalmente numa sociedade marcada pela competitividade e individualismo, onde o que importa é o " eu", onde eu estando bem nada mais importa.
    Isso faz com que ficamos embrutecidos e orgulhosos e ficamos fechados em nós mesmos e vemos no outro como um concorrente que deve ser derrotado e destruído e não como um irmão ou um outro eu,que tem sentimentos e deve ser valorizado e respeitado como ele é.
   Em meio as " angustias, derrotas e vitórias no palco do mundo" ( GS, 2),nós devemos dar o nosso testemunho de humildade e de serviço da vida e sermos os construtores e promotores de um mundo novo alicerçado na civilização do Amor, da Solidariedade e da Paz, que supere a civilização do ódio, da concorrência e do egoismo.
   Devemos ser uma Igreja solidária, servidora e missionária, que anuncia e que sabe ouvir e que não tem vergonha de lutar por igualdade,por justiça e dignidade para todas as pessoas sem acepções.
    Devemos ser uma Igreja em " saída", que " está em constante saída" ( EG, 20), que não tem vergonha de lavar as feridas dos mais pobres e escutar, acolher e visitar o homem de hoje conhecer a sua realidade, seus problemas e aspirações e não ter medo de lavar as feridas e as secar.
   Peçamos ao Senhor a fim de que possamos compreender estas lições de evangelização e de força que nos vêm da Paixão de Jesus. Que sejamos de fato uma Igreja humilde, Igreja a serviço, de igreja disponível, de Igreja capaz de criar uma nova forma de homem, um homem que represente, no meio da história de crueldade e injustiça,o amor e o poder de Deus.
   E que nos deixamos ser tocados pelo poder do Amor e não o amor pelo poder.Pois só quem sabe realmente amar é que sabe realmente servir e perdoar.
               Jo 13, 1-15
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    * Membro do colegiado da Pastoral Operária Nacional

28 de abr. de 2014

Tocar a Ferida: Curar nossas Feridas

                                        Júlio Lázaro Torma*
                                                 " Nós vimos o Senhor"
                                                                 ( JO 20,25)
 Estamos no Caminho da Páscoa, onde celebramos o grande Domingo da Ressurreição do Senhor.
  O Evangelista João nos apresenta a aparição de Jesus aos discípulos que ocorre no entardecer do domingo de Páscoa.Onde ele une a Páscoa com o Pentecostes, que se dá no entardecer do domingo.
   Os discípulos estão sozinhos e com medo, após a morte de Jesus, estão desorganizados, desorientados, como escrevia o profeta Zacarias: " ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas" ( Zc 13,7).
    Quando morre um ente querido, ficamos desorientados e feridos, com a sua perda, que causa muito medo e saudade. Pois perdemos aquela pessoa que foi o suporte para a nossa vida.
   A comunidade apostólica está desorientada e no meio da dor, das feridas, trancados em casa quando Jesus se faz presente. Lhes declara Shalón, a paz plena e integral para a pessoa que a recebe.
    Tomé, Dídimo, não está presente, na comunidade e não acredita na alegria de ver o ressuscitado.
    Ele é o protótipo do cristão que só acredita, vendo e que não acredita na alegria e na vida, da comunidade. Na transforma,ação em que se tem quando se começa a participar e a viver em comunidade. Muitas vezes as nossas dores são maiores no isolamento e quando participamos e vivemos na comunidade elas se tornam leves.
  Tomé no meio da sua dor só acredita vendo e toca com os dedos nas feridas das mãos, põe a mão no lado.
    Nas feridas daquele que por amor, carregou as nossas dores e as feridas em que nós carregamos nas nossas vidas e no nosso dia a dia.
    O mundo hoje carrega as suas dores da violência normativa, do tráfico de drogas, do tráfico de pessoas, das guerras, da exclusão social, da fome, miséria, pobreza, desigualdades sociais que faz com que vivemos sem esperança, muitas vezes frustrados, perdidos e distantes da fé. Onde o socorro e a paz parecem que não vem de lugar algum.
    Tocamos como Tomé, nas feridas do Ressuscitado daquele que carregou sobre si as nossas dores, não vamos ter medo. E ao tocar as suas feridas, dizemos como canta o Pe. Antônio Maria:
     " Cura Senhor, onde dói
       Cura Senhor, bem aqui
       Cura Senhor, onde eu não posso, eu".
     Deixamos que o seu lindo olhar nos envolva e nos cure de todo o mal que nos aflige e que faz com que ficamos com medo e carregando as feridas não cicatrizadas. O mundo vive sem esperança e entristecido pelas dores e feridas e nos exige uma palavra de consolo e testemunho.
   Como os discípulos outrora entristecidos pela dor da morte corporal de Jesus, não tenhamos medo de fazer a experiência do Ressuscitado. Vamos deixar o Ressuscitado, tocar com o seu amor e em nossas vidas e vamos levar ao mundo a alegria da Ressurreição, da Vida Nova e dizermos alegremente como os discípulos á Tomé:
     " Nós vimos o Senhor" ( Jo 20,25) e como Tomé dizemos " Meu Senhor e meu Deus" ( Jo 20,28);Porque somos felizes por crer sem ter visto o Senhor, com os nossos olhos físicos.
                        São João 20,19-31
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  * Membro do Colégiado Nacional da Pastoral Operária
  

25 de jan. de 2014

Iluminados Pela Luz de Cristo


                             Júlio Lázaro Torma*
                              " Eles deixaram imediatamente as redes"
                                                               ( Mt 4,20)
  Mateus nos prepara o coração para o " Discurso do Sermão da Montanha" ( Mt 5-7), que vamos meditar até o ínicio da Quaresma. Jesus após nascer em Belém, viver o exílio no Egito e depois retornar para a sua terra e viver na pequena Nazaré na Galileia.
   No tempo em que o Evangelho de Mateus, foi escrito havia uma rivalidade entre as comunidades de João Batista e as comunidades cristãs, para saber qual delas era a verdadeira, se era João Batista ou Jesus de Nazaré.
   Jesus incía o seu ministério na Galileia, uma região habitada por " Gentios", uma região que era rota comercial do Oriente médio e ao mesmo tempo habitado por camponeses, pessoas pobres.Na periferia longe dos poderes constituídos Jesus inicia a sua missão entre os pobres e no meio deles, ele escolhe os discípulos, pescadores profissionais.
    Os pescadores eram considerados impuros pela Religião Oficial, por tocarem em peixes que " tem barbatanas e escamas" ( Lv 11,9-12) e estes seguem Jesus e deixam as suas redes. Na Galileia entre pessoas simples, de que não se espera nada que a luz de Cristo ilumina.
   João é preso, o movimento profético e a lei está encerrada e fechada, já não tem sua liberdade passada; mas nós passamos da LEI ao EVANGELHO.
   Agora inicia o tempo de Jesus. A pregação de Jesus é radical como a de João e exige que as pessoas mudem de vida e de atitudes para acolher e reconhecer o Reino do Céu que está se aproximando. Se João Batista pregava no deserto, Jesus vai as cidades, como sintetiza todo o Evangelho, os versículos ( 23-25) e desenvolve a sua atividade, que é a palavra( ensinar, pregar) e ação ( curar).
Sua atividade é dirigida os mais pobres, necessitados e marginalizados.
   Como discípulos devemos evangelizar, sair de nós mesmos e fazer como o Mestre, não ficarmos encastelados ou no deserto. Mas ir a cidade as suas periferias. Muitas vezes as nossas cidades são verdadeiros desertos, desertos da própria existência humana. Quantas pessoas estão longe da luz que é Cristo?
   Olhemos para a cidade, onde reina cada vez  mais o individualismo, consumismo e a indiferença, que gera o vazio, onde não me importo com o outro e nem sei quem ele é e nem os seus sentimentos.
   Vamos a periferia, vamos sair do nosso comodismo, deixar o medo de lado, medo que temos daquele que é diferente de nós. Que temos dos pobres e dos caídos na beira das calçadas, dos que mais precisam de nós e que nós não vamos e deixamos apagar a LUZ de Cristo que nos ilumina.
   Esta Luz que recebemos no nosso Batismo, ela não deve ficar só em mim. Quantos cristão mesmo dentro da Igreja deixaram a luz apagar ou são velas apagadas?
  Vamos deixar a luz de Cristo nos iluminar e viver de fato o seu Evangelho como discípulos e deixar com que está luz nos impulsione a ir ao encontro do outro e ir a cidade, as periferias ser sinal do Reino dos Céus que está em nosso meio.
  Como nos fala Santo Agostinho de Hipona:
  " Temos de buscar a Deus com o desejo de encontrar e tendo encontrado, devemos ter o desejo de encontrar novamente".
     Boas Meditações
        Bom Final de Semana
       ( Sexta Feira 24/ 01, inicio da Novena em Louvor a Nossa Senhora dos Navegantes)
       Mt 4,12-23
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   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária