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9 de jan. de 2015

O Céu Aberto

                                                                                                          Júlio Lázaro Torma*
                                        " Tu es meu Filho amado, em ti ponho meu bem querer"
                                                                                                           ( Mc 1,110
   Estamos em nossas comunidades celebrando a Festa do Batismo do Senhor. O batismo está ligado a Festa da Epifania. Onde encerramos o Ciclo Natalino e iniciamos o tempo comum até a quarta feira de cinzas.
    Marcos inicia o seu Evangelho, dando destaque ao Batismo de Jesus no rio Jordão.  No seio das comunidades de Marcos havia um debate entre aqueles que aderiram a fé e aqueles que ingressaram nas comunidades mediante a pregação apostólica. Os discípulos de João Batista, os mandeus, como Apolo e outros haviam aderido a comunidade do " caminho", como os encontrados na comunidade de Éfeso ( At 18,24-19,7).
   O Batismo de Batista era um batismo de conversão e de purificação. Na qual vem ao encontro do desejo de todo o homem e mulher de mudar de vida, reorganizar e organizar a sua vida, procurando um novo estilo de vida diferente daquele em que vivemos.
    João Batista pregava: " Fazei penitência, endireitai os vossos caminhos". Isso vai ao encontro ao que vem do fundo da nossa consciência, quantas vezes nós não falamos, " eu vou mudar", ' preciso mudar", ' quero mudar", ' não vou mais fazer isso", ' devo ser melhor", " preciso agir de maneira mais digna" e " não vou fazer mais isso ou aquilo", " devo fazer tudo diferente do que eu fiz até agora".
    Essa vontade de purificação é nobre e indispensável, mas não basta. Esforçamos para corrigir os nossos erros, defeitos, mudarmos as nossas atitudes, ser mais responsáveis, cumprir os nossos deveres e propósitos.
     E acabamos caindo na mesmice e praticando os mesmos erros e atos de sempre. O João Batista reconhece o limite de seu esforço:" Eu batizo vocês com água, mas ele vos batizara com o Espírito Santo com fogo" ( Mt 3,11).
     O Batismo de Jesus supera radicalmente a mensagem de João Batista. O céu que estava fechado agora se abre não para os castigos, nem o machado está na mão para cortar, nem a pá para atirar no fogo" ( Mt 3,7-12), como anunciava João Batista e os outros movimentos batistas ao longo do rio Jordão.
    Se pelo pecado de Adão ( Gn 3) o céu se fechou sobre a terra e o gênero humano, Pelo batismo de Jesus o novo Adão, o céu se abriu para o gênero humano e a criação. Pois o céu se abre e Deus fonte de Amor, nos derrama o seu amor. Se Deus é Amor, então ele só pode nos dar Amor, Paz, Bondade mesmo que nós erramos. Em Cristo nos tornamos os " filhos e filhas de Deus". Nos tornamos " Filho e Filha muito amado". A mensagem nos deixa claro, que com Jesus os céus outrora fechados, agora está aberto, mesmo que a gente erra e viva na mesmice ou numa vida medíocre. Pois a voz que Jesus escutou de Deus nos fala para cada um de nós:" Tu és meu filho amado; em ti ponho meu bem querer" ( Mc 1,11).
    Mesmo que vivemos numa vida errada, devemos nos purificar constantemente, mas como dom da " dignidade de filhos e filhas de Deus', da qual devemos cuidar com alegria e agradecimentos.
      Para quem vive está fé, a sua vida está cheia de momentos de graça, o nascimento de um filho, o contato com uma pessoa boa, a experiência de um amor puro,  honesto, sincero e verdadeiro... que põe em nossa vida uma luz e um calor novos.
      De repente parece -nos  ver o " céu aberto". Algo novo começa em nós, sentimo-nos vivos, desperta o melhor que existe em nosso coração. O que talvez tenhamos sonhado secretamente nos é dado agora de forma inesperada; um novo inicio, uma purificação diferente, um " batismo do Espírito". Por trás destas experiências está Deus amando- nos como Pai. Está seu Amor e o seu Espírito " doador de vida"(1)
   1.José Antonio Pagola:" O Caminho Aberto por Jesus- Marcos, Ed Vozes. Petrópolis, 2013
                                                 Mc 1, 7-11
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   * Membro do colegiado Nacional da Pastoral Operária

25 de jan. de 2014

Iluminados Pela Luz de Cristo


                             Júlio Lázaro Torma*
                              " Eles deixaram imediatamente as redes"
                                                               ( Mt 4,20)
  Mateus nos prepara o coração para o " Discurso do Sermão da Montanha" ( Mt 5-7), que vamos meditar até o ínicio da Quaresma. Jesus após nascer em Belém, viver o exílio no Egito e depois retornar para a sua terra e viver na pequena Nazaré na Galileia.
   No tempo em que o Evangelho de Mateus, foi escrito havia uma rivalidade entre as comunidades de João Batista e as comunidades cristãs, para saber qual delas era a verdadeira, se era João Batista ou Jesus de Nazaré.
   Jesus incía o seu ministério na Galileia, uma região habitada por " Gentios", uma região que era rota comercial do Oriente médio e ao mesmo tempo habitado por camponeses, pessoas pobres.Na periferia longe dos poderes constituídos Jesus inicia a sua missão entre os pobres e no meio deles, ele escolhe os discípulos, pescadores profissionais.
    Os pescadores eram considerados impuros pela Religião Oficial, por tocarem em peixes que " tem barbatanas e escamas" ( Lv 11,9-12) e estes seguem Jesus e deixam as suas redes. Na Galileia entre pessoas simples, de que não se espera nada que a luz de Cristo ilumina.
   João é preso, o movimento profético e a lei está encerrada e fechada, já não tem sua liberdade passada; mas nós passamos da LEI ao EVANGELHO.
   Agora inicia o tempo de Jesus. A pregação de Jesus é radical como a de João e exige que as pessoas mudem de vida e de atitudes para acolher e reconhecer o Reino do Céu que está se aproximando. Se João Batista pregava no deserto, Jesus vai as cidades, como sintetiza todo o Evangelho, os versículos ( 23-25) e desenvolve a sua atividade, que é a palavra( ensinar, pregar) e ação ( curar).
Sua atividade é dirigida os mais pobres, necessitados e marginalizados.
   Como discípulos devemos evangelizar, sair de nós mesmos e fazer como o Mestre, não ficarmos encastelados ou no deserto. Mas ir a cidade as suas periferias. Muitas vezes as nossas cidades são verdadeiros desertos, desertos da própria existência humana. Quantas pessoas estão longe da luz que é Cristo?
   Olhemos para a cidade, onde reina cada vez  mais o individualismo, consumismo e a indiferença, que gera o vazio, onde não me importo com o outro e nem sei quem ele é e nem os seus sentimentos.
   Vamos a periferia, vamos sair do nosso comodismo, deixar o medo de lado, medo que temos daquele que é diferente de nós. Que temos dos pobres e dos caídos na beira das calçadas, dos que mais precisam de nós e que nós não vamos e deixamos apagar a LUZ de Cristo que nos ilumina.
   Esta Luz que recebemos no nosso Batismo, ela não deve ficar só em mim. Quantos cristão mesmo dentro da Igreja deixaram a luz apagar ou são velas apagadas?
  Vamos deixar a luz de Cristo nos iluminar e viver de fato o seu Evangelho como discípulos e deixar com que está luz nos impulsione a ir ao encontro do outro e ir a cidade, as periferias ser sinal do Reino dos Céus que está em nosso meio.
  Como nos fala Santo Agostinho de Hipona:
  " Temos de buscar a Deus com o desejo de encontrar e tendo encontrado, devemos ter o desejo de encontrar novamente".
     Boas Meditações
        Bom Final de Semana
       ( Sexta Feira 24/ 01, inicio da Novena em Louvor a Nossa Senhora dos Navegantes)
       Mt 4,12-23
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   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

18 de jan. de 2014

O batismo cristão, um batismo de compromisso

Por Raymond Gravel*
Após o relato do Batismo do Senhor do Evangelho de Mateus, agora vem o de João. Ao contrário de outros relatos de batismo, em que é Jesus que se vê investido pelo Espírito, aqui em João é João Batista quem vê, e vendo, testemunha a identidade daquele que foi até ele: “Este é o Filho de Deus” (Jo 1,34). Mas este relato é profundamente teológico e devemos ter isto presente para compreendê-lo corretamente, para interpretá-lo corretamente e para melhor atualizá-lo; o que não faz André Beauchamp em Prions en Église desta semana, nas páginas 31-32.
Caso ignorarmos a teologia do evangelista João, podemos correr o risco de passar à margem da sua mensagem. São João serve-se do acontecimento do batismo de Jesus feito por João Batista e que é contado pelos outros evangelistas: batismo de água e de conversão, para anunciar um batismo novo, dado, desta vez, pelo Cristo ressuscitado: batismo do Espírito, do Pentecostes, do engajamento cristão na Igreja de Cristo. Mas por que este relato?

1. João tem sua maneira de fazer as coisas. Ele escreve seu evangelho depois dos outros, e assim como eles, após a ressurreição do Senhor, e ele projeta, de uma maneira mais que evidente, sobre a vida de Jesus, a luz deste depois. Para compreendê-lo corretamente, devemos observar dois traços particulares:

1.Na época do evangelista João (final do 1º século, começo do segundo), ainda existe uma comunidade batista, concorrente do cristianismo, fiel ao Batista morto. É por isso que o evangelista João não diz claramente que João Batista batizou Jesus, para não colocar Cristo em situação de inferioridade em relação ao Batista.

2.O evangelista João não estava preocupado com o que o Batista pensava sobre Jesus. Na verdade, ele coloca nos seus lábios o que todo cristão deve crer e ao qual deverão se unir os batistas. Veremos um pouco mais adiante que alguns discípulos batistas seguirão Jesus (Jo 1,35-51).

2. Para os seus discípulos, o Batista designa Jesus, primeiramente, como o Cordeiro de Deus, uma expressão carregada de lembranças bíblicas e lendárias: podemos pensar aqui no cordeiro pascal que redime o povo eleito da escravidão do Egito. Também, nas lendas judaicas, o Moisés que o Faraó, horrorizado, viu em sonho, como um cordeiro sobre o prato de uma balança, é aqui, Jesus, o novo Moisés, aplastando com seu peso as forças do mal. Na Bíblia, encontramos também o cordeiro que Deus reservou, desde a criação, para ser sacrificado no lugar de Isaac (Gn 22,13). Finalmente, em aramaico, a palavra talya significa, ao mesmo tempo, servo, como na primeira leitura de hoje (Is 49,3.5-6), e cordeiro levado ao matadouro, segundo o quarto Cântico do Servo (Is 53,7). É evidente que João Batista não pôde designar Jesus como Cordeiro de Deus; é o evangelista João que o faz dizer isso.

3. Além disso, o próprio Batista confessa sua fé cristã: como homem, Jesus veio atrás de João Batista, isto é, como seu discípulo: “Este é daquele de quem eu falei: ‘Depois de mim vem um homem...’” (Jo 1,30a). Mas na realidade, ele estava na sua frente: “‘(Este homem) que passou na minha frente, porque existia antes de mim’” (Jo 1,30b). Para compreender corretamente este existia, devemos reler o prólogo de São João: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo 1,1), e a afirmação de Jesus: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8,58). O Eu Sou é o nome que Deus se dá a si mesmo, para Moisés, na revelação do Sinai (Ex 3,14-16).

Mais uma vez, é o evangelista João que coloca na boca do Batista esta confissão de fé cristã; de sorte que o evangelista precisará, por duas vezes, que o Batista não conheceu Jesus: “Eu também não o conhecia. Mas vim batizar com água, a fim de que ele se manifeste a Israel” (Jo 1,31) (é o batismo da água e da conversão); “Eu também não o conhecia. Aquele que me enviou para batizar com água, foi ele quem me disse: ‘Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e pousar, esse é quem batiza com o Espírito Santo’” (Jo 1,33) (é o batismo no Espírito Santo: a Confirmação).

N.B. Alguns exegetas se perguntam como João Batista pôde dizer que não conheceu Jesus, uma vez que ele era, segundo Lucas, seu primo. A exegese nos mostra, pois, que, no evangelho de Lucas, o parentesco de Batista e de Jesus é teológico, assim como o desconhecimento de um e de outro é também teológico, no Evangelho de João.

4. João Batista torna-se, portanto, a testemunha do Cristo ressuscitado: “E João testemunhou: ‘Eu vi o Espírito descer do céu, como uma pomba, e pousar sobre ele” (Jo 1,32). Para o evangelista João, o verbo pousar expressa a presença de Deus, permanente e inalienável. Por esta manifestação do Espírito, trata-se do Messias anunciado pelos profetas, como o homem dotado da plenitude do Espírito (Is 11,2; 61,1). Se o evangelista João faz do Batista a testemunha do Ressuscitado, é para dizer aos batistas da sua época, que também eles deveriam reconhecer o Cristo como Filho de Deus e que também eles devem receber o batismo do Espírito. Para isso, eles têm o testemunho de João Batista e devem encontrar pessoalmente o Cristo através da Igreja, ou seja, através dos seus discípulos que vivem por ele e para ele.

Isso é muito exigente para os cristãos; eles têm a responsabilidade de manifestar o Cristo aos outros, e a única maneira de fazê-lo é saber-se transformados e santificados pelo Cristo: “Vocês que foram santificados em Jesus Cristo e chamados a ser santos, juntamente com todos os que invocam em todo lugar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso” (1 Cor 1,2). Esse vocês de São Paulo não é reservado aos ministros ordenados da Igreja; designa todas e todos aqueles que pertencem a Jesus Cristo pelo Batismo e pela Confirmação. É através delas e deles que os outros podem encontrar pessoalmente Jesus Cristo ressuscitado, aquele que veio de Deus e que voltou para ele, entranhando-nos numa comunhão íntima com o Pai. O batismo cristão não é, portanto, somente um batismo de conversão: um batismo de água, mas também um batismo de compromisso: um batismo no Espírito Santo.

A Palavra de Deus, hoje, convida-nos a lançar um olhar sobre Deus, sobre Jesus Cristo e sobre nós mesmos, a fim de testemunhar a nossa fé, a nossa esperança e o amor que nos habita e que nos faz viver. O nosso olhar sobre Deus e sobre o Cristo ressuscitado deve refletir em nós mesmos a luz do amor e da fé que vê lá onde os outros não veem nada: isso se traduz pela esperança: “Sim, serei glorificado aos olhos do Senhor; Deus é a minha força” (Is 49,5).

Segue uma bela história contada por um missionário leigo, Raoul Follereau, que ilustra bem o poder de um olhar de amor: “Num leprosário do fim do mundo, um único doente havia mantido seus olhos claros e a força de sorrir diante da vida. Como explicar esse fenômeno? A religiosa que cuidava dos leprosos, percebeu que um olhar sorridente de uma mulher aparecia todos os dias na janela desse leproso doente. Era sua esposa que vinha todos os dias expressar-lhe sua ternura e seu amor. O leproso disse à religiosa: Quando eu a vejo, eu sei que estou vivo”. Maravilha de olhar que faz viver, luz do Amor e da fé que vê lá onde outros não veem nada. Assim como para o profeta Isaías, esse doente era glorificado aos olhos de sua mulher; ela era sua força e sua razão de viver.

Concluindo, diante da leitura desse relato de São João, devemos reconhecer que a presença de Jesus Cristo hoje, não pode ser estática e congelada numa hóstia exposta para adoração; sua presença é bem ativa e atuante através dos cristãos que o encontraram e que se tornam sacramento, isto é, sinais da sua presença no mundo.
Fonte: http://www.domtotal.com/noticias/711119
Réflexions de Raymond Gravel
*Raymond Gravel é padre da Diocese de Joliette, Canadá. O texto é baseado nas leituras do 2º Domingo do Tempo Comum – Ciclo A do Ano Litúrgico (19 de janeiro de 2014).

11 de jan. de 2013

O Nosso Compromisso

                                    Júlio Lázaro Torma*
                                                              "Hoje, Senhor,Te manifestaste ao Universo
                                                               e Tua luz brilhou sobre nós;
                                                               reconhecendo-Te,a Ti cantemos:
                                                               vieste,apareceste,o Luz Inacessível !"
                                                                   ( Antífona Ortodoxa)
   Neste final de semana celebramos o " Batismo do Senhor", a segunda Teofania.A Festa do Batismo era celebrada na Epifania.No ano de 1955 o Papa Pio XII,separá a Festa do Batismo da Epifania,colocando á no dia 13 de janeiro e em 1969, Paulo VI,fixa no Domingo após a Epifania.
  Os fieis ortodoxos  de tradição constantinopolitana celebram no mesmo dia da Epifania.Onde os catecúmenos recebem o Batismo, como na vigília da Páscoa.
   Somos em nossas comunidades chamados a ler, meditar e rezar o Evangelho de Lucas sobre o Batismo de Jesus.A festa do Batismo é o elo entre o Ciclo Natalino e o Tempo Comum.
  O Batismo de Jesus em Mateus e Lucas, são o elo, dobradiça entre o Evangelho da Infância e a Missão de Jesus entre nós.
  Sobre a vida de Jesus entre as narrativas da Infância e o Batismo não sabemos nada de sua vida oculta em Nazaré.
  O que alimenta o imaginário de fabulistas, como sua peregrinação ao Tibete, a Índia entre os hindus,terapeutas e os essênios no deserto.
  Lucas nos apresenta a  missão entre espaço e tempo em que se completa o tempo da segunda Teofania,que acontece no inicio da vida pública,por ocasião do seu batismo no rio Jordão.
  Estamos na Pax romana, Tibério é imperador( 14- 37 d.C), Herodes Antipas ( 4 a.C- 39 d.C), era governador da Galiléia e no campo religioso o Sumo Sacerdote Cáifas ( 18-36 d.C) e Anás ( 6-15 d.C), nomeado sumo sacerdote por Herodes Antipas em nome do imperador. Numa aliança entre o império de ocupação e a religião oficial do Templo.
  Neste período proliferava movimentos batistas que pregavam a purificação do povo para receber o Messias.
  João Batista prega um batismo de conversão, onde para receber o Messias, além do batismo purificador, o povo deve se converter, mudar de vida, de atitudes para com Deus e com o seu próximo.
  O povo ancioso por uma luz, crê que João seja o Messias esperado,anunciado pelos profetas.Mas João fala que não era digno de desamarrar as sandálias, lembrando a lei do levirato ( Dt 25,5-10), quando o parente próximo do falecido entregava as sandálias " resgate" da viúva ao irmão. João não se reconhece como o resgatador e nem está no lugar de Jesus, que vem libertar a humanidade.
  Jesus o Messias, Filho de Deus, vai a João ser batizado, poderia não ir e de forma brusca, louca,sair da carpintaria e anunciar o Reino de Deus. Ele desce e pede a João o batismo.
  No Batismo de João de purificação, Deus se manifesta a humanidade, anunciando um novo tempo, em que o próprio Deus está no meio de nós. Assim como o " Espírito Santo pairava sobre as águas", a pomba que anuncia o fim do dilúvio( Gn 1, 2; 8,11).
  O Espírito Santo ( ruah) desce sobre Jesus, naquele lindo dia nas águas do rio Jordão, onde o próprio Deus apresenta o seu Filho " Tu és meu filho, eu hoje te gerei" ( Sl 2,7), salmo de apresentação e coroação dos reis de Israel, e que diante dos discípulos após a Transfiguração, Deus o confirma ( Lc 9,35).
  " O Cristo é batizado não para ser santificado pelas águas, mas para santificar ele próprio as águas, e purificar pelo seu ato pessoal as ondas que ele toca.trata-se pois, muito mais da consagração das águas, do que da de Cristo.Porque, desde que o Salvador é lavado, todas as águas se tornam puras em vista do nosso batismo, a fonte é purificada para que a graça seja proporcionada aos povos que virão no futuro"( São Máximo Bispo + 420).
  Neste final de semana nos convida a refletir sobre o nosso Batismo, ao sermos batizados somos transformados em homens e mulheres novos em Cristo ( Gl 3, 27).
  temos os mesmos sentimentos de AMOR e que moveram a sua vida.Onde devemos dar o nosso testemunho de fé e de amor ao próximo ser solidários.
  Vivemos num país de cristãos e de batizados e temos ainda muita miséria, pobreza, famintos, violência,préconceitos, concentração de riquezas, da terra, esbanjamento de alimentos e luxo.
  Onde está o nosso testemunho?, como escreve o Apóstolo Paulo " Ai de mim se não evangelizar" ( I Cor 9,16), se não vivemos de fato e nem praticamos a partilha, justiça, solidariedade que o próprio Jesus viveu e ensinou.E que cantemos nas nossas comunidades, como compromisso.
  "Prometi no meu santo batismo ser fiel a Jesus sem cessar. Pais e padrinhos cristãos em meu nome juraram:hoje os votos eu vim confirmar.
  /: Fiel, sincero,eu mesmo quero/:a Jesus prometer meu amor.:/"
  O Batismo é o sacramento da responsabilidade e do compromisso de todo o fiel cristão batizado.
       Bom final de semana, boas meditações
                   Lc 3; 15-16. 21-22
 * Membro da Equipe da Pastoral Operária Arquidiocesana de Pelotas/ RS