Mostrando postagens com marcador Solidariedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Solidariedade. Mostrar todas as postagens

14 de mar. de 2014

Herança do amor solidário

Marcelo Barros
Fonte: Adital.com.br
Há um ano, após uma doença inesperada e muito virulenta,  vimos partir para Deus o presidente Hugo Chávez. No Brasil, a imensa maioria dos jornais e revistas o apresentaram como matéria de capa, mesmo se, de todos os modos possíveis, procuraram denegrir a figura do presidente Chávez. Na Venezuela, por uma semana inteira, da manhã à noite, multidões formaram filas para lhe prestar homenagem e passar diante do seu corpo. Em sua imensa maioria, vindas de todo o país, eram pessoas pobres que queriam manifestar sua tristeza e agradecer pessoalmente ao homem que reacendeu na Venezuela a chama do bolivarianismo e restituiu ao seu povo a dignidade de ser o berço de uma nova integração latino-americana.
Intelectuais e militantes sociais de todo o mundo reconhecem: no final do século XX, em um momento histórico, no qual o Socialismo estava desacreditado pela corrupção e ineficiência dos governos ditos socialistas de alguns países da Europa, Hugo Chávez soube restituir a dignidade da política como um ato de amor solidário e mostrou ao mundo que é possível um socialismo de tipo novo, democrático e a partir das culturas oprimidas.
Durante o Fórum Social Mundial de Caracas, em 2007, estava eu junto com Dom Tomás Balduíno em uma conversa com a presidência da Conferência Nacional dos Religiosos da Venezuela. E Dom Tomás perguntou ao padre, presidente da conferência, o que os religiosos pensavam de Hugo Chávez. O religioso respondeu: "Todos nós reconhecemos que, pela primeira vez, na Venezuela, temos um governo que se preocupa com os mais pobres e vive para servi-los. Mas, o presidente se une  a Fidel Castro e não respeita a liderança da Igreja Católica no país”. Saímos daquele encontro lamentando que, ao invés de unir-se a todas as forças da sociedade no serviço aos mais pobres, grande parte da hierarquia católica ainda se mantinha presa à tentação do poder e do prestígio.
 A ONU e organismos internacionais como a FAO (Organização para a Agricultura e Alimentação da ONU) reconhecem que, de todos os países latino-americanos, a Venezuela foi o que mais conseguiu diminuir a desigualdade social. Superou totalmente o analfabetismo e avançou muito no plano da saúde pública. Sem dúvida, há muitos desafios a vencer. Nesses dias, o governo e o povo da Venezuela enfrentam um ataque violento por parte de alguns setores da elite do país que perderam privilégios e são apoiados economicamente pelo governo norte-americano. Os próprios meios de comunicação que não se cansam em denegrir os governos populares latino-americanos mostram entrevistas com estudantes que fazem protestos na Venezuela. E esses jovens declaram que o fazem para retomar seus direitos de ir estudar nos Estados Unidos e comprar os produtos de consumo que melhor lhes aprouver. De fato, a democratização dos meios econômicos não tem facilitado isso para uma pequena elite, a custa da maioria.

No decorrer dos tempos, muitas vezes, as Igrejas e religiões se posicionaram do lado dos poderosos que podiam ajuda-las e foram contrárias a qualquer projeto social e político transformador. Atualmente, cada vez mais as pessoas que têm fé em Deus ou buscam viver uma espiritualidade humana sabem: a justiça social e a realização dos direitos humanos, não só individuais, mas dos grupos e comunidades constituem uma base fundamental para a realização do projeto divino no mundo. Paulo dizia que a nossa fé deve levar à realização da justiça (Carta aos romanos) e que "foi para que sejamos verdadeiramente livres que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1).

14 de jul. de 2013

Chamados a Solidariedade


                                                Júlio Lázaro Torma*
                                                       " E quem é o meu próximo?"
                                                                               ( Lc 10,29)
  Neste final de semana em nossas comunidades cristãs, somos chamados pelo evangelista Lucas a ler,escutar, meditar e rezar sobre a Parábola do Bom Samaritano.
  Estamos com Jesus á caminho de Jerusalém,quando ele é interceptado por um doutor da lei,um teólogo oficial da religião judaica, que quer talvez armar uma para cima de Jesus e vem com a seguinte questão," quem é o meu próximo?"
  Para o povo judeu  e assim como é para nós hoje o nosso próximo é aquele na qual eu conheço,meu amigo,tenho boa relação de amizade.Este que faz parte da minha comunidade,era considerado como meu próximo,meu irmão,como diziam os intelectuais da época," Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo"( Mt 5,43).
  Jesus como é de seu feitio transgride a lei e a ordem estabelecida, vai na contra mão ao declarar;" amem os seus inimigos,e rezem por aqueles que vós odeiam"( Mt 5,44).
  Os judeus desprezavam os samaritanos que viviam encravado em seu território. Evitavam passar pela Samaria,ter contato com eles era considerado impuro e faziam uma longa volta da Galiléia a Judéia.
  Os samaritanos eram descendentes de povos que tinham sido transplantados pelo Império Assirio,para colonizar o norte de Israel no século VII a. C ( II Rs 17;24-40),eram vitimas de piadas " sequer é nação o povo idiota que habita em Siquém" ( Eclo 50,25-26),o próprio Jesus foi chamado de " samaritano" ( Jo 8,48) e adoravam a Deus no monte Garizim ( Jo 4,20).
   Jesus fala de um homem assaltado no caminho de Jerusalém a Jericó, que fica caido na beira da estrada.
  Passa pelo ferido três personagens,dois representando o legalismo religioso,os "puros",o sacerdote e o levita que vêem o homem ferido e não fazem nada,olham e dizem " coitado" e seguem o seu rumo para não terem contato com o sangue alheio e ficarem impuro.
  O samaritano,considerado inimigo do judeu é o que vê o ferido,caido na beira da estrada,o socorre e cuida de suas feridas.
  Franz Kafta escreve," A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana".
  Todo o ser humano é solidário,como escreve Santo Agostinho de Hipona, no ' fundo todo o homem é bom".
   Quando alguém tem a sua dignidade atingida e tem a sua vida ferida, seus diireitos humanos violados ou morre de fome, vitima de violência normativa o estatal,em qualquer parte do mundo,eu sou atingido também na minha condição humana.
  onde o distante é o meu próximo, meu irmão,assim como aquele que está bem perto de mim ou tem parentesco sangüinio comigo. A sensibilidade faz parte do ser humano o que faz com que ele sinta-se atingido,o sofrimento alheio e procura ajudar o próximo,aquela pessoa que esta em situação de vulmerabilidade.
   vivemos numa época em que estamos perdendo a sensibilidade, diante do sofrimento alheio,onde vemos alguém caido e evitamos nos aproximar com medo e vivemos num estado de natureza de " todos contra todos" ( Hobbes e Locke).
  Somos chamados a ser solidário que ama a Deus de fato sabe ser solidário com o outro e responde as suas necessidades. O amor e a solidariedade derruba todas as barreiras de raça, sexo,nação, regionalismo,classe social e cores partidárias.
  O próximo é aquele que eu encontro no meu caminho.O legalista estabelece limites para o amor:
  " Quem é o meu próximo?", Jesus como é de práxis inverte a pergunta, " O que você faz para tornar próximo do outro?
  Que esta seja a pergunta nossa para nós mesmos nesta semana que se anuncia.
                     Bom final de semana e boas meditações
                              Lc 10,25-37
_________________________
  * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

4 de dez. de 2011

Advento, Natal e Solidariedade

Autor: João Batista Libânio

O tempo de Advento e Natal tem a força de acordar em nós uma solidariedade que deixe o campo de gestos esporádicos e eventuais para entrar no "ethos" do nosso existir para transformar-se em cultura.
Somos um tecido existencial feito de desejos grandes e concretizações pequenas, sonhos longos e vigílias breves, de aspirações infinitas e realizações limitadas. Ora perdemo-nos nos discursos dos desejos grandes, dos sonhos longos, das aspirações infinitas. Ora nos emaranhamos na pequenez de feitos, concretizações e realizações.
A solidariedade é, ao mesmo tempo, um grito maior que atravessa os oceanos, que vai para além do presente e um conjunto de pequenas ações que tecem o cotidiano de fraternidade.
A fé cristã está continuamente a despertar-nos para ela. Há momentos privilegiados para isso. Os tempos litúrgicos natalinos e o início de ano falam bem alto desse sentimento tão humano e cristão.
Conta-se que D. Helder, antes de entregar-se às inúmeras vigílias de oração, gostava de compulsar os jornais e colher neles os fatos e sofrimentos da humanidade para, solidário, apresentá-los a Deus. Às vezes, nós, cristãos, esquecemos a força da solidariedade da oração e do jejum. Ela não nos vem da publicidade, mas da certeza de que “a prova de ter fé está em esperar de Deus o impossível. O impossível do homem é o possível de Deus" (Peter-Hans Kolvenbach).
O Advento tem o sabor de silêncio, de recolhimento, de espera na oração. Em vez de fechar-nos no pequeno mundo dos problemas pessoais e familiares, a oração lança-nos para além dele e assim alcança tantos irmãos, necessitados de apoio.
Além dessa solidariedade diante de Deus, vivemos outras formas. Freqüentemente se seguem às situações de penúria e de catástrofe movimentos de socorro, quer através da oferta de dinheiro ou de outros bens, quer, em alguns casos, de voluntariado de ajuda. Nesse final de novembro, assistimos a sofridos noticiários televisivos que nos exibiam cenários de devastação, de desabamentos de casas e de mortes por causa das terríveis chuvas em Santa Catarina. Muitos nos sentimos sensibilizados a fazer atos solidários.
Natal fala ainda mais em solidariedade. Quando Betinho vivia, ele promovera aquele gesto simbólico de arrecadar alimentos para que, ao menos, no dia de Natal, nenhum brasileiro passasse fome. Sabemos que a fome volta cada dia. E, por isso, passado o Natal, as pessoas tornaram a senti-la. Entretanto, o gesto serviu para mostrar-nos que algo permanente deve ser feito nesse país para debelar definitivamente com o flagelo terrível da miséria.
O mesmo Betinho repetia: “A fome é imoral”. É, sem dúvida, a realidade mais imoral que existe nesse país. Por ocasião de eleições, os noticiários mostram cenas de fome e miséria em determinadas regiões. Passados os dias, cai sobre tal realidade enorme silêncio. Mas a situação ficou intocada. Alguns gestos solidários, que se fizeram então, não descarregam nossa consciência.
O tempo de Advento e Natal tem a força de acordar em nós uma solidariedade que deixe o campo de gestos esporádicos e eventuais para entrar no "ethos" do nosso existir para transformar-se em cultura.
Quando falamos de cultura, entendemos essa teia de símbolos e sentidos com que representamos a vida. Ela perpassa as crenças, o código de convivência familiar e comunitária. Cria técnicas e estratégias de reprodução do trabalho. Ora, se a solidariedade se faz cultura, então os olhos verão todas as coisas sob tal prisma, as ações serão alimentadas por esse espírito. E toda a sociedade se modificará.
Só a solidariedade consegue reverter o ciclo de morte e de solidão que o egoísmo e individualismo da sociedade pós-industrial vêm preocupantemente gestando. Só ela rompe essa espiral do descaso, do indiferentismo, do ceticismo cínico dos privilegiados dos bens materiais diante dos pobres e carentes. Só ela consegue trazer um pouco de verdadeira paz e alegria profunda àqueles a quem pesa a desventura de ser venturoso no meio dos desventurados
Que o Advento e o Natal favoreçam a criação em nós e em torno de nós da cultura da solidariedade!
fonte: Dom total