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1 de mai. de 2014

Saint-Évremond e o Epicurismo Moderno


Portrait of Charles de Saint-Évremond. c. 1680s
Mesmo militar, Saint-Évremond se encontrava regularmente com um grande nome da cena intelectual do  século XVII: Pierre Gassendi. Tal como filosofia, assistia suas aulas de astronomia em Paris na companhia de Cyrano de Bergerac.

Após uma longa discurssão sobre os limites da razão, sobre o caráter restrito de seus poderes, sobre a evidente limitação dos nossos conhecimentos, sobre a possibilidade ou incapacidade de se pensar numa ou em várias coisas, Saint-Éveremond conclui: a filosofia não serve para nada! Não há qualquer motivo para investir trabalho, dispensar energia e tempo numa operação que, no final das contas, não trará nenhum benefício.

Houve tempo em que cria nos discursos contraditórios dos mais variados filósofos, desde os gregos até os de seu tempo. Com o avançar da idade, entra em conformidade com o espírito cético e passa a adotar o famoso epokhé cético, a suspensão de juízo, e de buscar incessantemente.  Dá as costas para os dogmas, e o simples prazer em discursar, e abraça a viva filosofia prática, pragmática, vinculada ao cotidiano. Assim, seu imperativo categórico passa......lei mais:

11 de jan. de 2014

Demócrito e o Riso


Demócrito
Demócrito filósofo, mas também Demócrito viajante. Nativo de Abdera, Demócrito utiliza seus recursos obtidos por herança familiar em peregrinações, atravessa o Mediterrâneo, alcança a África oriental, toca as margens do Mar Vermelho. Toma lições com Leucipo, mas também de teologia e astronomia com os magos caldeus, os padres egípcios o iniciam na geometria e os gimnosofistas indianos lhe revelam o ascetismo e os exercícios espirituais de meditação.
Sobre suas viagens, conta uma anedota que Demócrito a inteligência de um carregador particularmente esperto. Compra o carregador e, posteriormente, o promove a secretário. Mais tarde este se tornará o famoso filósofo Protágoras, aquele do homem medida de todas as coisas..leia mais:

8 de nov. de 2013

O Conceito de Pessoa: a Inovação Radical do Cristianismo


Diz um dos pensadores mais lúcidos do nosso tempo, Julián Marías: “O cristianismo consiste na vida do homem como pessoa.”
Sempre que o cristianismo foi fiel a si mesmo, ou melhor ainda, sempre que os cristãos foram fiéis a Cristo (e portanto a si mesmos!), a consciência do que seja a nossa condição de pessoas mostrou-se fundamental para viver, conviver, e para, de algum modo, saborear antecipadamente a vida eterna, ou a “vida perdurável”, como prefere dizer o mesmo Julián Marías.
Ser pessoa é ser alguém, e não algo, e não coisa, e não mero elemento de um grupo qualquer, mesmo que esse grupo defenda propostas religiosas ou até mesmo se defina como um movimento cristão ou católico. leia mais:

29 de out. de 2013

Deus e Quimeras Teológicas

 A religião só impera no espírito dos que nada podem explicar sem ela: é o nec plus ultra da ignorância. Mas a nossos olhos de filósofos, a religião não passa de uma absurda fábula feita unicamente para o nosso desprezo. E que noções, efetivamente, fornece-nos essa religião sublime? Gostaria muito que explicassem...leia mais:

19 de jul. de 2013

Aristipo e a Extravagância da Virtude

por Breno Lucano


"... nada impede que um homem viva extravagantemente e bem." 
Aristipo (DL, II: 69)

Aristipo, filósofo hedonista, filósofo emblemático, portanto. Isso porque incorremos no lugar-comum de que não se pode ser filósofo e hedonista ao mesmo tempo, nada de filosofar e se adentrar em bordéis, participar de banquetes, festas e sensualismo. A filosofia, dizem, não se ocupa disso. A ela deve-se mais respeito, mais determinação e menos ousadia. Pelo menos é o que pensam os que entendem a filosofia como algo capaz de conduzir ao infinito, ao eterno, ao absoluto. Aristipo ao lado de grandes nomes como Heráclito, Parmênides ou Aristóteles? Pouco provável. É curioso como no diálogo Filebo Platão nunca menciona o nome de Aristipo, embora dedique a obra inteira à discurssão do prazer. 

Nosso filósofo de Cirene evita os extremos. Isso o faz, diferentemente de Sócrates e dos platônicos, a exigir dinheiro em troca de suas aulas. Primeira subversão! Aristipo não vê o dinheiro como um bem em si - único bem é o prazer -, mas como um meio de descomplicar a vida, de torná-la mais facilitada. Para ele, a riqueza e a pobreza são dois estados que coagem, entravam a liberdade e impossibilitam uma verdadeira autonomia - lembremos que a autonomia é a palavra-chave na Antiguidade. Nem mendigo nem rico é visto como modelo de virtude. Assim, rejeita tanto os farrapos de Diógenes quanto o brocado de Platão. Se o dinheiro realmente nada vale, que, ao menos, sirva para dispersar as contrariedades.