14 de jun. de 2012

Vida Reliosa X secularização

A vida religiosa se encontra hoje submetida a notáveis influências. Destas, em particular, duas me parecem merecedoras de especial atenção.
 A primeira é a secularização. Um fenômeno histórico nascido na França em meados do século XVIII, que investiu sobre todas as sociedades que almejavam entrar na modernidade. A segunda trata-se da abertura ao mundo, justamente proclamada pelo Concílio Vaticano II, a qual foi interpretada, sob a pressão das ideologias do momento, como uma passagem necessária para a secularização.Laia mais. 

12 de jun. de 2012

Santo Antônio


-- Especiais --
Cronologia
1195 - Segundo a tradição mais corrente, nasce em Lisboa, filho de Martim Afonso e Maria. De família "nobre e poderosa". Batizado com o nome de Fernando.
1202-1209 - Durante aproximadamente sete anos, estuda na escola episcopal anexa à Catedral de Lisboa.
1210 (?) - Ingressa no Mosteiro de São Vicente, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, nos arredores de Lisboa.
1212 (?) - Passa para o Mosteiro da Santa Cruz, pertencente também aos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. O mosteiro atendia a uma paróquia na cidade e a outra no meio rural, dirigia dois hospitais, dava hospedagem e tinha outros trabalhos pastorais e assistenciais.
1220 - É ordenado sacerdote. Como encarregado da hospedaria, recebe os primeiros franciscanos provenientes de Assis que o impressionaram profundamente. Pouco depois, estes são martirizados em Marrakesh, no Marrocos, e seus restos mortais são sepultados na Igreja dos Cônegos de Santa Cruz. Deixa a Ordem Agostiniana para ingressar na Ordem Franciscana, mudando de nome: chamar-se-á Frei Antônio. Pelo fim do ano, viaja a Marrocos. Apenas chega, adoece gravemente.
1221 - Na primavera, embarca de regresso a Portugal para tratar da saúde, mas um furacão arrasta a nave, e Frei Antônio desembarca na Sicília, sendo hospedado pelos franciscanos de Messina. Em maio, viaja para Assis, onde participa do famoso "Capítulo das Esteiras". Encontra São Francisco, que havia renunciado ao governo da Ordem, e ouve suas edmoestações. Ao final do Capítulo, Frei Graciano, "Ministro e Servo" dos irmãos menores da Romanha, leva Frei Antônio consigo e o envia ao Eremitério de Monte Paolo, nos arredores de Forli, para celebrar a missa, fazer a limpeza e participar do ofício coral. Permanece ali uns quinze meses.
1223 - Em setembro, por ocasião da ordenação sacra de alguns irmãos, Frei Antônio revela sua doutrina bíblica, seu ardor e sua arte oratória. A partir deste momento, é destinado à pregação itinerante e à formação teológica dos irmãos. Pelo final do ano ou início do ano seguinte, recebe um bilhete de São Francisco, que o autoriza a ensinar a sagrada Teologia em Bolonha.
1224 (?) - Encontramos Frei Antônio em Vercelli.
1225 (?) - Passa para a França e prega em Montpeilier, Aries, Toulouse, Limoges e Bourges.
1226 - É nomeado "Custódio" dos frades menores da região de Limoges, guiando-os na difícil tarefa da evangelização, do trabalho pastoral e do combate à heresia. Dedica-se ainda ao ensino teológico e à redação de subsídios para a pregação. Entrega-se a uma intensa vida contemplativa.
1227 - No fim deste ano ou no princípio do ano seguinte, está novamente na Itália, exercendo o cargo de "Ministro Provincial" das regiões setentrionais.
1229-1230 - Pregação itinerante de Frei Antônio na Marca de Treviso e em Pádua, onde redige os Sermões dominicais, marianos e festivos.
1230 - Participa do Capítulo Geral de Assis, no fim do qual, com outros irmãos, se dirige a Roma para expor ao Papa os problemas da Ordem, que estava em plena crise de identidade, crescimento e adaptação.
1231 - Prega a famosa quaresma de 1231, que foi uma refundação cristã de Pádua. Pregação catequética diária e confissões em massa. Esta pregação-catequese foi o início de uma imponente evangelização da cidade e de seus arredores. Sua saúde está irremediavelmente comprometida. Em fins de maio, está em Camposampiero, onde completa alguns manuscritos e se dedica à contemplação. Ao meio-dia de 13 de junho, sofre um colapso. Quer regressar a Pádua, mas durante a viagem teve que se deter em Arcella, onde morre.
1232 - O Papa Gregório IX canoniza-o no dia 30 de maio, na catedral de Espoleto. É venerado com o título de Doutor da Igreja até 1568, tradição que é confirmada pelo Papa Pio XII no dia 16 de janeiro de 1946. Seu título litúrgico é Doctor Evangelícus.

10 de jun. de 2012

Monocultura e seca

Júlio Lázaro Torma*
  Estamos no estado do Rio Grande do Sul, passando por um período de estiagem que dura sete meses.
  Mesmo em regiões ricas em águas,como o município de Pelotas os efeitos da estiagem se fazem presente, como o racionamento de água no perímetro urbano,bem como o uso de caminhões pipas na área rural do município.
  Se de um lado vemos o racionamento de água em domicílios das áreas da periferia da cidade, encontramos o desperdício de água na lavagem de automoveis nos lava jatos,postos de gasolina,tubulações quebradas,bem como nas áreas centrais e nobres do município e adjacências.
  A seca é um fenômeno natural que esta presente desde os primórdios, com os avanços tecnológicos na meteorologia,podemos até nos previnir, algo em que não tem acontecido.
  As freqüêntes secas que a cada ano tem atingido o estado do Rio Grande do Sul um dos principais estados agrícolas do país, onde grande parte dos municípios tem a raiz econômica na agricultura e pecuária.
  A seca não é apenas um fenômeno natural, mas está ligado ao modelo agrícola que vem dominando o Brasil e  mundo há décadas.Este modelo capitalista, machista e patriarcal que se sustenta através do latifúndio,da monocultura de exportação,da priorização financeira as multinacionais e grandes empresas  que detém o controle das sementes,das máquinas, dos agrotóxicos, da alta tecnologia e inclusive,do processamento dos alimentos e da produção de medicamento.
  Além do hidronegócio que tem se adonado dos mananciais e do mar expulsando as comunidades ribeirinhas e pesqueiras.
  Temos visto o avanço descontrolado do agronegócio sobre o pampa,através das empresas de florestamento( pinus,acasias,eucalipto), como a fruticultura,monocultura de soja que tem causado sérios desequilíbrios sócio-ambientais, como a expulsão de camponeses de seus locais de moradia.
  Bem como o assoreamento de rios,arroios e a destruição de nascentes,que tem causado a fome, miséria e pobreza,bem como o aparecimento de doenças.O atual modelo de desenvolvimento tem causado o desaparecimento também de espécies de animais e plantas,causando sérios desequilíbrios ecológicos que tem afetado a população rural dos pequenos, médios municípios, como dos municipios pólos e metropolitanos.
  O modelo econômico de desenvolvimento da região tão defendido pelas autoridades políticas, setores empresariais e ruralistas é o responsavel pela crescente seca.
  Ao mesmo tempo em que vemos o descaso dos políticos perante as situações de emergências no campo, como a seca, onde recorrem a medidas paliativas, para resolver a problemática em beneficio da monocultura e salvar os bancos e as empresas transnacionais, grandes proprietários rurais para que não tenham prejuisos.
  Vemos que tais benefícios não ajudam os camponeses,pois tais projetos,autoridades e entidades desconhecem a realidade camponesa, como a perda da produção agrícola,falta de água, a perda das sementes e a biodiversidade.
  Que faz com que os camponeses/as ficam mais empobrecidos e tendo que migrar para as cidades pólos enchendo os bolsões de miséria e o desemprego.
   A questão da seca podemos resolver mudando o atual modelo ecônomico, como garantindo o acesso a terra, água e a preservação da biodiversidade( sementes, mananciais de água,animais e plantas nativas), pelas populações camponesas.
  A questão da seca é política e só resolveremos quando mudarmos o modelo econômico e tivermos um outro mundo possível e necessario. 
____
  * Membro da Equipe da Pastoral Operária Arquidiocesana, Pelotas /RS

8 de jun. de 2012

O canto de uma vida

Os últimos momentos da vida de Clara de Assis

 Irmã Catherine Savey, clarissa, publicou  na revista Èvangile  Aujourd’hui  (n.194. 2002, p.6-11)  um texto  descrevendo os  últimos  momentos  de Clara e tecendo considerações a respeito da cultura da morte da Idade Média.  Querendo continuar nossa preparação para o oitavo centenário da forma de vida de Clara acreditamos ser proveitosa...Leia mais:   http://kairoscotidianofranciscanisno.blogspot.com

5 de jun. de 2012

Livro Just Love sob a mira do Vaticano


A Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano criticou duramente o premiado livro Just Love. A Framework for Christian Sexual Ethics (New York: Continuum, 2006), sobre ética sexual, de autoria da Ir. 
Margaret Farley, das Irmãs da Misericórdia, uma proeminente teóloga católica da Yale   University, nos Estados Unidos.
"Dentre os muitos erros e ambiguidades desse livro estão as suas posições sobre a masturbação, os atos homossexuais, as uniões homossexuais, a indissolubilidade do casamento e o problema do divórcio e do segundo casamento", diz a “Notificação” de cinco páginas da Congregação. Nessas áreas, afirma-se, a posição da autora "contradiz" ou "se opõe a" ou "não se conforma com" o ensino da Igreja.
Divulgada no dia 4 de junho, mas datada de 30 de março, a “Notificação” foi aprovada pelo Papa Bento XVI e assinada pelo cardeal William J. Levada, dos EUA, prefeito da Congregação, e pelo arcebispo Luis F. Ladaria, seu secretário.
Farley disse: "Embora minhas respostas a algumas questões sexuais éticas particulares realmente se afastam de algumas respostas cristãs tradicionais, eu tentei mostrar que elas, no entanto, refletem uma profunda coerência com os objetivos e intuições centrais dessas tradições teológicas e morais".
Embora a “Notificação” cite resumidamente as conclusões da religiosa sobre cada um dos cinco tópicos específicos que são apontados, seguidas de um breve resumo sobre como essas conclusões se afastam do ensino da Igreja, Farley disse que a crítica da Congregação "não leva em consideração também os meus argumentos para essas posições" ou os "complexos contextos teóricos e práticos aos quais eles são uma resposta".
Nesse sentido, a “Notificação” "deturpa – talvez inconscientemente – os objetivos do meu trabalho e a sua natureza como uma proposta que pode estar ao serviço, e não contra, a Igreja e seus fiéis", disse ela.
“Just Love: A Framework for Christian Sexual Ethics” [Apenas amor: Um marco para a ética sexual cristã] foi publicado em 2006 pela Continuum, uma editora internacional especializada em trabalhos acadêmicos. O livro argumenta que a justiça é uma qualidade-chave nas relações sexuais humanas, porque o amor autêntico é formado, guiado e protegido pela justiça. Em seu central capítulo 6, "Marco para uma ética sexual: Apenas amor", dentre os tópicos abordados, estão a personalidade, o livre consentimento, a reciprocidade, a igualdade, o compromisso, a fecundidade e a justiça social.
"Em última análise, nesse livro, eu propus um marco para a ética sexual que usa critérios de justiça na avaliação de relacionamentos e atividades sexuais verdadeiros e fiéis", disse Farley. "Ao fazer isso, eu ofereço não apenas ideais para as relações sexuais humanas, mas também alguns requisitos absolutos".
Em 2008, ela recebeu o prestigioso Prêmio Louisville Grawemeyer de Religião pelo livro.
Agora como professora emérita, Farley lecionou ética cristã durante 50 anos e começou sua carreira na Yale University em 1971. Ela foi a primeira professora mulher de tempo integral da Yale Divinity School. Ela e o renomado escritor espiritual Henri Nouwen compartilha a distinção de terem sido os primeiros católicos da história no corpo docente da faculdade.
"Eu não contesto o julgamento de que algumas das posições [expressadas em “Just Love”] não estão de acordo com o atual ensino oficial católico", disse ela. "No fim, eu só posso esclarecer que o livro não foi concebido para ser uma expressão do atual ensino católico oficial, nem estava especificamente voltado contra esse ensino. É de um gênero completamente diferente".
Em um e-mail para o NCR, Lisa Sowle Cahill, uma conhecida teóloga católica, autora e professora de ética na universidade jesuíta Boston College, disse: "Os teólogos não veem nem apresentam o seu trabalho como ´ensino oficial da Igreja´, e poucos fiéis ficam confusos acerca desse fato".
A Ir. Patricia McDermott, provincial das Irmãs da Misericórdia das Américas, expressou um "profundo pesar por essa Notificação ter sido emitida". Ela disse que Farley "assiduamente tenta apresentar a tradição católica como formativa de sua própria rica experiência, reconhecendo ao mesmo tempo o público ecumênico com o qual ela geralmente se envolve".
O Rev. Paul Cadetz, ministro presbiteriano ordenado e professor de teologia histórica no United Theological Seminary of the Twin Cities, de New Brighton, Minnesota, disse ao NCR que, no ensino dos cursos de graduação sobre religião, gênero e sexualidade, por duas vezes nos últimos cinco anos, ele usou como texto obrigatório o livro “Just Love”.
"Eu acho que é o melhor livro sobre ética sexual" disponível hoje, disse ele. "Eu simplesmente acho que não há nada melhor".

O que a “Notificação” diz

A Congregação doutrinal disse, após um exame inicial do livro, em março de 2010, ela enviou a Farley e à sua superiora religiosa uma "avaliação preliminar (...) indicando os problemas doutrinais presentes no texto".
A resposta de Farley em outubro daquele ano "não esclareceu esses problemas de forma satisfatória", disse a Congregação, de modo que realizou um exame completo do livro de acordo com os “Regulamentos para Exames Doutrinais”.
Após um segundo intercâmbio entre a congregação, Farley e sua superiora em 2011, a Congregação concluiu que a resposta dela aos "graves problemas" presentes no livro ainda eram inadequados, e ela decidiu prosseguir com a “Notificação”, que é uma forma padrão por meio da qual a Congregação notifica as lideranças e membros da Igreja de que encontrou sérios problemas doutrinais na obra de algum/a teólogo/a.
Sobre a abordagem geral de Farley, a “Notificação” diz que, ao acordar questões morais, ela "ignora o ensino constante do magistério [a autoridade de ensino oficial da Igreja] ou, onde ele é ocasionalmente mencionado, ela o trata como mais uma opinião dentre outras. Tal atitude não é de forma alguma justificável, mesmo dentro da perspectiva ecumênica que ela deseja promover".
Farley também é acusada de possuir uma "compreensão deficiente da natureza objetiva da lei moral natural", há muito tempo uma peça-chave do ensino moral católico oficial. "Essa abordagem não é consistente com a autêntica teologia católica", disse a Congregação.
Sobre as cinco questões específicas pelas quais a Congregação criticou as posições de Farley, segue aqui uma versão resumida do que a Congregação citou do seu livro e de suas respostas:
- Masturbação: "A Ir. Farley escreve: ´A masturbação (…) normalmente não suscita quaisquer questões morais. (…) As normas da justiça da forma como eu as apresentei pareceriam se aplicar à escolha de autoprazer sexual apenas na medida em que essa atividade possa ajudar ou prejudicar, apenas na medida em que apoia ou limita o bem-estar e a liberdade de espírito. Isso continua sendo em grande parte uma questão empírica, e não moral".
O firme e constante ensino da Igreja "e o sentido moral dos fiéis não tiveram nenhuma dúvida e mantiveram firmemente que a masturbação é uma ação intrínseca e gravemente desordenada", mesmo que também se devam levar em conta fatores tais como "a imaturidade afetiva, a força de hábito adquirido", que podem "diminuir ou mesmo atenuar a culpabilidade moral", respondeu a Congregação.
- Atos homossexuais: "A Ir. Farley escreve: ´Meu ponto de vista (...) é de que os relacionamentos e as atividades entre pessoas do mesmo sexo podem ser justificados de acordo com a mesma ética sexual dos relacionamentos heterossexuais. Portanto, pessoas orientadas ao mesmo sexo, assim como suas atividades, podem e devem ser respeitadas quer tenham ou quer não tenham uma escolha para serem de outra forma".
"Essa opinião não é aceitável", disse a Congregação. Embora as pessoas com tendências homossexuais "devem ser acolhidas com respeito, compaixão e sensibilidade", acrescenta-se, a tradição da Igreja, baseada na Escritura, "sempre declarou que os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados. Eles são contrários à lei natural".
- Uniões homossexuais: observando que a Ir. Farley argumenta que as leis antidiscriminação desempenham um papel importante para reverter o ódio e a estigmatização de gays e lésbicas, a Congregação citou o seguinte trecho do livro: "Atualmente, uma das questões mais urgentes perante o público dos EUA é o casamento para parceiros do mesmo sexo – ou seja, a concessão de reconhecimento social e de postura legal para uniões entre lésbicas e gays comparáveis às uniões entre heterossexuais".
"Essa posição é oposta ao ensino do magistério", disse a Congregação, citando o Catecismo da Igreja Católica e declarações anteriores feitas sobre o assunto, incluindo: "Os princípios de respeito e de não discriminação não podem ser invocados para apoiar o reconhecimento legal das pessoas homossexuais" – em parte porque isso significaria a "aprovação do comportamento desviante, com a consequência de torná-lo um modelo na atual sociedade".
- Indissolubilidade do casamento: "A Ir. Farley escreve: ´Minha posição pessoal é de que um compromisso de casamento está sujeito a cessão nas mesmas bases últimas de que qualquer compromisso extremamente sério, quase incondicional e permanente pode cessar de vincular. (…) Ele pode se manter absolutamente, em face de uma mudança radical e inesperada? Minha resposta: às vezes não pode. Às vezes, a obrigação deve ser liberada, e o compromisso pode ser justificadamente modificado".
"Essa opinião está em contradição com o ensino católico sobre a indissolubilidade do matrimônio", afirmou a Congregação. Sua resposta, citando a lei da Igreja e o Concílio Vaticano II como suas fontes, disse em parte que "o amor busca ser definitivo; não pode ser um acordo ´até novo aviso´. (...) O Senhor Jesus insistiu na intenção original do Criador, que quis que o matrimônio fosse indissolúvel. (…) Dentre os batizados, um matrimônio ratificado e consumado não pode ser dissolvido por qualquer poder humano nem por qualquer outra razão que a morte".
- Divórcio e novo casamento: "A Ir. Farley escreve: ´As vidas de duas pessoas uma vez casadas entre si são sempre qualificadas pela experiência desse matrimônio. (…) Mas [se ele acaba em divórcio] o que resta não permite um segundo casamento? Minha opinião é de que não. Qualquer obrigação permanente que um vínculo residual imponha, ela não precisa incluir a proibição de um novo casamento – não mais do que o fato de a união permanente entre os cônjuges depois que um deles tenha morrido proíbe um segundo casamento por parte daquele que ainda vive".
Citando Cristo no Evangelho de Marcos – "O homem que se divorciar de sua mulher e se casar com outra, cometerá adultério contra a primeira mulher. E se a mulher se divorciar do seu marido e se casar com outro homem, ela cometerá adultério" –, a Congregação respondeu que, no ensino da Igreja, no caso do divórcio e do novo casamento civil, "uma nova união não pode ser reconhecida como válida, se o primeiro casamento foi válido", e aqueles que se encontram em tal situação não podem receber a Comunhão se não se arrependerem, se confessarem no sacramento da penitência e se comprometerem "a viver em completa continência".
A Congregação disse que, por causa de suas posições "em direta contradição com o ensino católico no campo da moral sexual", o livro “Just Love” não pode ser usado como expressão válida do ensino católico, nem no aconselhamento e formação, ou no diálogo ecumênico e inter-religioso".
A “Notificação” encerra com um apelo aos teólogos para que estudem e ensinem a teologia moral "em plena concórdia com os princípios da doutrina católica".

Outras reações

Harold Attridge, reitor da Yale Divinity School e católico, disse: "Teólogos honestos e criativos muitas vezes se encontraram com uma resposta crítica à reflexão teológica séria, e não é nenhuma surpresa que o trabalho da professora Farley também tenha passado por isso".
Ele acrescentou: "A propósito, eu suspeito que aqueles que reagem negativamente a ele agora apreciarão a importante contribuição que ele faz àquele que deve ser o nosso esforço constante de examinar os fundamentos da nossa vida moral".
Farley é ex-presidente da Catholic Theological Society of America (CTSA) e da Christian Ethics Society. Ela recebeu 11 títulos “honoris causa” e, em 1992, recebeu a maior honraria da CTSA pela sua realização teológica, o Prêmio John Courtney Murray.
Teóloga do Boston College, Cahill disse em seu e-mail ao NCR que a “Notificação” adotou uma estratégia de apenas relatar as conclusões de Farley sobre cinco questões morais específicas e contrapô-las com as conclusões do ensino da Igreja – sem "se engajar com nenhum dos argumentos a favor ou contra" que a Igreja ensina.

Ela disse que essa abordagem cria a "infeliz impressão" de que:


- "Engajar-se com os argumentos da Ir. Margaret e as respostas às inquirições anteriores [ao longo da investigação de dois anos] é supérfluo e desnecessário, porque a condenação do seu livro foi pré-determinada, e a investigação, uma mera formalidade;


- "Não há, de fato, nenhum argumento razoável para apoiar as posições afirmadas pela “Notificação”;


- "A própria Congregação para a Doutrina da Fé abandonou a fundamentação da teologia moral na ´natureza objetiva da lei moral natural´ e está contando exclusivamente com a autoridade das conclusões passadas".


Cadetz, teólogo presbiteriano de Minnesota – analisando o livro “Just Love” a partir da perspectiva de um professor bastante afastado dos debates católicos internos – disse em uma resenha do livro de 2007, publicado na The Ecumenist, revista que promove a unidade dos cristãos, que duas coisas o atraíram ao livro como um texto principal para o ensino de cursos universitários sobre a ética sexual.

"Em primeiro lugar, ele oferecia aos meus estudante resumos claros e legíveis de grande parte da literatura já coberta, mas que não é tão estilisticamente lúcida como o texto de Farley", escreveu. "Em segundo lugar, seu livro foi um maravilhoso manual para ensinar aos estudantes o que acarreta a produção de um argumento ético e de como eles podem ir construindo tal posição normativa sobre a ética secular para si mesmos".
Cahill comentou que "o momento dessa intervenção é incrível e ironicamente ruim". "Os bispos dos EUA, e em sua instigação o Vaticano, já estão atraindo uma enorme quantidade de comentários negativos na imprensa acerca da sua perseguição às irmãs norte-americanas", disse ela. "Eles apenas jogaram mais lenha no fogo".
A reportagem é de Jerry Filteau, publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 04-06-2012, reproduzida pelo IHU.

30 de mai. de 2012

Efêmeros


"Pois toda carne é como a erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva, e cai a sua flor;" (1 Pedro 1:24 ARA)
Quando eu tinha a idade que os meus filhos têm hoje, entre 12 e 15 anos, eu olhava para um homem de 30 anos e pensava "ele é um velho". Um homem de 50 anos me despertava pena, pois eu pensava "logo vai morrer, é muito velho". via,h Alguém com mais de 70 anos me deixava intrigado como ainda estava andando.
Passaram-se os anos e, hoje com mais de 40 invernos, meu pensamento amadureceu e mudou muito, mas algo Deus me fez perceber. Eu sou exatamente aquilo que eu observava nos homens de 40 anos, quando eu tinha meus 14. Eu via barrigas, cabelos brancos, algumas rugas, em uma rampa decrescente de vigor, como que murchando lentamente. Acho que não sou o único...
No sentido inverso vem nosso ser imaterial, com alma e espírito em aperfeiçoamento contínuo, clamando por uma carroceria que suporte mais impactos para poder fazer mais. Como sempre, a Palavra de Deus estava certa e eu errado. Não sou velho como pensava que eram os homens de 40 anos, mas sem dúvida a erva começa a secar. Isso pode desanimar a algums, mas não a mim.
Isso me faz focar no que realmente é importante, pois perdi muito tempo com coisas sem nenhum valor. Me faz também lembrar que meu destino é eterno e minha caminhada é passageira. Me faz perceber coisas que valem a pena. Vejo o valor das verdadeiras amizades, com pessoas que, como eu, estão caminhando, uns no vigor dos 18 anos e outros mais adiantados no secar da erva. Vejo o valor de aprender a Palavra de Deus e gastar tempo na Sua Presença. Vejo o quanto me renova e me fortalece investir no Reino de Deus e não neste mundo. Tenho gratidão pelo privilégio de chegar ao ponto de ver a erva começar a secar, mas entender que ainda tem muito chão pela frente até que caia a flor. Tenho gratidão pela alegria dos bons momentos e pelo ensino dos momentos difíceis.
Viverei ainda muitos anos para glória do Senhor, mas jamais voltarei a ser jovem como fui um dia. Sou grato por isso.
"Pai, obrigado pelo dom da vida que traz consigo essa dinâmica de um dia envelhecer por fora. Tua Presença me anima e me renova. Obrigado por me dar vida e me receber em Teu Reino."
Mário Fernandez
Fonte site: http://www.ichtus.com.br/dev/2012/05/29/efemeros/

23 de mai. de 2012

Quando os biocombustíveis roubam a comida


A crise alimentar, agravada pelo uso do milho e de outros grãos na produção de etanol, foi um dos assuntos centrais abordados nos passados dias 17 e 18, na capital mexicana, pelos vice-ministros de Agricultura do Grupo dos 20 países industriais e emergentes. 
Por Emilio Godoy/IPSNews.  Fonte Esquerda net
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, no ano passado foram consumidos nesse país 53,302 bilhões de litros de etanol feito do milho, para cuja produção foi destinada 40% da colheita do grão.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, no ano passado foram consumidos nesse país 53,302 bilhões de litros de etanol feito do milho, para cuja produção foi destinada 40% da colheita do grão.

Este bloco reúne os países industrializados do Grupo dos Oito (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Japão, Itália e Rússia), a União Europeia e economias emergentes como Brasil, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, África do Sul e Turquia.
O impacto desta questão na humanidade é analisado pela pesquisa “Agrocombustíveis: alimentadores da fome” e reflete como as políticas dos Estados Unidos para o etanol de milho aumentam o preço dos alimentos no México. A pesquisa foi apresentada no dia 16, patrocinada pelo escritório norte-americano da organização não governamental ActionAid International.
"Vemos altas de preços muito fortes nos alimentos desde o final de 2000, depois se repetiram em 2007 e voltaram em 2010 e 2011", disse à IPS o norte-americano Timothy Wise, diretor do Programa de Pesquisa e Política do Instituto de Desenvolvimento Global e Meio Ambiente da Universidade de Tufts. "Isto coincide com a expansão do etanol nos Estados Unidos", indicou o diretor, coautor do informe. "O que se vê no México é o aumento do preço da tortilha de milho", o alimento tradicional deste país e cujo preço aumentou 60% desde 2005, afirmou.
Wise e a também coautora do estudo Marie Brill, diretora de políticas da Actionaid, asseguraram que o México perdeu, desde 2005, entre 250 milhões e 500 milhões de dólares por ano, por precisar importar o grão, devido às altas cotações internacionais. "A expansão dos agrocombustíveis contribui para a insegurança alimentar no México. As altas de preços associadas ao etanol afetam negativamente os consumidores, especialmente os que carecem de segurança alimentar e não são produtores", afirma o estudo de 24 páginas.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, no ano passado foram consumidos nesse país 53,302 bilhões de litros de etanol feito do milho, para cuja produção foi destinada 40% da colheita do grão. Nesse país, maior produtor e exportador de milho do mundo, aplica-se uma política de proteção alfandegária a favor do biocombustível local, pagamento de subsídios aos produtores e um mandato de mescla de gasolina com até 10% de etanol.
"O G-20 tem de resolver a crise alimentar. A cúpula de 2011 abordou a situação, mas é preciso assegurar os motores primários. O México é um exemplo do que ocorre em outros países", observou Brill. Os mandatários do G-20, cuja presidência temporária está com o México, se reunirão nos dias 18 e 19 de junho na cidade de Los Cabos, para tratar de políticas contra a crise económico-financeira que afeta o Norte, a segurança alimentar, o crescimento verde e o combate à mudança climática, entre outros assuntos.
"O governo mexicano tem que determinar que está ao lado do produtor e não em benefício das empresas. Temos que trabalhar por uma reserva de alimentos, para não depender do estrangeiro", afirmou à IPS a ativista Olga Alcaraz, dirigente da Rede de Empresas Comerciantes Camponesas do Estado de Michoacán. As plantações destinadas aos agrocombustíveis começaram na região na metade do século passado e atingiram seu auge na década de 70, quando os países latino-americanos despontaram como provedores de matérias-primas para os mercados das nações industrializadas e diante da primeira grande crise do petróleo.
Nos últimos anos, o desenvolvimento de algumas monoculturas mudaram para o fornecimento de matéria-prima para a elaboração de combustíveis, como o etanol procedente da cana-de-açúcar e o biodiesel obtido a partir do óleo de palma africana. A expansão de produtos agrícolas para fabricar combustível também se deve ao esgotamento do petróleo como fonte de energia e ao fato de a produção e uso de hidrocarbonos representar a emissão de gases contaminantes, como o dióxido de carbono, responsável pela elevação da temperatura do planeta.
O milho carrega uma força simbólica do México até a Nicarágua. "O aumento da destinação desse grão para etanol é fortíssimo, empurrado pelos altos preços do petróleo", destacou Wise. "Esta situação cria problemas para países importadores como o México", explicou este especialista que estudou os efeitos do aumento dos preços dos alimentos em nações em desenvolvimento.
No México, são produzidos 22 milhões de toneladas de milho por ano em uma área de 7,5 milhões de hectares, dos quais vivem cerca de 2,5 milhões de produtores de pequena e média escalas, e são importados dez milhões de toneladas. O deficit da balança comercial agrícola mexicana ficou no ano passado em 2,5 mil milhões de dólares, enquanto as compras agrícolas dos Estados Unidos subiram até 18,4 mil milhões de dólares.
A Lei de Promoção e Desenvolvimento dos Bioenergéticos de 2008 proíbe que terras aptas para cultivos de alimentos sejam usadas para plantar vegetais destinados a produzir agrocombustível. As organizações da sociedade civil recomendam ao G-20 anular subsídios e mandatos para consumo de agrocombustíveis, a regulamentação e transparência dos mercados, e o financiamento da agricultura familiar.
Os autores do estudo estimam que o custo financeiro anual das importações mexicanas dariam para produzir 70 mil toneladas de milho. "É necessário investir em programas de produtores que não receberam apoio em 30 anos. Este é o setor que pode ser beneficiado com um investimento moderado. Ficou demonstrada a viabilidade dessa expansão", apontou Wise.
O assunto também constará dos debates da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontecerá de 20 a 22 de junho no Brasil. "Esperamos ver um enfoque que integre energia, sustentabilidade e segurança alimentar", ressaltou Brill. Por sua vez, Alcaraz enfatizou que é preciso "inovação tecnológica para economizar na produção, e termos nossa própria semente, porque dependemos das multinacionais".

22 de mai. de 2012

Rezamos pela Unidade dos cristãos!

Júlio Lázaro Torma*
 Nesta semana as nossas comunidades cristãs do Brasil e do hemisfério sul, celebramos a Semana de Oração pela Unidade dos cristãos.
  Aqui no hemisfério sul celebramos entre as Festividades da Ascensão do Senhor e Pentecostes.No hemisfério norte as comunidades celebram entre as Festas da Cátedra de São Pedro e a Conversão de São Paulo no mês de janeiro.
  Cada ano é proposto um tema e elaborado pelas comunidades cristãs de um país.Tema deste ano é " Todos seremos transformados pela Vitória de Nosso Senhor Jesus Cristo" ( 1Cor 15,51-58), tirado da Carta do Apóstolo Paulo á comunidade de Corinto.
  O Tema foi elaborado pelos cristãos e cristãs da Polônia, país e povo este que passou por inúmeros longos sofrimentos e privações ao longo de sua história.
  A frase de São Paulo Apóstolo, nos chama a nós cristãos de diferentes tradições cristãs, a pensar numa renovação que exige a unidade de nossas comunidades cristãs.
  Muitas vezes em nossas comunidades falamos em rezar e a unidade dos cristãos e das nossas igrejas,alguns defendem como algo conservador.Podemos afirmar que com conservadorismo e fechamento não haverá unidade e muito menos diálogo.
  Para haver unidade, deve haver uma abertura e um diálogo entre as Igrejas,a unidade na diversidade,onde cada Igreja seja autônoma,mas garantindo uma comunhão verdadeira na fé e no serviço ao mundo,como escreve o monge e teólogo Marcelo Barros.
  Mesmo que está unidade dos cristãos seja dificultado pelos conservadorismos das cúpulas das igrejas, que com o seu medo de abertura ao outro, acabam se isolando e caindo no conservadorismo e fundamentalismo, que freia este desejo de unidade.
  A unidade muitas vezes acaba acontecendo através do diálogo e da cooperação mútua entre os cristãos e cristãs da base.
  Eis que como nos fala o Senhor:" Faço nova todas as coisas" e como escreve o Apóstolo," nós seremos transformados".
  Precisamos diante dos apelos do mundo,pelo nosso testemunho de palavras e práticas,estarmos transformados.Se continuarmos com uma mente conservadora e fechados no nosso eu,jamais estaremos abertos para uma renovação e transformação,como prega o Apóstolo.
  Devemos como discípulos/as ao exemplo do Mestre estar abertos ao diálogo fraterno com o outro que pensa e professa uma fé diferente da nossa.No encontro com Cristo, nós estaremos cada vez mais nos renovando e nos abrindo aos irmãos.
  Quando nos abrimos ao outro,nos conhecemos melhor,abrir-se e saber dialogar e não impor-nos ao outro e acreditar que só eu e a minha denominação é a melhor e a verdadeira.
  Mas vermos que podemos caminhar juntos e vermos no outro,um irmão que como eu professa a mesma fé e segue os mesmos passos no seguimento de Jesus Cristo.
  Transformados podemos dar o nosso testemunho na diversidade de construção de uma nova sociedade,principalmente numa sociedade que se autodenomina cristã.
  Devemos como cristãos superar as divisões que nos dividiram estes anos todos e procurarmos cada vez mais em nossas comunidades cristãs, costruirmos a unidade na diversidade do sonho de Jesus de que " todos sejamos um".
  Diante deste ideal vamos cada vez mais em nossas comunidades e orações,buscar e pedir a Unidade dos Cristãos.Vamos viver intensamente este desejo.
 * Membro da Equipe da Pastoral Operária da Arquidiocese de Pelotas ( RS)

19 de mai. de 2012

APENAS VOCÊ


Você é a brisa que numa simples palavra me leva a sonhar.
Eu sou o vento  que avança no espaço a lhe procurar.
Eu sou a estrela a mostrar  a tua face iluminada a me conquistar.
Eu sou a lua que reflete na água o teu perfil e fico a te esperar.
Você é o sol que me aquece todos os dias me faz enlouquecer de amor.
Você é o meu jardim de flores que me faz sorrir só de olhar.
Você é o esplendor da natureza e eu fico de longe a te desejar.
Você é toda bravura e beleza das ondas do mar.
Eu sou aquela onda que bate tentando te levar.
Você é a montanha que faz meus olhos brilhar.
Eu sou a trilha que numa louca escalada tento ao teu topo chegar.
Você é amor, sonho,desejo,loucura,ternura ,paixão.
Resumindo você é o amor da minha vida.
E mora dentro do meu coração.
Eu te peço perdão por te amar de repente.
Eu te amo ,te amo, te amo,te amo tanto.
Embora meu amor seja uma canção nos teus ouvidos.
Mais cresce na minha alma o teu encanto.
DE: Catarina Garcia Reis

17 de mai. de 2012

Pesquisadores listam soluções para problemas globais

“Pode não parecer sexy, mas solucionar problemas como diarreia, vermes e desnutrição fará mais bem aos pobres do mundo do que intervenções grandiosas”, resume Bjørn Lomborg, fundador do Centro de Consenso de Copenhague, instituição que tem como grande objetivo encontrar as melhores maneiras para o investimento de recursos destinados ao desenvolvimento e auxílio de países pobres.

É com essa postura de propor soluções que sejam “realistas” que a entidade reuniu 65 pesquisadores, entre os quais quatro vencedores do Prêmio Nobel, com o objetivo de pensar durante um ano em possíveis respostas para os dilemas globais.

O resultado desse trabalho vem sendo divulgado nas últimas semanas no formato de artigos sobre dez temas: Conflitos Armados, Biodiversidade, Doenças Crônicas, Mudanças Climáticas, Educação, Fome e Desnutrição, Doenças Infecciosas, Desastres Naturais, Crescimento Populacional, Água e Saneamento.

Para as questões de biodiversidade e da fome, por exemplo, é sugerido o investimento pesado em tecnologias agrícolas. Assim, seria diminuída a necessidade de converter áreas preservadas para campos de cultivo.

De acordo com o Centro de Consenso de Copenhague, se o investimento em pesquisa agrícola chegasse a US$ 13 bilhões ao ano, em 2050 o número de famintos cairia em mais de 200 milhões, devido, sobretudo, ao barateamento dos alimentos.

Analisando em conjunto os problemas, os 65 pesquisadores elaboraram uma lista de 16 ações que deveriam ser prioritárias (em ordem decrescente de importância):

- Financiar intervenções de nutrição para combater a fome e melhorar a educação;

- Expandir os subsídios para o tratamento de malária;

- Expandir a cobertura de imunização infantil;

- Lidar com as doenças causadas por vermes em crianças;

- Expandir o tratamento de tuberculose;

- Investir em pesquisa e desenvolvimento agrícola;

- Melhorar sistemas de alerta de desastres naturais;

- Fortalecer as capacidades cirúrgicas em países pobres;

- Imunização da Hepatite B;

- Financiar o uso de drogas de baixo custo para casos de ataques cardíacos em nações pobres;

- Campanha para reduzir o consumo de sal;

- Investir em pesquisa e desenvolvimento de geoengenharia para lidar com o aquecimento global;

- Programas de transferência de renda condicionados à presença escolar;

- Investir na pesquisa da vacina do HIV;

- Campanhas informativas sobre os benefícios da educação;

- Financiar a construção de poços artesanais.

“Os investimentos para combater doenças infecciosas são baratos e efetivos. Os governos podem conquistar muito nessa área”, afirmou Thomas Schelling, vencedor do prêmio Nobel de Economia de 2005.

“Acabar com doenças provocadas por vermes é um objetivo quase ignorado e que merece mais atenção e recursos. Este simples e barato investimento significa crianças mais saudáveis e que passam mais tempo na escola”, reforçou Robert Mundell, outro vencedor do Prêmio Nobel de Economia.

“O volume de pesquisa produzida pelo Centro de Consenso de Copenhague soma-se ao nosso conhecimento de quais são as maneiras mais inteligentes para lidar com os desafios da humanidade. E a lista construída pelos vencedores do Nobel nos mostra quais investimentos podem ajudar mais. Estas são as áreas que os governos e filantropos deveriam focar sua atenção”, resumiu Lomborg.

Clima

Para as mudanças climáticas, uma solução apresentada foi a criação de uma taxa sobre o carbono para financiar novas tecnologias limpas de energia. Segundo Isabel Galiana e Christopher Green, ferramentas de cobrança sobre as emissões de gases do efeito estufa devem estar alinhadas com o desenvolvimento de novas opções tecnológicas, pois somente assim esses mecanismos são úteis.

Curiosamente, uma das sugestões apontada para o aquecimento global é a polêmica geoengenharia. São apresentadas como soluções viáveis métodos para refletir raios solares, como a injeção de aerossóis na estratosfera e o bombeamento de vapor de água dos oceanos na atmosfera.

Essas opções chamam a atenção justamente porque Lomborg, que é autor do livro “O Ambientalista Cético” e do filme “Cool it”, já negou as mudanças climáticas.

“Minha postura atual sobre o aquecimento global é bastante simples: É real, está sendo causado pelas emissões humanas de CO2 e precisamos fazer algo para freá-lo. Porém, precisamos de ações que realmente funcionem e não apenas que façam bem para a nossa consciência”, escreveu Lomborg em um artigo publicado no dia 9 de maio.
Fonte: Instituto Carbono Brasil

13 de mai. de 2012

AMOR

Júlio Lázaro Torma*
 " Amem-se uns aos outros, assim como eu amei vocês"
  Estamos no VI Domingo da Páscoa, daqui alguns dias celebraremos a Solenidade da "Ascensão do Senhor Jesus aos Céus."
   Somos convidados pela Comunidade Joanina, do " Discípulo Amado"( Jo 13,23), a meditarmos em nossas comunidades sobre o AMOR.A comunidade na sua catequese, após falar da " Videira e os Ramos", da permanencia do cristão a comunidade, ligado a Cristo.Aqui nos fala da ligação deste amor:" Como o Pai me ama,assim também eu vos amo.Perseverai no meu amor"( Jo 15,9).
  O relato acontece no caminho do monte das Oliveiras ou no Jardim de Getsêmani,debaixo dos milenares pés de oliveira, antes da Oração, que antecede os trágicos acontecimentos da Paixão.
  No Primeiro Testamento, Deus disse a Moisés, " Amarás o teu próximo como a ti mesmo"( Lev 19,18).Aqui Jesus radicaliza ao propor;" Amai-vos uns aos outros, como eu vos amo"( Jo 15,12).
  Nesta homilia de despedida encontramos as palavras amar, amor ( 9 vezes), onde é revelado á comunidade o segredo e o sucesso de sua missão.Para dar frutos a comunidade precisa sair, viver a sua missão.
   Viver como Jesus vivia e como cantemos:" Prova de Amor maior não há que doar a vida pelo irmão" ou " Amar como Jesus amou".
   Eis que como nos escreve o Apóstolo João," Deus é Amor" e o amor vem de Deus, pois somos filhos /as de Deus, quando amamos o nosso próximo.Se não amamos o próximo não podemos amar a Deus.Sem amor nada existe e nem o próprio Deus que é Amor.
   Pois quem ama, está aberto ao outro, não faz distinção de pessoa, de orientação sexual, etnia, regionalismo, nacionalismo, ideologia,religião e classe social, pois ama como Jesus amava a humanidade e os seus amigos.
   Como escreve Santa Terezinha de Lisieux( 1873-1897);" Quanto mais unida a Cristo, tanto mais amo minhas irmãs", e Santo Agostinho de Hipona ( 354-430), nos fala nos três graus do Amor.
   " Amar ser amado", o grau mais baixo.Quem não gosta disso?,precisaríamos ser robôs,para compreender o contrário, o amor narciscista.Eu preciso ser amado,tenho que ser amado, o amor individual." Amar,amar", amar os outros( me preocupo com o outro, ajudar o outro), aqui podemos cair no interesse, te ajudo e ajudo o outro, querendo algo em troca.
  " Amor", amar o outro, como ele é mesmo, sem fazer distinção, não esperar nada em troca, sem interesses é o topo da gratuidade do amor, assim como o mesmo Santo Agostinho, nos escreve pois a " medida do Amor é amar sem medida".
  Como amigos de Cristo somos membros da comunidade e devemos, buscar o Amor, pois á radicalidade do Amor, faz com que sejamos capazes de nos entregar e doar ao outro,sem interesses.
   Onde á Amor por interesse, ali não existe o amor,pode ser na comunidade,familia ou entre o casal.
   Onde existe amor, o próprio Jesus esta vivo e presente no meio daquela comunidade, que vive e sabe acolher o outro e não faz distinção de pessoas.Pois assim como Deus não exclui ninguém, através do seu Amor.
  Nós somos convidados, também a amar o outro sem fazer distinção, estar aberto para acolher,mesmo aquele irmão ou irmã que se afastou da comunidade e que nos magoou.
  Pois só somos cristãos de fato e estamos com os nossos galhos unidos a Cristo, quando vivemos de fato o Amor ao outro e superamos as barreiras,que nos supera.
  Quem vive de fato o Amor não discrimina, não exclui e nem explora o seu próximo, mas vive em comunidade e põe em prática o projeto de vida e liberdade.
  O Deus cristão é um DEUS DE AMOR.A existencia do cristianismo ou de qualquer religião é o amor.Se não vivemos de fato o amor,não podemos ser crentes,pois sem amor nem o próprio Deus existe.
  O grande testamento e herança que Jesus nos deixou foi o " Amar uns aos outros como eu vos amei", este é o desafio que temos ,como canta o canto," amar como Jesus amou".
   A Todas as mães, neste dia quero lhe desejar um lindo e feliz dia, pois ser mãe é o maior gesto de amor que uma mulher pode dar,pois ser portadora de vida e o próprio despojamento ao se dedicar aos seus filhos.
     Queridas mães muito obrigado.
As Mães beijos mil imensos.
Jo 15,9-17
* Membro da Equipe da Pastoral Operária Arquidiocesana de Pelotas /RS

12 de mai. de 2012

EUA: pesquisa apresenta a opinião dos que abandonaram a Igreja

“A fé cristã e a Igreja tem futuro nas sociedades da Europa ocidental?”, pergunta-se Kurt Koch – presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos – num texto sobre o futuro do cristianismo no Velho Continente. Não é novidade falar de uma crise profunda, testemunhada no esvaziamento das igrejas nas celebrações dominicais – ou, pelo menos, pelo fato dos fiéis praticantes serem de idade cada vez mais avançada – na mesma trilha do desvanecimento daquelas que o cardeal suíço chama de as “grandes convicções cristãs”.
Isto não tem nenhuma diferença em relação ao que acontece na América do Norte, especialmente nos Estados Unidos, em que a mistura mortal com o escândalo da pederastia – longe de chegar a seu fim, tanto no âmbito judicial como no midiático – produziu um êxodo cujos dados, em termos de quantidade, não são sempre conhecidos. E pensar que nas dioceses estadunidenses a quantidade dos que se declaram “pertencentes à Igreja católica” é perfeitamente detectável a partir da quantidade de pessoas que pagam a quota estabelecida no momento da subscrição. Ao contrário, muito menos conhecidos são os motivos pelos quais abandonam a Igreja.
Foi por este motivo que dom David O’Connel (foto), arcebispo de Trenton (Nova Jersey), no outono passado decidiu fazer uma pesquisa, confiando a investigação a dois especialistas: o jesuíta William J. Byron, docente de negócios e finanças na Universidade St. Joseph da Filadélfia; e Charles Zech, docente de economia e direto do Centro de Estudos para o Management Eclesial da Villanova University, na Pensilvânia.
Os resultados da pesquisa estão publicados no último número da revista dos jesuítas, America, com uma ampla síntese de ambos. Foram quase 300 entrevistados - buscados por meio de anúncios em jornais, por telefonemas ou contatados diretamente por meio dos párocos -, com a idade média de 53 anos, sendo 95% brancos caucásicos e 21% hispânicos; 63% são mulheres.
Uma quantidade considerada pelos especialistas como “surpreendente”, abandonaram tanto a própria paróquia como a Igreja católica assim, sem mais. Em torno de um quarto deles se desligaram da paróquia, mas não da Igreja. Alguém explicou: “Como família tínhamos encontrado uma religião alternativa; depois compreendemos que a religião católica é a correta, mas que está manipulada por pessoas erradas”. Alguns especificaram que se distanciaram por causa da hierarquia. De qualquer forma, a grande maioria apresentou um motivo que justificou o distanciamento.
Uma jovem de 23 anos confessou: “Senti-me enganada e subestimada. Não entendi certas decisões”. Outros motivos têm a ver com a qualidade das homilias: “Tentei ir para outras paróquias da região, porque a homilia parecia estar fora da realidade”, “as homilias eram vazias e, muitas vezes, se falava de arrecadação de fundos: em especial, de dinheiro e de problemas econômicos”.
Nas respostas é recorrente o escândalo da pederastia. Um homem declarou ter abandonado a Igreja quando seu bispo se negou a publicar no sítio diocesano uma lista dos sacerdotes acusados de abusos. Na opinião dele, o bispo também não realizou adequadamente as denúncias e os relativos processos.
Diante da pergunta sobre as possíveis mudanças na Igreja, que poderiam levá-los a retornar, muitos responderam positivamente em relação à sondagem. Esta lhes proporcionou uma forma de expressarem suas ideias, com a esperança de ser escutados. Falando especificamente sobre quais as coisas novas, que os trariam de volta para o rebanho, as respostas foram bastante amplas: em primeiro lugar está a aceitação dos divorciados que estão em segunda união, seguidas pelo desejo de melhores homilias, maior transparência e, também, maior assistência às crianças, a presença de sacerdotes mais atentos e amáveis. A motivação política apareceu de forma ambivalente: há os que pedem uma orientação mais conservadora e há aqueles que já não suportam as homilias tradicionalistas, que desejam que seja falado mais sobre o trabalho, a ética e a defesa do meio ambiente.
A quantidade de respostas positivas, sobre a sensibilidade e o recebimento dos párocos, é discreta, ao contrário, quase metade demonstrou-se desestimulada pelos seus pastores. Surgiram termos como “distante”, “arrogante”, “insensível”, termos que fazem refletir sobre a acusação de clericalismo que aflora em várias partes da diocese. As respostas sobre os membros da equipe paroquial foram mais positivas.
O clima de comunidade é um dos aspectos mais destacados; alguns lamentam que a igreja fosse “somente um lugar para assistir a missa, pela falta de participação, porque eu me encontrava sozinho numa multidão desconhecida”. “As pessoas que eu conheço estão fora da comunidade paroquial. Eu não acho que alguém sinta falta porque eu abandonei”. Inclusive, teve quem declarou que jamais foi interpelado na paróquia, para nada, “apesar de que éramos regulares nas contribuições com os envelopes”.
Diante do questionamento sobre as orientações da Igreja, que poderiam ter contribuído para que eles se afastassem, muitos fizeram referência à consideração dos homossexuais e ao problema deste tipo de união civil; seguido da posição sobre o divórcio e em relação aos casais de segunda união, dos casos de pederastia e do encobrimento pelos bispos, da discriminação das mulheres (se bem que não se mencionou tanto a admissão ao sacerdócio), a obrigação do celibato, os privilégios clericais, o excessivo interesse pelo dinheiro (“é sempre uma questão de dinheiro”, “um pedido insaciável”).
O tema do aborto também é recorrente: embora para muitos seja uma escolha equivocada, não obstante, consideram que a Igreja se concentra demasiadamente nele, ignorando outros problemas, como os sociais: a pobreza, a guerra, os cuidados da saúde, etc.
Sobre a pergunta a respeito das possíveis experiências negativas, foram mencionadas aquelas dentro do confessionário, a ausência nos momentos de funerais ou a não aceitação de que se possa ser padrinho/madrinha nos batizados ou na celebração de casamentos mistos; os abusos emocionais ou físicos nas escolas católicas; ter sido vítima de abuso sexual.
O que você diria ao bispo se pudesse encontrar-se com ele? Que não condene aos homossexuais, mas que os recebam como filhos de Deus; que reconheça a paridade das mulheres; que amplie sua própria posição sobre o divórcio; que tenha maior sensibilidade diante dos problemas das famílias, em particular das mães; que aumente as confissões comunitárias; “que renove a mentalidade arcaica para tornar a religião aberta para a sociedade”, “que faça com que a missa não se torne uma fonte de humilhação para os que não podem comungar”; que organize cursos para ajudar aos sacerdotes nas homilias. Em resposta, o bispo garantiu que responderá pessoalmente as 25 pessoas que se declararam dispostas a ser contatadas por ele.
A grande maioria dos entrevistados declarou não ter passado por outras confissões religiosas; entre os que fizeram isso, vão desde os budistas aos judeus, até diferentes Igrejas protestantes.
“Temos muito que aprender”, concluem os especialistas. De fato, apesar de ter se tratado da amostra de um grupo de “descontentes”, impressiona o tom absolutamente positivo e de crítica construtiva. Em absoluto, as respostas não são uma novidade e tem a ver com temas calorosos, sobre os quais ainda existem debates entre os que continuam na Igreja. Não é muito sublinhar que nas respostas que reprovam a Igreja está o fato dela responder com normas pré-confessionais as perguntas dos fiéis: é momento de oferecer melhores argumentos e explicações eficazes da doutrina católica. Faz necessário uma maior criatividade litúrgica e pastoral, inclinação ao significado do preceito festivo, maior atenção à qualidade e à imagem do clero, além da atenção àqueles que participam da missa, mas que falam outro idioma.
A reportagem é de Maria Teresa Pontara, publicada no sítio Vatican Insider, 05-05-2012.

9 de mai. de 2012

Ruralistas conseguem adiar votação da PEC 438


Em reunião de líderes, oposição propõe aprovar PEC do Trabalho Escravo em troca de mudanças no texto quando ele voltar para o Senado. Governo deve negar proposta.
Fonte:http://www.trabalhoescravo.org.br/noticia/55
Por Daniel Santini

Brasília - A bancada ruralista conseguiu adiar a votação em segundo turno na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional 438/2001, a “PEC do Trabalho Escravo”, para esta quarta (9). Inicialmente prevista para esta terça, a votação foi postergada após reunião das lideranças partidárias com o presidente da Câmara Marco Maia. Ele havia prometido que a votação aconteceria no dia 8, mas cedeu após proposta de acordo por parte de parlamentares.

Entre os partidos cujos líderes resistiram à votação estão DEM, PMDB, PP e PSD, que possuem integrantes na bancada ruralista. De acordo com Marco Maia, eles propuseram para o governo um acordo segundo o qual aceitariam votar e aprovar a PEC, contanto que, no Senado, o texto sofresse alterações. Em troca de aprovar o texto, eles solicitaram o compromisso de Maia para levar a José Sarney, presidente do Senado, o pedido de incluir na PEC uma definição de trabalho escravo.

Apesar de o conceito já estar previsto em lei, detalhado no artigo 149 do Código Penal, os opositores à PEC insistem que não há uma definição sobre trabalho escravo e querem que o texto da PEC inclua detalhes sobre o que é o que não é trabalho escravo.

A PEC 438 prevê que propriedades em que for flagrado trabalho escravo serão confiscadas e destinadas à reforma agrária ou uso social. O texto tem que voltar ao Senado porque foi incluída depois da última aprovação na casa a previsão de que, no caso de escravidão urbana, os imóveis urbanos também serão expropriadas – o que não estava previsto na proposta original.

A nova tentativa de fazer mais alterações é entendida pelos setores progressistas como mais uma medida para adiar a PEC. Além disso, a possibilidade de que o conceito de trabalho escravo seja redefinido é vista como uma medida que pode enfraquecer o combate à prática.

Maia ficou de consultar o Senado antes de selar o acordo. Apesar de inicialmente ter considerado a possibilidade de aceitar a proposta, a bancada governista deve manter a posição inicial e não se comprometer com a oposição. A aprovação da PEC 438 é considerada prioridade pelo Governo Federal.

Se não houve quórum suficiente para a votação ou apoio para a proposta, não está descartada a possibilidade de a votação ser novamente adiada. Durante o dia, trabalhadores rurais e artistas fizeram manifestações de apoio à PEC. Apesar de serem contra o texto, os ruralistas resistem em assumir a posição abertamente, temendo desgaste político de assumir publicamente ser contra o combate ao trabalho escravo

4 de mai. de 2012

O SERVIR

  
 Toda a natureza é um desejo de serviço...
 Serve a nuvem!
 Serve o vento!
 Serve os vales!
 Onde haja uma árvore que plantar,planta-a tu.
 Onde haja um erro que emendar emenda-o tu.
 Onde haja um esforço que todos evitam aceitar,aceita-o tu.
 Onde haja alguém para ajudar! ajuda-o tu.
 Onde haja alguém para consolar,consola-o tu.
 Onde haja uma lágrima para enxugar,enxuga-a tu.
 Seja aquele que afasta a pedra do caminho.
 O ódio dos corações e as dificuldades de um problema.
 Existe a alegria de ser bom,e a alegria de ser justo.
 Mas existe sobre tudo a alegria de servir.
 Você que abraçou esta atitude missionária,em busca de uma 
 linguagem compreensiva para anunciar o evangelho.
 Parabéns! por seres chamado ao serviço da vida.
 Agora põe a semente na terra e verás que não será em vão.
                                                                            
                                            De: Catarina Garcia Reis
                                                    Paz  e  Bem

3 de mai. de 2012

EU ETS registra uso expressivo de RCEs e ERUs em 2011

Autor: Fernanda B. Müller   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Empresas utilizaram 254,6 milhões de toneladas em compensações de emissão sob o mercado de carbono europeu no ano passado, um salto de 86% em relação a 2010, reflexo das restrições qualitativas e preços atrativos

A Comissão Europeia acaba de divulgar os dados referentes às unidades cobertas pelo seu esquema de comércio de emissões (EU ETS), que revelaram o uso 86% maior de créditos de compensação para cumprimento de suas cotas de emissão.
Os números somam 178,8 milhões de Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) e 75,8 milhões de Unidades de Emissão Reduzidas (ERUs), estando de acordo com as estimativas dos analistas que acompanham o mercado. Ambos os créditos são equivalentes em termos de possibilidade de uso para compensação de emissões sob o EU ETS.
A notícia, no entanto, não afetou o valor das RCEs para entrega em 2012, negociadas na ICE Futures Europe ainda na faixa de €3,8/t. “Não vimos nenhum impacto imediato sobre os preços", comentou Marcus Ferdinand, analista da Thomson Reuters Point Carbon.
O motivo do salto no uso das compensações tem muito a ver com o fato de que a partir de maio de 2013 grande parte das RCEs (cerca de 60% das emitidas atualmente), aquelas provenientes de projetos de destruição do HFC-22 e ácido adípico, não serão mais aceitas sob o esquema europeu. O crescimento na emissão de ERUs no ano passado também contribuiu muito para esta expansão.
O banco Barclays Capital credita ainda o aumento às altas taxas de emissão de RCEs, que por sua vez mantiveram o spread entre as EUAs e RCEs em níveis (€3 a €4) que incentivaram o seu uso. Já o desconto no valor das ERUs em relação às RCEs também elevou a sua atratividade e impulsionou a sua submissão.
O Deutche Bank levanta outro ponto, o piso para a negociação de RCEs chinesas, que pode ter sido uma barreira à importação para a Europa.
“Muitas instalações que contrataram RCEs chinesas podem ter decidido não importá-las para não pagar a taxa, em vez disso talvez tenham optado pela compra de novas RCEs no mercado, portanto, reduzindo a quantidade de RCEs disponíveis no mercado para outros players”, explica o analista Mark C. Lewis.
Um total de 456,1 milhões de RCEs foram usadas até agora sob o EU ETS, quase a metade do total emitido nos primeiros quatro anos da segunda fase (2008-2011) do esquema.
Os maiores volumes destes créditos foram submetidos nos países que são os maiores emissores de gases do efeito estufa da Europa, que consequentemente podem usar as maiores cotas de compensações: Alemanha (29%), Espanha (11%), França (11%) e Polônia (10%).
Os setores de geração de energia e aquecimento submeteram 63% das compensações, apesar de caber a mesma lógica dos países, sendo que os maiores emissores têm as maiores cotas. Cerca de 20% das compensações foram usadas pelo setor de aço e ferro e 14% por indústrias de cimento.
O Deutsche Bank estima que durante a segunda fase do EU ETS, as instalações terão uma cota de uso de RCEs e ERUs da ordem de 1,43 bilhões, porém que 1,55 bilhões destes créditos serão emitidos. A demanda exterior ao EU ETS por RCEs e ERUs para cumprimento das metas do Protocolo de Quioto deve ser de 150 milhões de toneladas, portanto o banco conclui que provavelmente "não haverá RCEs e ERUs suficientes disponíveis para que as instalações cobertas pelo EU ETS usem a totalidade de sua cota para a segunda fase".