Mostrando postagens com marcador pobres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pobres. Mostrar todas as postagens

27 de mar. de 2015

Hosana ! Bentido o que vem em nome do Senhor!

                                     Júlio Lázaro Torma*
                                 " Meu Deus,meu Deus,porque me abandonastes?"
                                                                                      ( Mc 15,34)
      Hoje iniciamos a celebração da Semana Santa, a " Semana das semanas'', a " Grande Semana", da Entrega, Paixão e Morte e Ressurreição de Jesus que culmina na madrugada de domingo de Páscoa ( Pesach). Celebramos o domingo de " Ramos" quando trazemos palmas, ramos, flores e ervas medicinais.
    Estamos seguindo o itinerário de Jesus, estamos próximos dos pórticos de Jerusalém, em Betânia ( casa dos pobres) e Betfagé ( casa do figo), perto do monte das oliveiras a onde o povo se concentrava para as romarias. Durante a caminhada salmodiavam os salmos 120-134 ( Cânticos de peregrinação).E junto com os milhares de romeiros subamos " para Jerusalém a cidade tão bem edificada,que forma um tão belo conjunto" ( Sl 122,3) e " Vinde subamos á montanha do Senhor" ( Is 2,3).
     Eis que subamos, cantemos alegremente salmos de alegria pois o Senhor o " Príncipe da Paz" ( Is 9,5), " esta se próximo" ( Fl 4,5) e vem " simples montado num jumento, no porto de uma jumenta" ( Zc 9,9) e a ele as ruas tomadas pela multidão correm cantando com ramos de oliveira,folhas de palmeiras,salgueiros e ramos de mirta ( Dt 16,Lv 23,40,Ne 8,14-17) e cantemos alegremente, " Bendito seja o que vem em nome do Senhor" ( Sl 118,26-27).
    Jesus entra na cidade de Davi, na cidade da Paz e messiânica, como um rei de maneira provocativa diante dos poderes do Templo ( religioso) e de Pôncio Pilatos ( político), dominador que oprimem, empobrece e dominam o povo.
    Assim como o seu antepassado o poderoso rei Davi ( II Sm 5,6-11), Jesus entra em Jerusalém.Ele entra pacificamente montado no jumento. O jumento era o meio de locomoção das pessoas pobres de seu tempo, de serviço e de sinal de missão de paz de um rei.
    Quando um rei entrava numa cidade montado num cavalo era sinal de  guerra e de destruição daquele povo.
     Jesus entra de maneira provocativa cercado pelos discípulos e a multidão, anunciando um Reino diferente que inverte as prioridades, onde quem quiser ser o maior deverá ser o menor e que veio para os pobres e pecadores.
     E que o seu reino não é um reino dominador e opressor, mas um Rei que é servo, que se esvaziou de si mesmo, de sua condição real e se fez o" servo sofredor" ( Is 50,4-7).
     Ele não é acolhido pelos poderosos de seu tempo que tem medo dele, pois eles tem medo de perder os seus privilégios e farão de tudo para assassina-lo, como forjar um julgamento falso, cheio de mentiras e onde eles mesmos se contradizem o tempo todo e manipulam a opinião pública contra Jesus.
    Quando a elite se vê e sente os seus interesses ameaçados a primeira coisa que ela faz é isolar e eliminar aquele que lhe atrapalha e causa uma ameaça como sucedeu com Jesus.
     Outro paradoxo da festa de hoje que deve ser destacado é a mesma multidão que está as vezes aclamando ( Mc 11,8-10) e que alguns dias depois está imediatamente condenando ( Mc 15,13-14). Mas uma vez a nossa realidade humana. A multidão é sempre versátil, a massa não pensa ela é facilmente manipulável.
    Apenas um líder hábil para manipular de alguma forma para o melhor e o pior.Os seres humanos que compõe a multidão são facilmente influenciados por fatores ou situações que por vezes negam a si mesmo, em instituições, empresas, negócios que muitas vezes há gravantes situações de injustiças...
    Quantas pessoas aceitam se queimar para denunciar? O medo pode ser rapidamente, o medo da perda do emprego, medo da perda da amizade, medo de alguma ameaça de morte, o medo de não chegar a uma posição privilégiada, o medo de ter que lutar em defesa da justiça, medo do medo... É triste! Mas a maioria das pessoas são assim.
    Eu pessoalmente já experimentei e passei por isso mais de uma vez. No entanto, é está maioria que compõe as massas ou seja  são homens e mulheres que estão fazendo qualquer coisa.
    Olhamos para nós mesmos e perguntamos quem somos a multidão, Simão Cirineu, Pedro que nega, Judas que trai e os discípulos que fogem? ou os transeuntes que passam anonimamente diante da cruz?
     Quantas vezes Jesus esta caído nas nossas ruas e nós não lhe ajudamos e viramos o nosso olhar, pois o seu olhar nos agride e também nos ofende e nos chama a dura realidade em que vive bilhões de seres humanos em nosso planeta.
    Jesus está hoje gritando em meio aos crucificados de nossa sociedade, aqueles que muitas vezes zombamos deles e que pedimos a sua morte, uma higienização da sociedade, não porque eles que são os mais pobres nos atrapalham. Mas por que eles causam um mal estar nos privilegiados, que criam miseráveis, entre os pobres e que não querem ver, para não terem peso na sua consciência e serem chamados a responsabilidade desta dura realidade, diante do grito abafado de milhares de crucificados que encontramos pelas ruas, calçadas, praças, avenidas,estrada e calçadão de nossas cidades.
    Onde o grito de Jesus abandonado nos crucificados nos chama a sairmos do nosso comodismo e como Simão Cirineu nos colocar á serviço, não ter medo do desconhecido, pois é como nos fala o Papa Francisco.
    " Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar ás próprias seguranças" e que tem medo de tocar nos crucificados nas beiras e caídos nas estradas do mundo.
    É indigno converter a semana santa, em folclore, turismo, meros espetáculos, comércio para abastecer os lucros da Páscoa, feriadão. Para os seguidores de Jesus celebrar a Paixão e Morte do Senhor é um agradecimento emocionado, adoração ao amor " incrível" de Deus e chamados a viver como Jesus, solidarizemos e servimos aos crucificados.                  Mc 11, 1-10; Mc 15,1-39
            __________________________-
            * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

6 de jul. de 2013

Francisco de Assis e Francisco de Roma

"Francisco viveu a antítese do projeto imperial de Igreja. Ao evangelho do poder, apresentou o poder do evangelho: no despojamento total, na pobreza radical e na extrema simplicidade. Não se situou no quadro clerical nem monacal, mas como leigo se orientou pelo evangelho vivido ao pé da letra nas periferias das cidades, onde estão os pobres e hansenianos e no meio da natureza, vivendo uma irmandade cósmica com todos os seres", escreve Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.  Leia mais:

12 de set. de 2012

Um sonho estranho e penetrante de uma Igreja diferente

A análise é do bispo francês Jean-Charles Thomas. Nascido em 1929, tornou-se bispo auxiliar de Versalhes no dia 23 de dezembro de 1986. Tornou-se bispo titular no dia 4 de junho de 1988 e aposentou-se de suas funções no dia 11 de janeiro de 2011, por razões de idade.


"...reconfortar, curar e pôr em comunhão os irmãos e as irmãs de todas as Igrejas cristãs, libertados das suas diferenças separadoras..." (Foto: )
No dia 1º de maio de 2012, eu festejei em uma solidão livremente escolhida o 40º aniversário da minha ordenação episcopal, passando uma boa parte do dia rendendo graças. E na noite seguinte eu tive um sonho...
Um papa (qual? Quando? Não sei...) decidia chamar de Congregação Romana para a Revelação Cristã a antiga Congregação para a Doutrina da Fé, que havia sucedido o Santo Ofício, que por sua vez havia substituído a Santa Inquisição. Ele lhe confiava a função primordial de vigiar para que toda doutrina ou decisão fosse examinada, julgada, mantida ou rejeitada segundo a fidelidade de sua relação com a Revelação cristã, essencialmente expressa na Bíblia.
A intenção do papa foi claramente percebida: o anúncio da Boa Nova devia retomar o primeiro lugar na Mensagem, na Missão e na organização da Igreja Católica.
Seguiu-se um grande fervor entre os cristãos para ler e meditar as Sagradas Escrituras. Em todos os continentes, os grupos de lectio divina se multiplicavam. Os diálogos sobre o sentido da Vida se espalhavam na internet. Pastores, teólogos e filósofos se uniam para fazer resplandecer as harmonias da Sabedoria revelada. Um Sopro de primavera, oferecido a todos os seres humanos, fazia nascer iniciativas para esclarecer, reconfortar, curar e pôr em comunhão os irmãos e as irmãs de todas as Igrejas cristãs, libertados das suas diferenças separadoras. Juntos, eles dialogavam com os crentes monoteístas do mundo, prioritariamente com os judeus, "nossos irmãos mais velhos na fé".
Observando esse novo Sopro que dinamizava os cristãos, multidões de pessoas recomeçavam a se interessar pelos valores espirituais, pela humanização da Humanidade e pelas suas instituições sociais, políticas, econômicas, intergeracionais, familiares e mundiais. Essas multidões, cansadas dos conflitos gerados por pessoas que, apresentando-se como crentes, impunham os seus integralismos, recomeçavam a escutar o murmúrio dos convites à Paz, à reconciliação e ao perdão pronunciados por Jesus de Nazaré, que tinham encontrado um grande eco nos séculos passados e em todas as latitudes.
Convencido pelos milagres gerados pela Palavra de Deus, reconhecida como Fonte de Luz, o papa (qual? quando? não sei...) se comportava como servo dos servos de Deus. Ele reivindicava, como Simão Pedro, ser considerado como coancião, sumpresbuteros, um dos Doze, encarregado de presidir a comunhão. Os seus Dicastérios estavam comprometidos em assegurar prioritariamente um ministério de serviço e não de autoridade suprema. Ele usava a internet para consultar periodicamente todos os bispos do mundo sobre as melhores formas de viver a colegialidade, de responder aos problemas que os seus antecessores haviam se reservado recentemente, notavelmente sobre certos elementos da vida dos casais, sobre o lugar das mulheres nas responsabilidades e nos ministérios, sobre o papel dos idosos na evangelização e nas comunidades cristãs, sobre o lugar decisivo da consciência no juízo moral, sobre a justa relação entre o magistério e o sensus fidelium e sobre os novos problemas postos pelas evoluções do mundo...
Ele pediu até que se voltasse ao vocabulário respeitado pela Tradição dos dez primeiros séculos, evitando chamar de padres aqueles que Cristo jamais havia chamado assim, tendo-os considerado sempre como seus Enviados: Missionários ou Apóstolos escolhidos entre os Discípulos, que tinham dentre outras coisas a possibilidade de viver em casal segundo o pensamento do Criador expresso no início da Bíblia.
Consequentemente, a vocação cristã e a missão de todos os fiéis de Cristo foram apresentadas de forma mais conforme às cartas de Paulo, de Pedro, de Tiago, de João, aos Atos dos Apóstolos.
Retomou-se o uso de textos que haviam se perdido um pouco de vista: eles haviam sido redigidos por um Concílio realizado nos anos 1962-1965. A sua redescoberta favoreceu uma melhor conformidade dos múltiplos hábitos, tradições, interpretações e prescrições impostas na Igreja Romana ao longo da história – junto com a grande Tradição Revelada.
Um dia (quando? não sei...) esse papa providencial proibiu os títulos de Santíssimo Padre, de Soberano Pontífice, explicando que eles deviam ser reservados a Deus. Propôs uma reflexão para saber se era oportuno distinguir a Missão de Bispo de Roma, primus inter pares, da função de Chefe de Estado do Vaticano, porque essa segunda função muitas vezes criava confusão quando o papa viajava para fora do Vaticano para visitar pastoralmente e encorajar os fiéis de Cristo.
Ele voltou à antiga Tradição no que se refere à nomeação dos bispos, constatando que a centralização nesse âmbito havia se tornado ingerível, apesar da presença de Núncios que se comprometiam a encontrar novos bispos, embora continuando a exercer as suas funções oficiais de Diplomatas do Estado de Vaticano...
O amanhecer nascente interrompeu esse sonho.
Eu me despertei.
Chovia lá fora. Um tempo realmente feio.
O artigo foi publicado no sítio Garrigues et Sentiers, 03-09-2012, reproduzido pelo IHU-Unisinos

17 de mai. de 2012

Pesquisadores listam soluções para problemas globais

“Pode não parecer sexy, mas solucionar problemas como diarreia, vermes e desnutrição fará mais bem aos pobres do mundo do que intervenções grandiosas”, resume Bjørn Lomborg, fundador do Centro de Consenso de Copenhague, instituição que tem como grande objetivo encontrar as melhores maneiras para o investimento de recursos destinados ao desenvolvimento e auxílio de países pobres.

É com essa postura de propor soluções que sejam “realistas” que a entidade reuniu 65 pesquisadores, entre os quais quatro vencedores do Prêmio Nobel, com o objetivo de pensar durante um ano em possíveis respostas para os dilemas globais.

O resultado desse trabalho vem sendo divulgado nas últimas semanas no formato de artigos sobre dez temas: Conflitos Armados, Biodiversidade, Doenças Crônicas, Mudanças Climáticas, Educação, Fome e Desnutrição, Doenças Infecciosas, Desastres Naturais, Crescimento Populacional, Água e Saneamento.

Para as questões de biodiversidade e da fome, por exemplo, é sugerido o investimento pesado em tecnologias agrícolas. Assim, seria diminuída a necessidade de converter áreas preservadas para campos de cultivo.

De acordo com o Centro de Consenso de Copenhague, se o investimento em pesquisa agrícola chegasse a US$ 13 bilhões ao ano, em 2050 o número de famintos cairia em mais de 200 milhões, devido, sobretudo, ao barateamento dos alimentos.

Analisando em conjunto os problemas, os 65 pesquisadores elaboraram uma lista de 16 ações que deveriam ser prioritárias (em ordem decrescente de importância):

- Financiar intervenções de nutrição para combater a fome e melhorar a educação;

- Expandir os subsídios para o tratamento de malária;

- Expandir a cobertura de imunização infantil;

- Lidar com as doenças causadas por vermes em crianças;

- Expandir o tratamento de tuberculose;

- Investir em pesquisa e desenvolvimento agrícola;

- Melhorar sistemas de alerta de desastres naturais;

- Fortalecer as capacidades cirúrgicas em países pobres;

- Imunização da Hepatite B;

- Financiar o uso de drogas de baixo custo para casos de ataques cardíacos em nações pobres;

- Campanha para reduzir o consumo de sal;

- Investir em pesquisa e desenvolvimento de geoengenharia para lidar com o aquecimento global;

- Programas de transferência de renda condicionados à presença escolar;

- Investir na pesquisa da vacina do HIV;

- Campanhas informativas sobre os benefícios da educação;

- Financiar a construção de poços artesanais.

“Os investimentos para combater doenças infecciosas são baratos e efetivos. Os governos podem conquistar muito nessa área”, afirmou Thomas Schelling, vencedor do prêmio Nobel de Economia de 2005.

“Acabar com doenças provocadas por vermes é um objetivo quase ignorado e que merece mais atenção e recursos. Este simples e barato investimento significa crianças mais saudáveis e que passam mais tempo na escola”, reforçou Robert Mundell, outro vencedor do Prêmio Nobel de Economia.

“O volume de pesquisa produzida pelo Centro de Consenso de Copenhague soma-se ao nosso conhecimento de quais são as maneiras mais inteligentes para lidar com os desafios da humanidade. E a lista construída pelos vencedores do Nobel nos mostra quais investimentos podem ajudar mais. Estas são as áreas que os governos e filantropos deveriam focar sua atenção”, resumiu Lomborg.

Clima

Para as mudanças climáticas, uma solução apresentada foi a criação de uma taxa sobre o carbono para financiar novas tecnologias limpas de energia. Segundo Isabel Galiana e Christopher Green, ferramentas de cobrança sobre as emissões de gases do efeito estufa devem estar alinhadas com o desenvolvimento de novas opções tecnológicas, pois somente assim esses mecanismos são úteis.

Curiosamente, uma das sugestões apontada para o aquecimento global é a polêmica geoengenharia. São apresentadas como soluções viáveis métodos para refletir raios solares, como a injeção de aerossóis na estratosfera e o bombeamento de vapor de água dos oceanos na atmosfera.

Essas opções chamam a atenção justamente porque Lomborg, que é autor do livro “O Ambientalista Cético” e do filme “Cool it”, já negou as mudanças climáticas.

“Minha postura atual sobre o aquecimento global é bastante simples: É real, está sendo causado pelas emissões humanas de CO2 e precisamos fazer algo para freá-lo. Porém, precisamos de ações que realmente funcionem e não apenas que façam bem para a nossa consciência”, escreveu Lomborg em um artigo publicado no dia 9 de maio.
Fonte: Instituto Carbono Brasil

16 de nov. de 2011

Pobres viviam com R$ 225 por mês.


Metade da população recebeu mensalmente, durante o ano de 2010, até R$ 375 – valor inferior ao salário mínimo, de R$ 510, pago na época, embora a média nacional de rendimento domiciliar per capita fosse R$ 668. Apesar da tendência de redução observada nos últimos anos, os resultados do Censo Demográfico 2010 mostram que a desigualdade de renda ainda é bastante acentuada.  
Além disso, os 10% com maiores salários entre a população brasileira ficaram, em 2010, com 44,5% do total de rendimentos, enquanto os 10% com menor renda, 1,1%.   
Os dados fazem parte dos resultados definitivos do universo do Censo 2010 divulgado nesta quarta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.  
No que se refere ao rendimento médio mensal domiciliar per capta, os 10% com os rendimentos mais elevados ganhavam R$ 9.501, enquanto as famílias mais pobres viviam com apenas R$ 225 por mês.  
De todos os brasileiros acima de 10 anos de idade que têm com rendimentos, 0,5% recebiam mais de R$ 10,2 mil mensais na cidades e 0,1% no campo. Na área rural, 46,1% recebiam R$ 596. Na zona urbana, esse valor alcançou R$ 1.294.  
Pobreza
As desigualdades aumentam nas regiões Norte e Nordeste, onde os 10% mais pobres detêm 1% do total de rendimentos. A grande concentração de renda fez com que o país ficasse com número 0,526 no índice de Gini, que calcula a desigualdade de distribuição de renda, levando consideração uma variação de 0 a 1, em que 0 corresponde à completa igualdade de renda e 1 corresponde a total desigualdade. A concentração é maior nas áreas urbanas (0,521), embora as áreas rurais do país (0,453) detenham a maioria das pessoas sem rendimento ou com rendimento até R$ 510 (85,4%).  
A parcela que ganhava mais de R$ 2.550 por mês representava 1% na área rural e 6% na área urbana. As regiões Norte e a Nordeste são as que registram menor número de trabalhadores com renda acima desse valor, com 2,6% e 3,1% respectivamente, bem abaixo das percentagens do Sudeste (6,7%), do Sul (6,1%) e Centro-Oeste (7,3%).   Fonte: Agência Brasil

28 de set. de 2011

Homenagem aos 90 anos de Paulo Freir

 
Hoje dia 28 de setembro, 90 anos atras nascia em Recife Paulo Freire. Um dos maiores pesadores da história da Pedagoia em todo o mundo. Angélica Ramacciotti do Instituto Paulo Freire escreve um belo texto sobre este pensador. Minha homenagem ao homem que gostaria de ser lembrado como: "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida.”Há exatamente 90 anos nascia em Recife (PE) o homem que iria se tornar um dos pensadores mais importantes da história da pedagogia em todo o mundo: Paulo Freire (1921-1997). Ele disse que gostaria de ser lembrado como "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida". Foi reconhecido internacionalmente pela autoria de uma pedagogia crítica, dialógica e transformadora que assume compromisso com a libertação dos oprimidos.

Embora seja mais conhecido pela criação de um método de alfabetização de adultos, Paulo Freire construiu uma teoria do conhecimento que continua inspirando pesquisadores dedicados aos estudos de filosofia, comunicação, arte, física, matemática, biologia, geografia, história, literatura, economia, medicina, entre outros campos de atuação. Segundo a diretora de Gestão do Conhecimento do Instituto Paulo Freire, Ângela Antunes, o reconhecimento dele, fora do campo da pedagogia, demonstra que o seu pensamento também é transdisciplinar e transversal. "A pedagogia é essencialmente uma ciência transversal. Desde seus primeiros escritos, Paulo Freire considerou a escola muito mais do que as quatro paredes da sala de aula. Ele criou o círculo de cultura como expressão dessa nova pedagogia que não se reduzia à noção simplista de aula", observa.
O presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, enfatiza que não se pode entender o pensamento de Paulo Freire descolado de um projeto social e político. "A força da obra de Paulo Freire também reside na ideia de que é possível, urgente e necessário mudar a ordem das coisas". Segundo Gadotti, as teorias e práticas de Paulo Freire também encantavam pessoas de várias partes do mundo porque "despertavam a capacidade de sonhar com uma realidade 'mais humana, menos feia e mais justa', como o próprio Paulo costumava dizer".
Ditadura militar
Considerado subversivo, Paulo Freire foi preso em 1964 e passou 75 dias em uma cadeia do quartel de Olinda (PE). Ao saber que ele era professor, um dos oficiais responsáveis pelo quartel, solicitou que alfabetizasse alguns recrutas. "Paulo explicou que havia sido preso justamente porque queria alfabetizar!", lembra Gadotti.
Em 1980, depois de 16 anos de exílio, Paulo retornou ao Brasil para "reaprender" seu país, como afirmou na época. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo.
Paulo Freire é autor de muitas obras: Pedagogia do oprimido (1968), Extensão ou comunicação? (1971), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992), À sombra desta mangueira (1995), entre outras.
Dentre as homenagens recebidas, Paulo foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa em 39 universidades no Brasil e no mundo. Dezenas de instituições o elegeram como "Presidente de Honra" e uma escultura de pedra com a sua imagem foi esculpida em 1972, em Estocolmo, onde ele é representado na companhia de Mao Tsé Tung, Pablo Neruda, Ângela Davis, Sara Lidman e outras pessoas que lutaram contra a opressão. Ao receber prêmios, medalhas e títulos, ele costumava dizer que essas homenagens o desafiavam a continuar trabalhando.
Em 1996, lançou seu último livro, intitulado "Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa". No ano seguinte, em 2 de maio de 1997, Paulo Freire morreu de um infarto agudo do miocárdio. A anistia aconteceu 12 anos depois, em 2009, e comoveu as 3 mil pessoas que estavam presentes na cerimônia, realizada em Brasília.
No contexto dos 90 anos do educador Paulo Freire, celebrado dia 19 de setembro de 2011, estão sendo realizadas homenagens e comemorações em todo o mundo. As ações mostram que Paulo Freire continua vivo por meio do trabalho de mulheres e homens que reinventam o seu legado e "amam o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida".
[Fonte: Instituto Paulo Freire]
***************
Pedagogia do oprimido
Por Heli Espíndola, Ascom/MinC
Nascido em 19 de setembro de 1921, em Recife, Paulo Freire (1921-1997) contestou a forma de aprender e ensinar. Ele foi um pensador comprometido com a vida. O educador pensava a existência humana a partir da luta dos oprimidos como camponeses e favelados e dedicou-se a formular uma pedagogia da liberdade e da emancipação humana. Paulo Freire acreditava que o professor é um constante aprendiz e que o aluno é um sujeito ativo e participativo do processo de aprendizagem.

(Foto Paulo Freire: Instituto Paulo Freire)
O pedagogo disse que gostaria de ser lembrado como "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida”. Embora seja mais conhecido pela criação de um método de alfabetização de adultos, Paulo Freire construiu uma teoria do conhecimento que continua inspirando pesquisadores dedicados aos estudos de filosofia, comunicação, arte, física, matemática, biologia, geografia, história, literatura, economia, medicina, entre outros campos de atuação.
[Fonte: Ministério da Cultura, Brasil]
***********
Última entrevista com Paulo Freire
Por Luciana Burlamaqui
Jornalista





[Fonte: Youtube].