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20 de dez. de 2011
A pedagogia de Francisco de Assis
30 de nov. de 2011
Educação e construção de novo paradigma.
Celito Meier
teólogo, filósofo e educador, professor de filosofia
Nossas reflexões estão concentradas, ainda uma vez, na ótica da avaliação, em vista de uma nova educação, capaz de lapidar o espirito humano para uma nova e diferenciada presença no ciclo da vida. Sendo o campo da educação espaço e tempo propício à construção de convicções e valores para a vida em sociedade, é preciso que a vida cotidiana entre no espaço da comunidade educativa e seja continuamente revista e sobre ela se volte o olhar critico e esperançoso, de quem busca sempre o melhor dos mundos possíveis. Dessa forma, tematizar, problematizar e avaliar o paradigma que, atualmente, rege a vida em sociedade é tarefa fundamental, que deve permear todo o projeto educativo. Com efeito, o paradigma ainda dominante é o econômico, fonte de verdadeiros escândalos éticos e morais, em todas as dimensões que constituem o ambiente da vida. Esse paradigma econômico, referindo-nos às reflexões realizadas por Adorno e Horkheimer, realizou o eclipse da razão filosófica, anestesiada e transformada em razão instrumental e técnica, que se tornou “mero instrumento auxiliar do aparato econômico que tudo abrange”. Nesse modelo de vida, “o pensar se coisifica no processo automático que transcorre por conta própria, competindo com a máquina que ele próprio produz para que esta possa finalmente substituí-lo”. “O iluminismo deixou de lado a exigência clássica de pensar o pensamento”. (...). “A dominação da natureza delineia o círculo para o qual o pensar foi exilado”. (Horkheimer e Adorno. Dialética do Iluminismo. São Paulo: Nova Cultural, 1991, p.22. 25.26.(Os Pensadores). Aqui estamos diante de um novo ethos social, o que faz do cultivo da própria individualidade o valor supremo, passando da individualidade ao individualismo regido pela ética do sucesso a qualquer custo, por um narcisismo incapaz de ter um olhar consequente e responsável. Por isso, sem a mudança de foco, sem a educação para uma nova sensibilidade e para uma nova visão de mundo, como poderemos ensaiar e propor alternativas para uma nova civilização, inclusiva e promotora da vida com qualidade? Com efeito, o primeiro e mais significativo trabalho da educação é possibilitar uma nova visão de mundo, sendo critica das ideologias que perpetuam um senso comum alienado a visões fragmentadas e fragmentadoras do real. Nessa dinâmica, o educador tem a árdua e bela tarefa de alimentar nova consciência e, com ela, ser mediador de esperança, com sua presença política comprometida com a construção de um novo paradigma. Colocar-se na dinâmica da educação ética, sob a perspectiva da ética da responsabilidade implica, necessariamente, compromisso com a defesa da vida de todo o nosso planeta, tão massacrado e violentamente sugado pelo mito do progresso linear, infinito e ilimitado e pela lógica do mercado. Educar para a cidadania planetária implica superar o perverso modelo culturalmente produzido, que assim se manifesta: "crescei e multiplicai-vos, dominai e subjugai a terra”. Essa lógica é suicida, fratricida, geocida, biocida. O tema da avaliação em educação não pode vir desvinculado do macro olhar, que considera o horizonte para o qual a humanidade está se projetando, uma vez que a educação é justamente o berço de uma nova humanidade. Por essa razão, o educador deve estar profundamente sintonizado com as urgentes demandas sociais e planetárias, capaz de ouvir o grito de tantas vítimas. Somente a partir desse olhar, que nasce do encontro com as vítimas geradas pelo nosso processo de histórico de dominação e exclusão, será possível uma afetiva e efetiva educação para a responsabilidade, na ética do cuidado com a vida. Para mudar a mentalidade e os valores reinantes é preciso um longo processo educacional. Essa realidade, ainda utópica, nós perseguimos. Ela nos motiva a caminhar, pois nossa morada é o horizonte de sentido maior. Desta forma, a educação desafia à realização da passagem do caos à cultura solidária, do absurdo ao Sentido. Com efeito, a educação para a ética da responsabilidade nos recorda, cotidianamente, que a vocação humana no Cosmos, não é a de pisotear, dominar e destruir, mas de conviver harmoniosamente, de administrar responsavelmente a vida. Sabemos que toda ética nasce de uma ótica e toda nova ótica irrompe a partir de um mergulho profundo na complexidade da vida. É esse mergulho que a educação deve promover, se verdadeiramente quisermos a superação do tipo de civilização que construímos nestes últimos séculos. Esse compromisso da educação com a construção de um novo referencial para a vida humana na grande teia da vida despertará uma sensibilidade que hoje se encontra ainda muito enfraquecida; a dimensão social, do engajamento politico. Por isso, a atual indiferença e apatia politica estão na raiz que alimenta e perpetua o tão conhecido quadro de corrupções, que caminha na mais visível contramão de qualquer tentativa de uma nova ordem social. Por isso, o trabalho educativo está na base da construção de imperativos, que solicitam o nosso dever. Atualizando esses imperativos, podemos dizer, sinteticamente, com Hans Jonas: "Age de modo que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência de uma vida autenticamente humana sobre a terra"! "Age de modo que os efeitos de tua ação não sejam destruidores para a possibilidade futura de tal vida"! "Não comprometas as condições da sobrevivência indefinida da humanidade na terra"! "Inclui em tua escolha atual a integridade futura do homem como objeto secundário de teu querer". (Hans Jonas, Le principe responsabilité. Paris: Cerf, 1990. p.0-31). Portanto, considerando a educação como o processo de desenvolvimento das potencialidades humanas, capaz de transformar e substituir a impulsividade e a irracionalidade das ações pelas dimensões do direito e do dever, o primeiro passo nessa direção será o de abrir espaço para promover a problematização do nosso atual modelo de vida. O segundo passo exigirá que sejamos consequentes com as exigências que virão do primeiro passo. Assim, a grande revolução paradigmática que nosso tempo necessita só poderá vir de uma nova educação. É da educação que nascerão a nova consciência politica, o radical engajamento social e os novos políticos, homens e mulheres comprometidos com a coisa pública, com a consciência e o ompromisso de verdadeiramente promover o Estado democrático de Direito. Em comunhão com todos os indignados com a indiferença e apatia políticas, comprometidos em alimentar a esperança militante, no cotidiano esforço por suscitar uma nova visão de mundo, com estima e gratidão.
Celito Meier Celito Meier é teólogo, filósofo e educador, professor de filosofia no Colégio Santo Agostinho. É autor de diversos livros, especialmente, "A Educação à luz da Pedagogia de Jesus de Nazaré", ed. Paulinas; "Filosofia: por uma inteligência da complexidade", da PAX Editora; e a coleção "Educação para o Pensar: diálogos filosóficos", da PAX Editora, uma coleção de 32 livros de Filosofia para Ensino Fundamental.
28 de set. de 2011
Homenagem aos 90 anos de Paulo Freir
Hoje dia 28 de setembro, 90 anos atras nascia em Recife Paulo Freire. Um dos maiores pesadores da história da Pedagoia em todo o mundo. Angélica Ramacciotti do Instituto Paulo Freire escreve um belo texto sobre este pensador. Minha homenagem ao homem que gostaria de ser lembrado como: "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida.”
Há exatamente 90 anos nascia em Recife (PE) o homem que iria se tornar um dos pensadores mais importantes da história da pedagogia em todo o mundo: Paulo Freire (1921-1997). Ele disse que gostaria de ser lembrado como "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida". Foi reconhecido internacionalmente pela autoria de uma pedagogia crítica, dialógica e transformadora que assume compromisso com a libertação dos oprimidos.
Embora seja mais conhecido pela criação de um método de alfabetização de adultos, Paulo Freire construiu uma teoria do conhecimento que continua inspirando pesquisadores dedicados aos estudos de filosofia, comunicação, arte, física, matemática, biologia, geografia, história, literatura, economia, medicina, entre outros campos de atuação. Segundo a diretora de Gestão do Conhecimento do Instituto Paulo Freire, Ângela Antunes, o reconhecimento dele, fora do campo da pedagogia, demonstra que o seu pensamento também é transdisciplinar e transversal. "A pedagogia é essencialmente uma ciência transversal. Desde seus primeiros escritos, Paulo Freire considerou a escola muito mais do que as quatro paredes da sala de aula. Ele criou o círculo de cultura como expressão dessa nova pedagogia que não se reduzia à noção simplista de aula", observa.
O presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, enfatiza que não se pode entender o pensamento de Paulo Freire descolado de um projeto social e político. "A força da obra de Paulo Freire também reside na ideia de que é possível, urgente e necessário mudar a ordem das coisas". Segundo Gadotti, as teorias e práticas de Paulo Freire também encantavam pessoas de várias partes do mundo porque "despertavam a capacidade de sonhar com uma realidade 'mais humana, menos feia e mais justa', como o próprio Paulo costumava dizer".
Ditadura militar
Considerado subversivo, Paulo Freire foi preso em 1964 e passou 75 dias em uma cadeia do quartel de Olinda (PE). Ao saber que ele era professor, um dos oficiais responsáveis pelo quartel, solicitou que alfabetizasse alguns recrutas. "Paulo explicou que havia sido preso justamente porque queria alfabetizar!", lembra Gadotti.
Em 1980, depois de 16 anos de exílio, Paulo retornou ao Brasil para "reaprender" seu país, como afirmou na época. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo.
Paulo Freire é autor de muitas obras: Pedagogia do oprimido (1968), Extensão ou comunicação? (1971), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992), À sombra desta mangueira (1995), entre outras.
Dentre as homenagens recebidas, Paulo foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa em 39 universidades no Brasil e no mundo. Dezenas de instituições o elegeram como "Presidente de Honra" e uma escultura de pedra com a sua imagem foi esculpida em 1972, em Estocolmo, onde ele é representado na companhia de Mao Tsé Tung, Pablo Neruda, Ângela Davis, Sara Lidman e outras pessoas que lutaram contra a opressão. Ao receber prêmios, medalhas e títulos, ele costumava dizer que essas homenagens o desafiavam a continuar trabalhando.
Em 1996, lançou seu último livro, intitulado "Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa". No ano seguinte, em 2 de maio de 1997, Paulo Freire morreu de um infarto agudo do miocárdio. A anistia aconteceu 12 anos depois, em 2009, e comoveu as 3 mil pessoas que estavam presentes na cerimônia, realizada em Brasília.
No contexto dos 90 anos do educador Paulo Freire, celebrado dia 19 de setembro de 2011, estão sendo realizadas homenagens e comemorações em todo o mundo. As ações mostram que Paulo Freire continua vivo por meio do trabalho de mulheres e homens que reinventam o seu legado e "amam o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida".
[Fonte: Instituto Paulo Freire]
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Pedagogia do oprimido
Por Heli Espíndola, Ascom/MinC
Nascido em 19 de setembro de 1921, em Recife, Paulo Freire (1921-1997) contestou a forma de aprender e ensinar. Ele foi um pensador comprometido com a vida. O educador pensava a existência humana a partir da luta dos oprimidos como camponeses e favelados e dedicou-se a formular uma pedagogia da liberdade e da emancipação humana. Paulo Freire acreditava que o professor é um constante aprendiz e que o aluno é um sujeito ativo e participativo do processo de aprendizagem.

(Foto Paulo Freire: Instituto Paulo Freire)
O pedagogo disse que gostaria de ser lembrado como "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida”. Embora seja mais conhecido pela criação de um método de alfabetização de adultos, Paulo Freire construiu uma teoria do conhecimento que continua inspirando pesquisadores dedicados aos estudos de filosofia, comunicação, arte, física, matemática, biologia, geografia, história, literatura, economia, medicina, entre outros campos de atuação.
[Fonte: Ministério da Cultura, Brasil]
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Última entrevista com Paulo Freire
Por Luciana Burlamaqui
Jornalista


[Fonte: Youtube].
O presidente do Instituto Paulo Freire, Moacir Gadotti, enfatiza que não se pode entender o pensamento de Paulo Freire descolado de um projeto social e político. "A força da obra de Paulo Freire também reside na ideia de que é possível, urgente e necessário mudar a ordem das coisas". Segundo Gadotti, as teorias e práticas de Paulo Freire também encantavam pessoas de várias partes do mundo porque "despertavam a capacidade de sonhar com uma realidade 'mais humana, menos feia e mais justa', como o próprio Paulo costumava dizer".
Ditadura militar
Considerado subversivo, Paulo Freire foi preso em 1964 e passou 75 dias em uma cadeia do quartel de Olinda (PE). Ao saber que ele era professor, um dos oficiais responsáveis pelo quartel, solicitou que alfabetizasse alguns recrutas. "Paulo explicou que havia sido preso justamente porque queria alfabetizar!", lembra Gadotti.
Em 1980, depois de 16 anos de exílio, Paulo retornou ao Brasil para "reaprender" seu país, como afirmou na época. Lecionou na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Em 1989, tornou-se Secretário de Educação no Município de São Paulo.
Paulo Freire é autor de muitas obras: Pedagogia do oprimido (1968), Extensão ou comunicação? (1971), Cartas à Guiné-Bissau (1975), Pedagogia da esperança (1992), À sombra desta mangueira (1995), entre outras.
Dentre as homenagens recebidas, Paulo foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa em 39 universidades no Brasil e no mundo. Dezenas de instituições o elegeram como "Presidente de Honra" e uma escultura de pedra com a sua imagem foi esculpida em 1972, em Estocolmo, onde ele é representado na companhia de Mao Tsé Tung, Pablo Neruda, Ângela Davis, Sara Lidman e outras pessoas que lutaram contra a opressão. Ao receber prêmios, medalhas e títulos, ele costumava dizer que essas homenagens o desafiavam a continuar trabalhando.
Em 1996, lançou seu último livro, intitulado "Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa". No ano seguinte, em 2 de maio de 1997, Paulo Freire morreu de um infarto agudo do miocárdio. A anistia aconteceu 12 anos depois, em 2009, e comoveu as 3 mil pessoas que estavam presentes na cerimônia, realizada em Brasília.
No contexto dos 90 anos do educador Paulo Freire, celebrado dia 19 de setembro de 2011, estão sendo realizadas homenagens e comemorações em todo o mundo. As ações mostram que Paulo Freire continua vivo por meio do trabalho de mulheres e homens que reinventam o seu legado e "amam o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida".
[Fonte: Instituto Paulo Freire]
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Pedagogia do oprimido
Por Heli Espíndola, Ascom/MinC
Nascido em 19 de setembro de 1921, em Recife, Paulo Freire (1921-1997) contestou a forma de aprender e ensinar. Ele foi um pensador comprometido com a vida. O educador pensava a existência humana a partir da luta dos oprimidos como camponeses e favelados e dedicou-se a formular uma pedagogia da liberdade e da emancipação humana. Paulo Freire acreditava que o professor é um constante aprendiz e que o aluno é um sujeito ativo e participativo do processo de aprendizagem.
(Foto Paulo Freire: Instituto Paulo Freire)
O pedagogo disse que gostaria de ser lembrado como "alguém que amou o mundo, as pessoas, os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida”. Embora seja mais conhecido pela criação de um método de alfabetização de adultos, Paulo Freire construiu uma teoria do conhecimento que continua inspirando pesquisadores dedicados aos estudos de filosofia, comunicação, arte, física, matemática, biologia, geografia, história, literatura, economia, medicina, entre outros campos de atuação.
[Fonte: Ministério da Cultura, Brasil]
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Última entrevista com Paulo Freire
Por Luciana Burlamaqui
Jornalista
[Fonte: Youtube].
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