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11 de abr. de 2014

'Eu sou a ressurreição e a vida'

Fonte:  domtotal.com
Páscoa, sinais da vida que vence a morte estão espalhados por toda parte. Que os sinais da Páscoa de Cristo se multipliquem, para que nos abramos à sua graça.
 
Por Dom Alberto Taveira Corrêa*
Vivemos com a Igreja três domingos correspondentes a temas muito caros à vida cristã, em vista da celebração dos Sacramentos de Iniciação, prevista para a Vigília Pascal. As pessoas que serão batizadas na Páscoa estarão diante de Jesus Cristo, aquele que oferece a Água Viva, Jesus, Luz do Mundo, o mesmo que se revela Ressurreição e Vida, quando se dirige a Betânia, casa de seus queridos amigos Lázaro, Maria e Marta (Jo 11, 1-45). Betânia foi um lugar de experiências muito felizes e profundas de Jesus com seus discípulos. Tudo indica que era uma casa em que se sentiam à vontade, espaço de intimidade e liberdade. Podemos imaginar a visita feita por Jesus, quando a Marta presunçosa até reclama por sua irmã de dedicar tanto à escuta do Mestre, ou os diálogos em torno de uma mesa de almoço. Jesus fizera voltar à vida a filha de Jairo e o filho único da viúva de Naim. Mas agora, trata-se de um amigo pessoal, com quem certamente terá partilhado confidências. É neste clima de intimidade, no qual se envolviam as duas irmãs de Lázaro, que acontece a revelação de Jesus como Ressurreição e Vida. Jesus mostra quem ele é e realiza o milagre do retorno à vida desta terra de seu amigo Lázaro. Certamente a compreensão dos Sacramentos e da presença salvífica de Jesus na vida dos cristãos pode acontecer também em ambientes de convivência fraterna e amiga a que somos convidados. Sinais da vida que vence a morte estão espalhados por toda parte. Em Jesus, Senhor e Salvador, identificamos a cura das enfermidades, o controle das forças da natureza e a vitória na luta renhida contra o demônio. Os sete sinais relatados pelo Evangelho de São João, que assim chama os milagres, passam por diversas situações humanas, dando-nos uma visão do alcance da ação do Senhor. Água se transforma em vinho, nas Bodas de Caná (Jo 2,1-12); o filho de um funcionário real é curado também em Caná (Jo 4, 46-54); um homem doente havia trinta e oito anos é curado por Jesus (Jo 5, 1-18); Cinco pães e dois peixinhos são multiplicados para uma multidão (Jo 6, 1-15); Jesus caminha sobre o mar da Galileia (Jo 6, 16-21); Um cego de nascença recupera a vista (Jo 9, 1-41). O sétimo sinal anuncia a própria Ressurreição de Jesus. Lázaro, que volta à vida, representa o homem renascido pela fé em Jesus Cristo. Muita gente acompanha, além de Marta, Maria e os Discípulos, o que Jesus fez. Também a mudança profunda que acontece na vida do cristão é acompanhada pela Comunidade, que o apoia e sustenta. A morte já está vencida, pela vitória de Jesus Cristo. O tempo novo se inaugura quando Jesus se afirma Ressurreição e Vida. Para chegar à profunda profissão de fé, feita por Marta, irmã de Lázaro, houve um caminho percorrido pelas pessoas envolvidas nos fatos. Daí recolhemos alguns ensinamentos preciosos. A amizade foi ponto de partida para um relacionamento profundo estabelecido entre a família, Jesus e seus discípulos. Nosso encontro com o Senhor pode também partir de coisas simples, de diálogos em que a vida, o serviço, os dramas familiares, as questões ligadas ao trabalho, ou o simples bate-papo pode ser início do aprofundamento do sentido da vida, para sermos então conduzidos ao Senhor. Não se jogue fora qualquer oportunidade para lançar sobre pessoas e fatos a luz do Evangelho, para chegar à confissão de Jesus como Ressurreição e Vida. As notícias correm! Jesus ficou sabendo da situação de Lázaro, com o qual tinha um relacionamento sincero e profundo. O Senhor sabe que a glória de Deus se manifestará. Vive cada momento com dignidade e seriedade, sem precipitações, sabendo a hora de tomar as decisões. Seus discípulos de ontem e de hoje aprendem com o Mestre o caminho do discernimento, fundamental para que os acontecimentos não se precipitem. Hão de repetir muitas vezes, com o Tomé da decisão, mais do que o homem da dúvida: “Vamos também nós, para morrermos com ele” (Jo 11,16). Será uma história muitas vezes tensa, cheia de crises, idas e vindas, quedas e erguimento. É muito bom fazer esta estrada, sabendo que nunca estaremos sozinhos para chegar à Ressurreição e à Vida.
Chegados com Jesus e seus discípulos a Betânia, nós também estamos em casa de pobres, o que significa este nome. Recolhemos todo o luto e o drama que significa a morte, sejam quais forem as circunstâncias. Os costumes da época, com carpideiras a clamar, ou mesmo os velórios de todos os tipos de nosso tempo, enfeitados ou maquiados, ou quem sabe os fornos crematórios postos em moda, mas morte é morte! Um dia, seremos desafiados a chamá-la irmã, com São Francisco, ou nos tornarmos os mais dignos de dó (Cf. I Cor 15, 12-26), por sermos homens e mulheres sem esperança. O cristão entra de cabeça e coração nas situações humanas, não usa subterfúgios para explicá-las, gosta da verdade e as enfrenta com honestidade. Choro e lágrimas não fazem mal a ninguém! O que faz mal é enrolar a nós mesmos e aos outros. Nesta estrada da verdade, chegaremos à Ressurreição e à vida plena.
O Evangelho de São João nos conduz pelas mãos, para aprender de Jesus. Ele consola as duas irmãs, ouve seus lamentos, chora com elas, provoca a profissão de fé, que precede o milagre! Jesus identifica em Marta a fé na ressurreição e a conduz a professar sua fé atualizada naquele que é Ressurreição e Vida. Queremos também nós recolher as sementes da fé que são o fruto da graça recebida no Batismo, tantas vezes guardada e não praticada. Mas ela está dentro de cada homem e de cada mulher que recebeu o Sacramento. Nasce um convite renovado a tantas pessoas que se esqueceram, por muitos e variados motivos, da graça recebida. Pode ser esta a hora da graça, nesta Quaresma e na Páscoa que se aproxima, para a reconciliação com Deus e com a Igreja. Nosso convite toque na liberdade de cada pessoa, antes de prometermos coisas extraordinárias, até porque o mais extraordinário já aconteceu na Páscoa daquele que é Ressurreição e Vida. Jesus é Mestre, Catequista, Senhor e Irmão! Duas vezes chorou, comovendo-se interiormente. Deus, sim, mas Homem verdadeiro, com sensibilidade apurada. Vamos com Ele a todos os sepulcros! Mesmo diante das situações nas quais a morte do corpo e da alma dá sinais de putrefação – “Já cheira mal, é o quarto dia” (Jo 11, 39), soa a hora da esperança. Não há pedra de sepulcro ou sentença de condenação que resistam àquele que é Ressurreição e Vida. Chegue a todos os ouvidos o convite: “O Mestre está aqui e te chama” (Jo 11, 28). Que o Senhor ressuscitado grite a todos os homens e mulheres que saiam de sua inércia e se deixem desamarrar pela ação da Igreja, para conhecerem aquele que é a Ressurreição e a Vida. Que os sinais da Páscoa de Cristo se multipliquem, para que nos abramos à sua graça. O oitavo sinal está à disposição! É a Eucaristia de cada Domingo, onde se encontra aquele que é Ressurreição e Vida.
CNBB, 04-04-2014.
*Dom Alberto Taveira Corrêa é arcebispo de Belém do Pará.

1 de nov. de 2013

“A transfiguração na morte”



Leonardo Boff (*)
O dia dos mortos, dois de novembro, é sempre  ocasião para pensarmos na morte. Trata-se de um tema existencial. Não se pode falar da morte de uma maneira exterior a nós mesmos, porque todos nós somos acompanhados por esta realidade que, segundo Freud, é a  mais difícil de ser digerida pelo aparelho psíquico humano. Especialmente nossa cultura procura afastá-la, o mais possível, do horizonte, pois ela nega todo seu projeto assentado sobre a vida material e seu desfrute etsi mors non daretur, como se ela não existisse.
No entanto, o sentido que damos à morte é o sentido que nós damos à vida. Se decidimos que a vida se resume entre o nascimento e a morte e esta detém a última palavra, então a morte ganha um sentido, diria, trágico, porque com ela tudo termina no pó cósmico. Mas se interpretarmos a morte como uma invenção da vida, como parte da vida, então não a morte mas a vida constitui a grande interrogação.
Em termos evolutivos, sabemos que, atingido certo grau elevado de complexidade, ela irrompe como um imperativo cósmico, no dizer do prêmio Nobel de biologia Christian de Duve que escreveu uma das mais brilhantes biografias da vida sob o título Poeira Vital  (1984). Mas ele mesmo assevera: podemos descrever as condições de seu surgimento, mas não podemos definir o que ela seja.
Na minha percepção, a vida não é nem temporal, nem material, nem espiritual. A vida é simplesmente eterna. Ela se aninha em nós e, passado certo  lapso temporal, ela segue seu curso pela eternidade afora. Nós não acabamos na morte. Transformamo-nos pela morte, pois ela representa a porta de ingresso ao mundo que não conhece a morte, onde não há o tempo mas só a eternidade.
Consintam-me testemunhar duas experiências pessoais de morte, bem diversas da visão dramática que a nossa cultura nos legou. Venho da cultura espiritual franciscana. Nos meus quase 30 anos de frade, pude vivenciar a morte como São Francisco a vivenciou.
A primeira experiência era aquela que, como frades, fazíamos toda sexta feira, às 19h30 da noite: “O exercício da boa morte”.  Deitava-se na cama com hábito e tudo. Cada um se colocava diante de Deus e fazia um balanço de toda a sua vida, regredindo até onde a memória pudesse alcançar. Colocávamos tudo, à luz de Deus e aí, tranquilamente, refletíamos sobre o porquê da vida e o porquê dos zigue-sagues deste mundo. No final, alguém recitava em voz alta no corredor o famoso salmo 50 do Miserere no qual o rei Davi suplicava o perdão a Deus de seus pecados. E também se proclamavam as consoladoras palavras da epístola de São João: “Se o teu coração te acusa,  saiba que Deus é maior do que o teu coração”.
Éramos, assim, educados para uma entrega total, um encontro face a face com a morte diante de Deus. Era um entregar-se confiante, como quem se sabe na palma da mão de Deus. Depois, íamos alegremente para a recreação, tomar algum refresco, jogar xadrez ou simplesmente conversar. Esse exercício  tinha como efeito um sentimento de grande libertação. A morte era vista como a irmã que nos abria a porta para a Casa do Pai.
A outra experiência diz respeito ao dia da morte e do sepultamento de algum confrade. Quando morria alguém, fazia-se festa no convento, com recreação à noite com comes e bebes. O mesmo ocorria depois de seu sepultamento. Todos se reuniam e celebravam a passagem, a Páscoa e o Natal, o vere dies natalis (o verdadeiro dia do nascimento) do falecido. Pensava-se: ele na vida foi, aos poucos, nascendo e nascendo até acabar de nascer em Deus. Por isso havia festa no céu e na terra. Esse rito é sagrado  e celebrado  em todos os conventos franciscanos.
O frade que deixou esse mundo, entrava na comunhão dos santos, está vivo, não é um ausente, apenas um invisível. Há celebração  mais digna da morte do que esta inventada por São Francisco de Assis que chamava a todos os seres de irmãos e irmãs e também a morte de irmã?
A percepção da morte é outra. As pessoas são induzidas a conviver com a morte, não como uma bruxa que vem e arrebata a vida, mas como a irmã que vem abrir a porta para um nível mais alto de vida em Deus.
Cada cultura tem a sua interpretação da morte. Estive há tempos entre os Mapuches, no sul da Patagônia argentina, falando com os lomkos, os sábios da tribo. Eles têm bem outra compreensão da morte. A morte significa passar para o outro lado, para o lado onde estão os anciãos. Não é abandonar a vida, é deixar seu lado visível para entrar no lado invisível e conviver com os anciãos. De lá acompanham as famílias, os entes queridos e outros próximos, iluminando-os. A morte não tem nenhuma dramaticidade. Ela pertence à vida, é o seu outro lado.
Poderíamos passar por várias outras culturas para conhecer-lhes o sentido da vida e da morte. Mas fiquemos no nosso tempo moderno. Há um filósofo que trabalhou positivamente o tema da  morte: Martin Heidegger. Em sua analítica existencial afirma que a condição humana, em grau zero, é a de que somos um ser no mundo, este não como lugar geográfico, mas como o conjunto das relações que nos permitem produzir e reproduzir a vida. A condition humaine é estar no mundo com os outros, cheios de cuidados e abertos para a morte. A morte é vista não como uma tragédia e sim como a derradeira expressão da liberdade humana, enquanto o último ato de entrega. Essa entrega sem resto abre a possibilidade para um mergulho total na realidade e no Ser. É uma espécie de volta ao seio de onde viemos como entes mas que buscam o Ser. E finalmente, ao morrer, somos acolhidos pelo Ser. E aí já não falamos porque não precisamos mais de palavras. É o puro viver pela alegria de viver e de ser no Ser. Para o homem religioso, este Ser não é outro senão o Supremo Ser, o Deus vivo que nós dá a plenitude da vida.
(*) Leonardo Boff escreveu Vida para além da morte, Vozes 2012.
Fonte: http://www.franciscanos.org.br/?p=48286#sthash.fLZ1jlfg.dpuf

31 de out. de 2013

Morte e Vida de São Francisco de Assis



Por Frei Nilo Agostini, OFM
Todo debilitado, com voz fraca, sumida, entoa Francisco o Salmo 142: Você mea ad Dominum clamavi (“Com minha voz clamei ao Senhor…”). O Salmo vai sendo entoado pouco a pouco, e ao chegar ao versículo Educ de custodia animam meam (“Arranca do cárcere minha alma, pra que vá cantar teu nome, pois me esperam os justos e tu me darás o galardão”). Faz-se grande e profundo silêncio. Acabara de morrer, cantando, Francisco de Assis.
Quem é este que transfigura o trauma da morte em expressão de liberdade tão suprema? Desaparece o sinistro da morte. E Francisco vai ao seu encontro como quem vai abraçar e saudar uma irmã muito querida. leia mais:


16 de jun. de 2013

A Morte de Deus

por Breno Bastos

Gradativamente, e de modo cada vez mais nítido a partir do renascimento, grandes mentes se mostram ao mundo propondo alternativas de construção de ética e cosmovisão. Passamos pelo ceticismo de Charron, conhecemos o epicurista Gassendi, desembocamos em Espinosa. Um século depois, desembocamos no impiedoso mundo dos iluministas, com Holbach, Sade e Feuerbach. E finalmente, algum tempo depois, o terremoto Nietzsche. Deus estava morrendo. 

Todos certamente conhecem a expressão segundo a qual deus está morto. Ela reside nas fantasias de qualquer estudante de filosofia, assim como a Alegoria da Caverna. Mas aprofunde os mais. De que modo deus morreu? Através da queda do poderia do Vaticano? Ou seria pelas alterações profundas pelas quais a sociedade sofreu e que culminou com um filósofo alemão ateu?

31 de mar. de 2013

Deixai Maria Madalena falar

                                                                       Júlio Lázaro Torma*
                                      " Vais a meus irmãos e Anuncia-lhes"
                                                                            ( Jo 20,17)
    Celebramos alegremente e jubilosamente a Páscoa da Ressurreição do Senhor, onde após passar pela tragédia da Paixão e Morte humilhante.Jesus ressuscita glorioso, a vida vence a morte, a luz as trevas, o bem o mal e o dia a noite, num grande duelo.
  Duelo este em que a morte," ira desaparecer para sempre" ( Is 25,8), e que " Onde está, o morte a tua Vitória? Onde está o morte, o teu ferrão"( I Cor 15,55), pois cantemos:
  " Nascendo na noite escura / a manhã futura trazendo amor/
    No vento da madrugada a paz tão sonhada brotando em flor/ 
   alegria chegando da dor."
   Esta é a Páscoa da Ressurreição, que após a " longa noite escura" ( São João da Cruz), do inverno da morte em que a humanidade viveu e a terra que " geme e sofre com dores de parto"( Rm 8,22), no hemisfério norte se vive o Equinócio da Primavera.
  Onde como fala a Sulamita," Apareceram as flores na terra, voltou o tempo das canções.Em nossas terras já se ouve a voz da rola.A figueira já começou a dar seus figos, e a vinha em flor exala o seu perfume"( Cântico dos Cânticos, 2, 12-13).
   No meio da madrugada Maria Madalena vai ao túmulo e o encontra vazio, as trevas dominam a noite da desesperança, do medo,da angústia e do frio gélico. Após encontrar a grande pedra removida ela corre ao cenáculo onde estavam os discípulos.
  " Era noite, mas o amor a iluminava, de tal maneira que ela viu a grande pedra rolada da frente da porta do túmulo" ( Romano o Cantor, 490-560), ela vai lhes dizer que o túmulo estava aberto.Pedro está incredulo, não crê, que após a morte humilhante, Jesus Ressuscitou.O discípulo amado que ficou até o fim vai ao túmulo.
  O discípulo amado não entra no túmulo, mas deixa Pedro entrar, respeitando a sua autoridade de chefe da nascente comunidade.
   Se Pedro o líder dúvida, o discípulo amado crê, mas deixa Pedro entrar primeiro.O discípulo amado, deixa Pedro ver, ele representa o gesto de amor de Jesus, ele não se considera superior ou melhor que Pedro, por ter estado até o fim. Ele é o discípulo da reconciliação e do amor.
  O túmulo não é o lugar da morte, mas da vida ( os lençóis e o perfume), lembra o leito de núpcias do Senhor que se encontra com a comunidade sua esposa e amada.
  Maria Madalena é o " Apóstolo dos apóstolos"( Romano o Cantor), a primeira cristã, discípulo e missionária.Ela após encontrar o Senhor, fazer a experiência do Ressuscitado,vai anúnciar o Senhor aos discípulos.
  Hoje estamos vivendo na Igreja uma Primavera, com o Papa Francisco, onde as flores desabrocham e exala o seu perfume, como nos fala o Cântico dos Cânticos, que nos enche de esperança por novos tempos na Igreja a esposa de Cristo.
  Assim como no inicio da comunidade cristã, as mulheres foram protagonistas, divulgando o Evangelho, organizando e animando as comunidades.
  Elas são hoje a maioria dos fiéis, que assumem os serviços nas comunidades, desde a limpeza,catequese, pastoriais sociais, animação biblíca e as coordenações, não deixam as comunidades fecharem as portas ou cair por terra.
   Elas muitas leigas que cuidam do lar, da família e da profissão e encontrarm tempo para atuar, se dedicar há comunidade e dar o seu testemunho de vida e de fé.
  Muitas vezes o seu trabalho, dedicação, amor a Igreja e a causa do Reino de Deus não é valorizado e não as deixamos falar e nem ter um protagonismo na vida de nossas comunidades.
  Está Páscoa em que as flores desabrocham na Igreja,com Francisco, nos chama a escutar as mulheres,deixa-las falar e participar.Vamos ouvir Maria Madalena e deixar que ela nos anuncie a Boa Nova da Ressurreição daquele que nos fala " Eis que faço nova todas as coisas".
  Vamos deixar que o Cristo Ressuscite na nossa Vida e das nossas Comunidades, e como Maria Madalena vamos dizer com coragem, força e convicção.
  " Khristós anésti! Alithós anésti!
    Cristo Ressuscitou! Em Verdade Ressuscitou!
                   ( Saudação Ortodoxa da Páscoa)
  Feliz Páscoa a todos e a todas! Alegremos
                             Jo 20, 1-9
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 * Membro da Equipe da Pastoral Operária da Arquidiocese de Pelotas/ RS

16 de nov. de 2012

Ninguém sabe a hora

                                 Júlio Lázaro Torma*
                                                             " O Fim está próximo arrependei-vós!"
                                                                            ( Cartaz num poste)
  O Evangelho de Marcos lido,meditado,rezado em nossas comunidades cristãs neste final de semana,nos fala numa linguagem escatológica,sobre o fim dos tempos.
  Estamos no termino do calendário litúrgico,próximo final de semana encerraremos o ano B( Evangelho de Marcos),iniciamos o ano C ( Evangelho de Lucas),e estamos próximos do fim do ano das festas natalinas e de revéllion.
  O Evangelho da comunidade de Marcos, usam uma linguagem apocalíptica,inspirada nos profetas Ezequiel e Daniel,o capítulo 13 é o Apocalipse de Marcos.O Evangelho de Marcos foi o primeiro a ser escrito,foi redigido pelos anos 70 do século I e as comunidades estavam espraiadas pelo império romano.
  As comunidades estavam vivendo um tempo de crise,desesperança,atordoadas pela perseguição,repressão sofrida por parte da religião oficial judaica e do império romano.
  Elas tinham presenciado os martírios de Estêvão,Tiago Maior ( At 7,1-8,1;12,1-2);as perseguições de Nero e os assassinatos de Tiago Menor ( 61/62),Pedro ( 64) e Paulo (67).
Bem como as revoltas judaicas e aparecimentos de pretensos messias,onde Paulo chegou a ser confundido como sendo um deles( At 21,38).
  Revoltas estás que levaram a destruição do Templo de Jerusalém,pelas legiões romanas do gen. Tito,filho do Imperador Vespaciano( 69-79),em Agosto de 70 e a diáspora do povo judeu.
  Em várias partes do império havia guerras,revoluções,golpes de estado que causavam fome e mortes.Muitos acreditavam em que o fim do mundo estava próximo,pois o mundo estava de cabeça para baixo e virado do avesso.
  Diante deste quadro Paulo escreveu aos Tessalonicenses e Romanos." Quem não quiser trabalhar,não tem direto de comer( II Ts 3,10),em relação aos que esperavam o final dos tempos e " que a criação geme com dores de parto"( Rm 8,22).
  Anunciando um novo tempo que se anuncia não no futuro,mas está presente.Não se trata de destruição,mas de um nascimento e acabamento da criação.
  O Apocalipse nada mais é do que a revelação e a nossa esperança que só acontecerá com Deus em nossa vida.
  Jesus usa simbolos do movimento profético para sinalizar os últimos tempos,ele rompe com o Templo e a religião oficial ao falar da destruição de Jerusalém que muitos de seus contemporâneos e conterrâneos presenciaram.
   Jesus fala em fim do mundo, mas numa linguagem de esperança,sem cair na tentação do medo, angústia, terror.A nossa epopéia humana na terra para Jesus e bem como para a ciência atual prevê que o mundo não é eterno e que vamos acabar.Esta vida acabará.
  O que vai ser das nossas lutas,obras, conquistas,aspirações,sonhos,desejos e patrimônio que fizemos? só de pensar nisso já caímos no desespero e depressão.
  Assim como no século I,ano 1000 e nos nossos dias as previsões que anunciam o fim do mundo para tal data, horário,ano por falsos profetas,cristos e messias,que em busca da fama fácil,tem causado pânico nas pessoas.
   Jesus desargumenta e desarma os profetas do agouro, ao anunciar, que " ninguém sabe,o dia,hora mas somente o Pai", que sabe o momento.
  O céu e a terra desaparecerá,a vida de sofrimento,dor e o poder opressor que causa tudo isso acabará.Onde nós devemos estar preparados para a nova criação, que é o Senhor Ressuscitado.
  Marcos usa a palavra que Cristo ressuscitado que virá com " grande poder e glória" e cuja luz salvadora iluminará tudo.Ele será o centro de um mundo novo e de uma nova humanidade.
  Jesus sabe que viver a sua mensagem é difícil, quantas vezes não desanimamos e pensamos em desistir,cair fora.olhamos quem não a vive e põe em prática,vivendo uma vida melhor do que nós?
  Assim como a figueira, no inverno parece morrer,a nossa vida também, ela se torna na primavera a dar flores e frutos.A nossa vida é como a primavera aos poucos da frutos.
  O nosso testemunho de fé dará os seus frutos não podemos colher e nem ver agora.
   Mas são pequenos sinais da construção de um mundo novo que está em gestação.Nossa luta por um mundo novo, melhor sem dor e sofrimento não se perderá.
   A nossa fé não é posta em coisas, mas em Alguém.Fé e Amor são de fato, ligados( vê a expressão " fé conjugal").Por isso que todas as passagens apocalípticas dos evangelhos falam do retorno de Cristo ou de sua vinda, a propósito das catástrofes humanas e naturais que descrevem.Mas tudo isso no final irá acabar diferente do que anunciam os profetas do agouro.
  É certo que Jesus Cristo já veio, mas foi para fazer seus todos os nossos sofrimentos.E fazendo-os seus, Ele os realizou, suportou-os venceu-os.O que agora nos é anunciado é que tendo feito seus nossos sofrimentos,Ele vem para fazer nossa a sua própria glória.
  O Evangelho nos diz que devemos ter esperança e não medo,acreditar em Jesus Cristo cujas palavras não passam e não devemos crer nos falsos messias e profetas do agouro que causam pânico por ai.E que irão ficar apagados em algum cantinho da história.
   "O céu e a terra passarão, porem minhas palavras não passarão"( Mc 13,31)
              Bom final de semana e boas meditações
                             Mc 13,24-32
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  * Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas / RS