Profeta
no sentido bíblico não é em primeiro lugar aquele que prevê o futuro. É aquele
que analisa o presente, identifica tendências, geralmente, desviantes, faz
advertências e até ameaças. Anuncia o juízo de Deus sobre o curso presente da
história e faz promessas de liberação das calamidades. leia mais:
13 de set. de 2013
4 de set. de 2013
Semana de oração pela paz na Síria
Roma,
Fonte: Zenit.org
Começou na sexta-feira, 30 de Agosto, e vai até o dia 6 de Setembro, a Semana de oração pela paz na Síria- assim informou a fundação AIS semana passada.
A cada dia de oração a Fundação AIS oferece declarações enviadas
diretamente da Síria trazendo informações e as palavras do povo sírio.
Publicamos a seguir o quinto, sexto e sétimo dia de intenções:
***
Quinto dia: converte o coração daqueles que usam as armas e protege aqueles que trabalham pela paz
"O mais dramático foi a total ausência de diálogo, a angústia e o desespero da população. "
A crise síria já se arrasta por mais de dois anos. Tudo começou com o
desejo de lutar contra a injustiça e a falta de liberdade. Em seguida, o
conflito tem se intensificado, levando à guerra civil. Mais tarde, a
situação tornou-se de preocupação internacional. Os objetivos econômicos
e geopolíticos tomaram já o lugar dos desejos do povo sírio.
"Esperamos que a guerra acabe, assim poderemos voltar para casa”,
rezam todos os dias as crianças sírias. É tudo o que desejamos: o fim da
violência.
Oremos pelos líderes políticos do mundo inteiro, para que se
comprometam na promoção da paz e do bem do país. Para que parem de
colocar em primeiro lugar os próprios interesses e a própria sede de
poder. Rezemos por todos os que trabalham incansavelmente pela paz, por
todos aqueles que procuram aliviar a dor e enxugar as lágrimas do povo
da Síria, para que continuem no seu trabalho, apesar das ameaças e
indiferenças internacionais.
Maria, Rainha da Paz, rogai pela Síria, rogai por nós.
*
Sexto dia: inspire na Igreja Universal compaixão pelos sírios
Rezamos hoje especialmente pela minoria cristã na Síria, o que
representa aproximadamente 5,2% da população. Depois do Sínodo para o
Oriente Médio de 2010, os cristãos do Oriente Médio se comprometeram a
testemunhar o Evangelho ativamente, apesar de serem uma pequena minoria.
Em muitos países do mundo árabe, no entanto, a violência logo silenciou
os frutos da Assembleia sinodal .
A comunidade cristã está enfrentando uma situação extremamente
delicada : "Os cristãos sempre mantêm uma certa neutralidade. Não tomam
partido nem a favor do governo, nem a favor da oposição e, por essa
razão, são muitas vezes criticados e alvo de ambos os lados. A
neutralidade, no entanto, não salvou os dois bispos sequestrados em
abril passado, Gregorios Yohannna Ibrahim e Boulos al- Yazigi, nem os
três padres reféns, entre os quais padre Paolo Dall'Oglio. E não poupou
os centenares de cristãos sequestrados ou mortos, nem colocou um fim ao
êxodo em massa dos nossos irmãos na fé. "
Rezemos pelos nossos irmãos e irmãs na fé. Que São Paulo abençoe o
Cristianismo na Síria e os ajude neste lugar que foi o berço do
Cristianismo. Que a fé nunca diminua. Que os cristãos possam sentir o
apoio e o conforto dos seus irmãos e irmãs de todo o mundo.
Maria, Rainha da Paz, rogai pela Síria, rogai por nós.
*
Sétimo dia: Dai-nos a confiança em um futuro de paz, baseado na justiça para com todos
"É hora de depor as armas. Em vez de invocar a violência, os governos
internacionais deveriam trabalhar pela paz. Apesar da crise as nossas
igrejas nunca estão vazias. E os sírios sentem que podem contar com a
ajuda de Deus. No seu coração há uma mistura de esperança e desconforto.
Não sabem qual futuro os aguarda. Mas, apesar de tudo, a sua fé é
forte". Gregório III Laham , Patriarca de Antioquia e todo o Oriente, de
Alexandria e Jerusalém dos Melquitas.
"Nós não perdemos a esperança. Pelo contrário. Mesmo que o nosso
homem exterior vá direto para a ruína, o nosso homem interior se renova a
cada dia. Porque as provas que enfrentamos hoje não são nada diante da
glória eterna para a qual estamos nos preparando".
Rezemos para que essa esperança não se enfraqueça. Rezemos para que
Cristo, Príncipe da Paz e Luz do Mundo, dê confiança ao povo sírio para
que o Espírito Santo incuta neles a esperança.
Maria, Rainha da Paz, rogai pela Síria, rogai por nós.
Trad.TS
(04 de Setembro de 2013) © Innovative Media Inc.
31 de ago. de 2013
Dom Odilo fala sobre 'a vocação de todos' [Dom Odilo explicou que o chamado de Deus 'só pode ser percebido quando se está atento' (Foto: Divulgação )] Dom Odilo explicou que o chamado de Deus 'só pode ser percebido quando se está atento' Em artigo publicado recentemente, o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, afirmou que a primeira e essencial vocação de todos "é o chamado à vida e para alcançar a salvação", alegando que "a compreensão cristã sobre a vida nos leva a afirmar que ninguém nasceu, sem que isso fosse também do conhecimento de Deus", que "já os conhecia até mesmo antes que fôssemos formados no seio da mãe (Sl 139, 15-16)". Dom Odilo disse que a pessoa, quando chamada por Deus, alcança a plenitude da vida, a "salvação eterna". "O homem não é capaz de dar a si mesmo a salvação: em última análise, recebe-a de Deus quando a busca e acolhe de coração sedento e aberto", frisou. Ao recordar-se da Festa de Santo Agostinho, celebrada pela Igreja no mundo no dia 28 de agosto, o Cardeal resumiu as palavras do Bispo de Hipona ao enfatizar que "o homem tenta dar a si mesmo a satisfação plena de sua existência; é compreensível que o faça e não poderia deixar de fazê-lo, sem frustrar o sentido de sua existência", mas que "cedo ou tarde, percebe que é incapaz de resolver essa questão existencial". O Arcebispo de São Paulo explicou que o chamado de Deus "só pode ser percebido quando se está atento", pois "muitas coisas nos distraem e desviam nossa atenção, não deixando perceber o chamado de Deus e a silenciosa e forte atração que ele exerce sobre a existência humana." Para reforçar seu pensamento, Dom Odilo argumentou que desde os tempos de Adão e Eva, "o homem foi sempre a de dar ouvidos e de seguir a voz de ´alguém outro´, que se propõe no lugar de Deus em nossa vida". O Cardeal ainda referiu-se à Encíclica sobre a Esperança (Spe salvi), publicada pelo Papa Emérito Bento XVI, que falava sobre a falta de esperança entre os homens. O Arcebispo, então, propõe um questionamento aos seus leitores acerca do assunto. "O homem ainda espera algo mais da existência, que vá além do que ele se pode dar aqui na terra?" Logo em seguida, Dom Odilo respondeu que "muitos não esperam nada de Deus, nem mesmo a ´salvação eterna´", sendo assim, "uma existência sem esperança acaba não tendo um motivo alto para viver, lutar e aprimorar a vida e a convivência." Finalizando seu artigo, o Arcebispo concluiu que "o homem é chamado a se lançar para além dos próprios limites", usando as exortações feita pelo Papa Francisco aos seus fiéis "a não perderem a esperança e a não deixarem que lhes fosse roubada a esperança." "O homem só pode ter esperança verdadeira quando se abre para Deus. Então, sim, será capaz de olhar para além dos próprios limites", finalizou Dom Odilo. SIR
Dom Odilo fala sobre 'a vocação de todos'
Em
artigo publicado recentemente, o Arcebispo de São Paulo, Cardeal Dom
Odilo Pedro Scherer, afirmou que a primeira e essencial vocação de todos
"é o chamado à vida e para alcançar a salvação", alegando que "a
compreensão cristã sobre a vida nos leva a afirmar que ninguém nasceu,
sem que isso fosse também do conhecimento de Deus", que "já os conhecia
até mesmo antes que fôssemos formados no seio da mãe (Sl 139, 15-16)".
Dom Odilo disse que a pessoa, quando chamada por Deus, alcança a plenitude da vida, a "salvação eterna". "O homem não é capaz de dar a si mesmo a salvação: em última análise, recebe-a de Deus quando a busca e acolhe de coração sedento e aberto", frisou. Ao recordar-se da Festa de Santo Agostinho, celebrada pela Igreja no mundo no dia 28 de agosto, o Cardeal resumiu as palavras do Bispo de Hipona ao enfatizar que "o homem tenta dar a si mesmo a satisfação plena de sua existência; é compreensível que o faça e não poderia deixar de fazê-lo, sem frustrar o sentido de sua existência", mas que "cedo ou tarde, percebe que é incapaz de resolver essa questão existencial".
O Arcebispo de São Paulo explicou que o chamado de Deus "só pode ser percebido quando se está atento", pois "muitas coisas nos distraem e desviam nossa atenção, não deixando perceber o chamado de Deus e a silenciosa e forte atração que ele exerce sobre a existência humana." Para reforçar seu pensamento, Dom Odilo argumentou que desde os tempos de Adão e Eva, "o homem foi sempre a de dar ouvidos e de seguir a voz de ´alguém outro´, que se propõe no lugar de Deus em nossa vida".
O Cardeal ainda referiu-se à Encíclica sobre a Esperança (Spe salvi), publicada pelo Papa Emérito Bento XVI, que falava sobre a falta de esperança entre os homens. O Arcebispo, então, propõe um questionamento aos seus leitores acerca do assunto. "O homem ainda espera algo mais da existência, que vá além do que ele se pode dar aqui na terra?" Logo em seguida, Dom Odilo respondeu que "muitos não esperam nada de Deus, nem mesmo a ´salvação eterna´", sendo assim, "uma existência sem esperança acaba não tendo um motivo alto para viver, lutar e aprimorar a vida e a convivência." Finalizando seu artigo, o Arcebispo concluiu que "o homem é chamado a se lançar para além dos próprios limites", usando as exortações feita pelo Papa Francisco aos seus fiéis "a não perderem a esperança e a não deixarem que lhes fosse roubada a esperança." "O homem só pode ter esperança verdadeira quando se abre para Deus. Então, sim, será capaz de olhar para além dos próprios limites", finalizou Dom Odilo.
Dom Odilo disse que a pessoa, quando chamada por Deus, alcança a plenitude da vida, a "salvação eterna". "O homem não é capaz de dar a si mesmo a salvação: em última análise, recebe-a de Deus quando a busca e acolhe de coração sedento e aberto", frisou. Ao recordar-se da Festa de Santo Agostinho, celebrada pela Igreja no mundo no dia 28 de agosto, o Cardeal resumiu as palavras do Bispo de Hipona ao enfatizar que "o homem tenta dar a si mesmo a satisfação plena de sua existência; é compreensível que o faça e não poderia deixar de fazê-lo, sem frustrar o sentido de sua existência", mas que "cedo ou tarde, percebe que é incapaz de resolver essa questão existencial".
O Arcebispo de São Paulo explicou que o chamado de Deus "só pode ser percebido quando se está atento", pois "muitas coisas nos distraem e desviam nossa atenção, não deixando perceber o chamado de Deus e a silenciosa e forte atração que ele exerce sobre a existência humana." Para reforçar seu pensamento, Dom Odilo argumentou que desde os tempos de Adão e Eva, "o homem foi sempre a de dar ouvidos e de seguir a voz de ´alguém outro´, que se propõe no lugar de Deus em nossa vida".
O Cardeal ainda referiu-se à Encíclica sobre a Esperança (Spe salvi), publicada pelo Papa Emérito Bento XVI, que falava sobre a falta de esperança entre os homens. O Arcebispo, então, propõe um questionamento aos seus leitores acerca do assunto. "O homem ainda espera algo mais da existência, que vá além do que ele se pode dar aqui na terra?" Logo em seguida, Dom Odilo respondeu que "muitos não esperam nada de Deus, nem mesmo a ´salvação eterna´", sendo assim, "uma existência sem esperança acaba não tendo um motivo alto para viver, lutar e aprimorar a vida e a convivência." Finalizando seu artigo, o Arcebispo concluiu que "o homem é chamado a se lançar para além dos próprios limites", usando as exortações feita pelo Papa Francisco aos seus fiéis "a não perderem a esperança e a não deixarem que lhes fosse roubada a esperança." "O homem só pode ter esperança verdadeira quando se abre para Deus. Então, sim, será capaz de olhar para além dos próprios limites", finalizou Dom Odilo.
SIR
Fonte: http://www.domtotal.com/noticias/661715
29 de ago. de 2013
Patriarca do Iraque: "Intervenção militar dos EUA na Síria seria uma catástrofe"
Dez anos depois da derrocada de Saddam, nosso país continua sendo atingido pelas bombas, pela insegurança e pela crise
Roma,
Fonte: Zenit.org
Uma intervenção militar liderada pelos Estados Unidos contra
a Síria seria “uma catástrofe. Seria como explodir um vulcão, numa
explosão destinada a arrasar o Iraque, o Líbano, a Palestina. E talvez
alguém queira precisamente isto”, declarou o patriarca da Babilônia dos
Caldeus, Louis Raphael I Sako, em conversa com a Agência Fides, sobre a
possibilidade de um ataque exterior que já é dado como iminente contra o
regime de Assad.
O líder da comunidade cristã mais importante no Iraque enxerga na
intervenção ocidental na Síria a mesma experiência já sofrida pelo seu
povo: “Dez anos depois da chamada 'coalizão dos voluntários', que
derrocou Saddam, o nosso país continua sendo atingido pelas bombas,
pelos problemas de segurança, pela instabilidade da crise econômica”.
Além disso, no caso sírio, o patriarca caldeu considera as coisas
ainda mais complicadas pela dificuldade de se entender a dinâmica real
da guerra civil, que dilacera aquela nação há anos: “A oposição a Assad
está dividida, os diversos grupos lutam entre si, há uma proliferação de
milícias jihadistas... O que vai acontecer com esse país depois?”.
Para o patriarca, as fórmulas utilizadas pelos países ocidentais para
justificar qualquer intervenção parecem instrumentalizadas e confusas:
“Todos falam de democracia e liberdade, mas, para chegar a esses
objetivos, é preciso passar por processos históricos. Não é possível
pensar em impô-los de forma mecânica e muito menos pela força. A única
via, na Síria, como em qualquer parte, é a busca de soluções políticas.
Empurrar os combatentes a um pacto, imaginar um governo provisório que
inclua tanto os do regime quanto as forças da oposição, escutar o que o
povo sírio realmente quer, na sua maioria”.
O patriarca caldeu mostra cautela também quanto à opção de justificar
a intervenção como uma represália inevitável pelo uso de armas químicas
por parte do exército de Assad: “Os ocidentais”, diz Sako, “também
justificaram a intervenção contra Saddam com a acusação de que o regime
do Iraque tinha armas de destruição massiva. Mas essas armas não foram
encontradas nunca”.
19 de ago. de 2013
O que é mariologia?
Certa vez, um estudante de teologia
entrou numa grande livraria católica em busca de bibliografia atualizada sobre
Maria. Perguntou ao atendente: “Onde estão os livros de mariologia?”. O
funcionário da loja ficou um pouco assustado com a pergunta. Imediatamente se
refez da surpresa, e disse: “Ah, livros sobre Nossa Senhora... Temos vários!”.
E apresentou uma estante repleta de caderninhos, livretos e livros nos quais
estavam expostos novenas, ladainhas, terço em família e tantas outras devoções.
O cliente insistiu: “Mas eu quero livros de mariologia!”. “Eles estão aí e lhe
garanto que são muito bons! Todo dia tem gente que vem comprar!”. leia mais em:
15 de ago. de 2013
Super-Herois e a Filosofia
por Breno Lucano
Cada cultura com seus dogmas. Cada tempo, suas interpretações sobre
teologia, antropologia e suas relações. E a Antiguidade possuia uma
colocação que, para nós, cristãos, parece estranha e herética. Estóicos e
epicuristas são unânimes ao igualar a vida do sábio aos dos deuses.
Para eles, o sábio é o próprio deus que anda por entre os homens, se
relaciona, se articula com as instituições, faz-se presente na história.
Ele é alguém especial que possui em razão de seus atributos o legítimo
dever de governar.
O papa Francisco e as três tentações da Igreja
Francisco, em econtro com os bispos do Celam: orientações.
Em seu discurso ao Conselho Episcopal
Latino-Americano e Caribenho (Celam), o papa Francisco expôs as
tentações que se encontram diante da Igreja e como ela deve responder a
elas.
Por Thomas J. Reese
A Igreja enfrenta três tentações, de acordo com o papa Francisco: a
tentação de transformar a mensagem do Evangelho em uma ideologia; a
tentação de gerir a Igreja como um negócio; e a tentação do
clericalismo.
Em um discurso no dia 28 de julho ao Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), o papa Francisco expôs essas tentações e como a Igreja deveria responder a elas.
Tornar a mensagem do Evangelho uma ideologia
Essa tentação, afirma o papa, esteve presente na Igreja desde o início. Ela tenta interpretar o Evangelho separado da Igreja ou do próprio Evangelho. Francisco diz que é preciso olhar para o Evangelho com os olhos de um discípulo. Não existe uma hermenêutica "antisséptica".
Outras formas da tentação ideológica incluem o reducionismo sociológico e psicologizante. O primeiro interpreta a mensagem do Evangelho através da lente da ciência social, seja a partir de uma perspectiva marxista ou libertária. Aqui, o Evangelho é manipulado por razões políticas. É uma tentação tanto da direita quanto da esquerda usar o Evangelho para servir a objetivos políticos. O medo dessa tentação provavelmente levou Francisco a ser cauteloso com relação à teologia da libertação e, ao mesmo tempo, muito negativo com relação ao capitalismo libertário.
A tentação de psicologizar a fé, por outro lado, é individualista. "Trata-se de uma hermenêutica elitista que, em última análise, reduz o ´encontro com Jesus Cristo´ e seu sucessivo desenvolvimento a uma dinâmica de autoconhecimento". Essa é uma espiritualidade egocêntrica que "não tem sabor de transcendência, nem portanto de missionariedade".
Embora ele não o tenha mencionado, outro perigo dessa tentação é que ela fomenta uma espiritualidade passivo, de "sentir-se bem", ao invés de uma espiritualidade ativa, que trabalha para tornar o mundo um lugar melhor. Ele acredita que esse tipo de espiritualidade egocêntrica pode ser encontrada até mesmo em cursos de espiritualidade e retiros espirituais.
Relacionada com essa espiritualidade egocêntrica está a tentação da solução gnóstica. "Costuma ocorrer em grupos de elites com uma proposta de espiritualidade superior, bastante desencarnada", diz ele. O gnosticismo apareceu pela primeira vez entre os primeiros cristãos e reaparece ao longo da história da Igreja em versões novas e revisadas. "Vulgarmente são denominados “católicos iluminados” (por serem atualmente herdeiros da cultura iluminista)".
A referência ao Iluminismo torna claro que ele acredita que essa é a tentação dos católicos liberais. Eles acabam desembocando "em posições pastorais de quaestiones disputatae" (questões disputadas), as quais ele não lista. Será que essas questões controversas incluem coisas como mulheres padres e controle de natalidade?
A tentação ideológica final é a solução pelagiana. Os pelagianos acreditavam que a santidade era o resultado do esforço humano, sem a ajuda de Deus. Essa é a tentação dos católicos conservadores como "uma forma de restauracionismo". Eles buscam uma "solução apenas disciplinar" para os problemas da Igreja "na restauração de condutas e formas superadas que, inclusive culturalmente, não têm capacidade significativa". Pode-se ver por que Francisco rejeitou o grandioso vestuário papal.
Na América Latina, ele diz que esse restauracionismo se encontra "tendências exageradas para a ´segurança´ doutrinal ou disciplinar", em pequenos grupos e até mesmo em algumas novas comunidades religiosas. Mas ele vê essa abordagem como um processo "estático" e regressivo que "busca ´recuperar´ o passado perdido". Como arcebispo de Buenos Aires, Argentina, Jorge Bergoglio não era fã da missa tridentina e não a permitiu até que ela foi mandada pelo papa Bento XVI para toda a Igreja.
Funcionalismo
A segunda tentação da Igreja é ao funcionalismo, que o papa Francisco acredita ter o efeito de paralisar a Igreja. "Mais do que com a rota, se entusiasma com o ´mapa da rota´". Ela "não tolera o mistério, aposta na eficácia". Essa é a tentação dos burocratas da Igreja. "Reduz a realidade da Igreja à estrutura de uma ONG. O que vale é o resultado constatável e as estatísticas". Francisco não quer que a Igreja acabe tendo "modalidades empresariais".
Clericalismo
A última tentação da Igreja é ao clericalismo, que, como o próprio nome indica, é uma tentação particular para bispos e padres, mas Francisco argumenta que, muitas vezes, os leigos também são cúmplices. "O padre clericaliza, e o leigo lhe pede por favor que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo". Ele acredita que "o fenômeno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade e de liberdade cristã em parte do laicato latino-americano".
A liberdade dos leigos, argumenta ele, encontra sua expressão "através de experiências de povo: o católico como povo". Uma maior autonomia, que, em geral, ele acredita ser uma coisa "sadia", se expressa através da piedade popular. "A proposta dos grupos bíblicos, das comunidades eclesiais de base e dos Conselhos pastorais", diz ele, de fato, "vai na linha de superação do clericalismo e de um crescimento da responsabilidade laical". O clericalismo liberal pode desprezar a piedade popular, enquanto o clericalismo conservador teme o fato de dar aos leigos um papel maior na Igreja.
Embora estas tenham sido apresentados como tentações para a Igreja latino-americana, é óbvio que elas são universais. Elas estão vivas e com boa saúde em Roma e nos Estados Unidos.
Em um discurso no dia 28 de julho ao Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam), o papa Francisco expôs essas tentações e como a Igreja deveria responder a elas.
Tornar a mensagem do Evangelho uma ideologia
Essa tentação, afirma o papa, esteve presente na Igreja desde o início. Ela tenta interpretar o Evangelho separado da Igreja ou do próprio Evangelho. Francisco diz que é preciso olhar para o Evangelho com os olhos de um discípulo. Não existe uma hermenêutica "antisséptica".
Outras formas da tentação ideológica incluem o reducionismo sociológico e psicologizante. O primeiro interpreta a mensagem do Evangelho através da lente da ciência social, seja a partir de uma perspectiva marxista ou libertária. Aqui, o Evangelho é manipulado por razões políticas. É uma tentação tanto da direita quanto da esquerda usar o Evangelho para servir a objetivos políticos. O medo dessa tentação provavelmente levou Francisco a ser cauteloso com relação à teologia da libertação e, ao mesmo tempo, muito negativo com relação ao capitalismo libertário.
A tentação de psicologizar a fé, por outro lado, é individualista. "Trata-se de uma hermenêutica elitista que, em última análise, reduz o ´encontro com Jesus Cristo´ e seu sucessivo desenvolvimento a uma dinâmica de autoconhecimento". Essa é uma espiritualidade egocêntrica que "não tem sabor de transcendência, nem portanto de missionariedade".
Embora ele não o tenha mencionado, outro perigo dessa tentação é que ela fomenta uma espiritualidade passivo, de "sentir-se bem", ao invés de uma espiritualidade ativa, que trabalha para tornar o mundo um lugar melhor. Ele acredita que esse tipo de espiritualidade egocêntrica pode ser encontrada até mesmo em cursos de espiritualidade e retiros espirituais.
Relacionada com essa espiritualidade egocêntrica está a tentação da solução gnóstica. "Costuma ocorrer em grupos de elites com uma proposta de espiritualidade superior, bastante desencarnada", diz ele. O gnosticismo apareceu pela primeira vez entre os primeiros cristãos e reaparece ao longo da história da Igreja em versões novas e revisadas. "Vulgarmente são denominados “católicos iluminados” (por serem atualmente herdeiros da cultura iluminista)".
A referência ao Iluminismo torna claro que ele acredita que essa é a tentação dos católicos liberais. Eles acabam desembocando "em posições pastorais de quaestiones disputatae" (questões disputadas), as quais ele não lista. Será que essas questões controversas incluem coisas como mulheres padres e controle de natalidade?
A tentação ideológica final é a solução pelagiana. Os pelagianos acreditavam que a santidade era o resultado do esforço humano, sem a ajuda de Deus. Essa é a tentação dos católicos conservadores como "uma forma de restauracionismo". Eles buscam uma "solução apenas disciplinar" para os problemas da Igreja "na restauração de condutas e formas superadas que, inclusive culturalmente, não têm capacidade significativa". Pode-se ver por que Francisco rejeitou o grandioso vestuário papal.
Na América Latina, ele diz que esse restauracionismo se encontra "tendências exageradas para a ´segurança´ doutrinal ou disciplinar", em pequenos grupos e até mesmo em algumas novas comunidades religiosas. Mas ele vê essa abordagem como um processo "estático" e regressivo que "busca ´recuperar´ o passado perdido". Como arcebispo de Buenos Aires, Argentina, Jorge Bergoglio não era fã da missa tridentina e não a permitiu até que ela foi mandada pelo papa Bento XVI para toda a Igreja.
Funcionalismo
A segunda tentação da Igreja é ao funcionalismo, que o papa Francisco acredita ter o efeito de paralisar a Igreja. "Mais do que com a rota, se entusiasma com o ´mapa da rota´". Ela "não tolera o mistério, aposta na eficácia". Essa é a tentação dos burocratas da Igreja. "Reduz a realidade da Igreja à estrutura de uma ONG. O que vale é o resultado constatável e as estatísticas". Francisco não quer que a Igreja acabe tendo "modalidades empresariais".
Clericalismo
A última tentação da Igreja é ao clericalismo, que, como o próprio nome indica, é uma tentação particular para bispos e padres, mas Francisco argumenta que, muitas vezes, os leigos também são cúmplices. "O padre clericaliza, e o leigo lhe pede por favor que o clericalize, porque, no fundo, lhe resulta mais cômodo". Ele acredita que "o fenômeno do clericalismo explica, em grande parte, a falta de maturidade e de liberdade cristã em parte do laicato latino-americano".
A liberdade dos leigos, argumenta ele, encontra sua expressão "através de experiências de povo: o católico como povo". Uma maior autonomia, que, em geral, ele acredita ser uma coisa "sadia", se expressa através da piedade popular. "A proposta dos grupos bíblicos, das comunidades eclesiais de base e dos Conselhos pastorais", diz ele, de fato, "vai na linha de superação do clericalismo e de um crescimento da responsabilidade laical". O clericalismo liberal pode desprezar a piedade popular, enquanto o clericalismo conservador teme o fato de dar aos leigos um papel maior na Igreja.
Embora estas tenham sido apresentados como tentações para a Igreja latino-americana, é óbvio que elas são universais. Elas estão vivas e com boa saúde em Roma e nos Estados Unidos.
Fonte:http://www.domtotal.com/noticias/653710
National Catholic Reporter, 13-08-2013.
14 de ago. de 2013
"Temos que integrar o caminho da fé com o respeito pelo meio ambiente"
A economia verde pode ajudar a recuperar os valores morais
Roma,
Fonte: Zenit.org
O projeto Chiesaecologica [Igreja ecológica], que
estuda a difusão dos conceitos de sustentabilidade ambiental nas
paróquias italianas, já está em andamento em Roma.
Zenit entrevistou Maurizio Molinari, presidente da Metaenergia,
empresa com foco no desenvolvimento sustentável e patrocinadora do
projeto Cesab (Centro Interuniversitário de Pesquisa em Ciências
Ambientais e Biotecnologia), organizado em parceria com o Pontifício
Ateneu Regina Apostolorum, a Universidade Lumsa e a Pastoral
Universitária do Vicariato de Roma.
Por que vocês decidiram apoiar este projeto?Maurizio Molinari: O projeto Chiesaecologica
combina um caminho de fé com o respeito pelo meio ambiente e pelos
outros. Depois da criação, nós fomos colocados num jardim paradisíaco e
cabe a nós, homens, preservá-lo de forma sustentável. A Metaenergia
apoia o projeto Chiesaecologica porque faz parte dos seus
valores éticos apoiar a Igreja e o mundo da pesquisa. Nós acreditamos
que a crise deve ser respondida necessariamente com os valores, com um
olhar para nós mesmos e para as nossas comunidades.
A economia verde pode ajudar o mundo eclesial?Maurizio
Molinari: Sim, sem dúvida. A economia verde, a sua concepção de respeito
pela criação, pode ajudar na recuperação dos valores morais. O
princípio da sustentabilidade é crucial.
Por que partir de um projeto de pesquisa universitário?Maurizio Molinari: O projeto Chiesaecologica
é essencial. Temos que começar pelo conhecimento, dar ferramentas úteis
ao mundo eclesial para cuidar do desenvolvimento sustentável. É o
componente humanista e de valores o que deve transparecer, para o bem da
comunidade. Acreditamos muito no projeto. A Metaenergia acredita
firmemente na pesquisa, na universidade, nos jovens. Basta dizer que 70%
dos nossos funcionários têm menos de 35 anos de idade e são todos os
jovens de qualidade.
Você pretendem levar esse projeto de pesquisa para fora de Roma?Maurizio Molinari: Com certeza. Os nossos parceiros vão permitir um desenvolvimento mais amplo dos estudos.
5 de ago. de 2013
Francisco fala da pobreza com autoridade
O programa pastoral do Papa nos convida a considerar os mais necessitados como eles realmente são, nossos irmãos, filhos de um mesmo Pai amoroso.
São Paulo,
Fonte: Zenit.org
Publicamos a seguir o testemunho enviado a ZENIT por José
Caetano, fotógrafo que trabalhou como guia no grupo dos Vaticanistas que
viajaram no avião do Papa nessa viagem ao Brasil, os chamados VAMP
(Vatican Accredited Media Personal):
***
Uma das maiores mensagens deixadas pelo Papa Francisco em sua
primeira grande viagem fora da Itália, para a Jornada Mundial da
Juventude no Brasil não foi somente dirigida aos jovens, mas a todos os
homens, e não fez parte dos discurso, mas sim de suas ações.
Particularmente trabalhei como guia no grupo dos Vaticanistas que
viajaram no avião do Papa nessa viagem, os chamados VAMP (Vatican
Accredited Media Personal), e durante a viagem, logo antes do encontro
do Pontífice com os representantes da Sociedade Civil no Teatro
Municipal do Rio de Janeiro, um dos jornalistas brasileiros que estavam
ali me perguntou o que eu achava que o Papa iria falar para os
empresários e políticos ali reunidos.
Não respondi imediatamente porque prever o que o Papa Francisco vai
falar ou fazer é uma atividade digna de profetas altamente ungidos por
Deus, e eu só sei fazer uma análise da conjuntura e tentar prever algo.
Mas uma constante no que se refere ao pontificado de Bergoglio é seu
cuidado para com os pobres. Cuidado esse que não nasce de uma
pseudo-teologia latina, como poderia se pensar de um Papa vindo da
Argentina. Também não nasce simplesmente do fato de ter ele escolhido ao
“pobrezinho” de Assis para homenagear ao se tornar Papa. Esse cuidado
com os pobres, essa dedicação pela pobreza nasce de um método quase
científico. Francisco experimenta a pobreza.
Em suas incansáveis visitas aos bairros pobres da capital portenha e
sua visita à favela de Varginha, na comunidade de Manguinhos, no Rio de
Janeiro, lhe conferem autoridade para tratar do tema da pobreza. Ele
toca os pobres com seu coração e com suas mãos. Ele conhece e escuta os
problemas das pessoas “descartadas” da sociedade. E identifica o que
chama de “cultura do descartável”.
Em Manguinhos foi claro em dizer que “Nenhum esforço de ‘pacificação’
será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que
ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si
mesma. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma; antes,
perde algo de essencial para si mesma. Não deixemos, não deixemos entrar
no nosso coração a cultura do descartável! Não deixemos entrar no nosso
coração a cultura do descartável, porque nós somos irmãos. Ninguém é
descartável!
O Pontífice identifica a causa do problema das sociedades modernas e
dá a solução: compreender os outros como nossos irmãos. E por esse mesmo
motivo, coloca a Fraternidade como tema da próxima Jornada Mundial da
Paz, que sera celebrada no primeiro dia de 2014.
“A fraternidade, fundamento e caminho para a paz” é justamente o tema
que Francisco nos coloca para meditar, imediatamente concordante com o
que propõe em Manguinhos.
Por outro lado, se podemos identificar uma preocupação constante em
todos os discursos e homilias do Papa nessa viagem ao Brasil e em outras
ocasiões de seu pontificado, é seu desejo de que deixemos nossa zona de
conforto e que saiamos de casa ao encontro dos mais pobres. Não
simplesmente para torná-los alvo de qualquer programa assistencialista
ou de uma pastoral desprovida de alma, de espiritualidade. O Papa nos
manda colocar Cristo no centro de nossas vidas, e a partir daí, a partir
da vivência do encontro com Cristo, ir ao encontro dos pobres como
nossos irmãos.
A mensagem pastoral do Papa Francisco é exigente, pois não somente
nos convida a sermos agentes de qualquer programa paliativo, que
simplesmente alivie o sofrimento de algumas pessoas, mas o programa
pastoral do Papa nos convida a considerar os mais necessitados como eles
realmente são, nossos irmãos, filhos de um mesmo Pai amoroso, e como
nossos irmãos, o nosso compromisso deve ser mais profundo, mais
duradouro, e só consiguerimos atingir esse nível de autoridade para
ajudar o próximo quando nos dedicarmos a tomar uma xícara de café com
eles, como disse o próprio Francisco em seu discurso em Varginha.
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