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5 de ago. de 2014

Francisco, modelo referencial do humano


Na efervescência da crise da modernidade ou pós-modernidade em que vivemos, na mudança de época e de paradigmas, estonteados como a pluralidade cultural e religiosa, na dependência das novas mídias, na fragmentação das relações, na aceleração dos processos, nas múltiplas necessidades instauradas pelo mercado, livres no pensamento, mas presos num consumo escravizante, aqui estamos nós no novo patamar civilizatório. Na esperança de que a política volte a ser o arranjo existencial para o bem comum e não tráfico de influências; de que escolas moldem um humano forte e não subjetividades fracas; de que as religiões desçam da sedução hierárquica das fortes estruturas e voltem a revelar a mais pura mística e o inspirador sopro do Espírito, aqui estamos nós gritando que precisamos ser olhados com prioridade em nosso ser pessoa, em nossa mais nítida identidade. leia mais:

4 de jul. de 2014

O papa diferente

Francisco vem humanizando o papado e é possível esperar um gradual 'aggiornamento' dos cânones da Igreja.
Por Reinaldo Lobo*

Quando o cardeal Ângelo Roncalli foi eleito acidentalmente, em 1958, e se tornou o Papa João XIII, o "Papa Bom", uma camareira de Roma fez algumas perguntas para a filósofa Hannah Arendt, que lá estava:  "Senhora, esse papa era um verdadeiro cristão. Como podia ser isso? E como aconteceu que um verdadeiro cristão se sentasse no trono de São Pedro? Ele primeiro não teve de ser indicado bispo, e arcebispo, e cardeal, até finalmente ser eleito como papa? Ninguém tinha consciência de quem ele era?"
Bem, a resposta à última das três  perguntas da reflexiva camareira parece ser "Não" - disse Arendt. Ninguém entre os cardeais do conclave tinha consciência clara de quem era Ângelo Roncalli, até porque ele foi escolhido para ser um "papa provisório e transitório". Foi eleito por não haver consenso a respeito dos verdadeiros "papabile" iniciais.
João XXIII foi uma completa  surpresa durante seu breve pontificado, de 58 até 63, quando realizou a mais profunda reforma interna e doutrinária da Igreja em muitos séculos, tornando-a mais popular e, ao mesmo tempo, um pouco mais moderna. O catolicismo expandiu-se numérica e qualitativamente como nunca sob esse papa verdadeiramente  cristão.
A eleição do Papa Francisco teve algumas diferenças de contexto histórico e os cardeais sabiam quem ele era e de onde vinha. Foram buscar um papa do "fim-do-mundo"  - do Terceiro Mundo -, como ele mesmo assinalou ao passar de arcebispo Mario Jorge Bergoglio a 266° pontífice da Igreja Católica, primeiro nascido em continente americano, primeiro não-europeu em mais de 1200 anos e o primeiro papa jesuíta.
A profunda crise atual por que passa a Igreja, que vai de escândalos financeiros no Banco do Vaticano até os casos notórios de pedofilia em várias paróquias do mundo todo, passando pela ascensão das rivais denominações pentecostais, levou o colégio de cardeais a correr um risco calculado de oferecer o nome de alguém bem diferente do antecessor que renunciou, Bento XVI, o sisudo e dogmático cardeal alemão Joseph Aloisius Ratzinger.
Em quê o Papa Francisco é diferente? Por que a burocracia da Igreja correu um risco ao escolhê-lo? As respostas não são fáceis, mas estão evidentes hoje para todos as diferenças, a começar pela escolha do seu nome, inspirada na frase que lhe disse seu amigo brasileiro, o cardeal d. Claudio Hummes, ao cumprimentá-lo pela eleição : "Não se esqueça dos pobres". Ele não tem esquecido e o estilo de vida mais franciscano que adotou revela sua disposição de colocar a Igreja menos ao lado dos ricos e potentados, como esteve por séculos. Depois do interregno ultra-conservador dos papas João Paulo II e Bento XVI,  esse jesuíta simpático e amante do futebol é uma lufada de ar fresco.
As instituições e suas burocracias tendem a escolher como seus representantes e líderes os mais fiéis aos seus interesses e valores administrativos. Muitas vezes, os premiados são os mais submissos às regras políticas da instituição e os mais medíocres. Quase todas as instituições e organizações conhecidas funcionam assim. Daí, a surpresa da camareira romana e da filósofa Hannah Arendt diante da escolha de um "verdadeiro cristão", que poderia levar a Igreja a resgatar princípios originais da instituição e,portanto, a revolucioná-la.
Essa é outra característica de um "grupo de dependência" como a Igreja, isto é, um grupo que elege um Messias, uma doutrina e a disposição fideísta para seguir um mestre e seus dogmas. Quando cresce e se distancia do Mestre original, esquece suas origens e se prende a rituais e regras rotineiras para manter-se sólida. O resgate e a evocação da origem costumam ser subversivos. Daí a surpresa diante da evocação de Francisco de Assis, que contrasta muito com o luxo do trono ocupado por Bento XVI, mais a tolerância da burocracia católica com o novo Papa e com a mudança de rumos que pode imprimir em seu pontificado.
A resistência à sua presença por parte dos conservadores do mundo todo assemelha-se muito à que sofreu João XXIII, acusado pela direita de  "bonzinho com o comunismo" e até mesmo de "marxista". Agora , a revista conservadora "The Economist" acusou-o de "seguir Lênin", o líder soviético que escreveu o livro "Imperialismo, etapa superior do capitalismo", em que assinala a tendência monopolista e concentradora de renda do capitalismo moderno. O Papa apontou a concentração de renda capitalista e os monopólios, e os criticou por aumentarem a desigualdade e a pobreza,  o que tem sido apontado até mesmo por economistas insuspeitos de "marxismo", como o norte-americano Paul Krugman  e o francês Thomas Piketty. Somente o que chamo de  a "burrice conservadora" ou a ma fé poderiam levar à conclusão de que ele seria "leninista".
Sua frase sobre a existência de cristãos gays , dizendo "quem sou eu para condenar um homossexual que procura espiritualmente Cristo?", tocou em outro tema polêmico em que tem sido fustigado pela estupidez conservadora. Sua atitude, porém, começa a se difundir pela corpo da própria Igreja e vários católicos relatam nas redes sociais que já presenciaram padres falando em defesa das uniões homoafetivas do púlpito em suas missas.
Ao mesmo tempo, o Papa acaba de excomungar os membros da Máfia, responsáveis pelo assassinato de uma criança de três anos na Sicília, e também expulsou das funções eclesiásticas o ex-núncio da República Dominicana, o polonês Jozef Wesolowski, condenado por pedofilia comprovada naquele país. As suas atitudes firmes fazem crer que o Papa continuará a condenar o crime, sobretudo quando cometido pelo próprios membros da Igreja, mas não ditará regras sobre as condutas humanas em geral. Sob seu pontificado, espera-se que a Igreja interfira menos na vida privada das pessoas e seja mais tolerante em seus juízos morais.
No início, o Papa Francisco era um enigma. Existiam até acusações apócrifas de que teria sido leniente com a Ditadura Militar argentina quando era bispo. Depois descobriu-se que foram feitas até montagens fotográficas maldosas, dele ao lado do ex-ditador Jorge Videla, de quem "seria o confessor". Nada disso se comprovou. Sabe-se apenas que ele negociou a preservação dos Direitos Humanos naquele país, o que o fazia dialogar com freqüência com os ditadores dos anos 70 e inicio dos 80.
Francisco vem humanizando o papado e é possível esperar que promova um gradual "aggiornamento" dos cânones da Igreja, como fez João XXIII. Tudo para evitar a decadência da instituição. É uma política mais inteligente,  para dizer o mínimo, do que a do intelectual sofisticado Bento XVI.
Se assim for, não é  preciso ser católico e nem mesmo acreditar piamente, para dizermos como os cristãos: "Deus o proteja". Vai precisar.
Fonte:http://www.domtotal.com
* Reinaldo Lobo é psicanalista e articulista. Tem um blog : imaginarioradical.blogspot.com e uma página pública no Facebook: www.facebook.com/reinaldolobopsi

14 de abr. de 2014

Na fonte do pensamento franciscano

No final da leitura do trecho do Evangelho (Mt, 10, 9) - que nos convida a ir pelo mundo sem "alforje nem bordão", cobertos apenas pela luz da "boa nova" -, Francisco, com 26 anos, no outono de 1208, exclama na igreja da Porciúncula (Assis): "é o que desejo, é o que quero", isto é, ir pelo mundo não armado como rico, para se defender ou para humilhar, mas como irmão. É um vento novo que transfigura o movimento de renovação social geral - é a idade das comunas -, eleva sua índole sem recusar as formas, radicaliza a perspectiva sem desacelerar a corrida. O olhar sai do âmbito do eu para a direção do nós, suscitando cenários novos de acordo com uma convivência inspirada na lógica altruísta, não possessiva ou elitista, contra a atitude difundida de apropriação, que atenua o encanto das coisas, fazendo com que estas percam seu sentido em detrimento da total vantagem do lucro. É este o propósito de Francisco, empenhado em desatar aquele nó de concupiscência que nos comprime na profundeza e que nos empurra para formas dissimuladas de violência, alimentadas de modos diferentes porque justificadas segundo pretextos........leia mais:

2 de abr. de 2014

Canonização de Anchieta foi marcada para o dia 2 de abril


Hoje dia 2 de abril, por decreto, o padre José de Anchieta – fundador da cidade de São Paulo - será declarado santo pelo papa Francisco. Após a canonização, em vez da missa solene na Praça de São Pedro, em Roma, o papa Francisco celebrará, no dia 24, missa em ação de graças na Igreja de Santo Inácio, em Roma.
Beatificado em 1980, pelo papa João Paulo II, o religioso catequista não precisou da comprovação de um milagre, dispensado pelo atual pontífice, para virar santo. A canonização terá uma série de festejos pelo Brasil, onde o padre Anchieta realizou trabalhos de evangelização em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco e Bahia e intercedeu a favor de índios.
"É fundamental a gente entender a importância do padre Anchieta para o Brasil. A Igreja em São Paulo nasceu junto com a cidade, da qual ele é o fundador, a partir do Páteo do Colégio", diz o cônego Antônio Aparecido, porta-voz da Arquidiocese de São Paulo.
O cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, em convocação para as celebrações, lembrou que a canonização do chamado “Apóstolo do Brasil” teve início já no século XVII, “sendo interrompida e longamente paralisada por várias circunstâncias históricas, como a injusta expulsão dos Jesuítas do Brasil e da posterior supressão da Ordem”. Para o arcebispo, Anchieta “marcou profundamente o início da evangelização, não apenas em São Paulo, mas em boa parte do Brasil”.
"O fato de não haver uma canonização no estilo tradicional não diminui em nada a importância do padre Anchieta ser declarado santo. Há toda uma tradição em torno da figura dele, de homem dedicado à catequese dos índios. Ele é o patrono dos catequistas, dos evangelizadores do Brasil. Para o povo, ele já é santo. A Igreja, quando canoniza alguém, só faz validar aquilo que o povo acredita e crê", acrescenta o cônego Antônio Aparecido.
No próximo dia 2, em São Paulo, dom Odilo convidou padres a tocar os sinos de suas respectivas igrejas e capelas, simultaneamente e por pelo menos cinco minutos, a partir das 14h.
Na Catedral da Sé, dia 6, às 11h, haverá uma missa pela canonização do jesuíta com a presença de autoridades municipais e estaduais, antecedida de uma procissão que sairá do Páteo do Colégio, às 10h15, em direção à Catedral.
Há a possibilidade, ainda, de um concerto ser realizado na Sala São Paulo, na Luz, centro da capital, em homenagem ao religioso.
O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, presidirá, também no dia 2, uma missa em ação de graças na Catedral Metropolitana de São Sebastião, às 18h.
No Espírito Santo, onde o Padre Anchieta viveu e fundou a cidade que leva seu nome, Anchieta, haverá no dia 2 uma missa na Catedral Metropolitana presidida por Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória. No dia 6, acontecem missas na paróquia Beato José de Anchieta, na Serra, Grande Vitória, e no Santuário Nacional de Anchieta, no município de Anchieta, no litoral capixaba.
Além do jesuíta espanhol, o papa Francisco canonizará também outros dois missionários no mesmo dia 2; dom Francisco de Laval e a beata Maria da Encarnação, que realizaram trabalhos de evangelização no Canadá.
Fonte: www.domtotal.com.br

21 de mar. de 2014

A pobreza do outro e os novos tempos da Igreja

‘Se tenho fome, o problema é biológico. Se meu irmão tem fome, o problema é teológico’.

A Igreja respira encantada com o papa Francisco e o movimento que inaugurou e mantém de volta ao Concílio Vaticano II e sua renovação. Seu pontificado vem marcado por essa retomada do espírito de liberdade e abertura daquele inesquecível evento eclesial que aconteceu há 50 anos.  leia mais:


20 de mar. de 2014

O Amor de Cristo



Irmãos, quero que saibais que luta difícil sustento por vós, pelos fiéis de Laodicéia e por tantos outros, que não me conhecem pessoalmente para que sejam consolados e se mantenham unidos na caridade. Que eles cheguem a entender profunda e plenamente o mistério divino, ao conhecer o Cristo, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência ( Paulo aos Colossenses 2, 2-3).
1. Cristo Jesus, ontem, hoje e sempre! Somos cristãos. Somos discípulos de Cristo. Vivemos envolvidos nele e respiramos sua presença na história de nossa historia. Nos momentos de meditação e de reflexão silenciosa tomamos plena consciência desse que é a imagem do Pai, que não podia dar mais nada para exprimir seu amor e o amor do Pai. Faz o dom de sua vida, morre dando suas entranhas e pela ferida de seu peito, depois de morto, pudemos olhar um ninho de tesouros de sabedoria e de ciência. Diante do amor de Cristo ficamos extasiados. Ao longo de nossa vida somos convidados a conhecer experimentalmente esse amor.
2. Para muitos tudo pode ter tido seu início muito simplesmente: começamos a descobrir Jesus em nossas casas. Os pais nos falaram dele, as imagens e ilustrações nos santinhos do missal da mãe, as missas, o catecismo, as homilias. Aos poucos fomos tendo um conhecimento “nocional” de Cristo. Pode ser que não poucos tenham parado apenas na apreensão de noções a seu respeito: nascimento, milagres, posturas, textos a respeito dele nos evangelhos. Importante e fundamental que todos os cristãos venham a se aprofundar nesse conhecimento “intelectual”. Para tanto existem cursos de formação cristã. Mas isto é pouco.
3. De tanto ler as páginas dos evangelhos, depois de participar de dias de recolhimento e de retiro, muitos foram se dando conta de que esse Jesus é o vivo, o ressuscitado, aquele que está bem perto de nós e, com sua força e seu espírito, ele vai fazendo conosco nossa história. Não sabemos apenas intelectualmente que instituiu a eucaristia, mas na fé, experimentamos a força desse alimento na consecução de nosso projeto de vida. Em muitos momentos, como os primeiros discípulos, nossos olhos se abrem. “É o Senhor”. Temos a nítida certeza de que ele nos chama, nos interpela. Tudo isso no universo da fé, mas existencialmente.
4. Os que são tocados por Cristo desejam abeirar-se dele e deixar que ele se revele com ajuda das palavras das Escrituras e com suas inspirações. Aos poucos, bem aos poucos, os discípulos sinceros, acolhendo a presença do Ressuscitado vão se dando conta que esse Jesus é a expressão do Pai, revelação do Pai. Ele nos atrai e nos leva ao Pai num jogo de amor contemplativo que não se realiza quando os ruídos, a superficialidade de uma catequese o impedem. Felizes aqueles que, abertos ao mistério, tiveram catequistas e pregadores lúcidos, humildes e competentes para falar dos mistérios de Deus.
5. Ele se apresenta como sabedoria, sabor, experiência saborosa das coisas de Deus. Paulo o diz claramente: em Cristo Jesus estão encerrados os tesouros da sabedoria e da ciência. Na convivência com Cristo, ao longo da vida, na saúde e na doença, no casamento e na viuvez, sacerdotes e religiosos, jovens e menos jovens vão sendo “seduzidos por ele, de modo especial quando contemplam o Coração aberto do Senhor. Sabedoria do amor e ciência da oração, sabedoria em dar mais do que receber, ciência da compreensão de que aquele coração aberto é o coração de Deus. Deixamos para trás um conhecimento frio e passamos a dizer que esse Cristo é o ar que respiramos, o presente que vivemos e o amanhã que esperamos. O amor do coração aberto nos mostra esse Cristo.
6. Na mesma epístola ao Colossenses Paulo afirma que serve à Igreja exercendo o cargo “de transmitir a palavra de Deus em sua plenitude. Esta palavra é o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado a seu povo santo. A este Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo junto a vós, a esperança da glória. Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para tornar perfeitos a todos a sua união com Cristo. Para isso eu me esforço com todo o empenho, sustentado pela força que em mim opera” (1, 25-29).
7. Paulo fala do mistério escondido que se revela e que se manifesta mais abertamente na paixão de Cristo e em seu peito aberto. Insiste na necessidade da união com Cristo. Precisamente esta união é que leva ao conhecimento experimental. E os que convivem leal e sinceramente com Cristo Jesus entram no universo da união mística. Ele, o Senhor, opera em cada um. São Boaventura afirma: “Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras. Para que do lado de Cristo morto na cruz se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que traspassaram”.
8. Francisco de Assis foi convivendo carinhosamente com Cristo. Tomás de Celano, um de seus biógrafos, afirma: “Os irmãos que viveram com ele sabem com quanta ternura e suavidade, cada dia e continuamente falava-lhes de Jesus. Sua boca falava da abundância de seu coração e a gente teria dito que a fonte do puro amor que enchia sua alma, jorrava de sua superabundância. Quantos encontros entre Jesus e ele. Levava Jesus no seu coração, Jesus em seus lábios, Jesus nos ouvidos, Jesus nos seus olhos, Jesus em suas mãos, Jesus em toda parte. Durante as viagens também, muitas vezes, de tanto meditar e cantar Jesus, esquecia-se de caminhar e convidava todos os elementos a louvarJesus” (1Celano 115). Estamos diante de um conhecimento todo experimental.
9. Francisco, segundo sólida tradição, teve as chagas de Cristo em seu corpo. No alto do La Verna o Poverello se une como que definitivamente a seu Senhor. Os biógrafos falam de uma oração que teria feito o Serafim de Assis: “Meu Senhor Jesus Cristo eu te suplico que me concedas duas graças antes de morrer: a primeira é que durante a minha vida eu sinta em minha alma e em meu corpo, tanto quanto possível, a dor que, ó doce Jesus, suportaste na hora de tua crudelíssima paixão; a segunda é que eu sinta em meu coração, tanto quanto possível, o amor sem medida de que estavas abrasado e que te levou à tua crudelíssima paixão”. Estamos diante de um conhecimento nada livresco, mas experiencial e místico. Todos somos chamados a conhecer os mistérios de Deus pela janela do Coração de Jesus.
Fonte: http://www.pvf.com.br/o-amor-de-cristo.html#sthash.ItFWNBhh.dpuf