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2 de abr. de 2014

Canonização de Anchieta foi marcada para o dia 2 de abril


Hoje dia 2 de abril, por decreto, o padre José de Anchieta – fundador da cidade de São Paulo - será declarado santo pelo papa Francisco. Após a canonização, em vez da missa solene na Praça de São Pedro, em Roma, o papa Francisco celebrará, no dia 24, missa em ação de graças na Igreja de Santo Inácio, em Roma.
Beatificado em 1980, pelo papa João Paulo II, o religioso catequista não precisou da comprovação de um milagre, dispensado pelo atual pontífice, para virar santo. A canonização terá uma série de festejos pelo Brasil, onde o padre Anchieta realizou trabalhos de evangelização em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco e Bahia e intercedeu a favor de índios.
"É fundamental a gente entender a importância do padre Anchieta para o Brasil. A Igreja em São Paulo nasceu junto com a cidade, da qual ele é o fundador, a partir do Páteo do Colégio", diz o cônego Antônio Aparecido, porta-voz da Arquidiocese de São Paulo.
O cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo, em convocação para as celebrações, lembrou que a canonização do chamado “Apóstolo do Brasil” teve início já no século XVII, “sendo interrompida e longamente paralisada por várias circunstâncias históricas, como a injusta expulsão dos Jesuítas do Brasil e da posterior supressão da Ordem”. Para o arcebispo, Anchieta “marcou profundamente o início da evangelização, não apenas em São Paulo, mas em boa parte do Brasil”.
"O fato de não haver uma canonização no estilo tradicional não diminui em nada a importância do padre Anchieta ser declarado santo. Há toda uma tradição em torno da figura dele, de homem dedicado à catequese dos índios. Ele é o patrono dos catequistas, dos evangelizadores do Brasil. Para o povo, ele já é santo. A Igreja, quando canoniza alguém, só faz validar aquilo que o povo acredita e crê", acrescenta o cônego Antônio Aparecido.
No próximo dia 2, em São Paulo, dom Odilo convidou padres a tocar os sinos de suas respectivas igrejas e capelas, simultaneamente e por pelo menos cinco minutos, a partir das 14h.
Na Catedral da Sé, dia 6, às 11h, haverá uma missa pela canonização do jesuíta com a presença de autoridades municipais e estaduais, antecedida de uma procissão que sairá do Páteo do Colégio, às 10h15, em direção à Catedral.
Há a possibilidade, ainda, de um concerto ser realizado na Sala São Paulo, na Luz, centro da capital, em homenagem ao religioso.
O arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, presidirá, também no dia 2, uma missa em ação de graças na Catedral Metropolitana de São Sebastião, às 18h.
No Espírito Santo, onde o Padre Anchieta viveu e fundou a cidade que leva seu nome, Anchieta, haverá no dia 2 uma missa na Catedral Metropolitana presidida por Dom Luiz Mancilha Vilela, Arcebispo de Vitória. No dia 6, acontecem missas na paróquia Beato José de Anchieta, na Serra, Grande Vitória, e no Santuário Nacional de Anchieta, no município de Anchieta, no litoral capixaba.
Além do jesuíta espanhol, o papa Francisco canonizará também outros dois missionários no mesmo dia 2; dom Francisco de Laval e a beata Maria da Encarnação, que realizaram trabalhos de evangelização no Canadá.
Fonte: www.domtotal.com.br

21 de mar. de 2014

A pobreza do outro e os novos tempos da Igreja

‘Se tenho fome, o problema é biológico. Se meu irmão tem fome, o problema é teológico’.

A Igreja respira encantada com o papa Francisco e o movimento que inaugurou e mantém de volta ao Concílio Vaticano II e sua renovação. Seu pontificado vem marcado por essa retomada do espírito de liberdade e abertura daquele inesquecível evento eclesial que aconteceu há 50 anos.  leia mais:


20 de mar. de 2014

O Amor de Cristo



Irmãos, quero que saibais que luta difícil sustento por vós, pelos fiéis de Laodicéia e por tantos outros, que não me conhecem pessoalmente para que sejam consolados e se mantenham unidos na caridade. Que eles cheguem a entender profunda e plenamente o mistério divino, ao conhecer o Cristo, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência ( Paulo aos Colossenses 2, 2-3).
1. Cristo Jesus, ontem, hoje e sempre! Somos cristãos. Somos discípulos de Cristo. Vivemos envolvidos nele e respiramos sua presença na história de nossa historia. Nos momentos de meditação e de reflexão silenciosa tomamos plena consciência desse que é a imagem do Pai, que não podia dar mais nada para exprimir seu amor e o amor do Pai. Faz o dom de sua vida, morre dando suas entranhas e pela ferida de seu peito, depois de morto, pudemos olhar um ninho de tesouros de sabedoria e de ciência. Diante do amor de Cristo ficamos extasiados. Ao longo de nossa vida somos convidados a conhecer experimentalmente esse amor.
2. Para muitos tudo pode ter tido seu início muito simplesmente: começamos a descobrir Jesus em nossas casas. Os pais nos falaram dele, as imagens e ilustrações nos santinhos do missal da mãe, as missas, o catecismo, as homilias. Aos poucos fomos tendo um conhecimento “nocional” de Cristo. Pode ser que não poucos tenham parado apenas na apreensão de noções a seu respeito: nascimento, milagres, posturas, textos a respeito dele nos evangelhos. Importante e fundamental que todos os cristãos venham a se aprofundar nesse conhecimento “intelectual”. Para tanto existem cursos de formação cristã. Mas isto é pouco.
3. De tanto ler as páginas dos evangelhos, depois de participar de dias de recolhimento e de retiro, muitos foram se dando conta de que esse Jesus é o vivo, o ressuscitado, aquele que está bem perto de nós e, com sua força e seu espírito, ele vai fazendo conosco nossa história. Não sabemos apenas intelectualmente que instituiu a eucaristia, mas na fé, experimentamos a força desse alimento na consecução de nosso projeto de vida. Em muitos momentos, como os primeiros discípulos, nossos olhos se abrem. “É o Senhor”. Temos a nítida certeza de que ele nos chama, nos interpela. Tudo isso no universo da fé, mas existencialmente.
4. Os que são tocados por Cristo desejam abeirar-se dele e deixar que ele se revele com ajuda das palavras das Escrituras e com suas inspirações. Aos poucos, bem aos poucos, os discípulos sinceros, acolhendo a presença do Ressuscitado vão se dando conta que esse Jesus é a expressão do Pai, revelação do Pai. Ele nos atrai e nos leva ao Pai num jogo de amor contemplativo que não se realiza quando os ruídos, a superficialidade de uma catequese o impedem. Felizes aqueles que, abertos ao mistério, tiveram catequistas e pregadores lúcidos, humildes e competentes para falar dos mistérios de Deus.
5. Ele se apresenta como sabedoria, sabor, experiência saborosa das coisas de Deus. Paulo o diz claramente: em Cristo Jesus estão encerrados os tesouros da sabedoria e da ciência. Na convivência com Cristo, ao longo da vida, na saúde e na doença, no casamento e na viuvez, sacerdotes e religiosos, jovens e menos jovens vão sendo “seduzidos por ele, de modo especial quando contemplam o Coração aberto do Senhor. Sabedoria do amor e ciência da oração, sabedoria em dar mais do que receber, ciência da compreensão de que aquele coração aberto é o coração de Deus. Deixamos para trás um conhecimento frio e passamos a dizer que esse Cristo é o ar que respiramos, o presente que vivemos e o amanhã que esperamos. O amor do coração aberto nos mostra esse Cristo.
6. Na mesma epístola ao Colossenses Paulo afirma que serve à Igreja exercendo o cargo “de transmitir a palavra de Deus em sua plenitude. Esta palavra é o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado a seu povo santo. A este Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo junto a vós, a esperança da glória. Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para tornar perfeitos a todos a sua união com Cristo. Para isso eu me esforço com todo o empenho, sustentado pela força que em mim opera” (1, 25-29).
7. Paulo fala do mistério escondido que se revela e que se manifesta mais abertamente na paixão de Cristo e em seu peito aberto. Insiste na necessidade da união com Cristo. Precisamente esta união é que leva ao conhecimento experimental. E os que convivem leal e sinceramente com Cristo Jesus entram no universo da união mística. Ele, o Senhor, opera em cada um. São Boaventura afirma: “Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras. Para que do lado de Cristo morto na cruz se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que traspassaram”.
8. Francisco de Assis foi convivendo carinhosamente com Cristo. Tomás de Celano, um de seus biógrafos, afirma: “Os irmãos que viveram com ele sabem com quanta ternura e suavidade, cada dia e continuamente falava-lhes de Jesus. Sua boca falava da abundância de seu coração e a gente teria dito que a fonte do puro amor que enchia sua alma, jorrava de sua superabundância. Quantos encontros entre Jesus e ele. Levava Jesus no seu coração, Jesus em seus lábios, Jesus nos ouvidos, Jesus nos seus olhos, Jesus em suas mãos, Jesus em toda parte. Durante as viagens também, muitas vezes, de tanto meditar e cantar Jesus, esquecia-se de caminhar e convidava todos os elementos a louvarJesus” (1Celano 115). Estamos diante de um conhecimento todo experimental.
9. Francisco, segundo sólida tradição, teve as chagas de Cristo em seu corpo. No alto do La Verna o Poverello se une como que definitivamente a seu Senhor. Os biógrafos falam de uma oração que teria feito o Serafim de Assis: “Meu Senhor Jesus Cristo eu te suplico que me concedas duas graças antes de morrer: a primeira é que durante a minha vida eu sinta em minha alma e em meu corpo, tanto quanto possível, a dor que, ó doce Jesus, suportaste na hora de tua crudelíssima paixão; a segunda é que eu sinta em meu coração, tanto quanto possível, o amor sem medida de que estavas abrasado e que te levou à tua crudelíssima paixão”. Estamos diante de um conhecimento nada livresco, mas experiencial e místico. Todos somos chamados a conhecer os mistérios de Deus pela janela do Coração de Jesus.
Fonte: http://www.pvf.com.br/o-amor-de-cristo.html#sthash.ItFWNBhh.dpuf

28 de fev. de 2014

Papa não quer condenação de casais separados

"Devemos ficar perto dos irmãos e irmãs que sofreram o fracasso do amor em suas vidas", insistiu o chefe da Igreja católica.
O tema dos divorciados que voltam a se casar é fonte de atritos dentro do Vaticano
O Papa Francisco, que prometeu aproximar a Igreja Católica da vida moderna, disse nesta sexta-feira (28) que os casais que fracassaram em manter o matrimônio não devem ser condenados. A declaração acontece num momento em que a Igreja católica está em pleno debate sobre os divorciados que voltaram a se casar. "Quando o amor fracassa, e fracassa muitas vezes, devemos sentir a dor desse fracasso, acompanhar a pessoa que tenha sentido o fracasso de seu amor", afirmou o Papa durante a missa diária que realiza no Vaticano. "Não devemos condená-los! É preciso caminhar com eles!", afirmou Francisco. "Devemos ficar perto dos irmãos e irmãs que sofreram o fracasso do amor em suas vidas", insistiu o chefe da Igreja católica. Francisco insistiu, ao mesmo tempo, na beleza do matrimônio cristão, da união de um homem com uma mulher, "a obra-prima da criação". O tema dos divorciados que voltam a se casar é fonte de atritos dentro do Vaticano. A questão principal se remete ao direito dos divorciados que voltam a contrair matrimônio de participar na parte mais sagrada da missa católica, a comunhão. Em conformidade com as regras atuais, isso é proibido, mas na prática essa exclusão não é aplicada. O cardeal Philipe Barbarin, arcebispo de Lyon, na França, afirmou à rádio Vaticano que uma reunião de cardeais de todo o mundo que aconteceu este mês na Santa Sé dedicou "de 80 a 90%" do tempo a discutir esta questão. Inúmeros casais em países ocidentais, assim como teólogos e bispos, pedem que a regra atual seja modificada. Em compensação, o cardeal alemão Ludwig Mueller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou que é impossível mudar as regras e que as pessoas devem deixar de pensar no casamento como "uma festa em uma igreja". O cardeal hondurenho Oscar Andrés Rodríguez Maradiaga, membro do conselho de oito cardeais formado pelo sumo pontífice para assessorá-lo, adotou uma postura mais branda e pediu a Mueller que fosse "mais flexível". Um estudo da cadeia de língua espanhola Univisión em 12 países de maioria católica estabeleceu que 75% dos europeus, 67% dos latinos e 59% dos americanos não estão de acordo com a Igreja católica neste tema, enquanto que na África apenas 19% dos entrevistados são contra. Trata-se de uma questão que provoca uma grande angústia em muitos casais católicos, que dizem ser tratados como fieis de segunda categoria. A questão de permitir que os divorciados que contraíram matrimônio pela segunda vez recebam a sagrada comunhão afetaria milhões de católicos em todo o mundo. Apenas nos Estados Unidos, 25% dos casais católicos acabam pedindo divórcio. Alguns teólogos e clérigos pediram mudanças para facilitar a anulação dos casamentos quando for possível alegar que o matrimônio aconteceu por pressão social ou que não foi plenamente compreendido. Um novo casamento seria então autorizado, em conformidade com as regras da Igreja católica, e se permitiria que o casal recebesse a sagrada comunhão. Outra possibilidade seria o modelo ortodoxo, que permite que alguns divorciados se casem novamente na Igreja e recebam a sagrada comunhão, mas no segundo casamento só seria uma bênção, e não considerada um sacramento.
Fonte: http://www.domtotal.com/noticias/detalhes.php?notId=725482

7 de fev. de 2014

Conselho para os Leigos



Papa Francisco nomeia membros os brasileiros Dom Orani João Tempesta e Dom João Braz de Aviz e consultor Dom Alberto Taveira Corrêa

Roma,

Fonte: Zenit.org)

Cardeal Stanislaw Rylko e Mons. Josef Clemens foram confirmados pelo Papa Francisco, respectivamente presidente e secretário do Pontifício Conselho para os Leigos (PCL).  As nomeações foram feitas nesta quinta-feira, 6 de fevereiro, pelo Papa Francisco.
O Pontifício Conselho para os Leigos tem dois novos membros brasileiros: Cardeal Dom João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e o arcebispo do Rio de Janeiro, recém-nomeado Cardeal Orani João Tempesta.
Foram também nomeados membros: o arcebispo de Viena (Áustria), Christoph Schoborn, o de Milão (Itália), Angelo Scola, o de Nairóbi (Quênia), John Njue, o de Munique (Alemanha), Reinhard Marx, de Manila (Filipinas), Luis Antonio Tagle, o arcebispo Charles Joseph Chaput, de Filadefia (Estados Unidos).
Outros nomeados foram: Dr. Yago de la Cierva (Espanha), Professor de Gestão e Comunicação de Crise da Escola de Comunicações Institucionais Sociais da Pontifícia Universidade da Santa Cruz em Roma, Dra. Irene Egle Laumenskaite, Professora de Pesquisa Religiosa da Universidade de Vilnius (Lituânia), Dr. Fabrice Hadjadj,
diretor do Institut Européen d'Etudes Anthropologiques Philanthropos de Friburgo (Suíça), Dra. Jocelyne Khoueiry, fundadora das Associações Libanaise La Femme du-31 mai e Oui à la vie (Líbano), Dr. Franco Miano, presidente nacional da Ação Católica Italiana, Dra Genevieve Amelie Mathilde Sanze (República Centro-Africano), Representante para a África da Secretaria Internacional para a Economia de Comunhão.
O Papa Francisco nomeou ainda alguns consultores do Pontifício Conselho para os Leigos, entre os quais o arcebispo de Belém (PA), Dom Alberto Taveira Corrêa; e o frei Hans Stapel, O.F.M., Fundador e Presidente da Associação Internacional de Fiéis Família da Esperança.
Outros consultores nomeados: o arcebispo de Taranto (Itália),Filippo Santoro, Anders Arborelius , OCD , bispo de Estocolmo (Suécia), Dominique Rey , Bispo de Fréjus -Toulon (França), Christoph Hegge , Bispo titular de Sicilibba , Auxiliar de Münster (Rep. Federal da Alemanha), o Rev. Arturo Cattaneo, Professor da Faculdade de Direito Canônico de S. Pio X de Veneza (Itália). Consultores também: Dra. Alejandra Keen Von Wuthenau, Superiora Geral da Fraternidade Mariana da Reconciliação (Peru), o Dr. Laurent Landete, Moderador da Comunidade Emanuel (França); Mimmo Muolo, Jornalista do Avenire (Itália), Dra. Marguerite A. Peeters (EUA), Diretora do Instituto Intercultural Dialogue Dynamics (Bélgica), Professora Silvia Recchi (Itália) , Docente de Direito Canônico na Universidade Católica da África Central em Yaoundé (Camarões), Dra Maite Uribe Bilbao (El Salvador ), Diretora Geral da Instituição Teresiana.
(MEM)
(06 de Fevereiro de 2014) © Innovative Media Inc.

30 de jan. de 2014

Mensagem do Papa para o XXII Dia Mundial do Doente




Fé e caridade: «Também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16)
Amados irmãos e irmãs!
1. Por ocasião do XXII Dia Mundial do Doente, que este ano tem como tema Fé e caridade: também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16), dirijo-me de modo particular às pessoas doentes e a quantos lhes prestam assistência e cura. A Igreja reconhece em vós, queridos doentes, uma presença especial de Cristo sofredor. É assim: ao lado, aliás, dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que carrega connosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu à cruz destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua escuridão. Desta forma somos postos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, porque no desígnio de amor de Deus também a noite do sofrimento se abre à luz pascal; e coragem, para enfrentar qualquer adversidade em sua companhia, unidos a Ele.
2. O Filho de Deus feito homem não privou a experiência humana da doença e do sofrimento mas, assumindo-os em si, transformou-os e reduziu-os. Reduzidas porque já não têm a última palavra, que é ao contrário a vida nova em plenitude; transformados, porque em união com Cristo, de negativas podem tornar-se positivas. Jesus é o caminho, e com o seu Espírito podemos segui-lo. Como o Pai doou o Filho por amor, e o Filho se doou a si mesmo pelo mesmo amor, também nós podemos amar os outros como Deus nos amou, dando a vida pelos irmãos. A fé no Deus bom torna-se bondade, a fé em Cristo Crucificado torna-se força para amar até ao fim também os inimigos. A prova da fé autêntica em Cristo é o dom de si, o difundir-se do amor ao próximo, sobretudo por quem não o merece, por quantos sofrem, por quem é marginalizado.
3. Em virtude do Baptismo e da Confirmação somos chamados a conformar-nos com Cristo, Bom Samaritano de todos os sofredores. «Nisto conhecemos o amor: no facto de que Ele deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16). Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cura, levamos a esperança e o sorriso de Deus às contradições do mundo. Quando a dedicação generosa aos demais se torna estilo das nossas acções, damos lugar ao Coração de Cristo e por Ele somos aquecidos, oferecendo assim a nossa contribuição para o advento do Reino de Deus.
4. Para crescer na ternura, na caridade respeitadora e delicada, temos um modelo cristão para o qual dirigir o olhar com segurança. É a Mãe de Jesus e nossa Mãe, atenta à voz de Deus e às necessidades e dificuldades dos seus filhos. Maria, estimulada pela misericórdia divina que nela se faz carne, esquece-se de si mesma e encaminha-se à pressa da Galileia para a Judeia a fim de encontrar e ajudar a sua prima Isabel; intercede junto do seu Filho nas bodas de Caná, quando falta o vinho da festa; leva no seu coração, ao longo da peregrinação da vida, as palavras do velho Simeão que lhe prenunciam uma espada que trespassará a sua alma, e com fortaleza permanece aos pés da Cruz de Jesus. Ela sabe como se percorre este caminho e por isso é a Mãe de todos os doentes e sofredores. A ela podemos recorrer confiantes com devoção filial, certos de que nos assistirá e não nos abandonará. É a Mãe do Crucificado Ressuscitado: permanece ao lado das nossas cruzes e acompanha-nos no caminho rumo à ressurreição e à vida plena.
5. São João, o discípulo que estava com Maria aos pés da Cruz, faz-nos ir às nascentes da fé e da caridade, ao coração de Deus que «é amor» (1 Jo 4, 8.16), e recorda-nos que não podemos amar a Deus se não amarmos os irmãos. Quem está aos pés da Cruz com Maria, aprende a amar como Jesus. A Cruz «é a certeza do amor fiel de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos confere a força para o carregar, entra também na morte para a vencer e nos salvar… A Cruz de Cristo convida-nos também a deixar-nos contagiar por este amor, ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo para quem sofre, para quem tem necessidade de ajuda» (Via-Sacra com os jovens, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 2013).
Confio este XXII Dia Mundial do Doente à intercessão de Maria, para que ajude as pessoas doentes a viver o próprio sofrimento em comunhão com Jesus Cristo, e ampare quantos deles se ocupam. A todos, doentes, agentes no campo da saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica.
Vaticano, 6 de Dezembro de 2013.
FRANCISCO
Finte>  http://www.franciscanos.org.br/?p=51431#sthash.gHxhXaZp.dpuf

12 de jan. de 2014

O Átrio dos Gentios

                                Júlio Lázaro Torma*
                           " Para que o diálogo e a comunicação sejam eficazes e fecundos
                              é necessário estar sintonizados numa mesma freqüência, 
                              em âmbitos de encontros amigáveis e sinceros".
                                                                 ( Papa Bento XVI)
 Por iniciativa do Pontifício Conselho da  Cultura e  do Cardeal Gianfranco Ravasi e com apoio dos Papas Bento XVI e Francisco. A Igreja tem desde 2010, buscado diálogo aberto, amigável e sincero com o mundo, como falava o Papa emérito Bento XVI, ao anúnciar o " Átrio dos Gentios", na qual a " Igreja deveriá abrir uma espécie de Átrio dos Gentios", para dialogar com as diversas formas de pensamentos encontrados na cultura contemporânea.
  O Átrio dos Gentios, remete a uma grande esplanada que cercava o templo de Jerusalém e que foi construido no tempo de Antioco III ( 223-187 a.C), o átrio dos " goyim".
   Segundo as leis da época do Grande Templo, um estrangeiro não poderiá pisar no Templo,pois poderia ser assassinado por ter violado e profanado o Santuário.
   Em 1871, o arqueólogo e orientalista Charles Clermont Ganneau ( 1846-1923), encontrou a seguinte inscrição, advertindo o intrussso pagão:
   " Nenhum estrangeiro pode entrar no interior da balaustrada e da cerca que circundam a esplanada do Templo; seguir-se à a morte de quem for apanhado".
  Nesta esplanada ficava os sacerdotes e rabinos que dialogavam com os estrangeiros que queriam conhecer a Religião Judaica.E neste local Jesus diálogava e ensinava as pessoas que o procurava para escutá-lo.
   Com Jesus, o '' véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo" ( Mt 27,51), o que separava Deus da humanidade se extingue, pois ele está no meio de nós. Ao mesmo tempo em que não há mais distinção entre judeus e gregos, pois todos nós somos um em Cristo ( Rm 10,12; Gl 3,28).
  Desde os primórdios é missão da Igreja dialogar com outras formas de religião, pensamento e culturas( At 2,1-13;17,16-32).
  Pois como escreve Santo Agostinho de Hipona ( 354-430):" Tudo o que é realmente humano não nos será estranho" e " só podemos amar quem realmente conhecemos".Se nós queremos conhecer algo e encontrar saídas para algum problema devemos dialogar, com respeito, compreensão, sinceridade, diante do outro e de ambos os lados, sem revanchismos.
  Nos últimos tempos a Igreja tem organizado diversas iniciativas de diálogo com pessoas crentes ou não crentes, como os ateus, agnósticos, como foi s iniciativa do Cardeal Carlo Maria Martini ( 1927-2012), quando estava a frente da Arquidiocese de Milão o " pórtico dos não crentes", onde escutava e dialogava com pessoas que tinham formas diferentes da sua de pensar.
  O mundo atual avança em segundo e é necessário a Igreja dialogar com os diversos setores, com o mundo da política, das artes, da música, do esporte, do trabalho, da tecnologia;das ciências como a psicologia, medicina, sociologia, filosofia, literatura, com os ateus, agnósticos e os indiferentes, onde não podemos ficar alheios a sua forma de pensar e nem aos avanços das ciências humanas e exatas.
   Há também a necessidade de dialogar com as pessoas que se interrogam sobre Deus e sobre o sentido da vida. Isso implica abrir instâncias de diálogo com a cultura atual.Serve de inspiração a experiência do Pátio dos Gentios.
   A própria fé necessita de diálogo e dinamismo, não só para aprofundar e saber dar razão dela mesma, mas também para fazer-se permeável e depurar-se de toda a rigidez, de todo o fundamentalismo,de toda a posição deduzida e já incapaz de fecundidade pelo espírito.
  Pois ao dialogar, escutar a opinião dos que pensam diferente, não estamos perdendo a nossa identidade, mas sendo de fato Católica= Universal, aberto a todos, e a todas as formas de pensamento, dos homens  mulheres de nosso tempo, que desejam dialogar, com respeito, amizade e sinceridade.
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  * Membro do Colegiado da Pastoral Operária Nacional