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16 de dez. de 2013

Diálogo, Reconciliação........


D.R. JN | Papa Francisco e Patriarca Bartolomeu I

«DIÁLOGO, PERDÃO E RECONCILIAÇÃO» PELA PAZ NO MÉDIO ORIENTE DESTACA FRANCISCO

Papa Francisco enviou mensagem a Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla
Cidade do Vaticano, 30 nov 2013 (Ecclesia) – O Papa Francisco enviou hoje uma mensagem a Bartolomeu I, Patriarca Ecumênico de Constantinopla, onde destaca o «diálogo, perdão e reconciliação» para resolver os conflitos no Médio Oriente, pela festa do apóstolo Santo André, irmão de São Pedro. «Os cristãos do Oriente e do Ocidente devem dar um testemunho comum, para difundir a mensagem da salvação do Evangelho ao mundo inteiro», escreveu Francisco ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla. O Papa destaca o trabalho e caminho ecumênico que em 2014 comemora o 50° aniversário do encontro histórico entre Paulo VI e o Patriarca Ecumênico Atenágoras, em Jerusalém. Na mensagem relembra que «os cristãos são membros de uma mesma família, experimentam a alegria da autêntica fraternidade em Cristo» embora «a plena comunhão ainda não» tenha sido «plenamente atingida». Nesse sentido, é urgente e necessária «uma cooperação eficaz e diligente entre os cristãos pelo direito de manifestarem a fé publicamente» e para que «sejam tratados com igualdade» quando a anunciam «o cristianismo na sociedade e na cultura contemporânea», explicou. Na mensagem a Bartolomeu I o «diálogo, perdão e reconciliação» são apresentados como «meios possíveis para resolver o conflito no Oriente Médio» e a situação de tantas pessoas que sofrem por causa da violência, da guerra, da fome, da pobreza e de desastres naturais. O direito dos cristãos do Médio Oriente permanecerem nos seus países não foi esquecido, por isso, Francisco apela «a rezar pela paz na região» e insiste que «se continue a trabalhar pela reconciliação e o justo reconhecimento dos direitos dos povos». Sobre o martírio do apóstolo Santo André, irmão de São Pedro, a mensagem recorda «todos os cristãos que, no mundo, sofrem por tantas formas de discriminação e, às vezes, até pagam com o próprio sangue o alto preço da sua profissão de fé», revela a Rádio do Vaticano. Na despedida enviou «um abraço fraterno de paz» e reafirmou que pretende «prosseguir as relações fraternas entre a Igreja de Roma e o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla». RV/CB
fonte: http://www.ecclesia.com.br/news/2013/ 

15 de ago. de 2011

Deus mora lá na nossa rua.

Quando dona Cora Coralina, a nossa grande poetisa da vida cotidiana, sugeriu ao presidente da República, que instituísse "O Dia nacional do Vizinho”, em nenhum lugar, havia ainda esta iniciativa. Atualmente, existe o "Dia europeu da Vizinhança”, celebrado no final de maio. A Argentina festeja o seu "Dia de los vecinos” no 11 de junho. O Brasil consagra como Dia dos Vizinhos o 20 de agosto, data do aniversário natalício da inesquecível dona Cora. Esta valorização da vizinhança se torna mais importante, em cidades maiores, nas quais edifícios substituem casas. Ali, embora, frequentemente, as pessoas se encontrem no mesmo elevador, muitas vezes, não se conhecem. Não é o mero fato de morar no apartamento ou na casa ao lado, que torna alguém vizinho. A pessoa pode viver durante anos em um lugar, se queixando da agitação, do calor, da poeira ou da insegurança. Outros têm plena consciência destes problemas e lutam para vencê-los, mas, assim mesmo, casam com a rua ou praça onde moram. Quando pessoas da mesma rua ou do mesmo condomínio pressentem em outras, esta relação vital com o lugar em que moram, aí se fortalece uma proximidade de convivência que é a vizinhança. Para ser bem vivida, esta precisa de uma educação para o diálogo e a convivência entre diferentes. Cora Coralina dizia: "Vizinho é mais do que parente, porque é o primeiro a saber das coisas que acontecem na vida da gente”.
Em tempos anteriores à televisão e aos shoppings, nas cidades do interior, ou em bairros residenciais, toda noite, as pessoas costumavam sentar à porta de casa, para conversar e conviver. Normalmente, a roda de conversa acabava se abrindo também aos vizinhos e vizinhas. Assim, se formavam verdadeiras rodas de discussão, com assuntos como educação de filhos, relacionamentos conjugais e futebol. Hoje, a televisão e a cultura do shopping substituíram estes ritos de convivência, mas não resolvem o problema da solidão dos mais velhos e da futilidade de quem olha o mundo apenas pela janela do consumo descartável.
Há mais de 50 anos, o educador Paulo Freire propôs um método de alfabetização e educação de adultos que partia da vizinhança. Formava círculos de diálogo e cultura entre vizinhos. Ali, as pessoas aprendiam a expressar sua posição sobre a vida e os problemas que enfrentavam. Mesmo perseguido pela ditadura militar, este método de conscientização se espalhou pelo Brasil, por outros países da América Latina e até em Angola e Cabo Verde, na África. Na mesma linha, na segunda metade dos anos 60, em várias regiões do Brasil, homens e mulheres de fé cristã, começaram a se reunir como vizinhos, para orar, ouvir juntos um texto bíblico, conversar sobre problemas da vida e fortalecer a solidariedade mútua. Foi o começo das comunidades eclesiais de base. Mais tarde, várias Igrejas evangélicas organizaram grupos semelhantes, como "Igreja em células” e "Igreja em quadros”, comunidades de convivência e proximidade, instrumentos de comunhão entre as pessoas.
Há mil razões para se valorizar a prática da vizinhança. Quem crê em Deus como Luz e fonte de vida, o contempla, não como alguém exterior a nós e que de fora intervém neste mundo, mas como presença íntima e profunda, no coração de toda pessoa humana, especialmente de quem se abre ao amor, independentemente de sua pertença religiosa. Um teólogo evangélico dizia: "Deus está em mim para você e em você para mim. Eu o encontro em você e, se quiser, você pode encontrá-lo em mim”. Por isso, podemos olhar nossos vizinhos e vizinhas, como sinais da presença divina. Eles são humanos e têm seus defeitos e limitações, mas se os olharmos assim, pouco a pouco, se transformarão, principalmente se perceberem que, de fato, cremos: através deles e no mais íntimo de cada um/uma, Deus mora lá na nossa rua.