1 de jul. de 2013

Crescendo em Oração - Mãos Limpas


"Quando vocês estenderem as mãos em oração, esconderei de vocês os meus olhos; mesmo que multipliquem as suas orações, não as escutarei! As suas mãos estão cheias de sangue!" (Isaías 1:15)
A Bíblia ensina que um dos motivos que impede nossas orações é estar com as mãos sujas de sangue. No contexto do Antigo Testamento havia sangue no sentido literal, guerra, sacrifício com sangue. No Novo Testamento, precisamos entender o que significa.
Sangue representa vida. Ser nenhum permanece vivo tendo seu sangue drenado. Em nossos dias, especialmente na realidade brasileira do século XXI, pouco ou nada manipulamos de sangue, pelo menos a maioria de nós. Compramos carne no açougue, não matamos o animal. Não estamos em guerras territoriais ou militares, não estamos nos sujando de sangue humano neste sentido.
MAS, somos responsáveis pela vida dos que nos cercam, principalmente no sentido espiritual e de eternidade. Quando permitimos que nosso egoísmo e senso de conforto supere o amor pelo próximo, ao invés de compartilhar com ele nossa fé nós ignoramos ou nos tornamos indiferentes. O maior inimigo do amor não é o ódio, mas a indiferença casada com o egoísmo. Portanto, no sentido da Nova Aliança, podemos estar com as mãos cheias de sangue inocente. Basta negligenciarmos a vida de nossos parentes, amigos, vizinhos, colegas. Basta que apresentemos desculpas ao invés de apresentar resultados.
Não sou partidário de que devamos todos ser evangelistas do tipo que sai na rua, que bate nas portas, que prega nas praças. Para alguns, sim. Mas nossa VIDA deve pregar mais que nossas palavras. Nem por isso devemos nos calar. TUDO em nós deve testificar de nossa fé, da vida de Jesus em nós. Se nos é pesado falar, se não temos coragem, se temos vergonha...
Será que não é essa mão suja que impede nossas orações? Será que não é esse sangue que suja nossas mãos? No mínimo, mas no mínimo, a reflexão é merecida e apropriada.
"Senhor, me perdoe a indiferença, o conforto pernicioso, o egoísmo. Muda meu caráter e me faz sentir compaixão, me importar com meu próximo. Limpa minhas mãos para minha oração ser ouvida."
Mário Fernandez

28 de jun. de 2013

Filme sobre Frei Galvão

 
Rio de Janeiro (Sexta-feira, 28-06-2013, As palavras do provincial dos Franciscanos de São Paulo, Frei Augusto Koenig, na época, referindo-se à canonização de Frei Galvão, realizada pelo Papa Emérito Bento XVI, remetem à ideia do que o filme "Frei Galvão: o Arquiteto da Luz" pretende mostrar aos fiéis durante a realização da Jornada Mundial da Juventude:galvao_sao.jpg
"Não basta bater palmas por termos o primeiro Santo brasileiro. É preciso imitar suas virtudes, ser missionário como ele o foi, ter amor aos pobres como ele o teve, ser pacificador, defender a justiça e salvaguardar a vida", disse Frei Augusto, em 2007.
O longa metragem baseado na vida e história de Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, mais conhecido como Frei Galvão, tem o intuito de divulgar aos jovens da JMJ os milagres realizados pelo primeiro santo brasileiro, além de sua contribuição na construção do Mosteiro da Luz, em São Paulo.
Durante o filme, entrevistas, depoimentos e informações relatarão casos que marcaram a vida do frei franciscano, como, por exemplo, sua devoção à Virgem Maria e Santa Ana.
Músicas interpretadas pelos Monges Beneditinos do Mosteiro da Ressurreição, do Paraná, também estarão presentes nesta obra de evangelização.
A pré-estréia está marcada para este sábado, 29, as 18h, no Terraço do Museu da Favela (MUF), localizado no Morro do Cantagalo, em Ipanema. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até esta sexta-feira, 28. (LMI)
fonte:http://www.gaudiumpress.org/content/48123-Filme-sobre-Frei-Galvao-tera-pre-estreia-neste-sabado

23 de jun. de 2013

Somos Passivos?


                                     Júlio Lázaro Torma*
   O Filósofo e pedagogo Ivan Illich( 1926-2002), escrevia que " quem vive no silêncio é ingovernável".
   Nos últimos dias estamos vivendo em nosso país uma onda de protestos de norte a sul.
   Onda esta que teve como estopim o abusivo preço das tarifas e a precarização do transporte coletivo nas regiões metropolitanas do sudeste.E que chegou nas cidades do interior ao Brasil profundo, onde o povo vivia conformado com a situação em que vive.
    Diante da onda de protestos que sacode o país podemos elencar os povos indígenas e quilombolas que após 513 anos tapados e esquecidos,se levantam com garra para se apropriarem do que realmente lhes pertence de suas terras que foram roubadas pelo estado e entregue para famílias tradicionais e grileiras que se adonaram de várias hectares que realmente pertencem de fato e de direito aos povos originários.
   Os fatos que nós estamos vivendo e que o mundo inteiro olha admirado.Tem mostrado a outra face oculta,acoberta da sobre o povo brasileiro diferente daquela vendida pelas ellites e pelos sucessivos governos.
   De que o Brasil é a terra da " putaria", da " patifaria",do que tudo é permitido.Um povo pacífico, que curte sol,praia, futebol e carnaval, que leva tudo na brincadeira,gozação.Onde os políticos, latifundiários,empresários,banqueiros fazem e acontece e tudo fica numa boa.
   Mas se olharmos para  o povo brasileiro temos visto que o brasileiro não é um povo pacífico,passivo,trouxa,mané,como é a imagem vendida lá fora e colocada para os filhos da " Pátria amada Brasil", da " Mãe gentil",pela mídia, pela burguesia nacional, transnacional e as forças repressivas do estado.
   Ao longo da História oficial da chegada de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, naquela manhã de  1500, até agora a história de Pindorama foi uma história de resistência dos povos indígenas,quilombolas,escravos,mulheres e dos pobres das cidades e do campo á violência estatal.
  Onde ao longo da História Oficial que reprimiu e escondeu os indesejáveis, tivemos as lutas de resistência silenciosa dos povos originários e tradicionais.
    Povos estes que foram massacra dos como os Sete Povos das Missões, Palmares,Balaiada, Muckers, Canudos, Contestados, Monges Barbudos, as lutas dos escravos africanos por libertação,revolta dos três vintém,lutas operárias,revolta da Chibata, Coluna Prestes, revolta da vacina, as ligas camponesas, a luta da legalidade, resistência a ditadura militar ( 1964-1985), as greves do ABC, a retoma da da luta pela terra em Encruzilhada do Natalino e Fazenda Annoni ( RS), o processo de redemocratização do país.
   Se a luta do povo nestes cinco séculos foram de reivindicativas,a repressão estatal foi muita mais violenta e cruel em cima da população carente e descontente que não tem acesso aos seus direitos básicos.
   Quantas vezes olhamos os nossos direitos sendo rasgados e pisoteados pelas elites e nos esquecemos que estes direitos foram frutos de muita luta ,que muito sangue, suor e lágrimas foram derramados e que isso não é fruto da bondade da burguesia nacional e transnacional.
   O povo brasileiro não é trouxa e nem passivo, termo usado muitas vezes de maneira pejorativa em relação aos pacíficos.
   Mas é um povo ativo que vai a luta em busca de seus direitos que não tem mais medo,assim como nunca teve.
   Um povo que ao longo destes cinco séculos de silêncio tem demonstrado que ao mesmo tempo tem garra, valentia para trabalhar,lutar e resistir a violência dos aparelhos da burguesia.
   Pois o estado deve estar a serviço do cidadão e não o cidadão submisso e curvado diante de um estado servil aos interesses da burguesia nacional e transnacional.
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  * Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas/ RS

16 de jun. de 2013

A Morte de Deus

por Breno Bastos

Gradativamente, e de modo cada vez mais nítido a partir do renascimento, grandes mentes se mostram ao mundo propondo alternativas de construção de ética e cosmovisão. Passamos pelo ceticismo de Charron, conhecemos o epicurista Gassendi, desembocamos em Espinosa. Um século depois, desembocamos no impiedoso mundo dos iluministas, com Holbach, Sade e Feuerbach. E finalmente, algum tempo depois, o terremoto Nietzsche. Deus estava morrendo. 

Todos certamente conhecem a expressão segundo a qual deus está morto. Ela reside nas fantasias de qualquer estudante de filosofia, assim como a Alegoria da Caverna. Mas aprofunde os mais. De que modo deus morreu? Através da queda do poderia do Vaticano? Ou seria pelas alterações profundas pelas quais a sociedade sofreu e que culminou com um filósofo alemão ateu?

15 de jun. de 2013

Relacionamentos Saudáveis e a Honestidade

"Mantém longe de mim a falsidade e a mentira; Não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário." (Provérbios 30:8)
Outro aspecto essencial para relacionamentos minimamente saudáveis é a franqueza, ou honestidade como alguns preferem chamar. Conheço pessoas que parecem uma nota de 3 reais - basta olhar e vemos que é falso. Isso fere frontalmente os relacionamentos e dificulta a convivência.
O principal a respeito da falsidade e da mentira é que torna impossível desenvolver uma confiança profunda, que é um dos pilares fundamentais do relacionamento humano com intimidade. Sem confiança os relacionamentos se mantém razos, superficiais, para dizer o mínimo. Se uma pessoa mente de vez em quando ou mente compulsivamente sem parar, do ponto de vista dos relacionamentos faz pouca diferença. Credibilidade se contrói com transparência, com idoneidade, com bom testemunho, com clareza, com sinceridade - e ainda assim nem sempre funciona.
Tem outro aspecto que literalmente inferniza os relacionamento a respeito da mentira e que deve ser lembrado, pois nos foi ensinado diretamente pelo Senhor Jesus Cristo: João 8:44 diz que o criador, o fabricante, o inventor, o pai da mentira é o diabo. Diz também que ao mentir fazemos por agradá-lo, portanto invariavelmente isso não abençoa.
Se de fato queremos ter bons relacionamentos, amizades autênticas, relações de discipulado e liderança maduras, se queremos ter casamentos e famílias com relacionamentos sólidos, precisamos de algo que chamamos onde congrego de "coração de vidro". Devemos ser transparentemente verdadeiros, mesmo que isso nos exponha um pouco. É melhor que algumas de nossas fraquezas e imperfeições apareçam do que termos debilidade de relacionamentos. É muito triste estar só.
Cabe-nos investir em relacionamentos saudáveis, fugindo da mentira e da falsidade.
"Senhor, tira de mim toda e qualquer intenção íntima de ferir a verdade. Quero ser íntegro e verdadeiro, amando as pessoas pelo que elas são. Ajuda-me Pai, ou nunca terei relacionamentos saudáveis."
Mário Fernandez

14 de jun. de 2013

Jesus e a Prostituta

                                            Júlio Lázaro Torma*
                                                          " Seus numerosos pecados lhe foram perdoados,porque ela tem demostrado muito amor"
                                                                                        ( Lc 7,47)
   O Evangelista Lucas neste final de semana nos fala de mulheres.Ele é o que mais tem valorizado a mulher na vida de Jesus  e das comunidades. Os seus leitores e ouvintes são os cristãos de origem helênica.
   Jesus está sempre a caminho, quando recebe o convite para ir almoçar em casa de um fariseu notável do lugar.
    Neste ínterim chega uma moça anônima que o evangelho não cita o nome, que tinha uma má fama no lugar,era conhecida como prostituta uma pecadora pública.
    Ele estava deitado sobre a mesa almoçando quando ela lava os seus pés com perfume e os seca com os cabelos.Era costume na cultura semita o dono da casa lavar os pés do convidado, era o motivo de acolher e servir aquele que o visitava.
   O Fariseu Simão homem importante e honrado da localidade se esquece de acolher e servir Jesus.
   A mulher de cabelos soltos era um sinal de independência e de insubordinação a autoridade do homem.
   Era um sinal de que a mulher não era submissa e de rebeldia ante ao patriarcalismo e o machismo da sociedade de seu tempo.
   A mulher era desprezada por ser prostituta, mas não era criticado as causas que a jogavam na prostituição, nesta cruel situação de pecado em que fora submetida.
  Elas eram estigmatizadas e desprezadas pela sociedade que viam nelas como criminosas e culpadas pela situação em que viviam e tinham que ficar longe das pessoas de bem, honradas e honestas.
   Mas Jesus como é de seu feitiou, inverte a situação e seus destinatários o que provoca a reação dos fariseus,saduceus,povo e até de João Batista em relação a ele ( Lc 7,19-23).
   Diferente dos fariseus e os chamados honestos que se achavam os melhores do povo,sem pecado porque cumpre as leis,os preceitos religiosos.Os " publicanos e as meretrizes vos procedem no Reino de Deus"( MT 21,31).
   Eles e elas vão entrar no Reino de Deus porque eles tem fé, amor e se arrependem do mal em que eles tem causados as pessoas que estão ao seu redor.
   Muitas vezes condenamos as prostitutas, mas não condenamos o sistema que as joga,escraviza e destrói o seu corpo e as psicologicamente . Que faz com que o seu corpo seja usado como mero objeto e meras mercadorias.
  Onde são obrigadas a fazerem coisas contra a sua vontade, muitas vezes caem na prostituição enganadas e iludidas por falsas promessas de uma vida melhor, de sair das situações de pobreza e miséria. Onde iludidas sofrem o trafico humano em outros países e no próprio território nacional.
  O tráfico humano, a prostituição de mulheres, homens, crianças e adolescentes e agora também idosos, que são submetidos a esta prática, que tem destruído estas pobres vidas e enriquecido os empresários do sexo.
  Que as submetem no turismo sexual, na pornografia,pedofilia e uso de filmes pornograficos. Onde a prostituição e o trafico humano, que junto com o tráfico de drogas e armas tem aquecido e salvado o capitalismo mundial da atual crise em que este sistema está passando.
  Pois como fala um empresário do sexo, " droga,arma, você vende uma vez e a mulher tu podes comercializar varias vezes até ela ficar louca e se matar".Quando elas não tem mais valor para os seus lucrativos negócios eles as executam e falam que elas se mataram.
    Quantos que condenam estas mulheres, que as usam e praticam coisas piores e não se arrependem de seu mal,do seu pecado e passam por pessoas respeitáveis na sociedade e na igreja.Muitas vezes falam mal das prostitutas, mas praticam de forma escondida, passando de profissionais competentes em seus trabalhos. 
  Usam suas empresas de fachadas para fazer lavagem do dinheiro da prostituição;defendem a maioridade penal e a regularização da prostituição para jogarem mais pessoas e menores de idade nesta rede.
  " As prostitutas últimas da sociedade, são as primeiras a entrar no céu";pois elas em seu sofrimento são as que com fé e amor acolhem Jesus.Jesus não as condena, mas a acolhe e as valoriza sem fazer distinção, as olha como seres humanos que merece o nosso respeito.
  Somos chamados como comunidades a acolher a todos sem distinção, sem condenar e ver estas tristes vitimas da prostituição com amor,estar aberto a elas. A denunciar toda a forma de trafico humano e turismo sexual, fazer com que elas encontrem e a dignidade e reconstroem a sua vida.
  O Evangelista Lucas, nos mostra o papel das mulheres na comunidade de Jesus, onde elas também são protagonistas da mensagem de Jesus. Pois sem a participação decidida da mulher a Igreja não vai para frente.
                       Bom Final de  Semana e boas meditações.
                           Lc 7,36-8,3
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  * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária do Brasil

8 de jun. de 2013

Juventude chamada a viver

                       Júlio Lázaro Torma*
                       " Jovem, eu te ordeno, levanta-te!"
                                                     ( Lc 7,14)
  Neste final de semana em nossas comunidades cristãs, somos chamados a ler, escutar, meditar e rezar o Evangelho de Lucas sobre o Filho da Viúva de Naim.
  O episódio do filho de uma viúva de Naim é um fato inédito só encontrado no evangelho de Lucas.
  A ressurreição do jovem acontece no povoado de Naim, próximo a Nazaré,onde Jesus estando caminhando entra no povoado. No caminho se encontram dois cortejos, duas procissões, a de Jesus ( vida),seguido pelos seus discípulos e o povo.
  Do outro lado um fúnebre que seguia para fora da cidade,para enterrar um jovem filho único de uma viúva,neste cortejo dos sem esperança, sem vida;seguia a mãe,parentes e vizinhos.
  A viúva era marginalizada na sociedade de seu tempo, morto o marido, era responsabilidade dos filhos cuidar da mãe.A mulher de Naim após passar por duras penas e sofrimento de carácter sócio-econômico, como ser excluída por ser mulher e viúva, agora tem o seu único filho morto em seus braços e terá que leva-lo a sepultura.
  A pobre mulher agora está abandonada a própria sorte, sem ter ninguém que á cuide.Ela está condenada a marginalização e á viver mendigando,dependendo da boa vontade de seus vizinhos.
  Jesus vê o cortejo e o sofrimento da pobre mãe do rapaz e a socorre como fez o outrora profeta Elias em casa da viúva de Serepta de Sidon ( IRs 17,7-24).Onde o profeta dá vida ao filho da pobre viúva.
  Onde o gesto de Jesus, nos lembra que Deus " escuta o clamor e vê o sofrimento do povo"( Ex 3,7) e que é " o pai dos órfãos e o protetor das viúvas"( Sl 68,6).
  Jesus quebra as regras ao tocar no rapaz morto, pois ao tocar num cadáver era considerado impuro ( Nm 19,11.16).
  Jesus vai ao encontro do cortejo dos sem esperança e dos sem vida, se envolve nos dramas humanos e dá vida aquele jovem e aquela mãe que sofre diante da morte prematura de seu único rebento.
  Estamos vivendo em nossa época um extermínio diário da nossa juventude que é vitima dos planos sinistros de morte dos dragões da sociedade e do sistema capitalista mundial.
  Sistema esse que mata milhares de jovens através do consumismo desenfreado, da drogadição, da precarização do mundo do trabalho.
  Da falta de perspectiva de vida em que leva muitos jovens a caminho sem volta, como a criminalidade, onde eles são usados como máquinas para matar e serem mortos.
  Se fala em redução da idade penal, discurso perigoso, na qual nada é do que jogar menores no precário sistema prisional que não ressocializa ninguém e que fara com que aumente cada fez mais os soldados do exercito de reserva do narcotráfico internacional.
  Redução da idade penal é a desculpa das elites para acobertar e desviar a atenção popular diante de sua irresponsabilidade,pela execução de um modelo fracassado de sociedade que não incluí os milhares de condenados a exclusão social,que é em sua maioria negros e pobres de nossas periferias.
  Hoje vemos mães que " gritando qual loucas/ Antes que fiquem tão roucas/digam aonde acharão seus filhos mortos,levados na noite da tirania" , condenados a uma não vida,choram qual roucas e não são escutadas em sua dor ( Lm 1,12.16).
  Jesus manda o jovem " levantar", " ressuscitar", dar a vida.Ele a fonte de vida,da vida e esperança,vai ao encontro daquele que sofre e que não tem mais esperanças.
  Como cristãos e cristãs, discípulo/as e missionários/as, devemos ir ao encontro daqueles que sofrem,da juventude que está como ossos secos ( Ez 37,1-14), sem perspectiva de vida e que nos grita a dura realidade de sua dor e de suas famílias, devemos exigir dos poderes públicos serviçais dos interesses do capital financeiro internacional, políticas públicas para a juventude,para que esta tenha de fato uma vida digna.
  Pois só assim nós cristãos e cristãs seremos de fato sinais da presença viva e amorosa de Deus em nosso meio.
      Bom Final de semana e Boas meditações
                      Lc 7,11-17
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   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

5 de jun. de 2013

A atualidade do espírito de São Francisco

Pelo fato de o atual Papa ter escolhido o nome de Francisco, muitos voltaram a se interessar por esta figura singular, talvez uma das mais luminosas que o  Cristianismo e o próprio Ocidente já produziram: Francisco de Assis. Há quem o chame de o "ultimo  cristão” ou o "primeiro depois do Único” quer dizer, de Jesus Cristo. 

2 de jun. de 2013

A infecundidade de um cristianismo insosso

Acabo de fazer contato com um amigo meu, com o qual não me comunicava há um bom tempo. Este amigo
 trabalhava para uma congregação religiosa. Na sua resposta me comunicou que estava de aviso prévio e 
que seria demitido do seu trabalho. Ao narrar a sua demissão meu amigo dizia-se decepcionado não tanto porque iria ficar sem o emprego, mas pela forma como foi demitido. Ele estranhou que, após anos de dedicação e de doação, fosse dispensado de maneira tão fria e tão formal, sem explicações e sem uma palavra de ânimo e de gratidão pelos serviços prestados.
leia mais: em Kairoscotidianoteologia..blogspot.com.

Que é arte?



Frei Betto
Fontw: Adital
Sabemos, hoje, reconhecer uma obra de arte? O que conta mais, a fama do artista ou a qualidade da obra? Quem decide o valor de uma obra, o prestígio alcançado por ela na mídia ou seus atributos estéticos?
O jornal Washington Post decidiu testar gosto e cultura artísticos do público. Levou um violinista para uma estação de metrô da capital dos EUA. Durante 45 minutos, ele tocou Partita para violino no. 2 de Bach; Ave Maria de Schubert; e peças de Manuel Ponce, Massenet e, de novo, Bach.
Eram oito horas de uma manhã fria. Milhares de pessoas circulavam pelo metrô. Quatro minutos após iniciar o concerto subterrâneo, o músico viu cair a seus pés seu primeiro dólar, atirado por uma mulher que não parou. Quem mais lhe deu atenção foi um menino que teria entre três e quatro anos de idade. Porém, a mãe o arrastou, embora ele mantivesse o rosto virado para o violinista enquanto se distanciava.
Durante todo o tempo do concerto improvisado, apenas sete pessoas pararam um instante para escutar. Cerca de vinte jogaram dinheiro sem deter o passo. Ao todo, trinta e dois dólares e dezessete centavos no pote a seus pés. Quando cessou a música, ninguém aplaudiu.
O músico era o estadunidense Joshua Bell que, dois dias antes, havia dado um concerto no Teatro de Boston, lotado de apreciadores que pagaram US$ 100 por um ingresso. Seu violino era um Stradivarius fabricado em 1713 e adquirido por quase US$ 4 milhões. Bell é professor no Massachusetts Institute Technology e na Royal Academy of Music de Londres.
Bell fez, em solo, a trilha sonora dos filmes O violino vermelho, que mereceu o Oscar, e Mulheres de lavanda. Sua primeira gravação, em 2003, pela Sony Classical, foi Romance of the violin, que vendeu 5 milhões de cópias.
Bell é um músico de prestígio internacional. No entanto, nessa sociedade neoliberal hegemonizada pelo paradigma do mercado, ele era um "produto” colocado na prateleira errada. Estava no metrô. Como se o fato de estar em local público tornasse sua música de menos qualidade. Estivesse um músico medíocre no palco do Teatro de Boston com certeza teria sido ovacionado.
Fica uma pergunta: temos prestado atenção na qualidade das coisas? Ou nossas cabeças são feitas pela mídia estimuladora do consumismo, que nos impõe gato por lebre?
Van Gogh jamais vendeu uma tela enquanto viveu, exceto a que seu irmão Theo, que era marchand, comprou na tentativa de ajudá-lo. Sem dinheiro para pagar o médico, o pintor presenteou-o com a tela Rapaz de quepe. O doutor, do alto de seu preconceito elitista, considerou que nada de valor poderia sair dos pincéis de um louco... Aproveitou o quadro para tapar um buraco no galinheiro de sua casa... Há pouco esta tela foi vendida por US$ 15 milhões!


[Frei Betto é escritor, autor do romance "Aldeia do Silêncio” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
Copyright 2013 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Se desejar, faça uma assinatura de todos os artigos do escritor. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)].

1 de jun. de 2013

Emissões da União Europeia caíram 3,3% em 2011

29/05/2013   -   Autor: Fabiano Ávila   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasil


A Agência Europeia de Meio Ambiente (EEA) divulgou nesta quarta-feira (29) o inventário de emissões de gases do efeito estufa da União Europeia (UE) referente ao ano de 2011. O documento aponta a liberação de 4,55 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) nos 27 países-membros do bloco, uma queda de 3,3% com relação a 2010.
Vale destacar que a EEA não contabilizou as emissões resultantes de atividades do uso da terra, mudança no uso da terra e florestas (LULUCF).
De acordo com a agência, houve o corte de 1,024 bilhão de CO2e entre as emissões de 1990 e 2011, o que representa uma redução de 18,4%. Isso significa que o bloco já está muito próximo da meta de 20%  esperada para 2020. 
“As emissões caírem é uma boa notícia, mas isso aconteceu principalmente por causa do inverno ameno. Entretanto, a UE está progredindo em direção à sua meta”, explicou Jacqueline McGlade, diretora executiva da EEA.
A diretora disse ainda que o uso de combustíveis fósseis tem aumentado.
“Percebemos um crescimento no consumo de combustíveis intensivos em carbono, como o carvão, enquanto a produção hidroelétrica e de gás tem diminuído. Se a Europa pretende fazer a transição para uma sociedade de baixo carbono, é preciso investimentos constantes em tecnologia e inovação.”
Dados de 2012
Além dos números da EEA, também foram apresentados nesta semana as novas estimativas preliminares da agência de estatística da União Europeia (Eurostat) referentes às emissões resultantes do uso de energia no bloco em 2012.
A Eurostat aponta uma queda de 2,1% nas emissões, porém com alguns países registrando um crescimento.
Malta apresenta o maior aumento, 6,3%, mas os grandes destaques negativos são a Alemanha, com 0,9%, e, principalmente, o Reino Unido, 3,9%.
No total, o Reino Unido teria liberado para a atmosfera quase 472 milhões de toneladas de GEEs, enquanto os alemães, os maiores emissores europeus, 728 milhões de toneladas.
As maiores quedas nas emissões foram percebidas na Bélgica e na Finlândia, 11,8%, e na Suécia, 10,1%.
Os números da Eurostat estão alinhados com informações passadas pela Comissão Europeia (CE) no último dia 16, quando a entidade afirmou que houve uma queda de 2% nas emissões dos setores sob o EU ETS.

31 de mai. de 2013

Trabalho infantil não precisa ser hereditário

Por Fernanda Sucupira e Leonardo Sakamoto
 BRASÍLIA – Trabalhei cedo e isso moldou meu caráter. A frase é repetida à exaustão quando se critica o trabalho infantil no Brasil. Compreensível, uma vez que muita gente sente que sua experiência de superação é bonita o suficiente para ser copiada pelos filhos. Mas será que os defensores do trabalho infantil não percebem que ele não precisa ser hereditário?
Para fortalecer essa discussão foi lançado, na última semana em Brasília, o relatório “Brasil Livre de Trabalho Infantil: o debate sobre as estratégias para eliminar a exploração de crianças e adolescentes”. É um levantamento detalhado da ONG Repórter Brasil. O documento foi apresentado à Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos.
Passado um primeiro momento de arrancada na prevenção e eliminação do trabalho infantil no Brasil, do início da década de 90 até meados dos anos 2000, o país enfrenta um novo desafio para manter o ritmo de queda. Enquanto a primeira fase foi marcada pela retirada de crianças e adolescentes das cadeias formais de trabalho, a questão atual são as piores formas de trabalho, que o poder público tem mais dificuldade de alcançar.
Ações como o Bolsa Família contribuem para manter a criança na escola. Mas não são suficientes. Muito menos garantem o interesse dos alunos na sua própria formação. Não raro eles fazem um cálculo que lhes parece racional, deixando uma escola que, a seu ver, não os levará a lugar nenhum porque não considera sua realidade, não foi pensada para suas necessidades, com professores desmotivados e despreparados a fim de tentar a sorte em um emprego incerto atrás do “sonho brasileiro”. Buscam o curto prazo, pois é nele que está a sua sobrevivência e a de sua família, mas também porque o sistema educacional e, neste caso, o Estado não consegue lhe mostrar algo além do horizonte. Isso quando não optam pelos convites sedutores da criminalidade. Nesses casos, é viver a vida louca, porque sabem que não existirá longo prazo para eles.
De acordo com o Censo de 2010, 3,4 milhões de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos estavam trabalhando. De 2000 a 2010, a redução foi de 13,4%, mas a ocorrência do problema chegou a aumentar 1,5% entre crianças de 10 a 13 anos, justamente na faixa etária mais vulnerável dessa população, para a qual todo tipo de trabalho é proibido.
Entre as atividades mais complicadas de se debelar estão o trabalho infantil doméstico, nos lixões, na agricultura familiar, no comércio informal urbano, na produção familiar dentro do próprio domicílio, na exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, no narcotráfico. Nesses casos, muitas vezes há uma ambiguidade entre o trabalho infantil e o local de vivência das crianças ou há relação com atividades ilícitas, o que torna o enfrentamento mais complexo.
O Censo de 2010 mostrou um quadro diferente daquele que se observava nos anos 1990. Os dados apontam que quase 40% das pessoas com menos de 18 anos em situação de trabalho não estão em famílias que vivem abaixo da linha de pobreza.
Se antes a pobreza era um dos determinantes do trabalho infantil, hoje essa relação ficou menos direta. Há uma parcela de adolescentes que não trabalha para garantir a sobrevivência de suas famílias, mas para obter bens de consumo, como tênis e roupas de marca. São aspirações materiais que nem suas famílias nem os programas de transferência de renda podem satisfazer. Eles entram no mercado de trabalho, muitas vezes em empregos precários e informais, em busca de inclusão social, autonomia e independência econômica.
Entrar muito cedo e de forma precária no mercado de trabalho pode atrapalhar o desenvolvimento da criança e do adolescente. Há movimentações no Congresso Nacional para diminuir a idade mínima legal para se trabalhar no país como alternativa à “criminalidade”. Ao invés disso, deveríamos estar lutando por uma educação que prepare crianças e adolescentes para serem protagonistas de suas próprias histórias e não peças de reposição.
Texto originalmente publicado na Revista Amanhã, do jornal O Globo

O Pão da Partilha e do Amor

                          Júlio Lázaro Torma*
                            " Isto é o meu corpo, que é entregue por vós,
                              fazei isto em memória de mim"
                                                    ( I Cor 11,24)
  Nesta Quinta-feira estamos celebrando a Festa de Corpus Christi, a festa do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, a última grande festa cristológica do nosso calendário litúrgico.
  Ao celebrar a Eucaristia e chegar junto a Mesa da Eucaristia, sempre me vem em mente a seguinte pergunta, " o que é a Eucaristia?", É sacrifício ou é uma festa?, fomos catequizados desde pequenos como se a Eucaristia fosse um sacrifício, um ato de dor e de sofrimento.
  O Apóstolo Paulo nos fala em ação de graças, onde  " recomendo que façam súplicas,orações e ações de graças por todos os homens"( I Tm 2,1) e Santo Irineu de Lyon ( 130-202), exortava, " A maneira como nós cristãos, não sermos estéril é oferecer a Deus a nossa ação de graças".
  Ao participarmos da Eucaristia nós fazemos o " reconhecimento", " memória" e " ação de graças" pela vida de Jesus Cristo e participamos de sua vida desde a sua anunciação ao seu sacrifício no monte Calvário, onde como doce cordeiro foi imolado por cada um de nós e a sua gloriosa ressurreição.
  Pois ao comungarmos o Corpo e o Sangue de Cristo estamos participando de sua vida e aderindo ao seu programa de vida e vivendo os seus idéias.
  Comungarmos o pão e o vinho, o pão é o alimento e o vinho é a festa ( alegria), a Missa é a Festa, momento de nos alegrarmos de dar ação de graças, como canta o salmista, " Que alegria quando me vieram dizer:" Vamos a casa do Senhor"( Sl 121(122),1), que alegres vamos nos aproximar da mesa da Eucaristia, onde o Senhor se doa a nós e nos encontramos como irmãos e irmãs.
  No Evangelho Lucas nos fala da multiplicação dos pães, onde Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães.Fato este narrado duas vezes por Mateus, uma vez por Marcos e João; este milagre é o único referido pelos quatro evangelistas.
  Para Lucas Jesus é o novo Elias, que necessário incluí o trabalho de Eliseu que alimentou cem homens com vinte pães de cevada ( II Rs 4,42-44).
  Aqui Jesus manda os discípulos distribuir a multidão ( Lc 9,11) e Eliseu manda seu discípulo repartir e sobrou 12 cestos para a multidão,para as 12 tribos de Israel,para todas as pessoas.
  Lucas nos lembra que Jesus é o " Filho de Deus",pela boca de Pedro ( Lc 9,20), e nos fala do gesto Eucarístico do Ressuscitado,ao " tomar os cinco pães e os dois peixes,levando os olhos aos céus,abençoou-os,partiu e deu aos discípulos que servem o povo"( Lc 9,16),onde ele pensa nos discípulos de Emaús," o dia começa a declinar"( Lc 9,12),onde os discípulos o reconhecem na partilha do pão( Lc 21,31).Onde Lucas pensa na Eucaristia,mas se esquece dos peixes que estão lá, no inicio da celebração ( Raymond Gravel).
  Nós cristãos não lembramos a morte de Jesus, mas ela tem um significado grande da Páscoa da Ressurreição que celebramos na Eucaristia," Assim sempre que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembramos a morte do Senhor, até que venha"( I Cor 11,27).
  O pão é o alimento e o vinho a festa, aqui o sangue derramado ou seja a vida de todos aqueles que são memória.Cristo não morreu, Ele Vive, está Ressuscitado.
  Podemos receber o Cristo nos esquecendo do maior gesto de amor que ele nos deu na Cruz do Calvário, " Ninguém tem maior amor do que doar a vida pelos seus irmãos"( Jo 15,13).
  Para Lucas o discípulo deve fazer aquilo que Jesus fez e viveu, ir ao encontro dos sofredores, ver no outro o outro eu, partilhar o pão e curar as enfermidades, dar saúde aos doentes, como fez Jesus ao comungar faço parte de sua vida.
  Jesus não deve ser escondido o Pão da Eucaristia deve ser repartido o pão do amor.
  Santo Agostinho ( 354-430), nos exorta:" Torne-se o que você tem", temos o Cristo Eucarístico, sejamos como Ele,tenhamos os mesmos sentimentos e gestos que o moveram só assim estaremos vivendo de fato a vida de Jesus até a sua volta e sendo sinal de sua presença no mundo.
      Bom Feriado e boas meditações: Lc 9, 11b-17
Membro da equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas/ RS

30 de mai. de 2013

Ungida Pelo Espirito......

Queridos, Ungida pelo Espírito Santo de Deus , me perdoem mas  preciso passar esta linda mensagem eu que nada sou, nada serei ,nada tenho, pois sou pecadora, muito pecadora, mas tenho Deus dentro de meu pequeno coração e, neste momento eu vos falo humildemente nos Entreguemos de corpo e alma a ELE que nos perdoa , nos apoia, nos abençoa sempre ,mesmo quando, erro muito,erramos, mas Ele Tudo sabe de nós. Por isso,queridos,Creiam, Confiem ,Aguardem como estou fazendo, TUDO É PERMITIDO, TUDO É POSSÍVEL, QUANDO ELE PERMITE ,NO SEU TEMPO , entreguemos serenamente , sem cobrar Nada de Deus, pois por vc ,por mim, pelo universo conhecido e desconhecido, TUDO ELE FARÁ, PARA NOS FAZER FELIZES E NOS ALEGRAR,COM SUA PERMISSÃO, P ELE NADA É IMPOSSÍVEL. Me perdoem , mas precisei compartilhar com todos , obrigada ,simplesmente, Fatinha Aló. Um lindo e abençoado dia!!!!!!!!!!!!

29 de mai. de 2013

Partido e Democracia interna

Frei Betto
"Quem diz organização, diz tendência para a oligarquia. Em cada organização, quer se trate de um partido, de uma união de ofícios etc., a tendência aristocrática manifesta-se de forma bastante pronunciada. O mecanismo da organização, ao mesmo tempo que dá a esta uma estrutura sólida, provoca graves modificações na base organizada. Inverte completamente as respectivas posições dos chefes e das bases. A organização tem como efeito dividir todo partido ou sindicato numa minoria dirigente e numa maioria dirigida.

"Quanto mais o aparelho de uma organização se complica, isto é, quanto mais vê aumentar o número de seus filiados, seus recursos crescerem e sua imprensa desenvolver-se, mais terreno perde o poder diretamente exercido pela base, suplantado pelo crescente poder das comissões.

"Teoricamente o chefe não é mais do que um empregado, submisso às instruções que recebe da base. Sua função consiste em receber e executar as ordens desta última, do qual ele é apenas um órgão executivo.
"Mas, na realidade, à medida que a organização se desenvolve, o direito de controle reconhecido às bases torna-se cada vez mais ilusório. Os filiados têm de renunciar à pretensão de dirigir ou mesmo supervisionar todos os assuntos administrativos.
"É assim que a esfera do controle democrático se retrai progressivamente, para, afinal, ficar reduzida a um mínimo insignificante. Em todos os partidos socialistas, o número de funções retiradas das assembleias eleitorais e transferidas para os conselhos de direção aumenta sem cessar. Ergue-se dessa forma um enorme edifício de complicada estrutura. O princípio da divisão de trabalho impondo-se cada vez mais, as jurisdições se dividem e subdividem. Forma-se uma burocracia rigorosamente delimitada e hierarquizada.
"À medida que o partido moderno evolui para uma forma de organização mais sólida, vemos acentuar-se a tendência de substituir os chefes ocasionais pelos chefes profissionais. Toda organização de um partido, mesmo sendo pouco complexa, exige certo número de pessoas que a ele se consagrem inteiramente.
"Pode-se completar essa crítica do sistema representativo com a seguinte observação política de Proudhon: os representantes do povo, dizia ele, mal alcançam o poder, já se põem a consolidar e a reforçar sua força. Incessantemente envolvem suas posições com novas trincheiras defensivas, até conseguirem libertar-se completamente do controle popular. É um ciclo natural percorrido por todo o poder: emanado do povo, acaba por se colocar acima do povo.”
Todos os textos acima não são de minha autoria. Foram escritos em 1911 pelo sociólogo alemão Robert Michels (1876-1936), de convicções socialistas, que deu aulas em universidades da Alemanha, França e Itália.
Esses textos foram publicados no livro Sociologia dos partidos políticos (Editora Universidade de Brasília, 1982). A última cátedra de Robert Michels foi na Universidade de Turim, onde ensinou economia, ciências políticas e sociologia. Decepcionado com a falta de democracia nos partidos progressistas, faleceu acusado de conivência com o fascismo.
O que Michels denunciou há 102 anos infelizmente é praxe ainda hoje. A direção do partido é progressivamente ocupada por um seleto grupo profissionalizado que, a cada eleição, distribui entre si as diferentes funções. Os caciques são sempre os mesmos, sem que as bases tenham condições de influir e renovar os quadros de direção.
À medida que o partido ganha espaço de poder, menos se interessa em promover o trabalho de base. A mobilização é trocada pela profissionalização (incluídos aqueles que ocupam cargos eletivos), a democracia cede lugar à autocracia, a ampliação e preservação dos espaços de poder tornam-se mais importantes que os princípios programáticos e ideológicos.
A Igreja Católica, por exemplo, é uma típica instituição que absorveu a estrutura imperial e vertical do Império Romano e ainda hoje dela não se livrou. E tenta justificá-la sob o pretexto de que essa estrutura decorre da vontade divina...
Enquanto tateamos em busca da democracia real, na qual a vontade do povo não significa mais do que uma retórica demagógica, temos o consolo de uma invencível aliada dos que criticam a perpetuação de políticos no poder: a morte. Ela, sim, faz a fila andar, promove a dança das cadeiras, abre espaço aos novos talentos.

[Frei Betto é escritor, autor de "A mosca azul – reflexão sobre o poder” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
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