17 de fev. de 2015

Campanha da Fraternidade


Campanha da Fraternidade inicia na quarta-feira

A Igreja está a serviço das pessoas, afirma dom Leonardo sobre a relação entre Igreja e sociedade, tema da CF 2015




Neste ano, são comemorados os 50 anos do encerramento do Concílio Vaticano II, um dos eventos mais marcantes da Igreja no século XX. A reunião episcopal foi realizada de outubro de 1962 a outubro de 1965.

No Brasil, eventos para celebrar o cinqüentenário vêm sendo realizados no último triênio. Para 2015, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe uma reflexão mais ampla sobre o Concílio, por meio da Campanha da Fraternidade (CF), que será aberta oficialmente, em âmbito nacional, na Quarta-Feira de Cinzas, 18 de fevereiro, às 10h45, com transmissão ao vivo pelas emissoras católicas de rádio e televisão.

O tema “Fraternidade: Igreja e sociedade” e o lema “Eu vim para servir” abordam a relação entre a Igreja e a sociedade à luz da fé cristã e dos documentos do Concílio Vaticano II.

De acordo com o bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da CNBB, o tema é bastante aberto e provoca uma “debate sobre a participação e atuação dos cristãos na vida social”.

O objetivo almejado pela CF 2015 é aprofundar, a partir do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus.

A Campanha também quer fazer memória ao caminho percorrido pela Igreja com a sociedade, para identificar e compreender os principais desafios da atualidade; apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da Doutrina Social da Igreja; apontar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral; aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação, da cultura da paz, do espírito e do diálogo inter-religioso e intercultural, para superar as relações desumanas e violentas.
Além disso, a Campanha propõe ainda buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da Igreja de levar a Boa Nova a cada pessoa, cada família; atuar profeticamente, com base na evangélica opção preferencial pelos pobres, para um desenvolvimento integral da pessoa e a construção de uma sociedade justa e solidária.
Fonte:/Capuhinhosrs.org.br

5 de fev. de 2015

A Revolução Ignorada


                                  Júlio Lázaro Torma*
                                             " Todos aqueles que vos buscam,
                                                hão de louvar-vos ó Senhor"
                                                                   ( Sl 22(21),27)
   O Evangelho de Marcos, escrito pelo ano 70 d.C, nos fala de uma atitude desconcertante de Jesus para com os seus discípulos,bem como para a sociedade de seu tempo.
   Jesus como é de seu feitio transgride as leis, as normas da religião oficial e os costumes de seu tempo. O que os homens rejeitam e excluí, Jesus inclui e acolhe, no caso aqui é de duas mulheres, rejeitadas pela sociedade a mulher hemorrágica e a adolescente de 12 anos filha do rabino Jairo,chefe da sinagoga.
   A mulher sofre dupla discriminação por ser mulher, que na sociedade era considerada inferior e por ser doente.Ela sofria de hemorragia á doze anos,o que fazia ser considerada impura,como mandava o livro de Levítico," Quando uma mulher tiver o seu fluxo de sangue ficará impura" ( Lv 15,19-33).
   E todo o homem que a toca-se ou objeto que ela toca-se ficava impuro.
    Ela durante todos estes anos foi vítima da exploração por parte de médicos que em vez de cura-la a exploravam tirando tudo o que tinha.A menina é excluída pois está morta e não pode fecundar.
    Jesus cura a mulher e ressuscita a menina.Ele faz um gesto Litúrgico e Eucarístico. Ao chamar a menina e mandou que " lhe desse de comer" ( Mc 5,43).Ele está fazendo um gesto Eucarístico.Onde todos são chamados a participar da Mesa da Eucaristia e a " Tomai e comei, isto é o meu corpo" ( Mt 26,26).
    Na messa da Eucaristia não á exclusão e todos são iguais é a messa da igualdade.
   O Cristianismo,o movimento de Jesus é a religião da inclusão e da igualdade, como nos mostra as mesmas narrativas deste texto nas comunidades mateanas e lucanas( Mt 9,18-26 = Lc 8,40-56).
     A Igreja hoje hierarquizada perdeu o sentido revolucionário de Jesus. Por ser guiada por varões acabamos ignorando está " revolução" de Jesus de acolhida das mulheres. A jovem de 12 anos morta e infecunda,que não pode dar a vida, é chamada a viver e ser fonte de vida.
   Muitas vezes somos coniventes diante dos sofrimentos das mulheres, do feminicídio e o extermínio da juventude na qual consideramos até normal.
    Como a violência física, sexual, psicológica, o assedio moral e sexual sofrida pelas mulheres, mesmo existindo um grande avanço para coibir estas práticas, na legislação penal como a Lei Maria da Penha. Que mesmo tendo não consegue reduzir o número de atos sofridos pela mulher e o número de homicídios ou feminicídios.
    Não é cabível que dentro da Igreja, de nossas famílias,comunidades,pastorais tenhamos ou reproduzimos práticas machistas,patriarcais ou atitudes que machucam, denigram ou reduza o papel e desvaloriza a mulher.
   Um cristão deve olhar a mulher com os olhos de Jesus em vez de desvalorizar, valoriza-la e vê-la como uma irmã e amiga que deve ser valorizada e respeitada por ser ela filha de um mesmo Pai que nos fez iguais,pois nós " somos imagem e semelhança de Deus"( Gn 1,26).
     Nós varões somos chamados á uma " profunda conversão", a superar o machismo e o patriarcalismo que nos desfigura reinante em nossa sociedade e na igreja.
    Devemos ter novas relações entre homem e mulher. As diferenças entre os sexos, além de sua função na geração de uma nova vida,devem ser encaminhadas para a cooperação,apoio e crescimento mútuos.
    E para isso, nós varões precisamos escutar com muito mais lucidez e sinceridade a interpelação daquele de que segundo o relato do Evangelho," saiu uma força" para curar a mulher.
         Mc 5,21-43
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  * Membro do Colegiado da Pastoral Operária Nacional

3 de fev. de 2015

Novos perfis de família

Fonte: domtotal.com

Maria Antônia, bebê gaúcho, tem duas mães, um pai, seis avós! Nascida em Santa Maria, em setembro de 2014, o juiz Rafael Cunha autorizou seu registro de nascimento.

Os pais são Fernanda, Mariani e Luis Guilherme, que engravidou uma das moças e fez questão de ter seu nome na certidão de nascimento. O juiz reconheceu legalmente que Maria Antônia nasceu em um "ninho multicomposto".

Desde que resolução do Conselho Federal de Medicina, em 2013, permitiu a utilização de técnicas de fecundação "in vitro" por casais homoafetivos, cresceu no Brasil o número de crianças registradas em nome de dois pais ou duas mães.

O preconceito ainda impede que muitos reconheçam o óbvio: o perfil da família já não se restringe ao da relação monogâmica heterossexual.

Quem melhor percebe essa mutação é o papa Francisco que, em vez de se fingir de cego, como papas anteriores frente aos fenômenos da pós-modernidade, convocou um sínodo para debater o tema. Precedido por reunião extraordinária em outubro de 2014, o Sínodo da Família terá lugar em Roma, em outubro deste ano.

No questionário remetido a todas as dioceses do mundo, o papa pergunta como os católicos encaram casais recasados, a homossexualidade e outros temas considerados polêmicos no interior da Igreja. Francisco quis ouvir as bases, num gesto inédito de democratização da instituição eclesiástica.

É o fim da família? A família é uma estrutura cultural, não natural. Tal como a conhecemos hoje, existe há apenas meio milênio. Aliás, hoje se multiplicam as famílias monoparentais, cujo "chefe" é a mãe. Em comunidades indígenas, a qualidade de proteção e afeto às crianças faz a todos nós, "civilizados", corar de vergonha.

Para quem, como eu, foi educado no catolicismo à luz de estampas da Sagrada Família, não é fácil acolher os novos perfis de relações afetivas. Porém, ao abrir o Evangelho, nos deparamos com algo distinto do modelo devocional: o jovem Jesus que se desgarra do cuidado dos pais e abandona a caravana de peregrinos; o pregador ambulante que não merece a credibilidade de seus irmãos (João 7,5) e a família o tem na conta de "louco" (Marcos 3,21-31); o filho que parece rejeitar a própria família: "Quem é minha mãe e quem são meus irmãos?" (Mateus 12, 48).

Quando exclamaram a Jesus "Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram", ele não desmentiu, mas assinalou a diferença: "Felizes, antes, os que ouvem a palavra de Deus e a observam." (Lucas 11, 27-28).

Jesus enfatizou que não são os laços de sangue que mais aproximam as pessoas, e sim o projeto comum que elas assumem.

Projetos alternativos criam conflitos. Jesus chegou a falar em "odiar" a própria família (Lucas 14, 26). O verbo grego miseo (=odiar) pode ser traduzido por "amar menos": "Se alguém quer me seguir e não prefere a mim mais que a seu pai e sua mãe..."

Frente ao modelo de família-gueto, centrada no umbigo de seus membros e avessa a estranhos e necessitados, Jesus propôs um modelo de família aberta, centrada no afeto, na gratuidade e na abertura ao próximo.

A família do século XXI já não será apenas a que possui em comum características biológicas, e sim a que o amor aproxima e une pessoas comprometidas com um projeto comum de vida, que estabelece entre elas profundas relações de intimidade e reciprocidade.

E há que lembrar que, em sua recente visita à Ásia, o papa Francisco rogou aos fiéis católicos que evitem "ser como coelhos", procriando irresponsavelmente. Um sinal de que os métodos contraceptivos, como o uso do preservativo, serão afinal aceitos pela Igreja Católica?

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.

17 de jan. de 2015

Jesus, aproximação histórica

Trata-se de uma excelente novidade editorial da Vozes. Refere-se à nona edição de um livro que vem se tornando bestseller na Espanha, com traduções ao Catalão (Claret), Euskera (Idatz), Italiano (Borla) e Inglês (Paperback). A primeira edição do livro foi publicada na Espanha em setembro de 2007 pela editora PPC (dos religiosos marianistas) e logo alcançou grande sucesso, chegando à oitava edição em fevereiro de 2008. Foi uma acolhida “muito mais ampla e positiva” que a esperada pelo próprio autor, José Antonio Pagola, com formação em teologia e ciências bíblicas pela Pontifícia Universidade Gregoriana, Pontifício Instituto Bíblico de Roma e Escola Bíblica e Arqueológica Francesa de Jerusalém. A obra provocou igualmente criticas negativas e reações do episcopado espanhol. A primeira delas partiu de Mons. Demetrio Fernández, bispo de Tarazona, que em carta pastoral de dezembro de 2007 assinalou que a “tentação ariana” assoma a obra em seu conjunto. Veio em seguida a apreciação crítica de José Rico Pavés, diretor do Secretariado Episcopal para a Doutrina da Fé da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), que sinaliza o risco de um “dissenso sutil e daninho” na investigação histórica realizada por Pagola sobre o ensinamento de Jesus. Todas as reações culminaram na nota de clarificação sobre o livro feita pela Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CEE, publicada em junho de 2008, que apontou deficiências da obra tanto no plano metodológico como doutrinal. A preocupação maior relacionava-se ao que consideravam uma “apresentação reducionista de Jesus como um mero profeta” e a “negação de sua consciência filial divina”, além de outras questões conexas. Leia mais em:

9 de jan. de 2015

O Céu Aberto

                                                                                                          Júlio Lázaro Torma*
                                        " Tu es meu Filho amado, em ti ponho meu bem querer"
                                                                                                           ( Mc 1,110
   Estamos em nossas comunidades celebrando a Festa do Batismo do Senhor. O batismo está ligado a Festa da Epifania. Onde encerramos o Ciclo Natalino e iniciamos o tempo comum até a quarta feira de cinzas.
    Marcos inicia o seu Evangelho, dando destaque ao Batismo de Jesus no rio Jordão.  No seio das comunidades de Marcos havia um debate entre aqueles que aderiram a fé e aqueles que ingressaram nas comunidades mediante a pregação apostólica. Os discípulos de João Batista, os mandeus, como Apolo e outros haviam aderido a comunidade do " caminho", como os encontrados na comunidade de Éfeso ( At 18,24-19,7).
   O Batismo de Batista era um batismo de conversão e de purificação. Na qual vem ao encontro do desejo de todo o homem e mulher de mudar de vida, reorganizar e organizar a sua vida, procurando um novo estilo de vida diferente daquele em que vivemos.
    João Batista pregava: " Fazei penitência, endireitai os vossos caminhos". Isso vai ao encontro ao que vem do fundo da nossa consciência, quantas vezes nós não falamos, " eu vou mudar", ' preciso mudar", ' quero mudar", ' não vou mais fazer isso", ' devo ser melhor", " preciso agir de maneira mais digna" e " não vou fazer mais isso ou aquilo", " devo fazer tudo diferente do que eu fiz até agora".
    Essa vontade de purificação é nobre e indispensável, mas não basta. Esforçamos para corrigir os nossos erros, defeitos, mudarmos as nossas atitudes, ser mais responsáveis, cumprir os nossos deveres e propósitos.
     E acabamos caindo na mesmice e praticando os mesmos erros e atos de sempre. O João Batista reconhece o limite de seu esforço:" Eu batizo vocês com água, mas ele vos batizara com o Espírito Santo com fogo" ( Mt 3,11).
     O Batismo de Jesus supera radicalmente a mensagem de João Batista. O céu que estava fechado agora se abre não para os castigos, nem o machado está na mão para cortar, nem a pá para atirar no fogo" ( Mt 3,7-12), como anunciava João Batista e os outros movimentos batistas ao longo do rio Jordão.
    Se pelo pecado de Adão ( Gn 3) o céu se fechou sobre a terra e o gênero humano, Pelo batismo de Jesus o novo Adão, o céu se abriu para o gênero humano e a criação. Pois o céu se abre e Deus fonte de Amor, nos derrama o seu amor. Se Deus é Amor, então ele só pode nos dar Amor, Paz, Bondade mesmo que nós erramos. Em Cristo nos tornamos os " filhos e filhas de Deus". Nos tornamos " Filho e Filha muito amado". A mensagem nos deixa claro, que com Jesus os céus outrora fechados, agora está aberto, mesmo que a gente erra e viva na mesmice ou numa vida medíocre. Pois a voz que Jesus escutou de Deus nos fala para cada um de nós:" Tu és meu filho amado; em ti ponho meu bem querer" ( Mc 1,11).
    Mesmo que vivemos numa vida errada, devemos nos purificar constantemente, mas como dom da " dignidade de filhos e filhas de Deus', da qual devemos cuidar com alegria e agradecimentos.
      Para quem vive está fé, a sua vida está cheia de momentos de graça, o nascimento de um filho, o contato com uma pessoa boa, a experiência de um amor puro,  honesto, sincero e verdadeiro... que põe em nossa vida uma luz e um calor novos.
      De repente parece -nos  ver o " céu aberto". Algo novo começa em nós, sentimo-nos vivos, desperta o melhor que existe em nosso coração. O que talvez tenhamos sonhado secretamente nos é dado agora de forma inesperada; um novo inicio, uma purificação diferente, um " batismo do Espírito". Por trás destas experiências está Deus amando- nos como Pai. Está seu Amor e o seu Espírito " doador de vida"(1)
   1.José Antonio Pagola:" O Caminho Aberto por Jesus- Marcos, Ed Vozes. Petrópolis, 2013
                                                 Mc 1, 7-11
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   * Membro do colegiado Nacional da Pastoral Operária

23 de dez. de 2014

Natal, nascer de novo

Com certeza o Natal papainoélico é a única festa em que a ressaca se antecipa à comemoração
Para se fazer festa de Natal é preciso aquecer afetos e servir, à mesa, corações e solidariedade
fonte: domtotal.com
Natal é tempo de desconforto. Premidos pela publicidade que troca Jesus Cristo por Papai Noel, somos desdenhados como cidadãos e aliciados como consumidores.
Ainda que com dinheiro no bolso, instala-se um oco em nosso coração. Aquece-se a temperatura de nossa febre consumista e, discípulos fundamentalistas de esdrúxula seita, adentramos em procissão motorizada nas catedrais de Mamon - os shopping centers.
Nessas construções imponentes, falsos brilhantes da cenografia cosmopolita, aguardam-nos as oferendas da salvação, premissas e promessas de felicidade. Exibidas em requintados nichos, vitrines reluzentes, acolitadas por belas ninfas, as mercadorias são como imagens sagradas dotadas do miraculoso poder de nos fazer ingressar no reino celestial dos que tudo fazem para morrer ricos.

Livres de profanas figuras que poluem o exterior, como as crianças que transmutam as janelas de nossos carros em molduras do pavor, percorremos silentes as naves góticas, enlevados pela música asséptica e o aroma achocolatado de supimpas iguarias.

Olhos ávidos, flexionamos o espírito de capela em capela, atendidos por solícitas sacerdotisas que, se não podem ofertar de graça o manjar dos deuses, ao menos nos brindam com seus trajes de vestais romanas, condenadas à beleza compulsória.

Eis ali, no altar de nossos sonhos, o Céu antecipado na Terra na forma de joias, aparelhos eletrônicos, roupas e importados, sacramentos que nos redimem do pecado de viver neste país cuja miséria estraga a paisagem.

Com certeza o Natal papainoélico é a única festa em que a ressaca se antecipa à comemoração. Tomem-se vinhos e castanhas, panetones e perus, e um punhado de presentes, eis a receita para disfarçar uma data. E sonegar emoções e sentimentos. Mas não é Natal.

Para se fazer festa de Natal é preciso aquecer afetos e servir, à mesa, corações e solidariedade, destampando a alma e convertendo o espírito em presépio, onde renasça o Amor. Dar-se em vez de dar, estreitando laços de família e vínculos de amizade.

Urge abrir o dicionário gravado nas dobras de nossa subjetividade e substituir competição por comunidade, inveja por reconhecimento, ressentimento por humildade, eu por nós.

Melhor que nozes nesses trópicos calientes, convém saciar a língua de prudência, privando-se de falar mal da vida alheia.
Um pouco de silêncio, uma oração, a retração do ego, favorecem o encontro consigo mesmo, sobretudo a quem se reconhece alienado de Deus, dos outros e da natureza. Não custa pisar no freio dessa destrambelhada corrida de quem, no afã de ultrapassar o ritmo do tempo, corre o risco de ter a vida abreviada pela exaustão do corpo e a confusão da mente.

Antes dos copos, recomenda-se encher o coração de ternura até transbordar pelos olhos e derramar-se em afagos e beijos.
Pois de que vale o Natal se não temos coragem de nos dar de presente a decisão de nascer de novo?

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.

6 de dez. de 2014

Papa Francisco abre ano da Vida Religiosa com mensagem




Em carta apostólica, Francisco indica objetivos e expectativas para o Ano da Vida Consagrada

A Sala de Imprensa da Santa Sé publicou na sexta-feira, 28 de novembro , a carta apostólica do Papa Francisco a todos os consagrados por ocasião do Ano da Vida Consagrada, que começou oficialmente  domingo, 30 de novembro. A mensagem do Papa com indicações para esse Ano é inspirada nas palavras de João Paulo II apresentada à Igreja no início do terceiro milênio com a Exortação Apostólica Pós-SinodalVita consecrata: leia mais em:

2 de dez. de 2014

Gerando uma cultura do agradecimento

Fonte:  domtotal.com
Quantas vezes já não tivemos essa sensação de que 'eu não mereço tudo isso que estou recebendo'.
É esse o maior dom que recebemos de Deus, seu amor incondicional.
Por João Antônio Johas Leão

Toda última quinta-feira do mês de novembro, celebramos aqui no Brasil o Dia Nacional de Ação de Graças. Esse dia é inspirado no Thanksgiving celebrado nos Estados Unidos também na mesma data. É um feriado no qual as pessoas são convidadas a agradecer a Deus pelas boas colheitas do ano. Começou a ser celebrado oficialmente no século XVII, quando depois de algumas más colheitas, os norte-americanos conseguiram finalmente uma boa safra.

Mas hoje em dia, o que temos para agradecer? Muitos já não dependem diretamente da boa ou má safra para sobreviver. Será que ainda é valido separar um dia para agradecer?

A resposta, sobretudo para nós, católicos, deve ser um contundente "Sim!" Se olharmos para a Palavra de Deus veremos como o Apóstolo nos lembra que tudo é dom de Deus. Na primeira carta aos Coríntios, no capítulo 4, versículo 7, lemos: "Que possuis que não tenhas recebido?"

A vida, a família, os amigos, os estudos, todos os bens materiais. Tudo isso é fruto da misericórdia infinita de Deus para conosco. Misericórdia que supõe a nossa cooperação, que não invalida todos os nossos esforços, pelo contrário, os leva em consideração e os recompensa de maneira incrivelmente generosa. Quantas vezes já não tivemos essa sensação de que “eu não mereço tudo isso que estou recebendo.”

Se hoje você já não se preocupa tanto com as safras (sem esquecer as muitas pessoas que ainda hoje trabalham diretamente com a lavoura e que são fundamentais na nossa sociedade) ainda possui muito por agradecer. Esse dia de Ação de Graças é uma oportunidade para nós sermos como aquele leproso do Evangelho que volta a Jesus para agradecer a cura que tinha recebido, enquanto seus amigos leprosos continuam o seu caminho sem voltar.

De fato, essa passagem do Evangelho ilumina muito a nossa realidade, muitas vezes pouco agradecida. Hoje nos experimentamos cada vez mais autossuficientes, sem a necessidade de ajuda. Sem a necessidade de Deus. E isso colabora para a geração de uma cultura egoísta, fechada em si mesmo. Se somos como o leproso que retorna, contribuiremos para uma cultura de abertura, de solidariedade, de generosidade. Uma cultura que não se esquece dos dons que recebeu e que não se esquece também de Quem os recebeu. Por fim, construiremos uma cultura agradecida.

Mas se todos os bens citados acima um dia vão passar, também recebemos alguns bens que são eternos e por tanto mais dignos ainda de serem lembrados nesse dia de ação de graças.

Nós recebemos a Vida Nova no Batismo, que é um dom de Deus impagável, porque somos feitos filhos no Filho. As portas do Céu se abriram para nós e desde já podemos degustar essa vida eternamente feliz que somos chamados a viver junto a Deus. Também pelo batismo recebemos o dom da Fé, pelo qual assentimos de coração a esse Deus que se revela como Amor, como Pai.

Recebemos o Espírito Santo, que é o mesmo Deus, e que habita em cada um de nós, especialmente os que já foram confirmados na fé com a unção do Santo Crisma. Somos templo desse Espírito e Ele nos auxilia cotidianamente a caminhar pelos caminhos de Deus.

E esses dons não vão ser nunca tirados de nós. Pois como diz o apóstolo: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a fome, a nudez, os perigos, a espada? ... Mas em tudo isso somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou.”

Nada pode me separar de Deus. É esse o maior dom que recebemos de Deus, seu amor incondicional. Se hoje podemos lembrar um pouco melhor desse e de todos os outros dons, teremos aproveitado bem a oportunidade que nos foi brindada por celebrar esse dia.
A12, 27-11-2014.

22 de nov. de 2014

Mapa da corrupção

Fonte:domtotal.com
Na América Latina, a corrupção é um legado de nossa herança colonial
Sabe-se que a colonização da América Latina por países europeus, em especial Espanha e Portugal, foi profundamente marcada por roubos, saques, extermínio dos povos originários, escravidão e ampla corrupção daqueles que, no Novo Mundo, gerenciavam os interesses dos colonizadores.Na América Latina, a corrupção é um legado de nossa herança colonial. Somos herdeiros de uma tradição escravocrata, que deixou profundas sequelas em nossas estruturas e em nossos hábitos. Para sobreviverem ou alcançarem funções de poder, muitos recorriam a subornos, ao peculato e ao nepotismo.
Na tradição política da América Latina, os recursos públicos têm sido apropriados em função de interesses privados. A lógica do sistema capitalista favorece esse caldo de cultura ao considerar que os privilégios do capital devem estar acima dos interesses do trabalho. Prática que se estende à "corrupção" da natureza através da devastação ambiental.

Há, pois, em todo o mundo, e especialmente na América Latina, uma verdadeira oligarquia cleptocrática, para a qual a corrupção é um mecanismo intrínseco ao sistema de contratos, acordos, negócios e transações, principalmente na relação com o poder público. A cleptocracia é tanto mais facilitada quanto menos se conta com mecanismos de controle social do Estado e da administração pública.
Essa corrupção inerente ao nosso sistema político latino-americano corrobora para desacreditar as instituições políticas e viciar sempre mais os processos eleitorais. No Brasil, as empresas não votam mas ganham eleições...

Pesquisa da ONG Transparência Internacional, com sede em Berlim, divulgada em dezembro de 2013, apontou que Somália, Coreia do Norte e Afeganistão são os países onde há mais corrupção, enquanto Dinamarca e Nova Zelândia, seguidos de Luxemburgo, Canadá, Austrália, Holanda e Suíça se destacam como os países onde há mais transparência nas contas públicas.

Entre 177 países pesquisados, o Brasil figura em 72º lugar. Na América Latina, aparece como mais vulnerável à corrupção que Chile, Uruguai, Costa Rica e Cuba, entre outros. E menos que Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador.

Dos países avaliados, em 70% há fortes indícios de que funcionários públicos são maleáveis a subornos.

A Venezuela aparece na lista como um dos países onde há mais corrupção (160º lugar), enquanto os mais transparentes são o Uruguai (19º) e o Chile (22º).

Finn Heinrich, coordenador da pesquisa, admite que a corrupção atinge, em primeiro lugar, os mais pobres: "Se você observa os últimos países da lista, os cidadãos mais pobres são os mais prejudicados. Iraque, Síria, Líbia, Sudão e Sudão do Sul, Chade, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Haiti, Turcomenistão, Uzbequistão e Iêmen figuram entre os países nos quais grassa mais corrupção na administração pública e nas empresas privadas. A corrupção está muito relacionada a países em decomposição, como Líbia e Síria." É o caso também do Afeganistão.

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.

14 de nov. de 2014

Servo Bom e Fiel

                                            Júlio Lázaro Torma*
                                                           " Muito bem empregado bom e fiel".
                                                                               ( Mt 25,23)
 Estamos quase no termino do ano litúrgico de Mateus. Onde estamos no quinto livrinho do Evangelho de Mateus " A Vida Definitiva do Reino" ( 19-25,46) e o Discurso:" A vinda do Filho do Homem" ( 24-25,46).
    Onde somos convidados a esperar a volta de Jesus, mas não esperar ele de forma conformista e no Evangelho da semana que vem Jesus nos dá o critério de como devemos agir ( Mt 25,31-45).
    Jesus nos fala em talentos, talento aqui não se refere a inclinação natural de uma pessoa a realizar determinada atividade.
    Mas a Parábola dos Talentos ( Mt 25,14-30), deve ser olhado e meditado á luz da Ressurreição de Jesus e a pós a sua partida para a casa do Pai.
    A Parábola dos Talentos nos fala de um homem que foi para o estrangeiro e que deu seus bens para os seus empregados,na qual eram três e cada um recebeu conforme a sua capacidade em administra-lo, a um ( cinco talentos), outro ( dois) e o último ( um talento). O talento era uma moeda romana de 36 kg.
    Mas a Parábola se concentra todo no terceiro homem, na qual as comunidades mateanas mostram que no seu meio havia cristãos que haviam aderido a proposta de Jesus e que tinham medo de se expor por causa das perseguições e que ficavam isolados dentro da comunidade.
   O Evangelho faz uma critica ao conservadorismo e ao fundamentalismo religioso dentro das comunidades.Onde preferimos uma pastoral de conservação, do que ser uma Igreja missionária e uma pastoral de fronteira que vai ao encontro do outro, principalmente das periferias geográficas e da existência.
   Muitas vezes por causa da diversidade no mundo, alguns acabam se agarrando ao passado e ao conservadorismo se tornando pessoas estereis,medrosas e conformistas, que não estão dispostas a mudar a realidade e a sair do eu,onde o que importa é a sua salvação individual.
    Isso faz com que tenham uma fé, fria, mesquinha e estéril. Que acaba muitas vezes enfraquecendo a própria Igreja e a própria vivência da pessoa que se afasta da comunidade.
   Jesus critica este conservadorismo, de enterrar o " talento" e que faz com que não sejamos criativos.
     A Igreja deve ir " além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária " ( D. Ap 370), isso faz com que tenhamos a criatividade pastoral de novos métodos missionários que exige;
    " Toda conversão supõe um processo de transformação permanente e integral,o que implica o abandono de um caminho e a escolha do outro. A conversão pastoral sugere renovação missionária das comunidades, para passar de uma pastoral de mera conservação pára uma pastoral decididamente missionária.Isso supõe mudança de estruturas e métodos eclesiais, mas exige nova atitude dos pastores, agentes de pastoral e dos membros das associações de fieis e movimentos eclesiais" ( CNBB; Doc." Comunidade de Comunidades:Uma Nova Paróquia, Doc 100).
     Ser conservador não quer disser que está servindo a Deus e que é fiel a Deus. A verdadeira fidelidade a  Deus não se vive a partir da passividade e da inércia, mas a partir da vitalidade e do risco de quem trata de escutar hoje seus chamados.
                                      Mt 25,14-30
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     * Membro do Colegiado da Pastoral Operária Nacional

6 de nov. de 2014

Bondade de Elton John: ´Façam do papa santo´!

Fonte  domtotal.com
Esperança, que seja a palavra de ordem, a qual nos protege de todo mal e de todo desânimo
'Ele é um homem amável e compassivo, que quer que todo mundo seja incluído no amor de Deus', afirmou Elton John sobre o papa.
Por Geovane Saraiva*

Nosso querido papa Francisco, nas palavras de alegria, gratidão e esperança, ao receber em audiência o Arcebispo Metropolitano de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, em 31 de outubro de 2014, que renovou o convite para visitar a Capital Federal em 2017, dentro do contexto do jubileu dos 300 anos da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, a qual foi encontrada no ano de 1717, nas águas do rio Paraíba do Sul. Neste sentido, como resposta do Vigário de Cristo, Dom Sérgio ouviu nas três palavras: “Alegria por sentir o afeto por parte do povo e do episcopado brasileiro, gratidão pelo convite e, por fim, a esperança que ele mesmo demonstrou de concretizar a visita”.

Esperança parece ser a tônica do seu profícuo pontificado, quando afirmou na manhã do mesmo dia: “O amor abre as portas da esperança e não o rigor da lei”. Também alegra-nos e enche-nos de esperança as palavras da figura emblemática e planetária de Elton John, ao elogiar empolgadamente o Bispo de Roma em 29 de outubro 2014: “Ele é um homem amável e compassivo, que quer que todo mundo seja incluído no amor de Deus; o Papa Francisco está quebrando as barreiras da Igreja Católica”, disse ao público durante a edição 2014 do evento Elton John AIDS Foundation, que foi realizado em Nova Iorque, na qual o célebre cantor e gênio da música internacional pronunciou um discurso marcado pela generosidade, que logo teve enorme repercussão. Na ocasião, John pediu para que o Papa Francisco fosse reconhecido imediatamente como santo: "Há dez anos um dos maiores obstáculos para o combate à sida era a Igreja Católica e hoje temos um Papa que questiona isso" e finalizou com a feliz expressão: “Agora façam imediatamente desse homem um santo”!

Sem esquecer o trinômio terra, moradia e trabalho, palavras saídas da boca abençoada do Santo Padre e dirigidas às lideranças dos movimentos populares, que concluíram no dia 29 de outubro de 2014 um encontro inédito, convocado a pedido do Santo Padre, que causou inaudito eco: “Estar ao lado dos pobres é Evangelho, não comunismo”, palavras que nos fazem lembrar da célebre frase de Dom Helder Câmara: "Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista”. Também são oportunas as palavras do pastor dos empobrecidos: “Ai do mundo se não fosse a utopia, ai do mundo se não fossem os sonhadores”, ao ser acusado de demagogo, sonhador ou outro cavaleiro andante.

É missão de todos nós colocarmos bem no centro da nossa existência a esperança, na certeza de que, a partir da mesma, a humanidade saiba perceber que é chamada a olhar para frente, de recordar e ter diante dos olhos e no âmago do coração a promessa do próprio Deus feita a Abraão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrarei” (cf. Gn 12, 1).  Daí a exortação do apóstolo Pedro, quando nos deixa clara a razão da nossa esperança, que se deve mostrar ao mundo (cf. 1Pd 3, 15), tão viva e presente no papa Francisco.

O que é esperança para nós cristãos? É a mais absoluta certeza do caminho certo, de que o mundo necessita de homens e mulheres com espíritos imbuídos desta virtude teologal, que no dizer do Santo Padre, o Papa Francisco, na catequese de 29 de outubro de 2014, significa: “Quando se olha Cristo não se erra”. E aqui me recorda a assertiva do apóstolo dos gentios: “Esperança, com efeito, é para nós qual âncora da alma, segura e firme, penetrante para  além do véu, onde Jesus entrou por nós, como precursor, feito  sumo sacerdote para a eternidade, segundo a ordem de Melquisedec” (cf. Hb 6,19-20).

Esperança, que seja a palavra de ordem, a qual nos protege de todo mal e de todo desânimo, além de ser alento diante do sofrimento e esmorecimento; que permanentemente saibamos dar a devida importância, considerando-a um símbolo sólido de firmeza, força, tranquilidade e fidelidade, de tal modo que por meio dela, quando surgirem tempestades, possamos sempre mais nos colocar no caminho seguro e duradouro da existência humana. Quem sabe esperar no Senhor, jamais irá passar pelo perigo de ver seu barco naufragar. “O cristão deve ter paixão pela esperança” (Papa Francisco).
*Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso. É autor dos livros “O peregrino da Paz”, “Nascido Para as Coisas Maiores”, “A Ternura de um Pastor”, “A Esperança Tem Nome”, "Dom Helder: sonhos e utopias" e "25 Anos sobre Águas Sagradas”.