15 de ago. de 2011

Deus mora lá na nossa rua.

Quando dona Cora Coralina, a nossa grande poetisa da vida cotidiana, sugeriu ao presidente da República, que instituísse "O Dia nacional do Vizinho”, em nenhum lugar, havia ainda esta iniciativa. Atualmente, existe o "Dia europeu da Vizinhança”, celebrado no final de maio. A Argentina festeja o seu "Dia de los vecinos” no 11 de junho. O Brasil consagra como Dia dos Vizinhos o 20 de agosto, data do aniversário natalício da inesquecível dona Cora. Esta valorização da vizinhança se torna mais importante, em cidades maiores, nas quais edifícios substituem casas. Ali, embora, frequentemente, as pessoas se encontrem no mesmo elevador, muitas vezes, não se conhecem. Não é o mero fato de morar no apartamento ou na casa ao lado, que torna alguém vizinho. A pessoa pode viver durante anos em um lugar, se queixando da agitação, do calor, da poeira ou da insegurança. Outros têm plena consciência destes problemas e lutam para vencê-los, mas, assim mesmo, casam com a rua ou praça onde moram. Quando pessoas da mesma rua ou do mesmo condomínio pressentem em outras, esta relação vital com o lugar em que moram, aí se fortalece uma proximidade de convivência que é a vizinhança. Para ser bem vivida, esta precisa de uma educação para o diálogo e a convivência entre diferentes. Cora Coralina dizia: "Vizinho é mais do que parente, porque é o primeiro a saber das coisas que acontecem na vida da gente”.
Em tempos anteriores à televisão e aos shoppings, nas cidades do interior, ou em bairros residenciais, toda noite, as pessoas costumavam sentar à porta de casa, para conversar e conviver. Normalmente, a roda de conversa acabava se abrindo também aos vizinhos e vizinhas. Assim, se formavam verdadeiras rodas de discussão, com assuntos como educação de filhos, relacionamentos conjugais e futebol. Hoje, a televisão e a cultura do shopping substituíram estes ritos de convivência, mas não resolvem o problema da solidão dos mais velhos e da futilidade de quem olha o mundo apenas pela janela do consumo descartável.
Há mais de 50 anos, o educador Paulo Freire propôs um método de alfabetização e educação de adultos que partia da vizinhança. Formava círculos de diálogo e cultura entre vizinhos. Ali, as pessoas aprendiam a expressar sua posição sobre a vida e os problemas que enfrentavam. Mesmo perseguido pela ditadura militar, este método de conscientização se espalhou pelo Brasil, por outros países da América Latina e até em Angola e Cabo Verde, na África. Na mesma linha, na segunda metade dos anos 60, em várias regiões do Brasil, homens e mulheres de fé cristã, começaram a se reunir como vizinhos, para orar, ouvir juntos um texto bíblico, conversar sobre problemas da vida e fortalecer a solidariedade mútua. Foi o começo das comunidades eclesiais de base. Mais tarde, várias Igrejas evangélicas organizaram grupos semelhantes, como "Igreja em células” e "Igreja em quadros”, comunidades de convivência e proximidade, instrumentos de comunhão entre as pessoas.
Há mil razões para se valorizar a prática da vizinhança. Quem crê em Deus como Luz e fonte de vida, o contempla, não como alguém exterior a nós e que de fora intervém neste mundo, mas como presença íntima e profunda, no coração de toda pessoa humana, especialmente de quem se abre ao amor, independentemente de sua pertença religiosa. Um teólogo evangélico dizia: "Deus está em mim para você e em você para mim. Eu o encontro em você e, se quiser, você pode encontrá-lo em mim”. Por isso, podemos olhar nossos vizinhos e vizinhas, como sinais da presença divina. Eles são humanos e têm seus defeitos e limitações, mas se os olharmos assim, pouco a pouco, se transformarão, principalmente se perceberem que, de fato, cremos: através deles e no mais íntimo de cada um/uma, Deus mora lá na nossa rua.

13 de ago. de 2011

Organización rechaza utilización de niños-soldados como símbolo cívico peruan

12.08.11 - Perú
Camila Maciel
Periodista de Adital
Fonte: Adital
Un niño con uniforme militar y arma en mano es anunciado como símbolo del sentimiento cívico peruano. Tal fotografía, con la respectiva leyenda, fue publicada el 30 de julio en el diario peruano La República. En un comunicado, la Red de Defensa de los Derechos de los Militares, entidad relacionada con los derechos de jóvenes soldados y mujeres de las fuerzas armadas, rechaza la publicación y solicita que el diario se pronuncie sobre el hecho, que "podría significar una legitimación del uso de los niños en los conflictos armados”, se señala en la nota.
"Pequeño gran patriota. Niño dio ejemplo de peruanidad. Estuvo al frente de los Héroes Cenepa”, dice la leyenda publicada en el periódico. Para la Red, el texto, relacionado con la imagen, demuestra que "los medios de comunicación aún no se han sensibilizado con la normativa vigente que prohíbe la participación de los niños en los conflictos armados”.
La Red de Defensa de los Derechos de los Militares evalúa como preocupante la actitud del diario La República, teniendo en cuenta los casos registrados en años anteriores en Perú sobre alistamiento de menores. La violación de los derechos de la infancia y de la adolescencia es identificada tanto en organismos estatales, como en las fuerzas armadas y en el reclutamiento realizado por grupos paramilitares.
En junio de este año, por ejemplo, la organización no-gubernamental Save the Children denunció el caso de 15 niños de la comunidad nativa Wayku, en el departamento de San Martín, reclutadas para ser usadas como soldados por las Fuerzas Armadas. Entre los adolescentes, dos declararon ser mayores de edad, mientras que otros afirmaron tener 17 años.
El reclutamiento de niños y adolescentes para actuar en conflictos armados contraría lo que dicta el Protocolo Facultativo de la Convención de los Derechos del Niño, que fue firmado por el Estado peruano. De acuerdo con la Red, "esto podría evidenciar una aceptación por parte de las autoridades del sector de defensa, respecto del uso de la imagen de menores en ceremonias rituales de personal militar profesional”, se destaca en el comunicado.
Para reparar el daño causado por la publicación, la Red solicita que el diario exponga su contrariedad ante la utilización de niños y adolescentes en conflictos armados. Además, solicita que el periódico enfatice la "urgencia de la aprobación del proyecto de Ley contra el reclutamiento de niños, niñas y adolescentes por parte de integrantes de las Fuerzas Armadas y de organizaciones paramilitares”.
Aún sin respuesta oficial de parte del diario, La República respondió el 31 de julio a una carta enviada por un lector, que también critica la exposición de los niños. El periódico niega haber hecho una apología de los niños armados. "Varios editoriales y columnistas nuestros han sentado su posición contra la militarización de la educación y de los valores patrios”, se afirma en la respuesta dada al lector.
Penalidad para reclutamiento de niños
Tramita en el Congreso peruano, desde el comienzo de este año, el proyecto de ley (Nº 4613/2010-PE) que prevé una pena de 10 a 20 de reclusión para quienes recluten niños y adolescentes para el servicio militar, sea en las fuerzas armadas o en grupos paramilitares. En el caso que el reclutamiento derive en la muerte del niño, la pena no deberá ser menor de 20 años, determina el proyecto.
La iniciativa de ley fue de la Comisión Nacional de Estudio y Aplicación del Derecho Internacional Humanitario (Conadih), órgano consultivo vinculado al poder ejecutivo, con el objetivo de adecuar el ordenamiento jurídico peruano al Protocolo Facultativo de la Convención de los Derechos del Niño.

12 de ago. de 2011


Outro cristianismo é possível.
Centro Ecumênico Diego de Medelim
Em nosso continente americano e caribenho cresce a consciência de nossas diferenças a respeito de outros povos e das que existem entre nós. Nossas identidades locais e regionais foram e continuam sendo tecidas e modeladas a partir de milhares de histórias particulares − cada uma com suas luzes e suas sombras, seus odores e sabores, seus ódios e seus amores, seus medos e suas experiências de libertação. Leia mais: http://kairoscotidianoteologia.blogspot.com/

O Perfume que Vem de Assis.
Certa vez, um autor escreveu que alguém já nasce franciscano. Não creio que seja assim. As pessoas vão se tornando franciscanas ao longo do tempo. Não é quando entramos para a fraternidade, nem mesmo quando fazemos a profissão que atingimos o ideal. Temos a vida toda para aspirar o perfume que vem de Assis.  Há incontáveis pessoas que sem nunca terem ingressado num dos ramos da Ordem transpiram o perfume que deixou na terra o Pobrezinho de Assis.

Violações dos direitos indígenas.

Frei Betto
Escritor e assessor de movimentos sociais
Fomte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=59230

Reunidos em assembleia anual em São Félix do Araguaia (MT), em julho, missionários e missionárias do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) Regional Mato Grosso, vinculado à CNBB, refletiram sobre a problemática dos territórios indígenas invadidos por grileiros e latifundiários ou ainda por demarcar.
A situação da terra dos Xavante de marãiwatsédé é emblemática. Embora tenham retornado ao seu território tradicional em 2004, após nove meses acampados na beira da BR 158, ainda estão impedidos de tomar posse efetiva de sua terra. Esta continua invadida por grandes fazendeiros e uns poucos pequenos produtores rurais, o que demonstra flagrante desrespeito aos direitos assegurados na Constituição Federal, que lhes garante o usufruto exclusivo daquela área.
Desde então, os Xavante de marãiwatsédé vêm sofrendo constantes agressões e, inclusive, atentados físicos. Em junho, a ameaça se agravou, devido à lei aprovada pela Assembleia Legislativa do Mato Grosso e sancionada pelo governador. A lei propõe a permuta do território tradicional indígena pelo Parque Estadual do Araguaia, para onde os Xavante seriam transferidos, caso aceitassem a proposta.
Ora, mudar povo indígena de sua terra originária equivale a arrancar uma criança de sua família e impor outra a ela. Essa tentativa do governo de Mato Grosso visa a, claramente, favorecer o agronegócio, principal beneficiário da invasão daquelas terras. O povo xavante recusou a proposta, considerada inconstitucional e indigna.
Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Usinas Hidrelétricas (UEH) estão sendo implantadas em vários rios da região, como ocorre na bacia do Juruena. Ali são instaladas diversas PCHs, entre as mais de cinquenta projetadas.
O efeito cumulativo dessas usinas provocará grandes transformações ambientais, interferindo drasticamente na vida dos povos que dependem daqueles rios. Serão atingidos, sobretudo, os rikbaktsa, enawenê-nawê, nambikwara e mỹky.
A implantação desses projetos também fere a Constituição, pois não houve nem as oitivas indicadas no artigo 231, § 3º, nem a consulta livre e informada, de acordo com a Convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
Trata-se de violação dos direitos indígenas, efetivada a favor de interesses políticos e econômicos, apesar de protestos e manifestações contrárias dos diferentes povos da região noroeste do Mato Grosso.
Os povos indígenas vivenciam uma relação amorosa com a Mãe Terra, que se contrapõe à exploração mercantilista dos recursos naturais. Cada povo desfruta essa relação em projetos de vida em que os valores da convivência e da partilha concretizam a proposta do Bem Viver. A vida se faz em dimensões não cumulativas, onde a gratuidade é celebrada nos ritos, nas festas, no trabalho, no viver em comunidade e trabalhar em mutirão.
Esse modo de vida não agride a natureza; ao contrário, considera o ser humano parte dela. Esse é um caminho viável, não só para os povos indígenas, mas também para nossa sociedade, desde que assuma seriamente o projeto de desenvolvimento sustentável.
Frente aos grandes impasses a que a humanidade chegou devido à forma devastadora como destrói a própria casa, a Terra, é preciso reaprender com os povos indígenas que a vida tem por objetivo central a felicidade humana em sua dimensão comunitária. Isso só se alcança se a partilha predominar sobre a acumulação, o direito coletivo sobre o individual, o amor sobre o egoísmo, a vida de todos sobre o lucro de uns poucos.
Os povos indígenas são nossos ancestrais. Pesquisas genéticas demonstram que nós, brasileiros, deles herdamos mais genes do que dos negros africanos escravizados em nosso país durante o período colonial. Frente ao neorracismo em ascensão na Europa, nossa miscigenação é uma riqueza a ser preservada.
[Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Barros, de "O amor fecunda o Universo – ecologia e espiritualidade” (Agir), entre outros livros. http://www.freibetto.org/ twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)].

11 de ago. de 2011

ITINERÁRIO FRANCISCANO.
Pretendemos, ao longo do ano de 2011, transcrever páginas franciscanas densas que possam ser alimento para todos os que buscam a perfeição do Evangelho através do carisma franciscano. A página deste número foi tirada do livro: Itinerário da Alma Franciscana, de Frei Leão Veuthey, OFMConv.. traduzido do italiano e publicado pelos franciscanos de Montariol-Braga em 1948. Tiramos uma página do fundo do baú! Que não se estranhe o jeito “português” de escrever. Que não se critique um certo estilo antigo de falar das coisas. Há, quem sabe, aqui ou ali, uma concepção de espiritualidade meio superada. Cada um leia o texto com senso crítico. Os círculos ou grupos vocacionais franciscanos poderão, com proveito, refletir sobre este tema. Ler mais:  http://kairoscotidianofranciscanisno.blogspot.com/

CLARA HOJE


Uma voz que não se cala
Preste atenção no princípio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos foi posto no presépio! Admirável humildade, estupenda pobreza! O Rei dos anjos repousa numa manjedoura. No meio do espelho considere a humildade, ou pelo menos a bem-aventurada pobreza, as fadigas sem conta e as penas que suportou pela redenção do gênero humano. E, no fim desse mesmo espelho, contemple a caridade inefável com que quis padecer no lenho da cruz e nela morrer a morte mais vergonhosa (4ª. Carta a Inês de Praga).

10 de ago. de 2011

Com a proteção de Ñanderu Vussu.

Egon Dionísio Heck
Assessor do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) Mato Grosso do Sul
Três dias e noites de reza e ritual. Estão preparados, prontos, protegidos para retornar ao tekohá Mbaraka’y-Pyelito Kue. Madrugada agradável. Sob o olhar atento da lua se põem a caminho. A terra sagrada onde nasceram os mais velhos das duas famílias extensas, onde estão enterrados seus antepassados, é ali o lugar de viver seu teko – jeito de viver Kaiowá Guarani. Na lembrança uma história marcada por sofrimento, mortes, expulsões. No coração a inquebrantável vontade de viver novamente felizes e em paz em seu tekohá. À frente a certeza de que desta vez prevalecerá a justiça, a lei maior, que lhes garante suas terras tradicionais.
Tantas lágrimas derramadas, tanto sofrimento, mortos e desaparecidos como Arcelino Oliveira Teixeira que tinha apenas 18 anos.
Dia 8 de agosto certamente ficará como mais uma data importante da luta dos Kaiowá Guarani por suas terras. Na madrugada deste dia ligaram para seu amigo Ava Vera Arandu dizendo-lhe por telefone "voltamos aqui para não mais sair vivos, se os pistoleiros atacar nós vamos morrer..., pedindo: "por favor comunique a todos", por essa razão lhe envio esta mensagem”

História de luta, sofrimento e esperança

Ava Vera Arandu relata a trajetória de luta dos membros desse tekohá "é importante relembrar que em julho 2003 um grupo tentou retornar, dois dias depois os pistoleiros das fazendas invadiram o acampamento do indígena e expulsaram com extrema violência, torturaram e fraturaram as pernas e os braços das mulheres, crianças e idosos. Da mesma maneira, em 8 de dezembro de 2009 o grupo Kaiowá retornou novamente, dois dias depois sofreram as mesmas violências, foram todos amarrados, fraturaram os braços jogaram em cima dascaminhonetes e jogaram na margem da rodovias BR”.
Desta vez acreditam que seja respeitado o direito da comunidade, pois o mundo inteiro está sabendo dessa decisão e ação. Trata-se dos mais elementares direitos humanos desse povo. E como no recente relatório da Anistia Internacional aponta a lamentável situação de violência contra os Kaiowá-Guarani e a inaceitável demora no reconhecimento dos territórios desse povo no Mato Grosso do Sul.
As famílias extensas de Mbaraka’i e Pyelito Kue esperam que a Funai agilize o processo de identificação e demarcação das terras e contam com a solidariedade dos amigos que lutam pela justiça, no Brasil e no mundo.

Vidas abreviadas

Juliano Jorge Pedro. Seu corpo, metade sobre o asfalto, outra metade na terra. Cabeça estraçalhada. Assim foi encontrado mais um jovem Kaiowá-Guarani, próximo à Terra Indígena Panambizinho, município de Dourados inicio de agosto.

Ninguém sabe como aconteceu o atropelamento, qual o carro que o atingiu. Apenas mais um corpo estirado ao chão, envolto na noite escura do mistério e da impunidade.

Juliano cursava o segundo ano do ensino médio em sua aldeia. Nos últimos tempos destacou-se por seu interesse em recuperar ambientalmente a terra devastada, com o plantio de árvores nativas e frutíferas. Foi um dos entusiastas participantes das iniciativas do projeto Yvy Akandiré, coordenado pelo Cimi com apoio de instituições da ONU e embaixadas. Há menos de um mês Juliano participou de uma viagem de intercambio com uma experiência de agroecologia numa terra indígena Paí Taviterã (denominados Kaiowá no lado brasileiro), no município de Capitão Bado. Naquela ocasião ele demonstrou seu entusiasmo em poder contribuir para um futuro melhor para seu povo. Sua vida e esperança foram abreviadas. Mais um nome na lamentável lista de vítimas da violência, dos assassinatos, dos atropelamentos, dos suicídios e homicídios em que se encontram as comunidades Kaiowá Guarani no Mato Grosso do sul.
Hoje também estará sendo julgado a ação de agravo de Kurusu Ambá. Lideranças da comunidade estarão acompanhando o julgamento na 3ª. Região, da Justiça Federal, em São Paulo. Os Kaiowá-Guarani esperam que a decisão seja similar à tomada com relação ao Ypoi, ou seja, que a comunidade permaneça onde está até que a Funai conclua os trabalhos de identificação da terra.

Povo Guarani Grande Povo
Dourados, 9 de agosto de 2011

Apenas 37% das pessoas realizam consumo consciente, afirma enquete do EcoDesenvolvimento.

Buscando alertar a população para o controle do desperdício e a capacidade de consumir o necessário, o site EcoDesenvolvimento divulgou, no dia 1º de agosto, o resultado de uma pesquisa realizada em parceira com internautas sobre a temática do consumo consciente. De acordo com a enquete, apenas 37% das pessoas afirmam comprar só quando há necessidade.
A pesquisa também apontou que 61% dos internautas tentam comprar de forma consciente, mas, na maioria das vezes, agem por impulso. Outro dado da enquete revela que apenas 2% dos participantes não se classificam como consumidores conscientes.
O portal EcoDesenvolvimento, fundado em novembro de 2008, tem como objetivo sensibilizar, educar e mobilizar pessoas e organizações sobre a temática da sustentabilidade.
A enquete completa encontra-se no site http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2011/agosto/enquete
-voce-se-considera-um-consumidor-consciente

Memória Apagada


“A sua memória desaparecerá da terra, e pelas praças não terá nome.” (Jó 18:17 ARA)

Enquanto eu não tive meus filhos nunca valorizei a memória de uma familia. Neste versículo o amigo de Jó está falando do destino dos maus em meio a uma série de flagelos e desgraças, menciona que sua memória será apagada. Estamos vivendo uma geração e um tempo onde as famílias e as tradições já perderam muito de sua força e gradualmente estão perdendo ainda mais.

Infelizmente, esta realidade de nossos dias desvalorizou aquilo que uma memória pode fazer. Lembramos do heroísmo de nossos ancestrais, de sua bravura desbravando terras desconhecidas ou mesmo começando negócios que hoje são prósperos. Isso está sumindo. Nossa história está sendo apagada e tenho visto que a maioria de nós mora em ruas que tem nomes de pessoas, mas não fazemos a menor idéia de quem foram.

Pela herança cultural em si eu me preocupo pocuo, mas temo pelo aprendizado. Estes homens e mulheres acertaram e erraram no passado e podemos aprender com isso. Note que o amigo de Jó fala disso como se fosse uma sentença, como se dissesse que a vida dos ímpios não merecesse ser lembrada.

Sua vida merece ser lembrada? Algo será dito a seu respeito nas gerações futuras, depois de sua partida?

Preocupe-se com isso agora, tenha você 12 ou 82 anos de idade. Quero que meus filhos sejam lembrados como crianças obedientes e tementes a Deus. Quero ser lembrado como bom pai, marido e colega de trabalho. Quero que todos se lembrem de algo que eu tenha dito ou ensinado. É um esforço diário, é uma intenção, é uma decisão.

O que seria de nós se perdessemos a memória dos nossos Abraão, Moisés, Davi, Salomão, Isaías, e principalmente do Amado Senhor Jesus?

Meu irmão, decida-se. Ou sua memória será um grande “branco” ou poderá manter algo na mente das pessoas. Invista nisso, pois tenho certeza que vai melhorar seu hoje e depositar para seu amanhã. É um desafio diário…

“Senhor, eu por mim mesmo farei pouco ou nada que mereça ser lembrado, mas se Tu tomar conta de mim e me fortalecer, eu posso ser uma memória que vale a pena. Ajuda-me, por favor.”

Mário Fernandez

Deixe o seu comentário no site: http://www.ichtus.com.br/dev/2011/08/10/memoria-apagada/

9 de ago. de 2011

Como Uma Criança......

Uma família de classe média almoçava em um restaurante quando o filho de apenas quatro anos, gritou animado: “olá amigo!” batendo na mesa com suas mãozinhas gordas. Com muita satisfação ele ria se retorcendo. Os pais olharam em volta e viram que a razão de seu contentamento: era um homem em farrapos, com casaco jogado nos ombros, sujo, engordurado, rasgado, suas calças eram trapos, com costuras abertas pela metade e seus dedos apareciam através do que um dia foram sapatos. Sua camisa estava suja, seu cabelo não era penteado por muito tempo. Estava longe, na entrada, mas seguramente cheirava mal.

Suas mãos começaram a se mexer para saudá-lo:

“Olá nenê, como está? – disse o homem para Daniel.

O casal se olhou, pensando no que fazer?

Daniel continuou rindo e respondeu: “olá amigo, olá”.

Todos do restaurante olharam ora para o casal, ora para o mendigo. Trouxeram a comida e o homem começou a falar com o menino como um bebê, ninguém via no que o homem estava fazendo algo de simpático. Pensavam apenas que obviamente ele estava bêbado. Os pais da criança estavam envergonhados, comendo em silêncio, menos Daniel que estava super inquieto e mostrando todo seu repertório ao desconhecido a quem conquistava com suas criancices.

Finalmente terminaram de comer e se dirigiam à porta, a mãe foi pagar a conta.

O velho se encontrava muito perto da saída – “Deus meu, ajuda-me a sair daqui antes que esse louco fale com Daniel” – pensou o Pai enquanto caminhava em direção ao homem.

Estufou um pouco o peito, tratando de sair sem respirar nem um pouco do ar que ele pudesse estar exalando. Enquanto o pai assim agia, Daniel soltou-se rapidamente e foi correndo na direção daquele velhinho, estendeu seus braços na posição de carregá-lo. Antes que alguém pudesse impedir Daniel se jogou nos braços do homem. Rapidamente o velho e o menino se abraçaram.

Daniel, num ato de total confiança, amor e submissão recostou sua cabeça no ombro do desconhecido. O velhinho fechou os olhos e se viam lágrimas correndo em sua face. Sua velhas e mal tratadas mãos, cheias de cicatrizes de trabalhos duros, suavemente acariciava as costas de Daniel.

Nunca dois seres haviam se amado tão profundamente em tão pouco tempo. O velho homem, com Daniel em seus braços, por um momento abriu seus olhos e olhando diretamente para os olhos do pai e da mãe do garoto, disse com voz forte e segura: “Cuida deste menino”. De alguma maneira, com um imenso nó na garganta, o pai respondeu: “assim o farei”.

Ele afastou Daniel do seu peito, lentamente como se sentisse uma dor e disse: “Deus o abençoe senhor. Me deu um presente maravilhoso”.

O pai e a mãe confidenciaram que haviam presenciado o amor de Cristo através da inocência de um pequeno menino, que não via pecado e que não fazia juízo. O menino que viu a alma e os adultos que viram um montão de roupa suja.

O casal se viu como cristãos cegos, carregando um menino que não era seu! E sentiam que Deus estava perguntando se estavam dispostos a dividir seu filho por um momento?” quando ele compartilhou seu Filho por toda eternidade!

O velho sujo inconscientemente fez ambos recordarem – Aquele que não aceite o Reino de Deus como um menino não entrará nele!

Fonte: Contando Historias de Frei Cícero Araújo da Silva

e-mail: pasvocap@procasp.org.br

Província Capuchinha de São Paulo.

8 de ago. de 2011

Psicologia e Vocação.


A psicologia analítica considera que o sujeito está neurótico quando esse era seu caminho. Quando diante de uma dificuldade que surge não consegue progredir e estanca sua caminhada. Podemos dizer que esta pessoa erra o alvo, não acerta mais sua estrada, ou em outras palavras, não sabe que vocação seguir.
A vocação nesse sentido é acertar o caminho. Para isso é necessário escutar, questionar nossas opções. Um vocacionado – ouvinte das situações – é atento, disposto a perceber os acenos que a vida dá. Não se trata de um trabalho fácil em nossa sociedade. O que o vocacionado precisa compreender primeiro é que sua missão principal nesse mundo é ser humano totalmente. Sua vocação principal é o amor.
As formas de vida existentes na caminhada cristã pode ser uma oportunidade de perceber em qual delas conseguirá realizar mais adequadamente sua vocação. Logo, não existe modo de vida melhor. Ou seja, não existe vocação melhor que outra. Tanto a vida matrimonial ou religiosa, são modos que nos identificamos para realizar aquilo que mais nos toca.
Se você possui um desejo intenso de ter uma família, isso deve ser as dicas da vida. Entretanto, se começa a perceber que sente o desejo de investigar outros estados de vida, como a consagrada religiosa, é necessário conhecer melhor essas possibilidades para não errar o caminho.
Uma vida mais feliz requer o questionamento de nossas decisões. Uma psique sadia é questionadora, pois busca cada dia mais alargar sua consciência nesse mundo, ajudando a estabelecer uma sociedade cada vez mais humana. Realizar-se é humanizar o mundo.
Fonte: http://capuchinhosbc.blogspot.com/p/textos.html
Frei Edson Matias, OFMCap.
Animador Vocacional – Regional MS

5 de ago. de 2011

Uma visão franciscana da economia

 Frei Celso Márcio Teixeira
Introdução
À primeira vista, tendo-se presente que a pobreza se tornou ao longo da história quase que uma carteira de identidade dos franciscanos, o título desta reflexão parece conter um paradoxo ou talvez causar a expectativa de uma visão radicalmente negativa da economia. Pode o franciscano pelo menos pensar em economia, já que o próprio Francisco proíbe severa e terminantemente que os frades recebam dinheiro, comparando-o a uma pedra ou ao pó que se calca com os pés (cf. RnB 8,4.6)(1)? Haveria algum espaço para se falar em economia, quando se defende a pobreza radical do nada possuir (cf. RB 6,1)? Embora as aparências possam sugerir uma irreconciliável contradição entre espiritualidade franciscana e economia, ousamos afirmar que o próprio Francisco de Assis nos deixou o que poderíamos chamar de “modelo econômico alternativo”. E os franciscanos, ao longo da história, não somente elaboraram um pensamento sobre a economia, mas propuseram novos modelos econômicos na tentativa de diminuir a distância existente entre ricos e pobres

3 de ago. de 2011

Para Formar comunidade.

Ingenuamente, acreditamos que a verdadeira comunidade está livre de conflitos. Gregorio Iriarte, a partir de sua longa vida, diz que a comunidade evangélica tem conflitos, mas não existe se há pessoas que partilham e se abraçam como se sentem. Reflexões sobre a "reunião da comunidade", baseado no livro "Como construir uma comunidade" P. Desmond O'Donnell, o.m.i. ler mais: http://wwwkairoscotidianovidareligiosa.blogspot.com/


1 de ago. de 2011

Pai Perfeito


“Quando atingiu Abrão a idade de noventa e nove anos, apareceu-lhe o SENHOR e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; anda na minha presença e sê perfeito. Farei uma aliança entre mim e ti e te multiplicarei extraordinariamente.” (Gênesis 17:1-2 ARA)
Tem gente que se acha velha aos 40 anos. Tem gente que acha que esperar por alguns anos pela promessa de Deus é tempo demais. Tem gente que chama Deus de lerdo e tardio, por conta de algumas semanas de silêncio. Abrão nos inspira com sua história de vida, especialmente ao vermos que recebeu uma tão grande promessa aos 99 anos de idade.
Esperar em Deus nos aperfeiçoa, embora isso seja bastante difícil de encarar. Sei do que estou falando, pois já vivi inúmeros vales de silêncio que me angustiaram muito. Hoje com a graça de Deus consigo entender que o silêncio também é uma resposta. Mas a chave do sucesso na vida de Abraão veio pela obediência dele a Deus e provavelmente, assim eu creio, este episódio de Deus falando com ele (ainda Abrão) mudou sua relação com Deus.
Todos nós temos um caminho a trilhar e este caminho passa por algumas viradas, como foi com Abrão se tornando Abraão. Talvez nem todos nós vamos ter um contato com Deus como ele teve, mas a oportunidade teremos sim. A aliança de Deus com cada um de nós é distinta, segundo Seus planos, mas certamente o desejo do Pai é o mesmo pra todos nós: anda na minha presença e sê perfeito.
Nem todos nós seremos pais de nações, mas aqueles de quem formos pais (seja físico ou espiritual) temos de honrar em compromisso de santidade. Andar e ensinar a andar na presença de Deus é um compromisso da mais alta nobreza. Não temos o grau de perfeição que Deus gostaria, mas Ele não é ignorante; Ele sabe até onde podemos chegar e não vai aceitar menos.
Nosso desafio é encarar uma escalada que não podemos vencer completamente, mas devemos subir até onde pudermos. Nem um milímetro a menos. Sejamos portanto, perfeitos.
“Pai, eu entendi Teu chamado em minha vida de modo diferente de Abrão, mas nem por isso quero fugir da Tua presença. Ajuda-me e fortalece-me para que eu seja tão perfeito quanto eu puder.”
Mário Fernandez

31 de jul. de 2011

Terrorista louro de olhos azuis

Frei Betto
Escritor e assessor de movimentos sociais
fonte: http://www.adital.com.br
Preconceitos, como mentiras, nascem da falta de informação (ignorância) e excesso de repetição. Se pais de uma criança branca se referem em termos pejorativos a negros e indígenas, judeus e homossexuais, dificilmente a criança, quando adulta, escapará do preconceito.
A mídia usamericana incutiu no Ocidente o sofisma de que todo muçulmano é um terrorista em potencial. O que induziu o papa Bento XVI a cometer a gafe de declarar, na Alemanha, que o Islã é originariamente violento e, em sua primeira visita aos EUA, comparecer a uma sinagoga sem o cuidado de repetir o gesto numa mesquita.
Em qualquer aeroporto de países desenvolvidos um passageiro em trajes islâmicos ou cujos traços fisionômicos lembrem um saudita, com certeza será parado e meticulosamente revistado. Ali reside o perigo... alerta o preconceito infundido.
Ora, o terrorismo não foi inventado pelos fundamentalistas islâmicos. Dele foram vítimas os árabes atacados pelas Cruzadas e os 70 milhões de indígenas mortos na América Latina, no decorrer do século 16, em decorrência da colonização ibérica.
O maior atentado terrorista da história não foi a queda, em Nova York, das torres gêmeas, há 10 anos, e que causou a morte de 3 mil pessoas. Foi o praticado pelo governo dos EUA: as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Morreram 242.437 mil civis, sem contar as mortes posteriores por efeito da contaminação.
Súbito, a pacata Noruega – tão pacata que, anualmente, concede o Prêmio Nobel da Paz – vê-se palco de dois atentados terroristas que deixam dezenas de mortos e muitos feridos. A imagem bucólica do país escandinavo é apenas aparente. Tropas norueguesas também intervêm no Afeganistão e deram apoio aos EUA na guerra do Iraque.
Tão logo a notícia correu mundo, a suspeita recaiu sobre os islâmicos. O duplo atentado, no gabinete do primeiro-ministro e na ilha de Utoeya, teria sido um revide ao assassinato de Bin Laden e às caricaturas de Maomé publicadas pela imprensa escandinava. O preconceito estava entranhado na lógica ocidental.
A verdade, ao vir à tona, constrangeu os preconceituosos. O autor do hediondo crime foi o jovem norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, branco, louro, de olhos azuis, adepto da fisicultura e dono de uma fazenda de produtos orgânicos. O tipo do sujeito que jamais levantaria suspeitas na alfândega dos EUA. Ele "é dos nossos”, diriam os policiais condicionados a suspeitar de quem não tem a pele suficientemente clara nem olhos azuis ou verdes.
Democracia é diversidade de opiniões. Mas o que o Ocidente sabe do conceito de terrorismo na cabeça de um vietnamita, iraquiano ou afegão? O que pensa um líbio sujeito a ser atingido por um míssil atirado pela OTAN sobre a população civil de seu país, como denunciou o núncio apostólico em Trípoli?
Anders é um típico escandinavo. Tem a aparência de príncipe. E alma de viking. É o que a mídia e a educação deveriam se perguntar: o que estamos incutindo na cabeça das pessoas? Ambições ou valores? Preconceitos ou princípios? Egocentrismo ou ética?
O ser humano é a alma que carrega. Amy Winehouse tinha apenas 27 anos, sucesso mundial como compositora e intérprete, e uma fortuna incalculável. Nada disso a fez uma mulher feliz. O que não encontrou em si ela buscou nas drogas e no álcool. Morreu prematuramente, solitária, em casa.
O que esperar de uma sociedade em que, entre cada 10 filmes, 8 exaltam a violência; o pai abraça o filho em público e os dois são agredidos como homossexuais; o motorista de um Porsche se choca a 150km por hora com uma jovem advogada que perece no acidente e ele continua solto; o político fica indignado com o bandido que assaltou a filha dele e, no entanto, mete a mão no dinheiro público e ainda estranha ao ser demitido?
Enquanto a diferença gerar divergência permaneceremos na pré-história do projeto civilizatório verdadeiramente humano.
[Frei Betto é escritor, autor, em parceria com Marcelo Gleiser e Waldemar Falcão, de "Conversa sobre a fé e a ciência” (Agir), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
Copyright 2011 – FREI BETTO – Não é permitida a reprodução deste artigo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização do autor. Assine todos os artigos do escritor e os receberá diretamente em seu e-mail. Contato – MHPAL – Agência Literária (mhpal@terra.com.br)]

Ecoespiritualidade na Vida Religiosa Consagrada

 Mais do que nunca, os últimos desastres naturais sinalizam a urgência de uma mudança em nossa maneira de viver como seres humanos, como imagem e semelhança de Deus, como pessoas consagradas, discípulos e discípulas de Jesus, no hoje da história. Para isso, necessitamos uma espiritualidade mais ampla e profunda, que nos ajude a contemplar o universo como a casa de todos. Uma espiritualidade que nos possibilite a abertura necessária para poder aprender a conviver com os mais de seis bilhões de seres humanos que habitam o planeta Terra e com os dez bilhões de espécies que a compõem, sem perder o foco do discipulado de Jesus. Viver a Consagração a Deus, neste momento da história, supõe uma consciência e uma prática novas, como cuidadores e cuidadoras da sua fantástica criação.  
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10 de jul. de 2011

O despertar da América Latina

Selvino Heck
Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República

O Presidente Pepe Mujica, do Uruguai, fez um discurso que comoveu e empolgou todas e todos que estavam no encerramento da Cúpula Social do Mercosul, como eu, a delegação da Secretaria Geral da Presidência da República e de movimentos sociais brasileiros, dia 28 de junho, em Assunção, Paraguai:
"Ocupamos uma parte importante de nossa vida para trabalhar pelos outros para um mundo melhor. A vida é maravilhosa, quase um milagre. E a vida vale a pena quando é vivida com gana. Apesar de todas as dores, muitas graças à vida. Mas para que a vida seja bela, precisa dar-lhe um conteúdo.Vocês, companheiros da militância social, estão lutando por uma causa que necessita vocês fazerem algo, para não serem uma onda ao vento.
Temos duas mãos. Uma mão para lutar por salário e emprego, para mover a matéria, para mudar as condições materiais do mundo. Mas temos a outra, para dar algo aos demais. Sempre, por mais difícil que seja,vocês poderão dar algo aos demais.
Temos que nos juntar para ter algo neste mundo, para ter presença internacional. Temos que nos juntar, juntar, juntar. Juntar nossas debilidades para ter força. Não é simples, porque a herança cultural nos tem imobilizado. Uma pátria tem que estar junto da outra.Tendemos a permanecer atomizados e diluídos, porque não vemos as ataduras que temos, não nos damos conta.
Por isso, companheiros, esta luta não tem fim na nossa geração. Nós herdamos a herança de outros que romperam a alma pra chegar aqui. Senão teríamos ainda gente escrava. Isso tudo não serve para nada se não aparece o humano. Necessitamos precisamente de um grande grau de tolerância para construir esse coletivo forte.
A humanidade progrediu porque teve gente que lutou, lutou, lutou e lutou. Não só para que os reconheçam, mas para dar um conteúdo à vida. Nós temos que fazer a nossa parte, para que os que venham depois possam ser convocados à vida. Para que se tenha um mundo um pouco melhor que o nosso. Muito obrigado, companheiros.”
A Cúpula Social do Mercosul aconteceu paralelamente à Cúpula dos Presidentes. Teve dezenas de mesas e trabalho sobre comunicação social, educação popular, tecnologia social, cultura, soberania alimentar, economia solidária, terra e reforma agrária, saúde, juventude, gênero e diversidade, povos originários, migração e tráfico de pessoas, mudanças climáticas, esportes.
O documento sobre educação popular, de cuja Mesa de Trabalho participei, com o tema central formação de professores, diz: "Décadas de luta dos setores comprometidos com a superação da situação - influência dos países centrais, dependência científica e tecnológica, limitação das liberdades e derrubada dos governos democráticos – e com a construção de uma sociedade mais justa, solidária, democrática nos situam hoje em um momento histórico propício para que as reivindicações, bandeiras e experiências dos setores populares e sociais se encontrem com os projetos políticos dos governos de nossa região.
Ninguém pode negar que a transformação do destino de nossas nações assenta-se na unidade e na mudança cultural. Pode-se pensar, sem dramatizar o futuro, que a ‘exclusão social’ constitui o eixo que se deve abordar com urgência para construir instâncias genuínas de organização, educação, trabalho, justiça social e esperanças compartilhadas.
Neste Espaço Social do Mercosul, destacamos que a Educação, seja a formal, seja a popular, é uma ferramenta possível para instalar, durante os próximos 30 anos, os desafios da modificação cultural necessária que assegure e afirme a vontade ideológica e política que imaginaram os homens e mulheres sábios de nossa América do Sul.
O educador, a educadora são atores específicos que colaboram para promover espaços coletivos de diálogo na sociedade e oferecem as ferramentas chaves para compreender porque as coisas são assim e instalar as competências necessárias e a esperança para modificar os sistemas injustos, a partir da pluralidade das organizações do povo.
É necessário um debate profundo da sociedade latino-americana para articular estratégias no interior do MERCOSUL e da UNASUL sobre a educação que necessitamos. As ferramentas a utilizar são numerosas, outras a construir, porém não deixemos que voltem a interromper o caminho que iniciamos. Necessita-se o compromisso de TODAS e TODOS para assegurar uma mudança substancial e democrática para a felicidade de nossos povos.”
O presidente Lugo do Paraguai, o presidente Rafael Correa do Equador, o presidente Pepe Mujica do Uruguai, a presidenta Dilma do Brasil reafirmaram a unidade sul-americana num momento especial de mudanças, de desenvolvimento sustentável, de participação social, de democracia e de protagonismo no mundo.
Como disse Maria Eugênia Insaurralde, Coordenadora Geral do Centro de Estudos e Educação Popular de Assunção, Paraguai, na Mesa de Trabalho sobre educação popular: "Este é um momento histórico na nossa América Latina. Estamos construindo algo novo e diferente. Tenho 33 anos e me sinto parte desta caminhada de lutadoras e lutadores do povo ao longo do tempo.”
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A Teologia franciscana da pobreza em Boaventura de Bagnoregio e Pedro de João Olivi

Introdução

Tendo muito oportunamente refletido, sob a competente condução de Frei Celso Márcio Teixeira, sobre a proposta econômica de Francisco de Assis, vejamos agora, ainda que de forma bastante incompleta, como a questão da pobreza foi sendo abordada ao longo dos primeiros decênios da história franciscana - especialmente por dois dos seus grandes personagens: Boaventura de Bagnoregio e Pedro de João Olivi - a fim de verificarmos qual a relevância desta reflexão para o tema da relação entre economia e cristianismo que estamos tratando.leia mais: www.kairoscotidianoteologia.blogspot.com

San Francisco y el pensamiento nietzscheano:

San Francisco y el pensamiento nietzscheano: Sanar nuestro vínculo con el poder (Extracto).Autor: Leonardo Belderrain, del Convento San Francisco - Buenos Aires.
 
I.- Francisco de Asís y Nietzsche
Durante muchos años se opuso al hombre fuerte de Nietzsche,( la bestia rubia) al hombre solidario que propugnó el Cristianismo. ¿Tales visiones del hombre, son irreconciliables o se complementan? Y a partir de estos cuestionamientos, podemos también preguntarnos: ¿Se puede ser capitalista salvaje y a la vez solidario con los débiles?; ¿Se puede....leia mais: www.kairoscotidianofilosofia.blogspot.com

5 de jul. de 2011

CNBB recomenda a fiéis filme “Homens e Deuses.

A Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura Educação e Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na figura de seu presidente, o arcebispo do Rio de Janeiro Dom Orani João Tempesta, apoia e solicita a divulgação do filme “Homens e Deuses”, em cartaz no país desde meados de abril, sobretudo para os jovens brasileiros, no que se refere à vida e aos valores humanos e cristãos.

Premiado em Cannes no ano passado com o Grande Prêmio do Júri, o filme tem direção e produção do francês Xavier Beauvois e é baseado na história real dos monges trapistas que foram sequestrados e assassinados em Thibirine, na Argélia, em 1996, como parte das atrocidades que aconteciam no país durante o confronto entre o governo e grupos extremistas.
Todo o desenrolar da trama se passa em um mosteiro nas montanhas da Argélia, onde oito monges cristãos franceses vivem em harmonia com os moradores locais até o momento em que rebeldes civis iniciam ataques a região e as autoridades pedem aos monges para fugirem. Mesmo diante do perigo, os monges decidem ficar e não abandonar o humilde povo que necessita da presença deles.
Com duração de duas horas, o filme retrata de forma tocante e real a inabalável fé dos religiosos e a convivência pacífica e o diálogo que os monges tinham com os muçulmanos. Ele recorre a cartas escritas pelos monges para recuperar os argumentos e crenças que os levaram a ficar no mosteiro até o fim, quando foram capturados e mortos pela facção Jamaat Islamyya.
Um dos maiores sucessos dos cinemas europeus no ano de 2010, o filme teve mais de três milhões de expectadores só na França. No Brasil, endossado pela CNBB, vem como objetivo colateral de tornar-se um instrumento de evangelização para todos, especialmente para a juventude.
Guadium

No princípio, a bênção.


Marcelo Barros
Monge beneditino e escritor
fomte: www.adital.com.br
Nesta época do ano em que o litoral do Nordeste corre o risco de sofrer novas inundações, grande parte do Brasil vive, ao contrário, a estação da seca. A região sul é visitada por ondas de frio e o Centro-oeste sofre a falta de umidade. Neste tempo, o cuidado com a natureza e a prevenção contra as queimadas se tornam ainda mais importantes e urgentes. As festas juninas e celebrações andinas, que se encerraram com o final de junho, comemoram a vitória do sol e da vida sobre o frio e a morte. Muitas pessoas que, neste mês, aproveitam alguns dias de férias desejam que o tempo seja favorável. É também para que a estação nos seja propícia que grupos indígenas, em Minas e em outras partes do Brasil, fazem rituais de cura da Mãe Terra.
As Igrejas despertam para a responsabilidade ecológica. Na Igreja Católica, a Campanha da Fraternidade deste ano tinha como tema o cuidado com a criação. A teologia cristã nunca negou a bondade das coisas criadas e a presença amorosa do Espírito em todo o universo. Mas, por motivos culturais, acabou se concentrando mais na história do pecado humano e da redenção realizada pelo Cristo. Esta teologia dá pouco espaço ou valoriza menos a relação entre o Espírito de Deus e o universo. Este Espírito é a energia amorosa que, a cada instante, cria, recria e fecunda tudo o que existe. Nenhum cristão nega a centralidade da morte e ressurreição de Jesus para a fé bíblica, mas procura ligar todas as coisas. Não podemos ver a redenção como se fosse desligada da criação e da presença divina atuante no universo. Paulo escreve que "onde o pecado abundou, a graça divina foi ainda mais transbordante” (Rm 5, 20). A desordem humana, presente na história, não diminui a beleza e a energia amorosa da vida, bênção divina para todo o universo. Mattew Fox, teólogo norte-americano, traduz assim o início do evangelho de João: "No princípio de tudo, existia a Energia Criadora. Esta Energia criadora comunicada por Deus como uma Palavra viva (o Verbo) era divina. Por meio dela, todas as coisas foram criadas e nada existe sem esta energia amorosa. (...) Ela (a Palavra que criou tudo) se tornou carne e no meio de nós plantou sua tenda. Nela, vimos a presença divina, glória que é sua, como Filha única do Criador, cheia de graça e verdade” (no livro In principio era la gioia, pp. 19- 20). Apóstolos como João e Paulo nos falam que esta esta energia amorosa é uma comunicação de amor ao universo (uma palavra divina) e teve como máxima expressão a pessoa de Jesus Cristo que assume todo o universo em sua pessoa e se manifesta como presença divina em toda criatura.
Conforme os evangelhos, Jesus veio anunciar e trazer para nós o reino de Deus. A natureza é o primeiro elemento deste reinado divino no mundo. Afirmar que Deus é rei significa lembrar que, como uma mãe que dá à luz a todas as criaturas existentes, o seu amor governa a ordem cósmica. Jesus disse: "Olhem os pássaros do céu. Olhem os lírios do campo. Deus cuida deles. Não vai cuidar de vocês?” (Mt 6 e Lc 12). E, aos pobres, confirma: "vosso é o reino divino” (Lc 6, 20). Isso significa que todo ser humano tem uma dignidade de rei neste mundo. Mestre Eckhart, místico medieval, ensinava: "Todo ser humano é de sangue real. Nasceu das profundezas mais íntimas da natureza divina e é representante de Deus para espalhar amor e recriar permanentemente toda criação divina”.
Muitas vezes, a humanidade compreendeu a dignidade do ser humano como supremacia sobre os outros seres e direito de dominar e explorar a natureza. Ao contrário, Deus nos fez jardineiros e gerentes da sua criação, para agirmos como ele age conosco e manifestarmos que todo ser vivo é obra de um amor eterno que atua permanentemente como energia de vida e de bênçãos. Esta revelação de que Deus é energia de amor está na liturgia da Igreja. Em cada eucaristia, os cristãos cantam: "a terra está cheia da vossa glória”. Esta bênção divina restaura a cada dia a natureza, nos faz sentir parte desta criação divina, unidos a todos os seres vivos. Quem crê em Jesus Cristo o encontra nesta inserção no universo. Ele se manifesta como o Cristo cósmico que leva à plenitude a criação, até que, como diz São Paulo, "Deus seja tudo em todos”.

4 de jul. de 2011

OS RELIGIOSOS LEIGOS NA IGREJA

Uma aproximação teológica.
Vanildo Luiz Zugno, OFMCap
RESUMO: O status eclesial dos religiosos leigos é algo ainda não definitivamente estabelecido. O clericalismo faz com que sejam identificados com o estado clerical, afastando-os da origem laical própria da Vida Religiosa (VR). Para o autor, isto não é resultado apenas de uma determinação canônica, mas resultado de uma construção teológica não conseqüente com a compreensão cristã de salvação. Soteriologia deficitária que tem suas conseqüências na Eclesiologia e na Teologia dos Ministérios. Para resgatar o específico da VR leiga masculina é necessário repensar a compreensão cristã de salvação e, a partir dela, construir uma Igreja-comunidade-de-iguais onde carismas e ministérios específicos possam multiplicar-se e serem colocados a serviço da construção do Reino.
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1 de jul. de 2011

Humanismo Franciscano e Ecologia

É evidente que não vou tratar aqui do HUMANISMO como doutrina dos humanistas do Renascimento, nem vou tratar da Ecologia como tratado do meio ambiente. Aqui entende-se por Humanismo Franciscano a visão do homem e da mulher inspirados em S. Francisco e em Sta. Clara. Entende-se por Ecologia a visão e as atitudes dos franciscanos no relacionamento com a Irmã Mãe Natureza. Segundo José António Merino (José António Merino, Vision Franciscana de la Vida Quotidiana, Ediciones Paulinas, Madrid - 1986), em quem me inspirei para preparar esta conferência, poderemos sintetizar em 7 pontos a maneira como o homem, ao longo da história, se relaciona com o mundo: PÂNICO. ASSOMBRO. RESPEITO. RACIONALIZAÇÃO. DESENCANTO. EXPLORAÇÃO e finalmente REDESCOBERTA de que o mundo é a nossa CASA.
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SEM FIGOS

“Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado;” (Habacuque 3:17)
A figueira é um símbolo de Israel, da nacionalidade, da identidade de um povo escolhido por Deus. Simbolicamente, portanto, não ter figo na figueira significa não ter dignidade, não ter direitos, não ter unidade com seus semelhantes e conterrâneos. É símbolo de humilhação.
Habacuque com isso nos diz, poeticamente e de forma simbólica, um ensino muito profundo e poderoso. Ainda que não tenhamos neste momento dignidade nenhuma e estejamos em total humilhação, nosso socorro, nossa alegria e nossa exultação vêm do Senhor. Nenhum de nós é capaz de fazer com suas próprias forças, mas na força do Espírito Santo tudo é possível.
Atualmente o senso de dignidade está um pouco diferente dos dias de Habacuque. Consideramos dignidade ter um bom emprego, ter plano de saúde, ter estudo, poder viajar, ter alguns confortos que nem existiam naquela época. Nada disso é errado por si só, mas igualmente todos nós devemos nos alegrar no Senhor em meio à falta de dignidade. Não é importante neste momento discutir ou avaliar o seu critério pessoal de dignidade, mas aconselho meditar sobre isso num momento pessoal. As vezes, a dignidade se confunde com luxúria ou com materalismo e isso sim nada tem a ver com o Reino de Deus. O importante é entendermos que quando falta o que consideramos digno a nós, nossa alegria deve ser o Senhor.
Note que Habacuque falou em a figueira nem florescer, quanto mais dar fruto. Se não floresce não há nem ao menos promessa de frutos, de mudança de cenário, de restauração da dignidade esperada. Ainda assim a alegria deve ser o Senhor.
Nosso desafio é adorar, agradecer, alegrar-se e exultar no nosso Deus em meio às situações e circunstâncias desfavoráveis.
“Senhor, eu não preciso de dignidade para te adorar, eu preciso é da Tua Presença. Ajuda-me a caminhar em santidade para ver com Teus olhos, independente do que ocorre ao meu redor.”
Mário Fernandez
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