10 de jul de 2015

Se você não desistir o sucesso virá

             Kelio Vilarindo Pereira, natural de Porto Nacional - Tocantins - poderia entrar no Livro dos Recordes: repetiu  sete vezes a 1ª séria  do ensino fundamental. Ele não conseguia entender o conteúdo das aulas. Teve de enfrentar as críticas dos familiares e  as brincadeiras de mau gosto dos colegas. Mas ele não desistiu. Agora, aos 32 anos,  acaba de receber o diploma no curso de Serviço Social na Universidade do Norte do Paraná e se prepara para enfrentar uma  pós-graduação.
            Todos temos sonhos, mas nem sempre estamos dispostos a pagar o preço exigido. É perigoso acolher alternativas mais baratas.. Os que optaram por  este caminho afundaram no mar do anonimato. Seus  nomes foram esquecidos, enquanto a História guardou os nomes dos  que superaram as dificuldades..
            Demóstenes,  o maior orador  da antiguidade grega, era gago. Venceu a dificuldade, colocando seixos na boca enquanto discursava diante das ondas do mar. Giuseppe Verdi, só depois de dois insucessos, foi admitido no Conservatório de Milão. O grande estadista, Winston Churchill, com bom humor, lembrava que ninguém sabia tanto do segundo ano primário, curso que ele repetiu três vezes. William Kennedy passou por 17 editoras até ver publicado seu  romance  Vernônia.
            Henri Ford  dizia aos seus empregados: se você acha que pode, ou se você acha que não pode, sempre terá razão. E Jean Cocteau, da Academia Francesa, comentou  a vida de um vitorioso: ele não sabia que era impossível, foi lá e o fez.
            Kelio V. Pereira, ao comentar seu sucesso, aponta duas causas: a família e pessoas que o ajudaram a  abrir  novos caminhos. Mesmo assim ele insiste: a pessoa tem  de querer vencer suas própria dificuldades, senão ele nunca sairá do lugar.
            Para inventar a lâmpada elétrica, Tomás Edison fez duas mil tentativas. Um repórter quis saber: o senhor nunca sentiu a vontade de desistir com tantos fracassos? A resposta; eu nunca fracassei; cada tentativa errada, eu dizia :aí está um jeito que não dá certo. Quando um erro nos ensina alguma coisa, ele valeu a pena.  Bem aproveitado, o erro é um excelente mestre.
            Quando nosso projeto é grande, não podemos ter muita pressa. Um cedro demora 80 anos para chegar  à maturidade, mas a aboboreira precisa apenas  de dois meses. Nunca podemos dizer: mais tarde, agora é cedo demais. Também é uma desculpa admitir: agora é tarde demais.  Se o  sonho é importante,  comece hoje.

Frei Aldo ColomboSobre o autor

Frei Aldo Colombo

Aldo Colombo é Frei Capuchinho,  nasceu em  Rolante, RS. Atualmente  reside Garibaldi, como vigário paroquial e superior da fraternidade e articulista do Jornal Correio Riograndense, e com varias publicações. Escreve textos para as emissoras da  Redesul de Rádio.

9 de jul de 2015

Ser uma pessoa religiosa ou de fé: distinções

Fonte: domtotal.com
Se faltar discernimento, prevalecerá a disputa entre religião e fé e não o encontro entre ambas.
É muito comum confundir experiência religiosa com experiência de fé.
 
Por Dom José Antônio Peruzzo*
Impressiona o elevado grau de religiosidade disseminada por toda a parte. Desde os tempos do iluminismo se anunciava o fim da religião. Contudo, por mais que a genialidade humana seja pródiga em sua força inventiva, quando tudo estaria a sugerir que a família humana seria mais feliz e justa, ainda assim enumeram-se as contradições da história. Homens e mulheres, carentes e abastados, parecem sempre mais inquietos. Uns pela falta, outros pelo excesso. E Deus é sempre lembrado. Em muitos casos, infelizmente, até para legitimar a violência.
É muito comum confundir experiência religiosa com experiência de fé. Também se fazem verdadeiros hibridismos entre religião e espiritualidade. Embora sejam questões conexas, se faltar discernimento, prevalecerá muito mais a disputa entre religião e fé do que o encontro entre estas duas dimensões. A religião refere-se ao sagrado, ao inacessível, dotado de onipotência. A pessoa religiosa se expressa com ritos e cultos. Faz suas ofertas e apresenta seus pedidos. Em muitas situações envolve um grande fascínio. Tem forte componente emotivo. Também faz parte da experiência religiosa a adesão a um corpo doutrinal. Mas ainda não chega a ser uma vivência de encontro com um Deus amoroso. Neste sentido, até as nossas novenas, vez por outra, podem carecer de maiores discernimentos. Elas correm o risco de serem apenas exercícios de religiosidade, o que é ambíguo.
A experiência de fé tem fundas raízes na religião. Mas traz consigo alguns elementos diferenciadores. A fé pede atitudes de relação, de confiança, de obediência. Não se trata de relação submissa, nem confiança cega. Tampouco se pensa em obediência fanatizada. Na experiência de fé conta muito, decisivamente, a liberdade pessoal. Compreendamos o sentido de “obediência”. Vem do latim ob-audire. A primeira parte (ob) é prefixo que indica “diante de”, “por causa de”. Audire quer dizer ouvir. Daí o termo obediência.
Agora voltemos à fé. Homem ou mulher de fé não é aquele(a) que tem certezas intelectuais. Tampouco é fé aquela atitude psicológica parecida com pensamento positivo. Estas são virtudes humanas, mas que ainda não integram ou constroem relações de confiança. Tem fé quem se dispõe aderir e vincular sua liberdade em favor de alguém que confere sentido à vida presente e futura. Porque adere também ouve, também ora, também obedece (ob-audire). Claro, a fé tem uma dimensão religiosa porque comporta abrir-se à eternidade, ao infinito, ao onipotente. Mas mais do que aspectos de ritos, valem os vínculos de relação.
Agora podemos retomar a frase do evangelho. O mais sério problema dos discípulos não era o vento tempestuoso. Não era a ameaça das ondas. Era a sua pouca confiança. O mar agitado era poderoso. O vento forte era ameaçador. Aos discípulos parecia mais lógica a certeza vinda de um milagre expectado do que a confiança na força, na autoridade e na palavra que de Jesus tinham ouvido. Eles eram homens religiosos. Mas ainda não tinham fé. O vento e o mar se curvaram ante a voz de Jesus. Os discípulos, porém, se apavoraram.
Segue que para chegar a ser uma pessoa de fé o caminho a percorrer não é o das elaborações filosóficas. Não são os raciocínios complicados que me levam à obediência a Deus. Se se trata de relação e de confiança, então a disposição à oração é o passo primeiro. É por isso que encontramos no mesmo evangelho de Marcos uma sublime oração de súplica: “Senhor, vem em socorro à minha fé” (Mc 9,24).
CNBB 08-07-2015
*Dom José Antônio Peruzzo é arcebispo de Curitiba (PR