29 de jun de 2012

Construa Sua Cela



Acompanho as notícias do trabalho da missão Portas Abertas desde meus tempos de adolescente (e olha que já faz tempo!). Recentemente, recebi um e-mail com o seguinte texto:
"Wang Mingdao foi o pastor e evangelista mais famoso da China. Ele ficou 23 anos na cadeia por crer em Deus. Durante uma entrevista, um jornalista da Portas Abertas lhe fez a seguinte pergunta:
- Nunca serei posto numa cadeia como o senhor. Como a sua fé pode impactar a minha?
Depois de refletir um pouco sobre o assunto, Mingdao respondeu:
- Quando me prenderam, fiquei arrasado. Eu desejava realizar cruzadas evangelísticas pela China; queria estudar minha Bíblia e escrever mais sermões. Mas, em vez de servir a Deus dessas formas, vi-me sentado sozinho numa cela escura. Não podia usar o tempo para escrever livros - não tinha papel e caneta. Não podia estudar a Bíblia e preparar sermões; tiraram a minha Bíblia de mim. Eu não tinha uma pessoa sequer a quem testemunhar, porque o carcereiro apenas empurrava minhas refeições pela porta da cela. Tudo o que me dava sentido como obreiro cristão fora tirado de mim. Eu não tinha nada a fazer. Nada, exceto conhecer Deus. E durante vinte anos aquele foi o melhor relacionamento que tive. Fui jogado numa cela, mas você terá de jogar-se numa. Você mesmo precisa construir uma cela para poder fazer por si próprio o que a perseguição fez por mim: simplificar sua vida e conhecer Deus."
Extraído do livro A fé que persevera.
Conheça mais sobre a missão Portas Abertas:
http://http://www.portasabertas.org.br

Vinicios Torres
Deixe o seu comentário no site: http://www.ichtus.com.br/dev/2012/06/28/construa-sua-cela/

28 de jun de 2012

TRAIÇÃO VIRTUAL

  Júlio Lázaro Torma membro da PO Pelotas RS 
Estamos vivendo atualmente na " era da pós modernidade" e da " era virtual",onde tem se cada vez mais difundido as relações virtuais,através de salas de bate papo e de comunidades virtuais como Orkut,MSN,Twitter,Faceboock...
  Ao mesmo tempo tem se difundido em nosso meio a cultura do individualismo,onde moro num edifício e não tenho relação nenhuma com o meu vizinho do lado esquerdo,direito ou da frente.
  As vezes eu bato no elevador,escada e porta do prédio,dou um oi ou nada.Não sei o seu nome,sentimentos,se esta doente ou não.No maior dos casos nada de sua vida.
  Me sento em frente do computador,a janela virtual e fico conversando,nas salas de bate papo,tenho amigos, em qualquer parte do mundo,sei do que aquela pessoa que nunca vi,sente,pensa e até suas perversidades e manias.
  Ao mesmo tempo em que vivemos na " era da solidão",encontramos também,os relacionamentos virtuais,onde alguns podem dar certos ou alguma furada.
 Como enquanto a esposa está na cozinha,fazendo o jantar ou arrumando a casa,o marido fica teclando e conversando com a namorada que mora na Inglaterra.Ou quando o marido dorme,a esposa fica namorando o namorado chinês,português,espanhol,japonês,italiano,angolano ou o vizinho do lado.
  As vezes pode acontecer como aquele pai que ficou três meses namorando via on line e marca o encontro com a gatinha num badalado restaurante da cidade e ao chegar empolgado,para o primeiro encontro se depará com a própria filha.
  Ou o empresário que encerrado no seu escritório,fica o expediente inteiro namorando e depois não sabe o que está acontecendo dentro da própria empresa e acaba colocando a culpa da sua distração e irresponsabilidade nos seus funcionários.
  Pode as vezes no chamado namoro virtual o cara acreditar que está namorando uma mulher,uma top model e namorar um homem e a mulher o homem de seus sonhos e lavar gato por lebre.
  As chamadas traições virtuais,além de serem casos novos e inéditos,tem sido um dos grandes desafios no campo do direito,bem como da teologia moral.
  Na questão da chamada traição virtual,segundo o direito,se o marido ou a esposa desconfiar que o conjugue está traindo virtualmente.Ele ou ela podem usar o próprio PC como prova da traição e infedelidade conjugal,que poderá gerar o divórcio e a perda de direitos por parte do conjugue traidor.
  Na Teologia Moral,a relação só pode se considerada como pecado e adultério se houver toque e a relação corpo a corpo.Mas alguns teólogos consideram como pecado e adultério as relações virtuais,tendo como fundamento:" Todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher,já adulterou com ela em seu coração"( Mt 5,28).
  Podemos dizer que a era virtual,da informática além de fazer que os distantes se aproximam,numa grande globalização.Ela também nos trouxe algumas realidades novas e novos desafios,como é o caso das traições virtuais,algo imagináveis alguns tempos idos.
  Como as tão freqüentes relações e traições virtuais,que podem destruir familias e acabar com as reputações das pessoas,pois não sabemos com quem estamos conversando do outro lado da tela do computador.

26 de jun de 2012

COMUNICADO DE LOS RELIGIOSOS DEL PARAGUAY

Asunción, 22 de junio de 2012.

Ante las gravísimas derivaciones que han tenido y están teniendo los trágicos acontecimientos de muerte de campesinos y policías en la Estancia Campos Morombí, con el subsiguiente sometimiento a juicio político del Presidente de la República, y sus consecuencias para el presente y el futuro de la vida social y política de la nación, la Junta directiva de la Conferencia de Religiosos del Paraguay (CONFERPAR), manifiesta cuanto sigue: 
leia mais:

25 de jun de 2012

Santa Clara de Assis



Com alegria estamos todos mergulhados na meditação dos passos dados por Clara de Assis no seguimento do Evangelho. Estamos vivendo esse tempo dos oitocentos anos da forma de vida da Senhora Clara. Temos diante dos olhos um texto  que aborda Clara, como mulher da esperança, da autoria de uma das mais conhecidas e eruditas filhas da santa. Trata-se de  Chiara Augusta Lainati.  São incontáveis as obras publicadas por esta clarissa. O texto de que dispomos  foi enviado para mosteiros das irmãs pobres de São Damião e é uma versão em espanhol de artigo que, provavelmente foi escrito em italiano (Clara, la mujer de la esperanza).  A autora se dirige às suas irmãs  fazendo um veemente convite a que voltem ao primeiro amor e sejam mulheres de esperança para um mundo sem esperança.  Mesmo sendo dirigidas para as irmãs, as palavras da Lainati servem para todos que vivemos o aperto no coração de ter perdido, em parte, a esperança.  Temos dúvidas, vivemos perplexidades, precisamos nos colocar entre os pobres que esperam a Deus. Fazemos uma tradução do texto com levíssimas adaptações. O presente artigo nos coloca, pois,  diante do ardente e urgente tema da esperança. Seu estilo é poético, mas também profético. Vale a pena ser meditado. leia mais:

Extrativismo sustentável ainda é pouco explorado no Cerrado



Por Akemi Nitahara e Beatriz Arcoverde

Brasília - O extrativismo no Cerrado ainda é pouco explorado, mas pode ser mais uma opção sustentável para o bioma. O exemplo vem de um casal de Brasília, que investe nos sabores de espécies nativas para fabricar sorvetes e picolés. O proprietário da sorveteria, Bartolomeu Rodrigues, explica que eles se associaram a cooperativas de catadores, que são capacitados para colher os frutos preservando o ecossistema.

"Eu quero que aquela árvore da qual a fruta foi catada esteja no ano seguinte no mesmo local e produzindo da mesma forma. Então não pode simplesmente chegar lá depredando a natureza, tem que catar de forma racional. São colhidos 70% dos frutos, os 30% restantes ficam para os bichos, que mantêm o Cerrado vivo".

No entanto, Bartolomeu lembra que muitas áreas de extrativismo estão sendo degradadas. Essa perda de biodiversidade é irrecuperável, já que falta tecnologia para fazer o reflorestamento da vegetação nativa do Cerrado.

A esperança começa a surgir com as pesquisas. A engenheira florestal Eneida Silveira coordena um grupo na Universidade de Brasília que conseguiu, pela primeira vez, cultivar mudas de plantas do Cerrado em laboratório, apesar da dificuldade para se propagar essas espécies pelos meios clássicos, como o uso de sementes.

"Nossa pesquisa procura desenvolver protocolos de propagação de espécies de interesse econômico, no caso medicinais ou frutíferas, para a criação de um sistema sustentável para o Cerrado. Outro ponto importante é que muitas plantas do Cerrado são medicinais, mas muito pouco estudadas sob esse aspecto. Consequentemente, se nós tivéssemos uma pesquisa avançada nesse sentido, poderíamos produzir medicamentos a partir de plantas do Cerrado".

Entre as espécies com as quais a professora Eneida trabalha estão o marmeleiro-do-cerrado, a sucupira-preta, mama-cadela, carobinha, copaíba e canela-de-ema. A pesquisadora lembra que as estações de muita chuva e de forte seca prejudicam o desenvolvimento das plantas. Também faltam estudos que mostrem como seria o crescimento com adubo e irrigação. Além disso, as sementes perdem a viabilidade muito rapidamente.
Agência Brasil

14 de jun de 2012

Vida Reliosa X secularização

A vida religiosa se encontra hoje submetida a notáveis influências. Destas, em particular, duas me parecem merecedoras de especial atenção.
 A primeira é a secularização. Um fenômeno histórico nascido na França em meados do século XVIII, que investiu sobre todas as sociedades que almejavam entrar na modernidade. A segunda trata-se da abertura ao mundo, justamente proclamada pelo Concílio Vaticano II, a qual foi interpretada, sob a pressão das ideologias do momento, como uma passagem necessária para a secularização.Laia mais. 

12 de jun de 2012

Santo Antônio


-- Especiais --
Cronologia
1195 - Segundo a tradição mais corrente, nasce em Lisboa, filho de Martim Afonso e Maria. De família "nobre e poderosa". Batizado com o nome de Fernando.
1202-1209 - Durante aproximadamente sete anos, estuda na escola episcopal anexa à Catedral de Lisboa.
1210 (?) - Ingressa no Mosteiro de São Vicente, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, nos arredores de Lisboa.
1212 (?) - Passa para o Mosteiro da Santa Cruz, pertencente também aos Cônegos Regulares de Santo Agostinho. O mosteiro atendia a uma paróquia na cidade e a outra no meio rural, dirigia dois hospitais, dava hospedagem e tinha outros trabalhos pastorais e assistenciais.
1220 - É ordenado sacerdote. Como encarregado da hospedaria, recebe os primeiros franciscanos provenientes de Assis que o impressionaram profundamente. Pouco depois, estes são martirizados em Marrakesh, no Marrocos, e seus restos mortais são sepultados na Igreja dos Cônegos de Santa Cruz. Deixa a Ordem Agostiniana para ingressar na Ordem Franciscana, mudando de nome: chamar-se-á Frei Antônio. Pelo fim do ano, viaja a Marrocos. Apenas chega, adoece gravemente.
1221 - Na primavera, embarca de regresso a Portugal para tratar da saúde, mas um furacão arrasta a nave, e Frei Antônio desembarca na Sicília, sendo hospedado pelos franciscanos de Messina. Em maio, viaja para Assis, onde participa do famoso "Capítulo das Esteiras". Encontra São Francisco, que havia renunciado ao governo da Ordem, e ouve suas edmoestações. Ao final do Capítulo, Frei Graciano, "Ministro e Servo" dos irmãos menores da Romanha, leva Frei Antônio consigo e o envia ao Eremitério de Monte Paolo, nos arredores de Forli, para celebrar a missa, fazer a limpeza e participar do ofício coral. Permanece ali uns quinze meses.
1223 - Em setembro, por ocasião da ordenação sacra de alguns irmãos, Frei Antônio revela sua doutrina bíblica, seu ardor e sua arte oratória. A partir deste momento, é destinado à pregação itinerante e à formação teológica dos irmãos. Pelo final do ano ou início do ano seguinte, recebe um bilhete de São Francisco, que o autoriza a ensinar a sagrada Teologia em Bolonha.
1224 (?) - Encontramos Frei Antônio em Vercelli.
1225 (?) - Passa para a França e prega em Montpeilier, Aries, Toulouse, Limoges e Bourges.
1226 - É nomeado "Custódio" dos frades menores da região de Limoges, guiando-os na difícil tarefa da evangelização, do trabalho pastoral e do combate à heresia. Dedica-se ainda ao ensino teológico e à redação de subsídios para a pregação. Entrega-se a uma intensa vida contemplativa.
1227 - No fim deste ano ou no princípio do ano seguinte, está novamente na Itália, exercendo o cargo de "Ministro Provincial" das regiões setentrionais.
1229-1230 - Pregação itinerante de Frei Antônio na Marca de Treviso e em Pádua, onde redige os Sermões dominicais, marianos e festivos.
1230 - Participa do Capítulo Geral de Assis, no fim do qual, com outros irmãos, se dirige a Roma para expor ao Papa os problemas da Ordem, que estava em plena crise de identidade, crescimento e adaptação.
1231 - Prega a famosa quaresma de 1231, que foi uma refundação cristã de Pádua. Pregação catequética diária e confissões em massa. Esta pregação-catequese foi o início de uma imponente evangelização da cidade e de seus arredores. Sua saúde está irremediavelmente comprometida. Em fins de maio, está em Camposampiero, onde completa alguns manuscritos e se dedica à contemplação. Ao meio-dia de 13 de junho, sofre um colapso. Quer regressar a Pádua, mas durante a viagem teve que se deter em Arcella, onde morre.
1232 - O Papa Gregório IX canoniza-o no dia 30 de maio, na catedral de Espoleto. É venerado com o título de Doutor da Igreja até 1568, tradição que é confirmada pelo Papa Pio XII no dia 16 de janeiro de 1946. Seu título litúrgico é Doctor Evangelícus.

10 de jun de 2012

Monocultura e seca

Júlio Lázaro Torma*
  Estamos no estado do Rio Grande do Sul, passando por um período de estiagem que dura sete meses.
  Mesmo em regiões ricas em águas,como o município de Pelotas os efeitos da estiagem se fazem presente, como o racionamento de água no perímetro urbano,bem como o uso de caminhões pipas na área rural do município.
  Se de um lado vemos o racionamento de água em domicílios das áreas da periferia da cidade, encontramos o desperdício de água na lavagem de automoveis nos lava jatos,postos de gasolina,tubulações quebradas,bem como nas áreas centrais e nobres do município e adjacências.
  A seca é um fenômeno natural que esta presente desde os primórdios, com os avanços tecnológicos na meteorologia,podemos até nos previnir, algo em que não tem acontecido.
  As freqüêntes secas que a cada ano tem atingido o estado do Rio Grande do Sul um dos principais estados agrícolas do país, onde grande parte dos municípios tem a raiz econômica na agricultura e pecuária.
  A seca não é apenas um fenômeno natural, mas está ligado ao modelo agrícola que vem dominando o Brasil e  mundo há décadas.Este modelo capitalista, machista e patriarcal que se sustenta através do latifúndio,da monocultura de exportação,da priorização financeira as multinacionais e grandes empresas  que detém o controle das sementes,das máquinas, dos agrotóxicos, da alta tecnologia e inclusive,do processamento dos alimentos e da produção de medicamento.
  Além do hidronegócio que tem se adonado dos mananciais e do mar expulsando as comunidades ribeirinhas e pesqueiras.
  Temos visto o avanço descontrolado do agronegócio sobre o pampa,através das empresas de florestamento( pinus,acasias,eucalipto), como a fruticultura,monocultura de soja que tem causado sérios desequilíbrios sócio-ambientais, como a expulsão de camponeses de seus locais de moradia.
  Bem como o assoreamento de rios,arroios e a destruição de nascentes,que tem causado a fome, miséria e pobreza,bem como o aparecimento de doenças.O atual modelo de desenvolvimento tem causado o desaparecimento também de espécies de animais e plantas,causando sérios desequilíbrios ecológicos que tem afetado a população rural dos pequenos, médios municípios, como dos municipios pólos e metropolitanos.
  O modelo econômico de desenvolvimento da região tão defendido pelas autoridades políticas, setores empresariais e ruralistas é o responsavel pela crescente seca.
  Ao mesmo tempo em que vemos o descaso dos políticos perante as situações de emergências no campo, como a seca, onde recorrem a medidas paliativas, para resolver a problemática em beneficio da monocultura e salvar os bancos e as empresas transnacionais, grandes proprietários rurais para que não tenham prejuisos.
  Vemos que tais benefícios não ajudam os camponeses,pois tais projetos,autoridades e entidades desconhecem a realidade camponesa, como a perda da produção agrícola,falta de água, a perda das sementes e a biodiversidade.
  Que faz com que os camponeses/as ficam mais empobrecidos e tendo que migrar para as cidades pólos enchendo os bolsões de miséria e o desemprego.
   A questão da seca podemos resolver mudando o atual modelo ecônomico, como garantindo o acesso a terra, água e a preservação da biodiversidade( sementes, mananciais de água,animais e plantas nativas), pelas populações camponesas.
  A questão da seca é política e só resolveremos quando mudarmos o modelo econômico e tivermos um outro mundo possível e necessario. 
____
  * Membro da Equipe da Pastoral Operária Arquidiocesana, Pelotas /RS

8 de jun de 2012

O canto de uma vida

Os últimos momentos da vida de Clara de Assis

 Irmã Catherine Savey, clarissa, publicou  na revista Èvangile  Aujourd’hui  (n.194. 2002, p.6-11)  um texto  descrevendo os  últimos  momentos  de Clara e tecendo considerações a respeito da cultura da morte da Idade Média.  Querendo continuar nossa preparação para o oitavo centenário da forma de vida de Clara acreditamos ser proveitosa...Leia mais:   http://kairoscotidianofranciscanisno.blogspot.com

5 de jun de 2012

Livro Just Love sob a mira do Vaticano


A Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano criticou duramente o premiado livro Just Love. A Framework for Christian Sexual Ethics (New York: Continuum, 2006), sobre ética sexual, de autoria da Ir. 
Margaret Farley, das Irmãs da Misericórdia, uma proeminente teóloga católica da Yale   University, nos Estados Unidos.
"Dentre os muitos erros e ambiguidades desse livro estão as suas posições sobre a masturbação, os atos homossexuais, as uniões homossexuais, a indissolubilidade do casamento e o problema do divórcio e do segundo casamento", diz a “Notificação” de cinco páginas da Congregação. Nessas áreas, afirma-se, a posição da autora "contradiz" ou "se opõe a" ou "não se conforma com" o ensino da Igreja.
Divulgada no dia 4 de junho, mas datada de 30 de março, a “Notificação” foi aprovada pelo Papa Bento XVI e assinada pelo cardeal William J. Levada, dos EUA, prefeito da Congregação, e pelo arcebispo Luis F. Ladaria, seu secretário.
Farley disse: "Embora minhas respostas a algumas questões sexuais éticas particulares realmente se afastam de algumas respostas cristãs tradicionais, eu tentei mostrar que elas, no entanto, refletem uma profunda coerência com os objetivos e intuições centrais dessas tradições teológicas e morais".
Embora a “Notificação” cite resumidamente as conclusões da religiosa sobre cada um dos cinco tópicos específicos que são apontados, seguidas de um breve resumo sobre como essas conclusões se afastam do ensino da Igreja, Farley disse que a crítica da Congregação "não leva em consideração também os meus argumentos para essas posições" ou os "complexos contextos teóricos e práticos aos quais eles são uma resposta".
Nesse sentido, a “Notificação” "deturpa – talvez inconscientemente – os objetivos do meu trabalho e a sua natureza como uma proposta que pode estar ao serviço, e não contra, a Igreja e seus fiéis", disse ela.
“Just Love: A Framework for Christian Sexual Ethics” [Apenas amor: Um marco para a ética sexual cristã] foi publicado em 2006 pela Continuum, uma editora internacional especializada em trabalhos acadêmicos. O livro argumenta que a justiça é uma qualidade-chave nas relações sexuais humanas, porque o amor autêntico é formado, guiado e protegido pela justiça. Em seu central capítulo 6, "Marco para uma ética sexual: Apenas amor", dentre os tópicos abordados, estão a personalidade, o livre consentimento, a reciprocidade, a igualdade, o compromisso, a fecundidade e a justiça social.
"Em última análise, nesse livro, eu propus um marco para a ética sexual que usa critérios de justiça na avaliação de relacionamentos e atividades sexuais verdadeiros e fiéis", disse Farley. "Ao fazer isso, eu ofereço não apenas ideais para as relações sexuais humanas, mas também alguns requisitos absolutos".
Em 2008, ela recebeu o prestigioso Prêmio Louisville Grawemeyer de Religião pelo livro.
Agora como professora emérita, Farley lecionou ética cristã durante 50 anos e começou sua carreira na Yale University em 1971. Ela foi a primeira professora mulher de tempo integral da Yale Divinity School. Ela e o renomado escritor espiritual Henri Nouwen compartilha a distinção de terem sido os primeiros católicos da história no corpo docente da faculdade.
"Eu não contesto o julgamento de que algumas das posições [expressadas em “Just Love”] não estão de acordo com o atual ensino oficial católico", disse ela. "No fim, eu só posso esclarecer que o livro não foi concebido para ser uma expressão do atual ensino católico oficial, nem estava especificamente voltado contra esse ensino. É de um gênero completamente diferente".
Em um e-mail para o NCR, Lisa Sowle Cahill, uma conhecida teóloga católica, autora e professora de ética na universidade jesuíta Boston College, disse: "Os teólogos não veem nem apresentam o seu trabalho como ´ensino oficial da Igreja´, e poucos fiéis ficam confusos acerca desse fato".
A Ir. Patricia McDermott, provincial das Irmãs da Misericórdia das Américas, expressou um "profundo pesar por essa Notificação ter sido emitida". Ela disse que Farley "assiduamente tenta apresentar a tradição católica como formativa de sua própria rica experiência, reconhecendo ao mesmo tempo o público ecumênico com o qual ela geralmente se envolve".
O Rev. Paul Cadetz, ministro presbiteriano ordenado e professor de teologia histórica no United Theological Seminary of the Twin Cities, de New Brighton, Minnesota, disse ao NCR que, no ensino dos cursos de graduação sobre religião, gênero e sexualidade, por duas vezes nos últimos cinco anos, ele usou como texto obrigatório o livro “Just Love”.
"Eu acho que é o melhor livro sobre ética sexual" disponível hoje, disse ele. "Eu simplesmente acho que não há nada melhor".

O que a “Notificação” diz

A Congregação doutrinal disse, após um exame inicial do livro, em março de 2010, ela enviou a Farley e à sua superiora religiosa uma "avaliação preliminar (...) indicando os problemas doutrinais presentes no texto".
A resposta de Farley em outubro daquele ano "não esclareceu esses problemas de forma satisfatória", disse a Congregação, de modo que realizou um exame completo do livro de acordo com os “Regulamentos para Exames Doutrinais”.
Após um segundo intercâmbio entre a congregação, Farley e sua superiora em 2011, a Congregação concluiu que a resposta dela aos "graves problemas" presentes no livro ainda eram inadequados, e ela decidiu prosseguir com a “Notificação”, que é uma forma padrão por meio da qual a Congregação notifica as lideranças e membros da Igreja de que encontrou sérios problemas doutrinais na obra de algum/a teólogo/a.
Sobre a abordagem geral de Farley, a “Notificação” diz que, ao acordar questões morais, ela "ignora o ensino constante do magistério [a autoridade de ensino oficial da Igreja] ou, onde ele é ocasionalmente mencionado, ela o trata como mais uma opinião dentre outras. Tal atitude não é de forma alguma justificável, mesmo dentro da perspectiva ecumênica que ela deseja promover".
Farley também é acusada de possuir uma "compreensão deficiente da natureza objetiva da lei moral natural", há muito tempo uma peça-chave do ensino moral católico oficial. "Essa abordagem não é consistente com a autêntica teologia católica", disse a Congregação.
Sobre as cinco questões específicas pelas quais a Congregação criticou as posições de Farley, segue aqui uma versão resumida do que a Congregação citou do seu livro e de suas respostas:
- Masturbação: "A Ir. Farley escreve: ´A masturbação (…) normalmente não suscita quaisquer questões morais. (…) As normas da justiça da forma como eu as apresentei pareceriam se aplicar à escolha de autoprazer sexual apenas na medida em que essa atividade possa ajudar ou prejudicar, apenas na medida em que apoia ou limita o bem-estar e a liberdade de espírito. Isso continua sendo em grande parte uma questão empírica, e não moral".
O firme e constante ensino da Igreja "e o sentido moral dos fiéis não tiveram nenhuma dúvida e mantiveram firmemente que a masturbação é uma ação intrínseca e gravemente desordenada", mesmo que também se devam levar em conta fatores tais como "a imaturidade afetiva, a força de hábito adquirido", que podem "diminuir ou mesmo atenuar a culpabilidade moral", respondeu a Congregação.
- Atos homossexuais: "A Ir. Farley escreve: ´Meu ponto de vista (...) é de que os relacionamentos e as atividades entre pessoas do mesmo sexo podem ser justificados de acordo com a mesma ética sexual dos relacionamentos heterossexuais. Portanto, pessoas orientadas ao mesmo sexo, assim como suas atividades, podem e devem ser respeitadas quer tenham ou quer não tenham uma escolha para serem de outra forma".
"Essa opinião não é aceitável", disse a Congregação. Embora as pessoas com tendências homossexuais "devem ser acolhidas com respeito, compaixão e sensibilidade", acrescenta-se, a tradição da Igreja, baseada na Escritura, "sempre declarou que os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados. Eles são contrários à lei natural".
- Uniões homossexuais: observando que a Ir. Farley argumenta que as leis antidiscriminação desempenham um papel importante para reverter o ódio e a estigmatização de gays e lésbicas, a Congregação citou o seguinte trecho do livro: "Atualmente, uma das questões mais urgentes perante o público dos EUA é o casamento para parceiros do mesmo sexo – ou seja, a concessão de reconhecimento social e de postura legal para uniões entre lésbicas e gays comparáveis às uniões entre heterossexuais".
"Essa posição é oposta ao ensino do magistério", disse a Congregação, citando o Catecismo da Igreja Católica e declarações anteriores feitas sobre o assunto, incluindo: "Os princípios de respeito e de não discriminação não podem ser invocados para apoiar o reconhecimento legal das pessoas homossexuais" – em parte porque isso significaria a "aprovação do comportamento desviante, com a consequência de torná-lo um modelo na atual sociedade".
- Indissolubilidade do casamento: "A Ir. Farley escreve: ´Minha posição pessoal é de que um compromisso de casamento está sujeito a cessão nas mesmas bases últimas de que qualquer compromisso extremamente sério, quase incondicional e permanente pode cessar de vincular. (…) Ele pode se manter absolutamente, em face de uma mudança radical e inesperada? Minha resposta: às vezes não pode. Às vezes, a obrigação deve ser liberada, e o compromisso pode ser justificadamente modificado".
"Essa opinião está em contradição com o ensino católico sobre a indissolubilidade do matrimônio", afirmou a Congregação. Sua resposta, citando a lei da Igreja e o Concílio Vaticano II como suas fontes, disse em parte que "o amor busca ser definitivo; não pode ser um acordo ´até novo aviso´. (...) O Senhor Jesus insistiu na intenção original do Criador, que quis que o matrimônio fosse indissolúvel. (…) Dentre os batizados, um matrimônio ratificado e consumado não pode ser dissolvido por qualquer poder humano nem por qualquer outra razão que a morte".
- Divórcio e novo casamento: "A Ir. Farley escreve: ´As vidas de duas pessoas uma vez casadas entre si são sempre qualificadas pela experiência desse matrimônio. (…) Mas [se ele acaba em divórcio] o que resta não permite um segundo casamento? Minha opinião é de que não. Qualquer obrigação permanente que um vínculo residual imponha, ela não precisa incluir a proibição de um novo casamento – não mais do que o fato de a união permanente entre os cônjuges depois que um deles tenha morrido proíbe um segundo casamento por parte daquele que ainda vive".
Citando Cristo no Evangelho de Marcos – "O homem que se divorciar de sua mulher e se casar com outra, cometerá adultério contra a primeira mulher. E se a mulher se divorciar do seu marido e se casar com outro homem, ela cometerá adultério" –, a Congregação respondeu que, no ensino da Igreja, no caso do divórcio e do novo casamento civil, "uma nova união não pode ser reconhecida como válida, se o primeiro casamento foi válido", e aqueles que se encontram em tal situação não podem receber a Comunhão se não se arrependerem, se confessarem no sacramento da penitência e se comprometerem "a viver em completa continência".
A Congregação disse que, por causa de suas posições "em direta contradição com o ensino católico no campo da moral sexual", o livro “Just Love” não pode ser usado como expressão válida do ensino católico, nem no aconselhamento e formação, ou no diálogo ecumênico e inter-religioso".
A “Notificação” encerra com um apelo aos teólogos para que estudem e ensinem a teologia moral "em plena concórdia com os princípios da doutrina católica".

Outras reações

Harold Attridge, reitor da Yale Divinity School e católico, disse: "Teólogos honestos e criativos muitas vezes se encontraram com uma resposta crítica à reflexão teológica séria, e não é nenhuma surpresa que o trabalho da professora Farley também tenha passado por isso".
Ele acrescentou: "A propósito, eu suspeito que aqueles que reagem negativamente a ele agora apreciarão a importante contribuição que ele faz àquele que deve ser o nosso esforço constante de examinar os fundamentos da nossa vida moral".
Farley é ex-presidente da Catholic Theological Society of America (CTSA) e da Christian Ethics Society. Ela recebeu 11 títulos “honoris causa” e, em 1992, recebeu a maior honraria da CTSA pela sua realização teológica, o Prêmio John Courtney Murray.
Teóloga do Boston College, Cahill disse em seu e-mail ao NCR que a “Notificação” adotou uma estratégia de apenas relatar as conclusões de Farley sobre cinco questões morais específicas e contrapô-las com as conclusões do ensino da Igreja – sem "se engajar com nenhum dos argumentos a favor ou contra" que a Igreja ensina.

Ela disse que essa abordagem cria a "infeliz impressão" de que:


- "Engajar-se com os argumentos da Ir. Margaret e as respostas às inquirições anteriores [ao longo da investigação de dois anos] é supérfluo e desnecessário, porque a condenação do seu livro foi pré-determinada, e a investigação, uma mera formalidade;


- "Não há, de fato, nenhum argumento razoável para apoiar as posições afirmadas pela “Notificação”;


- "A própria Congregação para a Doutrina da Fé abandonou a fundamentação da teologia moral na ´natureza objetiva da lei moral natural´ e está contando exclusivamente com a autoridade das conclusões passadas".


Cadetz, teólogo presbiteriano de Minnesota – analisando o livro “Just Love” a partir da perspectiva de um professor bastante afastado dos debates católicos internos – disse em uma resenha do livro de 2007, publicado na The Ecumenist, revista que promove a unidade dos cristãos, que duas coisas o atraíram ao livro como um texto principal para o ensino de cursos universitários sobre a ética sexual.

"Em primeiro lugar, ele oferecia aos meus estudante resumos claros e legíveis de grande parte da literatura já coberta, mas que não é tão estilisticamente lúcida como o texto de Farley", escreveu. "Em segundo lugar, seu livro foi um maravilhoso manual para ensinar aos estudantes o que acarreta a produção de um argumento ético e de como eles podem ir construindo tal posição normativa sobre a ética secular para si mesmos".
Cahill comentou que "o momento dessa intervenção é incrível e ironicamente ruim". "Os bispos dos EUA, e em sua instigação o Vaticano, já estão atraindo uma enorme quantidade de comentários negativos na imprensa acerca da sua perseguição às irmãs norte-americanas", disse ela. "Eles apenas jogaram mais lenha no fogo".
A reportagem é de Jerry Filteau, publicada no sítio do jornal National Catholic Reporter, 04-06-2012, reproduzida pelo IHU.