29 de set de 2012

“A teologia de Torres Queiruga não atenta contra a fé da Igreja”

Martín Gelabert Ballester (Manacor, 1948), professor da Faculdade de Teologia de Valência, é  um teólogo sério e ponderado. Talvez, por isso, foi escolhido pelo próprio Andrés Torres Queiruga para que o acompanhasse no colóquio com a Comissão para a Doutrina da Fé. Triste, após a publicação da nota da Comissão da Doutrina da Fé da Conferência Episcopal da Espanha, o teólogo dominicano assegura que se trata somente de “uma advertência”, porque “sua teologia não atenta contra a fé da Igreja”. Também reconhece que o teólogo admoestado “é uma das grandes figuras vivas da teologia espanhola”, dos poucos “cuja obra está traduzida para o alemão” e que esta, “tanto aos simples como àqueles com maior formação, faz muito bem”. leia mais:

26 de set de 2012

Representação e Participação

                                           Júlio Lázaro Torma*
  Estamos em processo eleitoral nos cinco mil municípios brasileiros,em que teremos que eleger aqueles que deverão nos próximos quatro anos nos representar nos poderes legislativos e executivos.
  Temos sido bombardeados vinte e quatro horas por candidatos escutamos propostas mirabolantes e que vamos viver num " mar de rosas" e " país das maravilhas".
  O processo eleitoral nos chama a debater sobre as propostas dos candidatos/as em melhor " cuidar" e " administrar" a cidade,bem como representação e participação popular.
  Todos os partidos de todos os espectros políticos tem " idéias boas" para a coletividade, segundo o segmento em que representa.Mas a questão está em dois idens:
  1) Como vão executar?
   2) Para quem vão governar e representar?
   Tem aparecido candidatos folclóricos ou exóticos, se dizendo que " sou seu representante" e que " quero te representar" ou " que conheço tuas necessidades e anseios,por isso quero ( ...) te representar no Legislativo Municipal".
  Se olharmos para os nossos legisladores e executivos são poucos que conhecem a realidade nua e crua do povo e o que acontece diariamente nos bairros e localidade rurais.
Pois eles não tem contato real e direto com o eleitor que o elegeu.
  Tal distanciamento e afastamento do político do eleitor, da pessoa comum que trabalha e sofre as durezas do dia a dia, alimenta cada vez mais a antipatia e o descrédito da classe política perante o povo.
  Ao mesmo tempo em que cresce a proposta do Voto Distrital, onde acabamos fortalecendo o coronelismo e os currais eleitorais.Fazendo com que bons candidatos sérios, honestos e coerentes e de esquerda acabariam sendo barrados.
  Vivemos numa República representativa, onde eu cidadão comum tenho que escolher e dar a minha confiança naquela pessoa em que nos próximos anos deverá me representar e decidir por mim no melhor caminho e desenvolvimento da coletividade nos próximos quatriênio.
  Só que estes que deveriam representar se afastam do povo em suas torres e redomas de vidro, a onde ficam confinados nas câmaras e dizem " nós sabemos o que o povo quer e deseja".
  Na verdade eles não sabem nem o que está acontecendo do lado de fora das paredes dos parlamentos.
  Eis que os movimentos que afloraram após a chamada " Primavera Árabe"( 2010-11) e que pegou corpo com os indignados da Plazza del Sol ( Madri) a Praça Syntagma ( Atenas) na Europa, Occupy Wall-street ( O W S) em Nova York, o movimento Yo Soy 132 dos estudantes mexicanos e o movimento estudantil universitário e secundarista chileno.
  Tem algo de bom e positivo que a democracia direta e participativa dos cidadãos.
   Onde o cidadão que sabe de fato a onde lhe doí no calcanhar, ele participa e decide como foi a idéia original do Orçamento Participativo em que teve sucesso em muitas cidades.
  O cidadão que é no caso o dono do poder deve participar e decidir a onde vai o orçamento público.Muitas vezes escutamos o reclamo popular sobre o mal atendimento na saúde o que um reclamo geral.
  Ele sabe o que está acontecendo no local a onde reside,os problemas enfrentados por ele e pela coletividade local, diferente daqueles que se dizem pretensos á representa-lo no parlamento.
  O povo ao participar de movimentos como indignados, Occupy Wall Street, Yo Soy 132  e de outros mecanismos de participação direta e de democracia direta,acaba se educando para a sua autonomia e responsabilidade.
  Onde se sente que ele pode mudar as coisas e melhorar a sua qualidade de vida e da coletividade que o cerca.
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   * Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas / RS

24 de set de 2012

Política e Compromisso Social

Júlio Lázaro Torma* 
"Tudo é político, ainda que o político não seja tudo"( Enmanuel Mounier) 
Quando se fala em Política,o senso comum lembra dois sentidos como algo gerador de conflitos e ligado a sujeira( corrupção e politicagem) e partidos políticos.
  Muitos falam odeio e tenho nojo de política e que na política ninguém presta e que cada um pensa em si.Entra fulano e sai ciclano é tudo a mesma coisa.Como falou alguém;" nós acabamos sendo governados por quem gosta de fazer política".
  E ai acaba surgindo o profissional político.
  Tal discurso desestimula as pessoas e faz com que não apareça novas lideranças e pessoas comprometidas.
  Segundo Aristóteles," nós somos seres políticos".A palavra Política,vem do grego " Polis",Cidade, ou seja" cuidar ou administrar a cidade", que é um dever de todo o cidadão,morador da cidade,dai exercer a cidadania.
  Olhando a Política,ela esta dividida em três esferas ou poderes que são o Político,Econômico e o Social,que compreendem os seguintes espaços.
  Político ( partidos, estado,município), Econômico( empresas,coorporações, mercados), Social( comunidades, cooperativas,movimentos sociais, associações e moradores de uma localidade).
  Só que acabamos as vezes vendo a privatização do estado,á fusão do político com o econômico,o que gera os casos de corrupção e politicagem.
  A Política é ao mesmo tempo cuidar e vocação, ou como escreve Paulo VI ' Á maior caridade é a caridade política".Onde o político é de fato aquele que é chamado a fazer  e a " cuidar" do bem comum da cidade e dos seus concidadãos.
  É chamado a fazer com amor a cuidar,assim como faz um jardineiro ao embelezar o jardim.
  Existe duas formas de fazer política ( P) Social e , política partidária(p).Nós fazemos política das duas formas e não somos incentos é um erro dizer sou " apolítico" ou ' neutro".
  Política Partidária (p) é a luta pelo poder do estado,para conquistar o governo municipal, estadual e federal.Os partidos existem com esta função de chegar ao governo,conquistar o poder e muda-lo.Partido é parte, são partes que lutam por interesses de grupos ou classes que representam.
  Elaboram propostas para toda a sociedade ao chegar ao governo.
  As políticas públicas serão conforme o seu programa e visão partidária da sociedade.A política partidária é conflitiva,os políticos são adversários e não inimigos,tem visão diferente de mundo e de resolver os problemas.
  Política Social ( P), Aqui todos nós somos chamados a fazer parte, como compromisso social pelo bem comum da comunidade em que moro.Onde somos responsáveis pelo bem comum, bem estar do bairro,cidade,distrito,estado,país e do planeta.
  Onde somos chamados a participar na vida social, como organização de saúde,limpeza pública, rede escolar, transporte.Participar de um ato em defesa e promoção da reforma agrária e urbana é política social.Quando cuido da limpeza da rua, bairro,recolho material reciclavél,não depredo a praça e locais de lazer,cuido com carinho e conscientizo os meus vizinhos pelo cuidado do bairro, condomínio estou fazendo política social.
  Devemos participar da vida política participando de conselhos paritários e de participação no controle social e do Orçamento público.
  A Política  ela não é suja ou feia, o que é sujo é a politicagem.A Política é boa e deve ser limpa com a participação cidadã.Onde todos nós somos chamados a participar e somos responsáveis.Pois a Política Social visa o bem comum de todos ou de um grupo, cujos direitos são desrespeitados.
  Definimos Política Social ou Política com P maiúsculo, significa a busca comum do bem comum.Devemos olhar a nossa participação na política como serviço aos irmãos menos favorecidos.Pois devemos ter poder do amor e não o amor pelo poder.
           Pistas de meditação
1) Como vejo a política?
2) Como me relaciono com a política?
3) Faço parte de alguma esfera política e como é a minha atuação nestas esferas políticas?
                 Textos de iluminação Bíblica
  Ex 3,1-15; Ex 18,13-27; Sl 72(71); Mt 5, 1-14; I Rs 3, 4-15; Jz 9,7-21; Jo 10,1-17.
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 * Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas/ RS

21 de set de 2012

Comissão Europeia confrontada com estudo arrasador sobre transgénicos

Um estudo provando que o herbicida Roundup e uma variedade de milho transgénico da multinacional Monsanto podem provocar doenças gravíssimos levou eurodeputados a confrontar a Comissão Europeia com a sua conhecida posição liberal em relação aos transgénicos.
Um estudo provou que cobaias alimentadas ao longo da vida com a variedade de milho transgénico da Monsanto ou consumindo pontualmente água contendo vestígios de Roundap a uma taxa como a autorizada nos Estados Unidos desenvolveram tumores mamários e lesões graves no fígado e rins.
Kartika Liotard e Nikos Chountis, eurodeputados da Esquerda Unitária (GUE/GNL) tomaram como base de uma pergunta à Comissão um estudo revelando que o herbicida Monsanto Roundup e uma variedade resistente de milho transgénico, produzido pela mesma multinacional, provocam tumores e lesões múltiplas em órgãos, provocando morte prematura em cobaias usadas como teste.
Dirigindo-se ao comissário da Saúde, John Dalli, os eurodeputados querem que sejam levantadas as regras que impedem os Estados membros de interditar a cultura de organismos geneticamente modificados (OGM) por razões sanitárias e ambientais. As instituições europeias têm-se caracterizado por uma política permissiva sob pressão das multinacionais do sector, designadamente a poderosa norte-americana Monsanto. Liotard e Chountis defendem igualmente uma revisão da política da Comissão em relação aos OGM.
Por isso, os eurodeputados pretendem igualmente que seja interdita a importação no espaço europeu de produtos suspeitos da Monsanto, a proibição de entrada na União da espécie de milho em questão oriunda de países terceiros e também a aplicação de novos limites dos teores de glifosfatos do herbicida Roundap comercializado nos 27 Estados membros.
Liotard e Chountis elaboraram a sua pergunta com base em novos dados contidos num estudo publicado quinta-feira em França. Esta investigação provou que cobaias alimentadas ao longo da vida com a variedade de milho transgénico da Monsanto ou consumindo pontualmente água contendo vestígios de Roundap a uma taxa como a autorizada nos Estados Unidos desenvolveram tumores mamários e lesões graves no fígado e rins.
Artigo publicado no portal do Bloco de Esquerda no Parlamento Europeu

19 de set de 2012

Rousseau e a liberdade

 O artigo de Pedro Soares de Oliveira neto tem como objetivo demonstrar que o conceito de liberdade fundamentado por Rousseau é a origem da degeneração do homem; Fazendo uma releitura do seu clássico “A origem da desigualdade entre os homens”. leia mais:


18 de set de 2012

Vaticano II e a Bíblia

Tivemos um passado nublado em relação ao uso e à leitura da Palavra de Deus. A bíblia foi tirada das mãos dos católicos. Isto chegou até os nossos tempos, como aconteceu nas minhas primeiras férias de Seminário, em 1967, quando disse à minha mãe: "Por que não temos uma bíblia?". A resposta foi reveladora: "A gente pode ter bíblia em casa!?".
Numa história de mais de 500 anos, quem não tinha boa formação não podia manusear o Livro Sagrado. Tudo por medo de uma má interpretação dos textos "fora do contexto". Até parece que faltava confiança na inspiração que vem do Espírito Santo. Ficamos no prejuízo e caminhamos pouco no conhecimento e na intimidade com a Palavra de Deus.
Com o Concílio Vaticano II o clima mudou. Hoje já sentimos os avanços que estão acontecendo e os resultados evidentes da força da Palavra. A bíblia está voltando para as mãos dos católicos, sendo a força transformadora das comunidades cristãs. Isto revela a beleza e a ação do Espírito de Deus no seio da Igreja.
A bíblia passou a ser o "livro de cabeceira", aliada de muita gente como devoção e referência para suas urgentes necessidades. É um instrumento de uso pessoal, fazendo parte do dia a dia das pessoas. Não só isto, mas também com uma maneira de leitura que ajuda na interpretação, evitando privilegiar texto fora do contexto.
É interessante ter em conta que muitas pessoas conseguem ligar a Palavra de Deus com os fatos da vida. O texto, refletido e rezado, passa a iluminar as realidades, abrindo caminho para superação das dificuldades. Isto acontece no nível pessoal, mas também no comunitário, especialmente nos círculos bíblicos.
A habilidade para lidar com a bíblia vem dos momentos formativos, de leituras de autores voltados para a Palavra de Deus, do mês da bíblia e de escolas teológicas com acento na Sagrada Escritura. Tudo isto revela que estamos dando passos e provocando interesse das pessoas pela leitura frequente da bíblia.
São 50 anos do Vaticano II. Já temos um patrimônio de reflexão sobre a bíblia, mas não temos ainda projetos pastorais com o tema "animação bíblica de toda a pastoral". Até então, esta não tem sido a tônica das Igrejas Particulares. Temos, sim, grandes iniciativas aqui e ali, mas que ainda não revelam fato de relevância.
Aos poucos descobrimos que a Palavra de Deus não está só na bíblia. Deus ainda se revela na vida, nos acontecimentos e no relacionamento das pessoas. A bíblia ajuda na descoberta da Palavra nas realidades do cotidiano. Isto cria ânimo, renova as forças desgastadas com as dificuldades, e desperta esperança.
Antes da existência da bíblia, a Palavra já era vivida nas comunidades. A escrita dos textos bíblicos veio dizer que Deus sempre esteve presente no meio do povo. Às vezes isto não é percebido, mas aparece na experiência pessoal e nas atitudes das comunidades. Basta interpretar o que está por trás da luta do povo.
Quanto falamos de interatividade entre a fé e a vida, estamos falando da força da Palavra que produz a fé em Deus, os compromissos com o seu projeto em Jesus Cristo, em harmonia com a história de vida da comunidade. A leitura atenta da bíblia joga luz sobre a fé e a vida, criando consciência crítica no contexto social.
O Congresso de Animação Bíblica da Pastoral quer despertar em toda a Igreja, e em todas as pastorais, o compromisso com os anseios do Vaticano II, 50 anos depois; também com os atuais documentos oficiais, principalmente o de Aparecida e as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, 2011 - 2015.
Dom Paulo Mendes Peixoto
Bispo de São José do Rio Preto.

16 de set de 2012

Oxfam alerta para o agravamento da crise alimentar


O agricultor Aissata Abdoul Diop, da Mauritânia, mostra os efeitos 
da seca de março de 2012 no seu milho – Foto de Pablo Tosco/Oxfam

Entidade aponta que mudanças climáticas elevarão os preços dos alimentos, que devem pelo menos dobrar nos próximos 20 anos, fazendo com que as famílias mais pobres tenham que gastar 75% do seu rendimento em comida. Artigo de Fabiano Ávila do Instituto CarbonoBrasil
Segundo dados da Secretaria Nacional de Defesa Civil, 1.123 cidades brasileiras, reunindo mais de oito milhões de pessoas, estão a enfrentar a pior seca dos últimos 30 anos, que pode estender-se até 2013. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já teria inclusive reduzido a estimativa para a produção de grãos deste ano, o que vai contribuir para a alta dos preços dos alimentos não apenas no Brasil, mas em todo o planeta.
Este tipo de cenário deve tornar-se comum, já que uma das consequências do aquecimento global é justamente o aumento da frequência e intensidade de fenómenos climáticos extremos. Assim, a crise alimentar, que atualmente é um problema seriíssimo, deve transformar-se numa tragédia de proporções incalculáveis.
Quem faz o alerta é a Oxfam no seu novo relatório “Extreme Weather, Extreme Price” (“Clima Extremo, Preço Extremo”), divulgado nesta quarta-feira (5). De acordo com a entidade, populações que hoje já passam dificuldade para se alimentar encontrar-se-ão numa situação ainda pior nas próximas décadas, comprometendo até 75% do seu rendimento na compra de comida.
“O aumento das temperaturas e mudanças nos padrões de chuva dificultarão a produção agrícola e causarão aumentos constantes nos preços. O pior é que eventos extremos, como a atual seca nos Estados Unidos, podem acabar com safras inteiras e forçar picos dramáticos nos preços”, afirmou Tim Gore, conselheiro de mudanças climáticas da Oxfam.
“Todos sofreremos com a alta dos preços, mas serão os mais pobres que sentirão mais fortemente os impactos. As consequências das mudanças climáticas na alimentação mundial ainda não são discutidas o suficiente. O mundo precisa acordar e perceber o perigo da inação.”
Segundo a Oxfam, os preços médios de alimentos devem dobrar até 2030. O milho, por exemplo, deve subir 177%, o trigo, 120%, e o arroz, 107%.
O custo destes produtos deve ficar ainda mais alto durante eventos extremos.
Uma seca na América do Norte, similar à de 1988, pode elevar o preço mundial do milho em mais 140% e do trigo, em 33%. Se acontecer na América do Sul, tal seca causaria o aumento de 12% no milho. Colheitas ruins na Índia e no Sudeste Asiático, prejudicadas, por exemplo, por enchentes, afetarão principalmente o arroz, causando uma alta mundial de 25%.
Adaptação
Apesar do cenário desolador, o relatório salienta que ainda é possível reverter esta tendência.
Investimentos numa agricultura sustentável baseada em pequenos produtores, principalmente nos países em desenvolvimento, podem facilitar o acesso das populações aos alimentos, o que, com certeza, diminuiria os preços.
Financiar medidas de adaptação e de redução de prejuízos em caso de eventos climáticos extremos também é apontado como uma opção. Aumentar as reservas de alimentos, o armazenamento de água e a monitorização do clima é considerado fundamental pela Oxfam.
Para tornar isto tudo possível, a entidade defende a capitalização do Fundo Climático Verde, que, apesar de teoricamente entrar em vigor em 2013, ainda não conseguiu reunir os recursos necessários para cumprir o seu objetivo de aliviar os impactos do aquecimento global.
“Os governos devem agir agora cortando as emissões de gases do efeito estufa, revertendo décadas de baixos investimentos em agricultura familiar e providenciando os recursos necessários para ajudar os pequenos produtores a se adaptarem às mudanças climáticas”, concluiu Gore.
Artigo de Fabiano Ávila, publicado pelo Instituto CarbonoBrasil

O Homem Pós Neoliberal

                                    Júlio Lázaro Torma*
                                       " A sociedade nos transforma em cordeiros"
                                                             ( muro da Sorbonne/1968)
  O ataque terrorista ao World Trade Centers e o crack do Banco Lehman Brothers Holding In no dia15 de Setembro de 2008.que originou a Grande Recessão, que não significa só uma crise econômica mundial.
  Crise está interligada por outras crises interminadas como a humana, energética,ecológica, alimentaria e ética.
  Estamos numa " crise de civilização" ou de modelo político e econômico no caso a " crise do neoliberalismo".
  O projeto neoliberal entrou em colapso após quatro décadas de supremacia na qual o teólogo neoliberal Francis Fukuyama,após o colapso do socialismo revisionista,anunciava com ufanismo" O Fim da História e o último homem", o fim das utopias e a supremacia do pensamento neoliberal.
  Toda uma geração viveu sob o pensamento de que:" O triunfo do Ocidente,da idéia ocidental é evidente,para começar no total esgotamento de alternativas viáveis ao liberalismo ocidental".Onde a queda do social imperialismo foi a vitória final da democracia liberal e ocidental do modelo capitalista econômico e político do neolibralismo.
  Vivemos numa época em que segundo Fukuyama é:
  " O fim da história será algo triste.A busca do reconhecimento,a disposição de arriscar a própria vida por meta abstrata,a luta ideológica planetária que exige audácia,coragem,imaginação e idealismo será substituída pelo cálculo econômico,o interminável empenho por solucionar problemas técnicos e a satisfação de exigências sofisticadas de consumo.No período pós-histórico,não haverá arte nem filosofia,apenas uma perpétua curadoria do museu da história humana".
  A economia está incluída em todas as esferas do agir humano como político,social,cultural e religioso.O neoliberalismo fez com que o econômico saísse deste circulo e domina-se todas as esferas do agir humano.Onde o homem foi reduzido " a produzir,consumir e enriquecer".
  O individuo neoliberal é hedonista,egoísta,individualista,consumista,frívolo e obsecado pelos objetos e imagem fashion que emana dele.O homem atual vive aquilo em que Adam Smith ( 1723-1790),escrevia" para escravizar um homem a que dirigir ao seu egoísmo e não na sua humanidade".
  Onde devo levar vantagens em tudo e consumir,pois só existo,quando consumo" consumo logo existo".
  Vivemos numa época totalitária neoliberal,onde somos massa de manobra dos valores neoliberal,como faziam os regimes totalitários do séc XX,vivemos numa Matrix.
  Estamos numa crise profunda de " mudança de época", que é a crise do neoliberalismo e dos valores neoliberais,onde estamos mas não sabemos como irá acabar.
  Assim como foi a transição da idade antiga para a media,da média para a moderna e da moderna para a contemporânea.
  O homem neoliberal está em crise,nada o satisfaz e dai algo que cubra este vázio,solidão e depressão como o consumismo desenfreado,espiritualidade intimista e alienante.O uso de anti depressivos e entorpecentes,no último caso o suicídio gerado  pelo medo e incerteza em relação ao futuro.
  Até o fim desta crise o neoliberalismo e o capitalismo ainda persistira,assim como ocorreu com os sistemas anteriores em que deixaram resquícios antes de desabarem.
  Somos desafiados á nos questionar sobre" O que tipo de homem será após o neoliberalismo?"
  Vamos ter que Refundar a humanidade com novos valores diferentes daquelas que levaram a humanidade ao aventurismos como o fascismo,nazismo,ditadura militar,socialismo revisionista,que levou a humanidade á um, beco sem saída.
  Como será o homem pós neoliberal?,que surgira após a crise do atual modelo hegemônico?
  Usando a expressão de Ernesto Che Guevara e do Apóstolo Paulo de " Homem Novo"( Ef 4,24),que surgira deste vazio,ele não será dominado pelos impulsos egoístas do homem velho que age através do consumismo e da competividade.
  Este novo homem estará fora da lógica do mercado.onde o individuo do social imperialismo foi absorvido pela massa do coletivismo,individuo do nazismo e fascismo pela raça e do liberalismo pelo egoísmo.
  O individuo neoliberal é um escravo de suas paixões e impulsos.
  O Novo Homem e a Nova humanidade que surgirá desta crise será livre.Ele deverá ser solidário e aberto para se realizar totalmente.Uma realização que deverá acontecer fora das esferas do mercado e da competividade.
  Onde devemos resgatar o textos desconhecidos de Karl Marx,em que ele defende a realização do ser humano fora do mercado,como sobre o amor,amizade,relação com os outros e a arte.Poder criar o máximo a partir das disposições de cada um.
  Somos diferentes um dos outros,somos seres diferentes,com sentimentos diferentes.
  O Homem Velho neoliberal está morrendo para nascer o Homem Novo e a nova humanidade.Que está em gestação em meio a crise do capitalismo e do neoliberalismo,que ainda persistira com as suas crises por algum tempo.
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  * Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas/ RS

12 de set de 2012

Um sonho estranho e penetrante de uma Igreja diferente

A análise é do bispo francês Jean-Charles Thomas. Nascido em 1929, tornou-se bispo auxiliar de Versalhes no dia 23 de dezembro de 1986. Tornou-se bispo titular no dia 4 de junho de 1988 e aposentou-se de suas funções no dia 11 de janeiro de 2011, por razões de idade.


"...reconfortar, curar e pôr em comunhão os irmãos e as irmãs de todas as Igrejas cristãs, libertados das suas diferenças separadoras..." (Foto: )
No dia 1º de maio de 2012, eu festejei em uma solidão livremente escolhida o 40º aniversário da minha ordenação episcopal, passando uma boa parte do dia rendendo graças. E na noite seguinte eu tive um sonho...
Um papa (qual? Quando? Não sei...) decidia chamar de Congregação Romana para a Revelação Cristã a antiga Congregação para a Doutrina da Fé, que havia sucedido o Santo Ofício, que por sua vez havia substituído a Santa Inquisição. Ele lhe confiava a função primordial de vigiar para que toda doutrina ou decisão fosse examinada, julgada, mantida ou rejeitada segundo a fidelidade de sua relação com a Revelação cristã, essencialmente expressa na Bíblia.
A intenção do papa foi claramente percebida: o anúncio da Boa Nova devia retomar o primeiro lugar na Mensagem, na Missão e na organização da Igreja Católica.
Seguiu-se um grande fervor entre os cristãos para ler e meditar as Sagradas Escrituras. Em todos os continentes, os grupos de lectio divina se multiplicavam. Os diálogos sobre o sentido da Vida se espalhavam na internet. Pastores, teólogos e filósofos se uniam para fazer resplandecer as harmonias da Sabedoria revelada. Um Sopro de primavera, oferecido a todos os seres humanos, fazia nascer iniciativas para esclarecer, reconfortar, curar e pôr em comunhão os irmãos e as irmãs de todas as Igrejas cristãs, libertados das suas diferenças separadoras. Juntos, eles dialogavam com os crentes monoteístas do mundo, prioritariamente com os judeus, "nossos irmãos mais velhos na fé".
Observando esse novo Sopro que dinamizava os cristãos, multidões de pessoas recomeçavam a se interessar pelos valores espirituais, pela humanização da Humanidade e pelas suas instituições sociais, políticas, econômicas, intergeracionais, familiares e mundiais. Essas multidões, cansadas dos conflitos gerados por pessoas que, apresentando-se como crentes, impunham os seus integralismos, recomeçavam a escutar o murmúrio dos convites à Paz, à reconciliação e ao perdão pronunciados por Jesus de Nazaré, que tinham encontrado um grande eco nos séculos passados e em todas as latitudes.
Convencido pelos milagres gerados pela Palavra de Deus, reconhecida como Fonte de Luz, o papa (qual? quando? não sei...) se comportava como servo dos servos de Deus. Ele reivindicava, como Simão Pedro, ser considerado como coancião, sumpresbuteros, um dos Doze, encarregado de presidir a comunhão. Os seus Dicastérios estavam comprometidos em assegurar prioritariamente um ministério de serviço e não de autoridade suprema. Ele usava a internet para consultar periodicamente todos os bispos do mundo sobre as melhores formas de viver a colegialidade, de responder aos problemas que os seus antecessores haviam se reservado recentemente, notavelmente sobre certos elementos da vida dos casais, sobre o lugar das mulheres nas responsabilidades e nos ministérios, sobre o papel dos idosos na evangelização e nas comunidades cristãs, sobre o lugar decisivo da consciência no juízo moral, sobre a justa relação entre o magistério e o sensus fidelium e sobre os novos problemas postos pelas evoluções do mundo...
Ele pediu até que se voltasse ao vocabulário respeitado pela Tradição dos dez primeiros séculos, evitando chamar de padres aqueles que Cristo jamais havia chamado assim, tendo-os considerado sempre como seus Enviados: Missionários ou Apóstolos escolhidos entre os Discípulos, que tinham dentre outras coisas a possibilidade de viver em casal segundo o pensamento do Criador expresso no início da Bíblia.
Consequentemente, a vocação cristã e a missão de todos os fiéis de Cristo foram apresentadas de forma mais conforme às cartas de Paulo, de Pedro, de Tiago, de João, aos Atos dos Apóstolos.
Retomou-se o uso de textos que haviam se perdido um pouco de vista: eles haviam sido redigidos por um Concílio realizado nos anos 1962-1965. A sua redescoberta favoreceu uma melhor conformidade dos múltiplos hábitos, tradições, interpretações e prescrições impostas na Igreja Romana ao longo da história – junto com a grande Tradição Revelada.
Um dia (quando? não sei...) esse papa providencial proibiu os títulos de Santíssimo Padre, de Soberano Pontífice, explicando que eles deviam ser reservados a Deus. Propôs uma reflexão para saber se era oportuno distinguir a Missão de Bispo de Roma, primus inter pares, da função de Chefe de Estado do Vaticano, porque essa segunda função muitas vezes criava confusão quando o papa viajava para fora do Vaticano para visitar pastoralmente e encorajar os fiéis de Cristo.
Ele voltou à antiga Tradição no que se refere à nomeação dos bispos, constatando que a centralização nesse âmbito havia se tornado ingerível, apesar da presença de Núncios que se comprometiam a encontrar novos bispos, embora continuando a exercer as suas funções oficiais de Diplomatas do Estado de Vaticano...
O amanhecer nascente interrompeu esse sonho.
Eu me despertei.
Chovia lá fora. Um tempo realmente feio.
O artigo foi publicado no sítio Garrigues et Sentiers, 03-09-2012, reproduzido pelo IHU-Unisinos

11 de set de 2012

Humanismo Franciscano e Ecologia

Frei Miguel Negreiros
É evidente que não vou tratar aqui do HUMANISMO como doutrina dos humanistas do Renascimento, nem vou tratar da Ecologia como tratado do meio ambiente. Aqui entende-se por Humanismo Franciscano a visão do homem e da mulher inspirados em S. Francisco e em Sta. Clara. leia mais: