26 de set de 2012

Representação e Participação

                                           Júlio Lázaro Torma*
  Estamos em processo eleitoral nos cinco mil municípios brasileiros,em que teremos que eleger aqueles que deverão nos próximos quatro anos nos representar nos poderes legislativos e executivos.
  Temos sido bombardeados vinte e quatro horas por candidatos escutamos propostas mirabolantes e que vamos viver num " mar de rosas" e " país das maravilhas".
  O processo eleitoral nos chama a debater sobre as propostas dos candidatos/as em melhor " cuidar" e " administrar" a cidade,bem como representação e participação popular.
  Todos os partidos de todos os espectros políticos tem " idéias boas" para a coletividade, segundo o segmento em que representa.Mas a questão está em dois idens:
  1) Como vão executar?
   2) Para quem vão governar e representar?
   Tem aparecido candidatos folclóricos ou exóticos, se dizendo que " sou seu representante" e que " quero te representar" ou " que conheço tuas necessidades e anseios,por isso quero ( ...) te representar no Legislativo Municipal".
  Se olharmos para os nossos legisladores e executivos são poucos que conhecem a realidade nua e crua do povo e o que acontece diariamente nos bairros e localidade rurais.
Pois eles não tem contato real e direto com o eleitor que o elegeu.
  Tal distanciamento e afastamento do político do eleitor, da pessoa comum que trabalha e sofre as durezas do dia a dia, alimenta cada vez mais a antipatia e o descrédito da classe política perante o povo.
  Ao mesmo tempo em que cresce a proposta do Voto Distrital, onde acabamos fortalecendo o coronelismo e os currais eleitorais.Fazendo com que bons candidatos sérios, honestos e coerentes e de esquerda acabariam sendo barrados.
  Vivemos numa República representativa, onde eu cidadão comum tenho que escolher e dar a minha confiança naquela pessoa em que nos próximos anos deverá me representar e decidir por mim no melhor caminho e desenvolvimento da coletividade nos próximos quatriênio.
  Só que estes que deveriam representar se afastam do povo em suas torres e redomas de vidro, a onde ficam confinados nas câmaras e dizem " nós sabemos o que o povo quer e deseja".
  Na verdade eles não sabem nem o que está acontecendo do lado de fora das paredes dos parlamentos.
  Eis que os movimentos que afloraram após a chamada " Primavera Árabe"( 2010-11) e que pegou corpo com os indignados da Plazza del Sol ( Madri) a Praça Syntagma ( Atenas) na Europa, Occupy Wall-street ( O W S) em Nova York, o movimento Yo Soy 132 dos estudantes mexicanos e o movimento estudantil universitário e secundarista chileno.
  Tem algo de bom e positivo que a democracia direta e participativa dos cidadãos.
   Onde o cidadão que sabe de fato a onde lhe doí no calcanhar, ele participa e decide como foi a idéia original do Orçamento Participativo em que teve sucesso em muitas cidades.
  O cidadão que é no caso o dono do poder deve participar e decidir a onde vai o orçamento público.Muitas vezes escutamos o reclamo popular sobre o mal atendimento na saúde o que um reclamo geral.
  Ele sabe o que está acontecendo no local a onde reside,os problemas enfrentados por ele e pela coletividade local, diferente daqueles que se dizem pretensos á representa-lo no parlamento.
  O povo ao participar de movimentos como indignados, Occupy Wall Street, Yo Soy 132  e de outros mecanismos de participação direta e de democracia direta,acaba se educando para a sua autonomia e responsabilidade.
  Onde se sente que ele pode mudar as coisas e melhorar a sua qualidade de vida e da coletividade que o cerca.
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   * Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas / RS

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