Júlio Lázaro Torma*
Estamos em processo eleitoral nos cinco mil municípios
brasileiros,em que teremos que eleger aqueles que deverão nos próximos
quatro anos nos representar nos poderes legislativos e executivos.

O processo eleitoral nos chama a debater sobre as propostas dos
candidatos/as em melhor " cuidar" e " administrar" a cidade,bem como
representação e participação popular.
Todos os partidos de todos os espectros políticos tem " idéias
boas" para a coletividade, segundo o segmento em que representa.Mas a
questão está em dois idens:
1) Como vão executar?
2) Para quem vão governar e representar?
Tem aparecido candidatos folclóricos ou exóticos, se dizendo que
" sou seu representante" e que " quero te representar" ou " que conheço
tuas necessidades e anseios,por isso quero ( ...) te representar no
Legislativo Municipal".
Se olharmos para os nossos legisladores e executivos são poucos
que conhecem a realidade nua e crua do povo e o que acontece diariamente
nos bairros e localidade rurais.
Pois eles não tem contato real e direto com o eleitor que o elegeu.
Tal distanciamento e afastamento do político do eleitor, da
pessoa comum que trabalha e sofre as durezas do dia a dia, alimenta cada
vez mais a antipatia e o descrédito da classe política perante o povo.
Ao mesmo tempo em que cresce a proposta do Voto Distrital, onde
acabamos fortalecendo o coronelismo e os currais eleitorais.Fazendo com
que bons candidatos sérios, honestos e coerentes e de esquerda acabariam
sendo barrados.
Vivemos numa República representativa, onde eu cidadão comum
tenho que escolher e dar a minha confiança naquela pessoa em que nos
próximos anos deverá me representar e decidir por mim no melhor caminho e
desenvolvimento da coletividade nos próximos quatriênio.
Só que estes que deveriam representar se afastam do povo em suas
torres e redomas de vidro, a onde ficam confinados nas câmaras e dizem "
nós sabemos o que o povo quer e deseja".
Na verdade eles não sabem nem o que está acontecendo do lado de fora das paredes dos parlamentos.
Eis que os movimentos que afloraram após a chamada " Primavera
Árabe"( 2010-11) e que pegou corpo com os indignados da Plazza del Sol (
Madri) a Praça Syntagma ( Atenas) na Europa, Occupy Wall-street ( O W
S) em Nova York, o movimento Yo Soy 132 dos estudantes mexicanos e o
movimento estudantil universitário e secundarista chileno.
Tem algo de bom e positivo que a democracia direta e participativa dos cidadãos.
Onde o cidadão que sabe de fato a onde lhe doí no calcanhar, ele
participa e decide como foi a idéia original do Orçamento Participativo
em que teve sucesso em muitas cidades.
O cidadão que é no caso o dono do poder deve participar e decidir
a onde vai o orçamento público.Muitas vezes escutamos o reclamo popular
sobre o mal atendimento na saúde o que um reclamo geral.
Ele sabe o que está acontecendo no local a onde reside,os
problemas enfrentados por ele e pela coletividade local, diferente
daqueles que se dizem pretensos á representa-lo no parlamento.
O povo ao participar de movimentos como indignados, Occupy Wall
Street, Yo Soy 132 e de outros mecanismos de participação direta e de
democracia direta,acaba se educando para a sua autonomia e
responsabilidade.
Onde se sente que ele pode mudar as coisas e melhorar a sua qualidade de vida e da coletividade que o cerca.
____________________________
* Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas / RS
Nenhum comentário:
Postar um comentário