30 de nov de 2013

A Salvação esta mais perto de nós

                                  Júlio Lázaro Torma*
                                          " Ficai atentos e preparados!"
                                                       ( Mt 24,44)
Estamos no tempo do Advento, época de espera da chegada e realização das promessas de Deus. Vamos rezar e meditar neste ano litúrgico o Evangelho de Mateus.
  O evangelista tem uma linguagem apocalíptica, sobre este novo tempo. O texto faz parte do 5º discurso a " Vinda do Filho do Homem" ( Mt 24-25).
  Sobre o Advento São Cirilo de Jerusalém ( 315-386), nos fala:
  " Anunciamos o advento de Cristo. Não porém, um só, mas também o segundo, muito mais glorioso, que o primeiro. Aquele revestiu um aspecto de sofrimento, este trará consigo o diadema do reino divino.
  No seu primeiro advento Cristo foi envolvido em faixas e deitado num presépio, no segundo, será revisto com um manto de luz.No primeiro suportou a cruz, sem recusar a ignomínia, no segundo aparecerá glorioso, escoltado pela multidão dos Anjos.
  Por esse motivo afirmamos na nossa profissão de fé, tal como a recebemos por tradição, que acreditamos naquele que subiu aos céus e está sentado á direita do Pai e que há de vir em sua glória para julgarmos vivos e os mortos e o seu reino não terá fim".
  O Evangelho de Mateus está estruturado em 5 discursos que são: I) Justiça no Reino ( Mt 5-7);  II) Missão dos discípulos ( Mt 10); III) As parábolas do Reino ( Mt 13); IV) Viver em comunidade ( Mt 18), V) Vigilância sobre a vinda do Filho do Homem ( Mt 24-26).
  Mateus segue o mesmo esquema de Marcos e coloca parábolas, nos lembrando que temos que ter vigilância, serviço, solidariedade e do julgamento.
  As comunidades no século I, tinham a expectativa da chegada imediata de Jesus que seriam testemunhas oculares da sua vinda gloriosa. Pensavam quando " Jesus chegar quero estar no meu lugar" ou " será que vou ser chamado ou não". E tinham a perspectiva de que o fim do mundo esta próximo.
   Tal expectativa gerou uma acomodação dentro das comunidades, como alerta o Apóstolo Paulo:" Quem não quer trabalhar, que também não coma" ( II Ts 3,10).
  Objetivo das respostas sobre esta indagação e preocupações é a homilia da Vinda do Filho do homem.
  Jesus usa a comparação de Noé, para falar na vinda do Filho do homem, em que acontecera quando menos se esperá e que não existe uma hora e data marcada.
   Pois o tempo de Deus é bem diferente do nosso,pois para Deus, " um dia diante de Deus é como mil anos, e mil anos como um dia" ( Sl 90,4; II Pd 3,8).
   Assim como não sabemos a hora em que o ladrão vem roubar. Devemos estar vigilantes, atentos para a chegada do Filho de Deus.
   O FIM DO MUNDO, quando Jesus fala no fim do mundo, ele fala deste mundo, do sistema iníquo que oprime, domina e que um dia isso tudo vai passar, nos anima e nos deixa esperanças.
  Enquanto esperamos Jesus, não devemos nos acomodar e nos isolar.Devemos continuar a missão, estar fiéis no serviço á comunidade, sem cair na tentação de afrouxar a prática da justiça, diante da demora do Senhor.
  Mas devemos sair de nós mesmos e ir ao encontro dos nossos irmãos, dos mais sofredores e anúnciar a Boa Nova, como nos fala Jesus:" Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo" ( Mt 28,20)
      Neste tempo de espera,rezamos: " Maran atá", " Vinde Senhor nosso! ( I Cor 16,23)  Mt 24, 37-44
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  * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

29 de nov de 2013

“Alegria do Evangelho”: publicada primeira exortação apostólica do papa Francisco

Fonte: http://www.cnbb.org.br/imprensa/internacional/13221-2013-11-26-12-09-55

Foi divulgada nesta terça-feira, 26 de novembro, a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho), a primeira do pontificado do papa Francisco. O documento já havia sido entregue, de forma simbólica, no último domingo, durante a celebração de encerramento do ano da Fé. Hoje, o texto foi publicado na internet em vários idiomas.

 A exortação fala sobre o anúncio do evangelho no mundo atual. No texto, Francisco propõe “algumas diretrizes que possam encorajar e orientar, em toda a Igreja, uma nova etapa evangelizadora, cheia de ardor e dinamismo”. O pontífice toma como base a doutrina da Constituição dogmática Lumen gentium, e aborda, entre outros pontos, a transformação da Igreja missionária, as tentações dos agentes pastorais, a preparação da homilia, a inclusão social dos pobres e as motivações espirituais para o compromisso missionário.
Dividida em cinco capítulos, o texto também recolhe a contribuição dos trabalhos do Sínodo dos Bispos, realizado no Vaticano em 2012, com o tema "A nova evangelização para a transmissão da fé". Para ler a tradução em português, clique aqui.

A Patrística Pré-agostiniana


Características Gerais


Com o nome de patrística entende-se o período do pensamento cristão que se seguiu à época neotestamentária, e chega até ao começo da Escolástica: isto é, os séculos II-VIII da era vulgar. Este período da cultura cristã é designado com o nome de Patrística, porquanto representa o pensamento dos Padres da Igreja, que são os construtores da teologia católica, guias, mestres da doutrina cristã. Portanto, se a Patrística interessa sumamente à história do dogma, interessa assaz men: os à história, em que terá importância fundamental a Escolástica. leia mais:

27 de nov de 2013

Nepal: hinduístas e budistas também participaram da procissão de Cristo Rei

Organização foi da Igreja católica em Katmandu, no encerramento do Ano da Fé

Fonte Zenit.org

Milhares de católicos, hinduístas e budistas nepaleses participaram neste dia 23 de novembro da procissão de Cristo o Rei, organizada pela Igreja católica em Katmandu para celebrar o encerramento do Ano da Fé, que, em Roma, terminou no domingo com uma missa solene na Praça de São Pedro.
A agência Asia News, com fontes locais, destaca a "grande dedicação" da população, que aderiu ao evento interrompendo o trabalho a fim de participar na cerimônia, mesmo em meio ao clima de tensão que o país está vivendo devido às recentes eleições da Assembleia Constituinte.
Padres, religiosos, leigos e não cristãos caminharam rezando o terço e cantando hinos desde a St. Mary School até a igreja da Assunção, com velas, imagens de Jesus e postais com a bíblia. O pe. Pius Perumana, vigário da diocese, guiou a procissão com vestes solenes. Participaram da celebração outras comunidades de Katmandu, inclusive as de Godavari, Baniyatar e Lubhu, que acompanharam a procissão com bandeiras e faixas.
Soni Rana, jovem católica de 18 anos de Baniyatar, na periferia de Katmandu, declarou à AsiaNews: "Eu estou muito emocionada com a procissão do Cristo Rei. Para mim, foi um momento para glorificar a Deus e fortalecer a minha fé em Deus". A jovem, que também esteve presente na cerimônia organizada um ano antes para a abertura do Ano da Fé, afirma que esse período de oração e reflexão foi crucial para ela, para a sua família e para os amigos.
Depois da queda da monarquia hinduísta em 2006, o Nepal testemunhou uma abertura gradual às outras religiões, antes perseguidas. Depois da subida ao poder dos maoístas (2008), vários grupos extremistas hindus realizaram atentados e ataques contra as minorias religiosas. O mais grave atingiu a igreja da Assunção em Katmandu no dia 23 de maio de 2009, matando duas pessoas.
Apesar de ser proibido o proselitismo, o governo decidiu em 2012 transformar o Natal em feriado nacional para reanimar o turismo, o que permitiu que os cristãos mostrassem imagens e decorações sagradas em lojas e no exterior de igrejas e casas, além de organizar procissões. Essa visibilidade levou muitos não cristãos a receberem o batismo. Os católicos nepaleses são hoje mais de 10.000. Eram 6.000 em 2006, ano da proclamação do estado laico no país.

26 de nov de 2013

Energia solar: sem incentivo não há esperança


Devido à atual situação econômica no continente europeu, o relatório da Worldwatch destaca que a posição européia com relação à produção elétrica solar está ameaçada, pois a Itália e a Espanha recentemente alteraram suas políticas de incentivo às fontes renováveis de energia, o que sem dúvida vai prejudicar a expansão do setor solar na região
Por Heitor Scalambrini Costa
Segundo o Worldwatch Institute, a capacidade instalada da energia solar no mundo cresceu 41% em 2012, atingindo a marca de 100.000 MW instalados. Dados extra oficiais apontam que no final de 2013 poderá chegar próximo a 150.000 MW. Em 2007, eram menos de 10.000 MW.
A Europa é ainda a principal consumidora de energia solar, respondendo por 76% em 2012. O grande destaque é a Alemanha, que sozinha é responsável por 30% do uso mundial. Segundo o Solar Industry Association (BSW-Solar), cerca de 8,5 milhões de pessoas já estão usando a energia solar para gerar eletricidade ou calor; ou seja, de cada 10 alemães, um utiliza energia solar. A energia solar fotovoltaica já atende 5% da demanda de eletricidade naquele país. As indústrias do setor têm como meta aumentar esta oferta para 10% em 2020 e cerca de 20% até 2030, mesmo com as taxas adicionais pagas pelo consumidor para subsidiar as fontes energéticas renováveis.
Devido à atual situação econômica no continente europeu, o relatório da Worldwatch destaca que a posição européia com relação à produção elétrica solar está ameaçada, pois a Itália e a Espanha recentemente alteraram suas políticas de incentivo às fontes renováveis de energia, o que sem dúvida vai prejudicar a expansão do setor solar na região.
Os Estados Unidos e a China são os atuais mercados mais promissores à tecnologia fotovoltaica. A China divulgou recentemente a decisão do seu Conselho de Estado em aumentar em 10.000 MW a cada ano, chegando em 2015 com uma potência instalada de 35.000 MW. Apenas em 2012, foram instalados 8.000 MW. Já o EUA esperam até o final de 2013 suplantar a marca dos 13.000 MW instalados.
Enquanto isso no Brasil, pais que recebe os maiores índices de radiação solar do planeta, em particular sua região Nordeste, segundo o Ministério de Minas e Energia, em dezembro de 2012 a capacidade fotovoltaica instalada no país era de insignificantes 8 MW.

Uma das causas desta pífia utilização da fonte solar para produzir eletricidade é a completa falta de interesse dos formuladores e gestores da política energética brasileira. Esta afirmativa é corroborada nas políticas públicas planejadas para o país. Segundo a Empresa de Planejamento Energético (EPE), o Plano Decenal de Energia 2013-2022 prevê a geração de irrisórios 1.400 MW de geração distribuída via fonte solar em 2022.
O preço dessa energia é o maior empecilho apontado pelo MME para sua ampla difusão. Segundo estimativas do próprio MME, o custo da energia fotovoltaica estaria estimado em R$ 280,00 a R$ 300,00/MWh, e poderia cair para R$ 165,00/MWh dentro de cinco anos. O que é um disparate total sem lastro na realidade atual, que acaba inibindo sua utilização. Por outro lado, não existe uma política consistente de apoio e/ou incentivo dessa fonte energética. Existem remedos, com ações unicamente midiáticas.
Quem poderia melhor definir os preços de mercado seriam os leilões. Todavia, a EPE tem postergado e protelado tais leilões, que por sua vez já foram marcados e remarcados inúmeras vezes nos últimos anos. Finalmente, foi realizado em 18 de novembro passado o 17º Leilão de Energia Nova, incluindo pela primeira vez a energia solar fotovoltaica, além das ofertas energéticas, como as de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), de usinas térmicas, de usinas a biomassa e de energia eólica. Apenas os projetos eólicos foram negociados.
A ducha de água fria, que invibializou investidores da energia de solar participarem do leilão, foi o formato do leilão, a decisão da EPE que estabeleceu um excessivamente baixo preço à energia negociada, além da falta dos incentivos e ações claras do governo na direção de impulsionar essa fonte energética.  Ficou estabelecido por essa empresa, que faz de tudo para que o solar não se desenvolva em nosso país, o preço-teto em R$ 126,00/MWh.
Esse valor foi o mesmo estabelecido para projetos de fontes eólicas, que, diga-se de passagem, é a segunda fonte elétrica mais barata atualmente, depois da energia hidroelétrica. Com um mercado em plena ascensão, a energia eólica foi a grande vencedora do leilão do dia 18 de novembro. Bem diferente do caso da energia solar, cujos projetos de geração foram ofertados pela primeira vez nessa modalidade de contratação.
Com o preço-teto anunciado, não poderia ter outra consequência senão o desinteresse total dos empreendedores. Apesar de ter 3.000 MW em projetos fotovoltaicos inscritos, nenhum deles foi arrematado.  Fica, assim, mais clara a sinalização da EPE, de que a atual administração da política energética brasileira não se interessa pela energia solar. Até quando?
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/26711
Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco

Introdução ao estudo da Bíblia

Até que período da vida a pessoa deve estudar a Torá (Lei)? Até o dia da sua morte, como está escrito: “E para que ela não seja removida de seu coração em todos os dias de sua vida” (Dt 4,9). Quando se para de estudar se esquece[1]
No percurso de nossa vida, muitas vezes, só acordamos para a necessidade da leitura e do estudo da Sagrada Escritura quando já atingimos a idade adulta, mas, mesmo assim, não reservamos para Ela um espaço suficiente para o aprofundamento assíduo e ordenado. Neste sentido, é sempre bom lembrar a respeito da seriedade e a importância que as palavras dos livros da Sagrada Escritura ocupavam e ocupam na vida de nossos irmãos Judeus e, ao mesmo tempo, o cuidado com a leitura e o aprendizado de seus filhos. Este cuidado aparece de um modo claro no livro do Deuteronômio (6,20-25):
leia mais:

25 de nov de 2013

COP-19 avança pouco; Brasil sofre pressão por desmatamento e Pré-Sal

Negociações fracassam na Conferência sobre Mudanças Climáticas e países evitam assumir compromissos durante encontro realizado em Varsóvia, na Polônia
Fonte http://reporterbrasil.org.br/2013/11/cop-19-avanca-pouco-brasil-sofre-pressao-por-desmatamento-e-pre-sal/
Por Maurício Thuswohl
Produção de petróleo e gás no Pré-Sal pode afetar metas brasileiras de redução de poluição. Em relatório, Petrobrás foi criticada. Na foto, trabalhadores preparam navio plataforma P-74. Foto: Agência Petrobrás
Produção de petróleo e gás no Pré-Sal preocupa ambientalistas. Na foto, trabalhadores preparam navio plataforma P-74. Foto: Agência Petrobrás
Rio de Janeiro – A divulgação de números que indicam o recrudescimento do desmatamento na Amazônia após quatro anos consecutivos de queda e a expectativa gerada pelo inevitável aumento das emissões de gases de efeito estufa com o início da produção de petróleo e gás no Pré-Sal já a partir do ano que vem puseram o Brasil no centro das atenções da décima nona edição da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-19), encerrada sábado (23) em Varsóvia, na Polônia. A conferência foi marcada pelo debate sobre a influência da exploração, produção e queima de combustíveis fósseis no agravamento do aquecimento global e logrou tímidos avanços nas negociações que, segundo o cronograma estabelecido pela ONU na Plataforma de Durban, devem desembocar em um acordo global e com metas obrigatórias de redução das emissões para todos os países a ser concluído em 2015 e adotado a partir de 2020.
Em uma discussão ainda bloqueada pelas divergências entre países ricos e países em desenvolvimento, o Brasil é protagonista das negociações climáticas há quatro anos, desde que, durante a COP-15 realizada em Copenhague, na Dinamarca, se comprometeu a reduzir voluntariamente até 2020 seus índices de emissão entre 36,1% e 38,9% em relação a 2005. Em junho, o governo brasileiro anunciou já ter atingido 62% da meta assumida, o que aumentou seu prestígio frente aos interlocutores na ONU. Mas, a confirmação, às vésperas da COP-19, do aumento de 28% no desmatamento da Amazônia no período entre agosto de 2012 e julho de 2013 e as expectativas negativas, do ponto de vista do aumento das emissões, em relação à produção no Pré-Sal colocaram o governo brasileiro na berlinda durante a conferência realizada na capital polonesa.
Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira anuncia que desmatamento voltou a subir no Brasil. Foto: Divulgação/MMA
Ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira anuncia que desmatamento voltou a subir no Brasil. Foto: Divulgação/MMA
Com a discussão sobre combustíveis fósseis na ordem do dia em Varsóvia, as descobertas no pré-sal e o papel da Petrobras como empresa emissora de gases-estufa em um futuro próximo foram objeto de alguns debates, mas o governo brasileiro tratou de neutralizar as críticas ao posicionar a questão energética como fundamental para o desenvolvimento econômico do país. Durante um evento paralelo à COP-19, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) divulgou um relatório que aponta a exploração de combustíveis fósseis como responsável por um aumento de 3,5% na média anual de emissões de CO2 decorrentes da matriz energética brasileira. A queima de óleo e carvão para produzir energia nas usinas termelétricas é a grande vilã das emissões brasileiras no setor e, segundo o relatório Estimativas Anuais de Emissões de Gases de Efeito Estufa no Brasil, elaborado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, já atingiu o patamar de 400 milhões de gigatoneladas.
Em relação à perda de florestas, o governo brasileiro lembrou na COP-15 que os 5.843 quilômetros quadrados desmatados no último período analisado, embora representem uma área devastada maior do que a registrada no período imediatamente anterior (4.571 km²), significam o segundo menor nível de desmatamento desde 1988. O pico do desmatamento da Amazônia aconteceu em 2004, quando foram derrubados 27.772 km² de floresta, mas, desde 2009, a área desmatada a cada ano é inferior a 8 mil km².
Veja a evolução do desmatamento no gráfico abaixo (atualize a página se não conseguir visualizá-lo):
A posição brasileira foi defendida pela delegação governamental comandada pelos ministros Luiz Alberto Figueiredo (Relações Exteriores) e Izabella Teixeira (Meio Ambiente), e o governo contou ainda com a ajuda de um estudo da revista “Science”, amplamente divulgado em Varsóvia, que elogia o país “pela significativa redução do índice de desmatamento na Amazônia na última década”.
Resultados
Para evitar o colapso total das negociações em torno da Plataforma de Durban, foi aprovado no último dia da COP-19 um “Plano de Ação” que estabelece um cronograma de negociações até 2015. Para que o texto final do plano fosse aprovado por consenso como determinam as regras da conferência, no entanto, dele foi retirada qualquer menção a metas obrigatórias de redução das emissões de gases-estufa, o que, na prática, torna o documento apenas mais um exercício retórico produzido no âmbito das negociações climáticas da ONU. Na mudança mais emblemática, o termo “compromisso” foi substituído pelo termo “contribuição” a cada vez que aparecia no texto. Assim, embora em Varsóvia, como nas COPs anteriores, nenhum país tenha assumido qualquer meta obrigatória, as negociações para 2015 permanecem vivas, ainda que respirando por aparelhos.
O principal efeito paralisante nas negociações multilaterais resta sendo o debate em torno do conceito de “responsabilidades comuns, porém diferenciadas”, estabelecido na Convenção sobre Mudanças Climáticas da ONU. Segundo este conceito, os países mais industrializados, grandes responsáveis históricos pelas emissões de gases-estufa, devem responder com um maior esforço no combate ao aquecimento global, enquanto os países mais pobres e em desenvolvimento teriam uma maior liberdade para continuar emitindo e poderem se desenvolver. Esta tese perdeu força desde que a China ultrapassou os Estados Unidos como maior emissor mundial de gases-estufa, e mais uma vez foram os governos dos dois países os protagonistas da queda de braço que ainda ameaça os objetivos traçados para 2015.
Participantes da COP-19 reunidos na Polônia. Foto: Divulgação COP-19
Participantes da COP-19 reunidos na Polônia. Foto: Divulgação COP-19
Alinhado aos países em desenvolvimento agrupados no G-77, o Brasil apresentou em Varsóvia uma proposta com o intuito de pôr fim ao jogo de empurra entre ricos e pobres no que diz respeito a suas responsabilidades pelo aquecimento global: a criação de um mecanismo para que cada país possa quantificar com exatidão o quanto já emitiu individualmente ao longo do tempo. Esse mecanismo de medição, segundo a proposta, seria elaborado pelos cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês). A estimativa serviria para calcular a meta de cada país de acordo com suas responsabilidades, e o governo brasileiro sugeriu a adoção de uma metodologia próxima à utilizada pelos países para medir seu Produto Interno Bruto (PIB). Mas a proposta do Brasil foi rechaçada pela maioria dos negociadores internacionais. Na linha de frente das críticas, ao lado de Canadá e Austrália, o governo dos Estados Unidos alegou que o levantamento sugerido pelo Brasil implicaria ignorar a contribuição atual dos países em desenvolvimento para o aquecimento global.
REDD e Fundo do Clima
O único resultado concreto obtido na COP-19 foi a finalização, após quatro anos de discussão, de um texto-compromisso que estabelece as regras de execução e financiamento de projetos do chamado REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação de Florestas), que prevê mecanismos para que os países que ainda tenham florestas sejam compensados financeiramente pelo desmatamento evitado. Segundo a ONU, cerca de 20% das emissões globais de gases-estufa são provocadas pela derrubada de árvores, e nos últimos doze anos foram destruídos em todo o mundo 2,3 milhões de quilômetros quadrados de floresta, área equivalente ao território da Argentina. A estratégia de criar mecanismos financeiros para garantir a preservação do meio ambiente, no entanto, está longe de ser consenso. A premissa de que a proteção do meio ambiente só ocorrerá se for economicamente vantajosa, tem sido duramente criticada por parte da sociedade civil organizada, cientistas e acadêmicos em todo o planeta. Em 2012, antes da Rio+20, a Repórter Brasil publicou uma cartilha com análise dos principais mecanismos  e exemplos de como eles têm sido aplicados na prática no Brasil.
Se o REDD avançou, por outro lado a criação efetiva do Fundo Verde do Clima permanece travada. Idealizado em 2009, durante a COP-15 de Copenhague, o fundo tem o objetivo de ajudar os países pobres e em desenvolvimento a implementar ações de prevenção, mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Deveria começar a ser alimentado pelos países ricos já em 2013, segundo o cronograma imaginado pela ONU, com aportes de 100 bilhões de dólares por ano até 2020. Na realidade, no entanto, o Fundo do Clima ainda é uma peça de ficção, já que até hoje nada foi regulamentado, assim como jamais foram definidos os mecanismos para a aplicação dos recursos do fundo e a prestação de contas por parte dos países beneficiados.
Em protesto, ativistas fantasiados de presidentes discutem caminho a seguir. A placa ao fundo indica o caminho para furacões, enchentes e secas de um lado, e para segurança climática do outro. Foto: Divulgação/OXFAN
Um levantamento feito pela organização socioambientalista Oxfam e divulgado em Varsóvia mostrou que em 2013 os recursos destinados pelos países mais desenvolvidos ao combate ou adaptação às mudanças climáticas alcançam somente 7,6 bilhões de dólares. Durante a COP-19, os novos anúncios de ajuda financeira concreta feitos pelos governos nacionais somaram apenas 8,3 bilhões de dólares. Segundo a Oxfam, pelo menos 24 países desenvolvidos ainda não confirmaram aportes para o clima este ano. Para 2014, diz a ONG, a situação é ainda pior, uma vez que as nações responsáveis por 81% do fundo ainda não divulgaram qualquer cifra.
Em uma nota de balanço da COP-19, o Instituto Vitae Civilis, organização que integra o Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais pelo Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável (FBOMS) e esteve presente em Varsóvia, lamenta que a paralisia tenha sido a tônica de mais uma conferência da ONU sobre as mudanças climáticas: “Os países em desenvolvimento podem manter sua versão de que as nações desenvolvidas não querem colocar dinheiro na mesa. Pura verdade. Os países desenvolvidos, por sua vez, poderão justificar a seus cidadãos que a conferência não avançou por causa das nações em desenvolvimento, que hesitam diante da perspectiva de assumir compromissos e metas obrigatórias de redução nas emissões”, diz a organização socioambientalista.

Erotismo em Onfray

Em Michel Onfray - o que não é novidade para ninguém -, a base da filosofia  se cristaliza na desmistificação da religião e do ascetismo enquanto modelos de ética, política, estética, erótica. Em todos os seus trabalhos, desde o primeiro até o último, o ataque frontal a Deus, sobretudo em seu aspecto monoteísta, sobressai e fundamenta seu pensar. Esse ataque, notável por sinal em Tratado de Ateologia, dá vasão a um materialismo hedonista e libertário. Mas libertário em que sentido? De que modo ele se vincula ao erotismo?
Vejamos. Nossa cultura judaico-cristã se familiarizou com a idéia do amor enquanto carência, falta. Maldita herança de Platão. Homens e mulheres provêm de uma unidade mítica perdida e dissociada com o passar dos tempos e, sob esse prisma, surge o amor enquanto força capaz de uni-los novamente, restabelecendo a unidade. Homem e mulher se encontram num belo dia e se apaixonam. Dessa paixão surge o casamento, instituição sagrada porque querida por Deus. A unidade - codificada pelo casamento - se consolida na união sexual no seio do matrimônio que, por último, gera os filhos. Homem, mulher, filhos: família feliz, família concreta. E Deus viu que era bom! leia mais: