31 de mai de 2013

Trabalho infantil não precisa ser hereditário

Por Fernanda Sucupira e Leonardo Sakamoto
 BRASÍLIA – Trabalhei cedo e isso moldou meu caráter. A frase é repetida à exaustão quando se critica o trabalho infantil no Brasil. Compreensível, uma vez que muita gente sente que sua experiência de superação é bonita o suficiente para ser copiada pelos filhos. Mas será que os defensores do trabalho infantil não percebem que ele não precisa ser hereditário?
Para fortalecer essa discussão foi lançado, na última semana em Brasília, o relatório “Brasil Livre de Trabalho Infantil: o debate sobre as estratégias para eliminar a exploração de crianças e adolescentes”. É um levantamento detalhado da ONG Repórter Brasil. O documento foi apresentado à Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos.
Passado um primeiro momento de arrancada na prevenção e eliminação do trabalho infantil no Brasil, do início da década de 90 até meados dos anos 2000, o país enfrenta um novo desafio para manter o ritmo de queda. Enquanto a primeira fase foi marcada pela retirada de crianças e adolescentes das cadeias formais de trabalho, a questão atual são as piores formas de trabalho, que o poder público tem mais dificuldade de alcançar.
Ações como o Bolsa Família contribuem para manter a criança na escola. Mas não são suficientes. Muito menos garantem o interesse dos alunos na sua própria formação. Não raro eles fazem um cálculo que lhes parece racional, deixando uma escola que, a seu ver, não os levará a lugar nenhum porque não considera sua realidade, não foi pensada para suas necessidades, com professores desmotivados e despreparados a fim de tentar a sorte em um emprego incerto atrás do “sonho brasileiro”. Buscam o curto prazo, pois é nele que está a sua sobrevivência e a de sua família, mas também porque o sistema educacional e, neste caso, o Estado não consegue lhe mostrar algo além do horizonte. Isso quando não optam pelos convites sedutores da criminalidade. Nesses casos, é viver a vida louca, porque sabem que não existirá longo prazo para eles.
De acordo com o Censo de 2010, 3,4 milhões de crianças e adolescentes de 10 a 17 anos estavam trabalhando. De 2000 a 2010, a redução foi de 13,4%, mas a ocorrência do problema chegou a aumentar 1,5% entre crianças de 10 a 13 anos, justamente na faixa etária mais vulnerável dessa população, para a qual todo tipo de trabalho é proibido.
Entre as atividades mais complicadas de se debelar estão o trabalho infantil doméstico, nos lixões, na agricultura familiar, no comércio informal urbano, na produção familiar dentro do próprio domicílio, na exploração sexual comercial de crianças e adolescentes, no narcotráfico. Nesses casos, muitas vezes há uma ambiguidade entre o trabalho infantil e o local de vivência das crianças ou há relação com atividades ilícitas, o que torna o enfrentamento mais complexo.
O Censo de 2010 mostrou um quadro diferente daquele que se observava nos anos 1990. Os dados apontam que quase 40% das pessoas com menos de 18 anos em situação de trabalho não estão em famílias que vivem abaixo da linha de pobreza.
Se antes a pobreza era um dos determinantes do trabalho infantil, hoje essa relação ficou menos direta. Há uma parcela de adolescentes que não trabalha para garantir a sobrevivência de suas famílias, mas para obter bens de consumo, como tênis e roupas de marca. São aspirações materiais que nem suas famílias nem os programas de transferência de renda podem satisfazer. Eles entram no mercado de trabalho, muitas vezes em empregos precários e informais, em busca de inclusão social, autonomia e independência econômica.
Entrar muito cedo e de forma precária no mercado de trabalho pode atrapalhar o desenvolvimento da criança e do adolescente. Há movimentações no Congresso Nacional para diminuir a idade mínima legal para se trabalhar no país como alternativa à “criminalidade”. Ao invés disso, deveríamos estar lutando por uma educação que prepare crianças e adolescentes para serem protagonistas de suas próprias histórias e não peças de reposição.
Texto originalmente publicado na Revista Amanhã, do jornal O Globo

O Pão da Partilha e do Amor

                          Júlio Lázaro Torma*
                            " Isto é o meu corpo, que é entregue por vós,
                              fazei isto em memória de mim"
                                                    ( I Cor 11,24)
  Nesta Quinta-feira estamos celebrando a Festa de Corpus Christi, a festa do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, a última grande festa cristológica do nosso calendário litúrgico.
  Ao celebrar a Eucaristia e chegar junto a Mesa da Eucaristia, sempre me vem em mente a seguinte pergunta, " o que é a Eucaristia?", É sacrifício ou é uma festa?, fomos catequizados desde pequenos como se a Eucaristia fosse um sacrifício, um ato de dor e de sofrimento.
  O Apóstolo Paulo nos fala em ação de graças, onde  " recomendo que façam súplicas,orações e ações de graças por todos os homens"( I Tm 2,1) e Santo Irineu de Lyon ( 130-202), exortava, " A maneira como nós cristãos, não sermos estéril é oferecer a Deus a nossa ação de graças".
  Ao participarmos da Eucaristia nós fazemos o " reconhecimento", " memória" e " ação de graças" pela vida de Jesus Cristo e participamos de sua vida desde a sua anunciação ao seu sacrifício no monte Calvário, onde como doce cordeiro foi imolado por cada um de nós e a sua gloriosa ressurreição.
  Pois ao comungarmos o Corpo e o Sangue de Cristo estamos participando de sua vida e aderindo ao seu programa de vida e vivendo os seus idéias.
  Comungarmos o pão e o vinho, o pão é o alimento e o vinho é a festa ( alegria), a Missa é a Festa, momento de nos alegrarmos de dar ação de graças, como canta o salmista, " Que alegria quando me vieram dizer:" Vamos a casa do Senhor"( Sl 121(122),1), que alegres vamos nos aproximar da mesa da Eucaristia, onde o Senhor se doa a nós e nos encontramos como irmãos e irmãs.
  No Evangelho Lucas nos fala da multiplicação dos pães, onde Jesus faz o milagre da multiplicação dos pães.Fato este narrado duas vezes por Mateus, uma vez por Marcos e João; este milagre é o único referido pelos quatro evangelistas.
  Para Lucas Jesus é o novo Elias, que necessário incluí o trabalho de Eliseu que alimentou cem homens com vinte pães de cevada ( II Rs 4,42-44).
  Aqui Jesus manda os discípulos distribuir a multidão ( Lc 9,11) e Eliseu manda seu discípulo repartir e sobrou 12 cestos para a multidão,para as 12 tribos de Israel,para todas as pessoas.
  Lucas nos lembra que Jesus é o " Filho de Deus",pela boca de Pedro ( Lc 9,20), e nos fala do gesto Eucarístico do Ressuscitado,ao " tomar os cinco pães e os dois peixes,levando os olhos aos céus,abençoou-os,partiu e deu aos discípulos que servem o povo"( Lc 9,16),onde ele pensa nos discípulos de Emaús," o dia começa a declinar"( Lc 9,12),onde os discípulos o reconhecem na partilha do pão( Lc 21,31).Onde Lucas pensa na Eucaristia,mas se esquece dos peixes que estão lá, no inicio da celebração ( Raymond Gravel).
  Nós cristãos não lembramos a morte de Jesus, mas ela tem um significado grande da Páscoa da Ressurreição que celebramos na Eucaristia," Assim sempre que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembramos a morte do Senhor, até que venha"( I Cor 11,27).
  O pão é o alimento e o vinho a festa, aqui o sangue derramado ou seja a vida de todos aqueles que são memória.Cristo não morreu, Ele Vive, está Ressuscitado.
  Podemos receber o Cristo nos esquecendo do maior gesto de amor que ele nos deu na Cruz do Calvário, " Ninguém tem maior amor do que doar a vida pelos seus irmãos"( Jo 15,13).
  Para Lucas o discípulo deve fazer aquilo que Jesus fez e viveu, ir ao encontro dos sofredores, ver no outro o outro eu, partilhar o pão e curar as enfermidades, dar saúde aos doentes, como fez Jesus ao comungar faço parte de sua vida.
  Jesus não deve ser escondido o Pão da Eucaristia deve ser repartido o pão do amor.
  Santo Agostinho ( 354-430), nos exorta:" Torne-se o que você tem", temos o Cristo Eucarístico, sejamos como Ele,tenhamos os mesmos sentimentos e gestos que o moveram só assim estaremos vivendo de fato a vida de Jesus até a sua volta e sendo sinal de sua presença no mundo.
      Bom Feriado e boas meditações: Lc 9, 11b-17
Membro da equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas/ RS

30 de mai de 2013

Ungida Pelo Espirito......

Queridos, Ungida pelo Espírito Santo de Deus , me perdoem mas  preciso passar esta linda mensagem eu que nada sou, nada serei ,nada tenho, pois sou pecadora, muito pecadora, mas tenho Deus dentro de meu pequeno coração e, neste momento eu vos falo humildemente nos Entreguemos de corpo e alma a ELE que nos perdoa , nos apoia, nos abençoa sempre ,mesmo quando, erro muito,erramos, mas Ele Tudo sabe de nós. Por isso,queridos,Creiam, Confiem ,Aguardem como estou fazendo, TUDO É PERMITIDO, TUDO É POSSÍVEL, QUANDO ELE PERMITE ,NO SEU TEMPO , entreguemos serenamente , sem cobrar Nada de Deus, pois por vc ,por mim, pelo universo conhecido e desconhecido, TUDO ELE FARÁ, PARA NOS FAZER FELIZES E NOS ALEGRAR,COM SUA PERMISSÃO, P ELE NADA É IMPOSSÍVEL. Me perdoem , mas precisei compartilhar com todos , obrigada ,simplesmente, Fatinha Aló. Um lindo e abençoado dia!!!!!!!!!!!!

29 de mai de 2013

Partido e Democracia interna

Frei Betto
"Quem diz organização, diz tendência para a oligarquia. Em cada organização, quer se trate de um partido, de uma união de ofícios etc., a tendência aristocrática manifesta-se de forma bastante pronunciada. O mecanismo da organização, ao mesmo tempo que dá a esta uma estrutura sólida, provoca graves modificações na base organizada. Inverte completamente as respectivas posições dos chefes e das bases. A organização tem como efeito dividir todo partido ou sindicato numa minoria dirigente e numa maioria dirigida.

"Quanto mais o aparelho de uma organização se complica, isto é, quanto mais vê aumentar o número de seus filiados, seus recursos crescerem e sua imprensa desenvolver-se, mais terreno perde o poder diretamente exercido pela base, suplantado pelo crescente poder das comissões.

"Teoricamente o chefe não é mais do que um empregado, submisso às instruções que recebe da base. Sua função consiste em receber e executar as ordens desta última, do qual ele é apenas um órgão executivo.
"Mas, na realidade, à medida que a organização se desenvolve, o direito de controle reconhecido às bases torna-se cada vez mais ilusório. Os filiados têm de renunciar à pretensão de dirigir ou mesmo supervisionar todos os assuntos administrativos.
"É assim que a esfera do controle democrático se retrai progressivamente, para, afinal, ficar reduzida a um mínimo insignificante. Em todos os partidos socialistas, o número de funções retiradas das assembleias eleitorais e transferidas para os conselhos de direção aumenta sem cessar. Ergue-se dessa forma um enorme edifício de complicada estrutura. O princípio da divisão de trabalho impondo-se cada vez mais, as jurisdições se dividem e subdividem. Forma-se uma burocracia rigorosamente delimitada e hierarquizada.
"À medida que o partido moderno evolui para uma forma de organização mais sólida, vemos acentuar-se a tendência de substituir os chefes ocasionais pelos chefes profissionais. Toda organização de um partido, mesmo sendo pouco complexa, exige certo número de pessoas que a ele se consagrem inteiramente.
"Pode-se completar essa crítica do sistema representativo com a seguinte observação política de Proudhon: os representantes do povo, dizia ele, mal alcançam o poder, já se põem a consolidar e a reforçar sua força. Incessantemente envolvem suas posições com novas trincheiras defensivas, até conseguirem libertar-se completamente do controle popular. É um ciclo natural percorrido por todo o poder: emanado do povo, acaba por se colocar acima do povo.”
Todos os textos acima não são de minha autoria. Foram escritos em 1911 pelo sociólogo alemão Robert Michels (1876-1936), de convicções socialistas, que deu aulas em universidades da Alemanha, França e Itália.
Esses textos foram publicados no livro Sociologia dos partidos políticos (Editora Universidade de Brasília, 1982). A última cátedra de Robert Michels foi na Universidade de Turim, onde ensinou economia, ciências políticas e sociologia. Decepcionado com a falta de democracia nos partidos progressistas, faleceu acusado de conivência com o fascismo.
O que Michels denunciou há 102 anos infelizmente é praxe ainda hoje. A direção do partido é progressivamente ocupada por um seleto grupo profissionalizado que, a cada eleição, distribui entre si as diferentes funções. Os caciques são sempre os mesmos, sem que as bases tenham condições de influir e renovar os quadros de direção.
À medida que o partido ganha espaço de poder, menos se interessa em promover o trabalho de base. A mobilização é trocada pela profissionalização (incluídos aqueles que ocupam cargos eletivos), a democracia cede lugar à autocracia, a ampliação e preservação dos espaços de poder tornam-se mais importantes que os princípios programáticos e ideológicos.
A Igreja Católica, por exemplo, é uma típica instituição que absorveu a estrutura imperial e vertical do Império Romano e ainda hoje dela não se livrou. E tenta justificá-la sob o pretexto de que essa estrutura decorre da vontade divina...
Enquanto tateamos em busca da democracia real, na qual a vontade do povo não significa mais do que uma retórica demagógica, temos o consolo de uma invencível aliada dos que criticam a perpetuação de políticos no poder: a morte. Ela, sim, faz a fila andar, promove a dança das cadeiras, abre espaço aos novos talentos.

[Frei Betto é escritor, autor de "A mosca azul – reflexão sobre o poder” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org/> twitter:@freibetto.
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