25 de abr de 2013

I Love you!

                            Júlio Lázaro Torma*
                                         " Amai-vos uns aos outros.Como eu vos tenho amado"
                                                                                         ( Jo 13,34)
   O Evangelho de João que vai ser lido, meditado e rezado em nossas comunidades neste fim de semana nos fala do AMOR.
  Nos textos lidos nos próximos finais de semana retornamos a Quinta Feira Santa, as últimas horas de JESUS entre nós.
   O texto de Jo  13,31-33 a.34-35 é sobre os Adeus e despedidas, a última homilia de Jesus aos discípulos.A última homilia acontece após o lava pés e a saída de Judas Iscariotes do recinto da última ceia.
  Aqui neste pequeno trecho, Jesus nos deixa o seu testamento, testemunho que é o Amor, onde nos pede:" Amai-vos uns aos outros.Como eu vos tenho amado,assim também vós deveis amar-vos uns aos outros"( Jo 13,34).
  E no livro do Apocalipse de São João 21,1-5, nos fala de um novo tempo, de " um novo céu, nova terra", sem o mar que nos resoa como algo extranho.E como cantemos no canto do Axé:
  " Irá Chegar um novo dia, um novo céu, uma nova terra, um novo mar".
   O mar era até fins do século XIV, antes do advento das grandes navegações, para o homem sinônimo de mal,deveria ser temido,ali morava os perigos,os monstros que devorava os seres humanos.
  No mar esta as forças do mal,os poderes da morte, o anti reino, que oprime o ser humano.
  O fim do mar é o surgimento da nova terra e o novo céu,é o fim da maldade e de toda a forma de opressão política-social-econômico e religiosa que oprime o ser humano e o fim é quando os " oprimidos, numa só voz,a liberdade irão cantar".
  Jesus radicaliza a Lei, que dizia " Amarás o teu próximo como a ti mesmo"( Lv 19,18) é citado várias vezes por Jesus.
  Ele depois repete nos pés das oliveiras e o luar do Getsêmani de que " Ninguém tem maior amor do que doar a vida pelo irmão"( Jo 15,13).
  A comunidade joanina está dividida entre os fieis judeus e greco-romanos e ambos diziam que amam e seguem Jesus, mas brigavam entre si para saberem quem é o melhor, que segue de fato a mensagem de Jesus.
   João fala " que amemos uns aos outros"( II Jo 1,4) e o maior testemunho da comunidade é o amor entre os seus membros.a amizade que deve haver entre os membros da comunidade,como se dizia dos primeiros cristãos " Vede como se amam".
  O Amor é o maior testemunho que podemos como discípulos/as do Senhor e como missionários dar aos outros.
  Recebi um email hoje 24 de Abril que alguém me dizia:" Continuar a Amar, com compaixão tem tantas necessidades", aqui esta a essência do amor cristão.
  Vivemos numa época de banalização do amor, se fala muito em Amor", " Love", " Love You", "My Love", " I Love you !" e o reduz ao Eros. Como soluçava Francisco de Assis nas ruas e campos da Úmbria, " O Amor não é amado!".
   Mas o que é o Amor?, muito se fala e se escreve sobre o Amor desde os poetas, psicólogos, filósofos, músicos, pintores, artistas, bêbados, todos nós falemos de Amor este extranho sentimento, que nos muda.
   Amar é nos despojar, esvaziar nos de nós mesmos e ver no outro o outro eu.Mas acabamos sendo egoístas e nos fechando em nós mesmos.Este fechamento provoca a divisão, discórdia em nossas comunidades por causa de nossas vãs paixões.
  Como discípulos de Jesus somos chamados a viver em comunidade, comum+ unidade dos discípulos, numa grande família.
  Assim ao seguir Jesus devo me abrir ao outro, ser amigo, procurar ajudar o outro, estar ao seu lado, dar uma palavra, visitar os doentes, o seu " problema é o meu", ajudar sem buscar interesses pessoais como a sociedade atual nos ensina.
  Também a antiga lei tinha o preceito de amor ao próximo como a si mesmo, mas o Cristianismo amplia e purifica este preceito, ou melhor,renova - o com o mandamento de nos amarmos mutuamente como Cristo nos amou ( Agostinho).
  É somente amando o ser humano,podemos amar a Deus.Em Jesus, Deus se faz humano,tornando-o intocável.Tal mandamento novo gera uma comunidade, que oferece uma alternativa de vida nova e digna e liberdade perante a morte e a opressão.
  " Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos,se vos amardes uns aos outros".
       Bom final de semana e boas meditações
                  Jo 13,31-33 a. 34-35
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   * Membro da Equipe da Pastoral Operária Arquidiocesana de Pelotas/ RS
  

24 de abr de 2013

Papa Francisco reabre a causa de beatificação de dom Oscar Romero

23/04/2013 | Jaime C. Patias
O papa Francisco decidiu retomar o processo de beatificação do arcebispo de San Salvador, dom Oscar Arnulfo Romero, que se encontrava arquivado desde 1997, quando começou o processo. Romero foi morto por um franco-atirador em 24 de março de 1980 enquanto presidia a uma missa na capela do hospital de San Salvador.
Considerado um mártir da Igreja dos pobres e da teologia da libertação, dom Oscar Romero foi assassinado por seu compromisso com os excluídos, contra a desigualdade social na América Latina e a violência da ditadura de seu país. A causa de beatificação estava parada porque, para setores conservadores da Igreja a mensagem de Romero tinha uma certa carga de orientação política.
Segundo o jornal italiano "La República", o defensor da causa, dom Vincenzo Paglia, presidente do Conselho Pontifício para a Família, anunciou que "a causa de beatificação foi desbloqueado". A informação da conta de que o anúncio foi feito em Molfetta, perto de Bari, na Itália por ocasião da celebração do vigésimo aniversário da morte de dom Tonino Bello, bispo presidente da Pax Christi, que também se encontra em processo de beatificação.
O arcebispo, membro da Comunidade de Sant'Egidio, disse que Romero "poucos meses antes de sua morte nas mãos de esquadrões da morte" havia afirmado que o Concílio Vaticano II pedia a todos os cristãos para serem mártires, ou seja, dar vida e às vezes dar o sangue, mas todos são convidados a dar a sua vida".
Romero, embora proveniente de uma ala conservadora da Igreja e perto da Opus Dei, nunca deixou de denuncuar os esquadrões da morte militares e paramilitares pelo assassinato de adversários políticos.
Fonte: www.oclacc.org

23 de abr de 2013

Animal Politíco

Para Aristóteles, o homem é um animal político. Entenda por que esta máxima do fiosofo de Estagira é uma das bases da Filosofia Política

Platão Aristóteles estudou na Academia de Platão ou Academia de Atenas, fundada por volta de 387 a.C pelo filósofo ateniense Platão (428/427 a.C – 348/347 a.C). Anos depois, Aristóteles criaria o seu próprio centro de estudos, o Liceu (336/335 a.C), originando o círculo filosófico Peripatos ou Escola Peripatética.  leia mais:


Xenofobia na europa: Os padrões atuais de migração internacional



Casos xenofóbicos têm tido repercussão internacional. As mortes por motivo de xenofobia têm se tornado pauta de agências nacionais e supranacionais, as quais buscam reprimir esse tipo de intolerância social. Mas por que a xenofobia tem aumentado? Por que na Europa?

Por Fernanda Cristina de Paula



Em 2008, foi constatado na Rússia que provavelmente 300 pessoas (em cinco anos) foram mortas por ataques xenofóbicos. Recentemente, os dois filhos de uma advogada sofreram seguidas agressões verbais e físicas de alunos da escola em que estudavam, na Espanha, por serem brasileiros. Em julho de 2011, aproximadamente 80 pessoas morreram em uma explosão de bomba e fuzilamento, realizados por um extremista político com motivos xenofóbicos, na Noruega.
O termo xenofobia se originou na psicologia e é utilizado para designar uma doença: o medo patológico de estrangeiros. Enquanto patologia, a xenofobia se constitui em um medo ou aversão irracional, sem motivos justificáveis. No entanto, atualmente, o termo faz referência a outro fenômeno: os casos de preconceito, discriminação e violência física contra estrangeiros; tudo isso baseado em um discurso não irracional, mas sustentado (principalmente) por ideais de nacionalismo e discussões sobre crise econômica.
Atualmente, houve o aumento de notícias sobre casos de xenofobia, principalmente na Europa. Mas qual seria a causa desse aumento? Por que há uma concentração desses casos na Europa? Qual a relação entre migrantes, nacionalismo e crise econômica?
FLUXOS MIGRATÓRIOS
A proliferação de casos de xenofobia é o reflexo de um padrão e de uma nova intensidade dos fluxos migratórios. Compreender esses fluxos e padrões migratórios ajuda no entendimento da xenofobia enquanto problema social.
Migração é a mudança de residência de um indivíduo ou grupo para outra unidade administrativa (ou seja, outro país, estado ou município). As causas da migração podem ser variadas: busca por novas oportunidades de emprego, busca por melhor qualidade de vida, refugiados por motivos de desastres naturais, guerras, fome ou perseguição (religiosa, étnica, cultural) no seu país de origem. Três fatores caracterizam, atualmente, a migração internacional: (1) padrão de migração, (2) maior facilidade de viajar pelo planeta e se comunicar com pessoas de qualquer parte do mundo, (3) necessidade de países receberem migrantes.
baixa taxa de natalidade
Todos os países europeus apresentam taxa de natalidade baixa demais para manter seu atual nível populacional, segundo um estudo abrangente de análise demográfica feita pelo Instituto Max Planck, de Rostock, Alemanha, divulgado na revista alemã Pesquisa Demográfica em Primeira Mão.
Segundo os pesquisadores, nenhum dos Estados europeus atingiu o chamado "nível de substituição" da média de 2,1 filhos por mulher, por meio do qual a geração dos filhos pode substituir a de seus pais. Com vista ao número de nascimentos, a Europa está dividida em dois grupos de países. Os países com taxas acima de 1,7 filho por mulher, que mais se aproximam da média do nível de substituição, são França, Reino Unido, Irlanda e Escandinávia, com médias entre 1,8 e 2,0. As taxas de fecundidade dos demais países europeus, inclusive os de língua alemã, variam entre 1,3 e 1,5 filho por mulher, afirmou o estudo. (fonte: DW- World)
(1) Padrão de migração
Diferentemente do século XIX, quando o fluxo migratório era de pessoas saindo do Velho Mundo (Europa) para o Novo Mundo (Continente Americano), o padrão migratório do século XX e início do século XXI é de grupos saindo de países do sul para residirem em países do norte do planeta. Isso é devido à concentração de países subdesenvolvidos no hemisfério sul de onde saem pessoas que migram para o hemisfério norte (onde se concentram países desenvolvidos, com melhores salários e oportunidade de empregos), buscando melhores condições de vida.

(2) Facilidade de deslocamento e comunicação
Associado a esse padrão dos fluxos migratórios, outro fator que marca a migração atualmente é a globalização (desenvolvimento das tecnologias de transporte e comunicação, que permitem a interação em escala global). Esse fenômeno contemporâneo é responsável por um aumento significativo da facilidade de deslocamentos e comunicação dos migrantes. O avanço dos meios de transportes facilita e difunde meios rápidos de se locomover de um país a outro. A facilidade de comunicação permite, como em nenhuma outra época, que o migrante continue a se comunicar, manter laços e enviar dinheiro para pessoas (geralmente familiares) de seu país de origem. Essas facilidades, possíveis pela globalização, promovem ainda mais a migração contemporânea.

(3) Necessidade de migrantes
O continente europeu apresentou nas últimas décadas dois motivos para precisar de migrantes em seus países. O primeiro motivo é que, depois da reestruturação econômica pós 2ª Guerra Mundial, houve demanda de trabalhadores para empregos que oferecem (relativamente) baixos salários por trabalho braçal, sem exigência de alta escolaridade; foi a massa de migrantes que atendeu a essa demanda do mercado de trabalho. Esse tipo de emprego não interessava aos europeus, os quais apresentam boa escolaridade e preferem empregos com melhores condições de trabalho e salários.

O segundo motivo que fez com que a Europa precisasse de trabalhadores migrantes é a estrutura etária da população. A tendência desse continente é de cada vez nascer um número menor de pessoas ( baixa taxa de natalidade) e de aumento da expectativa de vida. Desse modo, os trabalhadores migrantes são necessários tanto para suprir a quantidade inferior de jovens aptos a trabalhar quanto para pagar os impostos que contribuem para o pagamento do número crescente de aposentados.
Esses três fatores (padrão de migração, facilidade de deslocamento e comunicação, necessidade de trabalhadores estrangeiros) são responsáveis por um grande fluxo migratório para a Europa. Portanto, nos últimos anos, uma quantidade significativa de migrantes fixou residência em países europeus.
A convivência (na mesma porção espacial) com pessoas de etnia, religião e hábitos diferentes pode causar o estranhamento dos moradores em relação aos estrangeiros. Notar e estranhar a diferença são uma reação humana normal (esse fenômeno de estranhamento do estrangeiro é conhecido também como "choque cultural"). No entanto, o estranhamento evolui para xenofobia quando as pessoas começam a discriminar e culpar os estrangeiros por problemas que acontecem na cidade onde moram ou em seu país.
O nacionalismo é o conjunto de ideias e atitudes para pensar o desenvolvimento e o bem da própria nação. No entanto, diante de crises econômicas recentes nos países europeus, discursos nacionalistas têm se pautado no sentimento xenofóbico para explicar e resolver as más situações em que se encontra a economia de seu país. O principal argumento do discurso nacionalista, baseado na xenofobia, é de que os migrantes "roubam" os empregos do restante da população do país que os abriga. Nesse sentido, para os nacionalistas com tendências xenofóbicas, a solução é a expulsão dos migrantes e a proibição da entrada de estrangeiros no país. Nos casos mais dramáticos, o exacerbamento da xenofobia leva alguns indivíduos ou grupos a ações extremas, como atentados terroristas e assassinatos.
ATUALIDADE: O RECEIO EUROPEU
Devido ao padrão de migrantes em direção à Europa, é este continente que tem apresentado a maior parte dos casos extremos de xenofobia. Como exemplo, só nesta década, tem-se o incêndio criminoso de um edifício onde moravam migrantes turcos, na Alemanha; o caso recente do norueguês que explodiu uma bomba no centro de Olso (capital da Noruega) e fuzilou estudantes de um partido de esquerda (que eram contra o discurso de expulsão de migrantes), totalizando aproximadamente 80 mortos. Além disso, foram observadas manifestações e passeatas contra migrantes na França, Portugal, Espanha e Inglaterra. O alvo da xenofobia são, principalmente, latinos, asiáticos e africanos.
A xenofobia e os consequentes atos contras migrantes são oficialmente considerados como crime e violação dos Direitos Humanos. Com receio de que os casos de xenofobia iniciem uma grande onda de intolerância étnica, religiosa e cultural (tal como a vivida na 2ª Guerra Mundial, qual resultou no genocídio de judeus na Alemanha de Hitler), autoridades da União Europeia e organizações supranacionais como a ONU têm criado projetos para repudiar e evitar o desenvolvimento da xenofobia entre os europeus. Grande parte de cidadãos europeus também fazem questão de se mobilizar em passeatas a fim de expressar que a xenofobia é também repudiada por grande parte das pessoas desse continente.
fonte:http://geografia.uol.com.br/geografia
* Fernanda Cristina de Paula
Géografa/Mestre em Geografia (IG/UNICAMP), professora da Rede Municipal de Ensino de Jaguariúna (SP),
depaula.fernandac@yahoo.com.br

Siempre es tiempo: tiempo de comenzar

Escrito por Gema Juan.
Siempre es tiempo, decía Teresa de Jesús.
Tiempo de abrir una página nueva, de aprender, de compartir. Siempre es tiempo de buscar, de recibir, de esperar. Tiempo de crear, de confiar, de elegir…
Me ofrecen hablar sobre temas de vida contemplativa y, mientras despedía a Jorge, un trabajador rumano que, con grandes dificultades, lucha por salir adelante, pensaba: ¿nuestros temas? ¿cuáles son nuestros temas...? pues las gentes y Jesús, o Dios y el mundo o la humanidad y el Espíritu. ¿Qué otra cosa puede interesarnos, causarnos alegría o preocupación?
Sabemos que Jesús se preocupó por Dios y por los demás. Que vivió desde el Dios de sus entrañas, transparentándolo.ler mais:

Uma Ordem de Irmãos

Nas origens da fraternidade
Em 1209, quando Frei Francisco pede ao papa a aprovação do seu grupo, a forma institucional identificativa é a da fraternitas e não a de uma “Ordem” religiosa. Vivem todos a comum dimensão de vida cujos traços de identidade o Testamento resume em: opção pela pobreza em minoridade, oração e freqüência às igrejas. Nos primeiros frades há um caráter profundamente desarmado, expresso na saudação “O Senhor te dê a paz”. Quem quiser pode se tornar frade menor, independentemente da idade, da condição social e da cultura. Lenta e inexoravelmente a chegada de indivíduos provenientes das fileiras clericais e magisteriais condicionam de forma diferente a primitiva fraternidade.  leia mais:

22 de abr de 2013

Eremitas Por Acaso


     Há muitas profissões nesse mundo. Muitos conseguem escolher a profissão de que realmente gosta, mas outros, não sei dizer se são a maioria, só conseguem trabalhar naquilo que lhes aparece pela frente. É o caso de muitos destes meus colegas de alojamento. Eu ganho a minha aposentadoria, de modo que não dependo mais do trabalho para viver. Entretanto, eles dependem, e muito! A maioria tem família, que vive longe daqui. Se forem sempre para casa, o dinheiro não dá. As despesas de suas famílias são muitas; as daqui não são tantas, apesar do preço alto do alimento que vem de fora. Só é barato o alimento que vem da própria região, como certos tipos de frutas. Mas, quem disse que eles gostam de frutas?
Amigo, amiga, às vezes nos tornamos pessoas tipo eremitas, sem nunca termos pensado nisso antes. A solidão pega muitos de surpresa: nunca se prepararam para esse tipo de vida.
Eremita é uma pessoa que se desliga da sociedade para que, tendo se encontrado consigo mesmo, tendo se encontrado com Deus, está mais apto para se encontrar também com as pessoas. “Homem algum é uma ilha”, é o título de um livro do monge Thomas Merton, dos Estados Unidos. Não há como nos isolarmos plenamente. Jesus tinha o costume de isolar-se no meio da multidão, como vemos em Lucas 9,18:”Aconteceu que estando Jesus orando a sós, no meio dos discípulos...” Como orar a sós no meio daquela multidão? É o que precisamos aprender a fazer, se vivemos uma vida normal, entre outras pessoas.
É muito comum vermos pessoas que vivem sozinhas se engolfarem num individualismo medonho, depressivo. Precisamos aprender a encontrar a Deus na solidão, a encontrar a nós mesmos e, assim, encontrar o irmão, como eu escrevi num artigo neste mesmo blog, “Solidão nunca mais”.

Tenho um cartão plastificado encerrando em seu interior flores do deserto de Atacama, do Chile. As flores do deserto. Que flores poderão surgir do deserto a que estamos confinados no nosso dia a dia? Quantos frutos maravilhosos poderão brotar de nossa solidão! Mas, para isso, é preciso que não nos fechemos a nós mesmos numa vida monótona, individualista, ranzinza, pedante. As flores só brotarão se encontrarmos Deus e o próximo em nossa solidão.
Deus se mostra no silêncio. Deus se mostra na simplicidade. Quem vive sozinho é um privilegiado e muitas vezes não percebe isso! Na bíblia vemos muitas passagens desse silêncio gostoso que nos leva a Deus e nos conduz aos irmãos.
Disse o papa Paulo VI em sua visita a Nazaré:
(Em Nazaré, temos,) “Primeiro, uma lição de silêncio. Que renasça em nós a estima pelo silêncio, essa admirável e indispensável condição do espírito; em nós, assediados por tantos clamores, ruídos e gritos em nossa vida moderna barulhenta e hipersensibilizada. O silêncio de Nazaré ensina-nos o recolhimento, a interioridade, a disposição para escutar as boas inspirações e as palavras dos verdadeiros mestres. Ensina-nos a necessidade e o valor das preparações, do estudo, da meditação, da vida pessoal e interior, da oração que só Deus vê no segredo”.
É assim que se manifesta o Beato Carlos de Foucauld, que era eremita no Saara. Percebam que parece não um eremita, mas um missionário falando. Ele vivia longe de tudo, mas não das pessoas. Ele vivia de tal forma em Deus, que esse amor transbordava para os que viviam ali nos arredores, os muçulmanos, que nunca falaram com ele sobre os maravilhosos contatos espirituais que ele tinha com Deus. Vejam que maravilha: 

      “Meus últimos retiros para o diaconato e para o sacerdócio mostraram-me que esta vida de Nazaré, que parecia ser minha vocação, era preciso levá-la não na Terra Santa tão amada, mas entre as almas mais doentes, as ovelhas mais abandonadas. Este banquete divino do qual sou ministro, era preciso apresentá-lo não aos irmãos, aos parentes, aos vizinhos ricos, mas aos coxos, aos cegos, às almas mais abandonadas, mais carentes de sacerdotes (Carta ao Pe. Caron, 8/4/1905).
Eu sou um velho pecador que, no dia imediato ao da sua conversão – há quase 20 anos – foi poderosamente atraído pelo Senhor para levar a mesma vida que Ele levou em Nazaré. Deste então, esforço-me por imitá-lo... bem miseravelmente, é certo. Passei muitos anos nessa querida e abençoada Nazaré, como criado e sacristão do convento das Clarissas. Só deixei este lugar bendito há cinco anos, para receber as santas ordens. Sacerdote não residente da diocese de Viviers, os meus últimos retiros de diácono e sacerdote mostraram-me que esta vida de Nazaré, a minha vocação, era necessário levá-la, não na tão amada Terra-Santa, mas entre as almas mais doentes, entre as ovelhas mais abandonadas.

O divino banquete de que sou o ministro, era preciso oferecê-lo, não aos irmãos ou aos parentes ou aos vizinhos ricos, mas ao mais coxo, ao mais cego, às almas mais abandonadas, as privadas do sacerdote. Na minha mocidade, percorri a Argélia e Marrocos. Marrocos tão grande como a França, com dez milhões de habitantes, não tinha nem um único padre no interior. O Saara argelino, sete ou oito vezes maior que a França e mais habitado do que anteriormente se julgava, tinha doze missionários.
Nenhum povo me pareceu tão abandonado como este e assim pedi e obtive do Reverendíssimo Prefeito Apostólico do Saara, a licença para me fixar no Saara argelino, e de levar na solidão, na clausura e no silêncio, (grifo nosso) pelo trabalho das minhas mãos e no estado de pobreza, só ou com alguns padre ou irmãos leigos, uma vida tão semelhante quanto possível à vida oculta de Cristo em Nazaré ...
       Estabeleci-me há três anos e meio, em Beni-Abbès, mesmo na fronteira de Marrocos, procurando, embora miserável e tibiamente, levar a bendita vida de Nazaré. Até agora estou só... “O grão de trigo que não morre, fica só...” Peça ao Senhor para que eu morra para tudo o que não seja a sua vontade. Um pequeno vale é a minha clausura (clausura é a parte mais íntima de um convento ou de uma casa religiosa, em que não entra ninguém de fora. O Pe. Carlos lembra que esse local “íntimo”, para ele, é todo o vale); só de lá saio quando um imperioso dever de caridade me força a isso... a falta de outro sacerdote (o mais próximo está a 400 quilômetros ao norte)... ou para levar Cristo a qualquer outro lugar (Carta ao Pe. Caron, 8/4/1905, Textos Espir. p.213-215)
      Escolho Tamanrasset, lugarejo de vinte casas em plena montanha, no coração do Hogar e entre os Dag-Rali, principal etnia [Tuareg], afastado de todos os centros importantes. Não parece estar prevista nenhuma guarnição militar, nem telégrafo, nem europeu, e por muito tempo não haverá missão. Escolho esse lugar abandonado e aqui me instalo, suplicando a Jesus que abençoe esta instalação na qual quero, para minha vida, tomar um único exemplo, sua vida de Nazaré (Carta ao Pe. Huvelin, 4/12/1909).
          Quero que todos os habitantes, cristãos, muçulmanos, judeus... se acostumem a ver-me como irmão, como irmão universal ... Eles estão começando a chamar minha casa de “fraternidade”, e isso me dá muita alegria (Carta à sra. de Bondy, 7/1/1902).
Ele [Jesus] assume a vocação de gritar o Evangelho em cima dos telhados, não com palavras, mas com a vida. (Retiro em Nazaré, 1897).


         Levem o Evangelho, pregando-o não com palavras, mas pelo exemplo. Não o anunciado, mas vivendo-o... (Retiro em Efrém, 1898, 2ª f. depois do 3º domingo da Quaresma).
Que os irmãos tenham o mesmo zelo pelas almas e as mesmas virtudes que os cristãos dos primeiros séculos e realizarão as mesmas obras. Espalharão, como eles, ocultos, dissimulados, o bem que não podem fazer abertamente. O amor mostrar-lhes-á os meios, e o Senhor sabe tornar eficazes os esforços que inspira. Recapitulemos: “Não podemos medir os nossos trabalhos pela nossa fraqueza, mas os nossos esforços pela nossa obra”. Se as dificuldades são grandes, apressemo-nos ainda mais a dedicar-nos ao trabalho e multipliquemos mais ainda os nossos esforços (Projeto de Missão no Marrocos, Textos Espir. p. 275).
Que a vida de solidão que você leva seja um caminho bonito e florido onde as coisas vão acontecer, onde o Reino de Deus vai crescer, de onde se espalharão os raios da luz divina para todos os demais. Para isso, reze (ore) pelo menos duas horas por dia. Sem esse tempo de oração, qualquer vida que a gente leve não dará certo. Coloque-se nas mãos de Deus, como Santa Teresa de Jesus neste texto:
“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa. Deus nunca muda. A paciência tudo pode. A quem a Deus tem, nada lhe falta. SÓ DEUS BASTA!”