30 de out de 2014

Família: Psicologia e Teologia articuladas podem ajudar ação da Igreja junto dos casais


           
Fonte: Agência Ecclesia
 

Terapeuta Petter Damgaard Hansen está em Portugal para um ciclo de conferências

Lisboa, 30 out 2014 (Ecclesia) – O terapeuta familiar Peter Damgaard Hansen afirmou hoje que Psicologia e Teologia deveriam “trabalhar mais próximas” para ajudar a pessoa em situação de sofrimento, propondo um sentido para a vida do homem moderno.
“Se a Psicologia puder ajudar a abrir a mente das pessoas, aprofundando as questões psicológicas e tocar o coração, então poderemos entender mais as razões da fé, porque as pessoas vão questionar-se e querer perceber o sentido da sua vida”, afirma à Agência ECCLESIA o especialista, com uma experiência de 40 anos.
O psicólogo dinamarquês, que se encontra em Portugal para um ciclo de conferências, entende que a Igreja “é perita em humanidade”, no entanto “não está a saber transmitir a sua mensagem à mente moderna”.
“Não entendo a Psicologia como uma alternativa à fé - o caminho que a Psicologia secular está a encetar. Não é uma alternativa à religião”, explica o terapeuta que se converteu ao catolicismo já adulto.
A experiência clínica de quatro décadas mostra-lhe que o melhor tratamento para a pessoa humana é “holístico” e, nesse sentido, trabalhando simultaneamente “mente, corpo, espírito” há mais probabilidade de “sucesso”.
Peter Damgaard Hansen garante que os “problemas psicológicos têm uma origem espiritual”, e que advêm do facto de hoje “o estado habitual do homem se encontrar numa maior necessidade de procurar amor do que de capacidade para dar amor”.
Frustração, conflito, raiva são sentimentos comuns quando se inicia uma relação matrimonial “sem ter consciência da necessidade primeira de receber amor e por isso muitos vão tentar encontrar outra pessoa”.
O terapeuta indica que apenas “existe uma solução espiritual para esse dilema”: “Encontrar uma fonte de amor para além do casal, para além do companheiro”.
“Quando olhamos para um casamento percebemos que é um projeto condenado ao insucesso a não ser que possamos encontrar uma fonte de amor que ultrapassa o casal. Quando se olha para o amor de Deus, o coração abre-se e o amor entre as pessoas acaba por fluir. Por isso é normal não amar, mas não podemos não deixar-nos amar”, insistiu.
Esta é a mensagem cristã “em linguagem psicológica”, traduz Peter Damgaard Hansen.
O terapeuta encontra-se em Portugal para um ciclo de conferências promovidas pelo setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa.
Esta tarde está no Instituto de Formação Cristã de Lisboa a partir das 17hoo para falar com agentes da pastoral familiar; no sábado dirige-se especialmente a psicólogos, psiquiatras e profissionais da saúde no Auditório Orlando Ribeiro; na segunda-feira fará uma conferência aberta ao público no auditório São João de Deus.
LS

29 de out de 2014

Deus é gay?

Fonte: domtotal.com
Nunca antes na história da Igreja um papa ousou, como Francisco, colocar a questão da sexualidade no centro do debate eclesial: homossexualidade, casais recasados, uso de preservativo etc. O Sínodo da Família, reunido no Vaticano, só dará sua palavra final sobre esses temas em outubro de 2015, quando voltará a se reunir. Quem, como eu, transita há décadas na esfera eclesiástica, sabe que é significativo o número de gays entre seminaristas, padres e bispos. Por que não gozarem, no seio da Igreja, do mesmo direito dos heterossexuais de se assumirem como tal? Devem permanecer "no armário", vitimizados pela Igreja e, supostamente, por Deus, por uma culpa que não têm? É preciso reler o Evangelho pela óptica dos gays, como já se faz pela óptica feminista, já que a presença de Jesus entre nós foi lida pelas ópticas aramaica (Marcos); judaica (Mateus); pagã (Lucas); gnóstica (João); platônica (Agostinho) e aristotélica (Tomás de Aquino). A unidade na diversidade é uma característica da Igreja. Basta lembrar que são quatro os evangelhos, e não um só: quatro enfoques distintos sobre o mesmo Jesus.  Até a década de 1960, predominava no Ocidente uma única óptica teológica: a europeia, tida como "a teologia". O surgimento da Teologia da Libertação, com a leitura da Palavra de Deus pela óptica dos pobres, causa ainda incômodo àqueles que consideram a óptica eurocentrada como universalmente ortodoxa. Diante dos escândalos de pedofilia, dos 100 mil padres que abandonaram o sacerdócio por amor a mulheres, e da violência física e simbólica aos gays, Francisco ousa se erguer contra o cinismo dos que se arvoram em "atirar a primeira pedra." Como Jesus, a Igreja não pode discriminar ninguém em razão de tendência sexual, cor da pele ou condição social. O que está em jogo é a dignidade da pessoa humana, o direito de casais gays serem protegidos pela lei civil e educarem seus filhos na fé cristã, o combate e a criminalização da homofobia, um grave pecado. A Igreja não pode continuar cúmplice e, por isso, acaba de superar oficialmente a postura de considerar a homossexualidade um "desvio" e "intrinsecamente desordenada". A dificuldade de a Igreja Católica aceitar a plena cidadania LGTB se deve à sua tradição bimilenar judaico-cristã, que é heteronormativa. Por isso, os conservadores reagem como se o papa traísse a Igreja, a exemplo do que fizeram no passado, quando se recusaram a aceitar a separação entre Igreja e Estado; a autonomia das ciências; a liberdade de consciência; as relações sexuais, sem fins procriativos, dentro do matrimônio; a liturgia em língua vernácula. Deus é gay? "Deus é amor", diz a Primeira Carta do apóstolo João, e acrescenta "o amor é de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus." E se somos capazes de nos amar uns aos outros "Deus permanece em nós." Por ser a presença de Deus entre nós, Jesus transitou, sem discriminação, entre o mundo dos "pecadores" e dos "virtuosos". Não apedrejou a adúltera; não fugiu da prostituta que lhe enxugou os pés com os próprios cabelos; não negou a Madalena, que tinha "sete demônios", a graça especial de ser a primeira testemunha de sua ressurreição. Jesus também não se recusou a dialogar com os "virtuosos" – aceitou jantar na casa do fariseu; acolheu Nicodemos na calada da noite; dialogou sobre o amor samaritano com o doutor da lei; propôs ao rico que, "desde jovem", abraçava todos os mandamentos, a fazer opção pelos pobres. Sobretudo, Jesus ensinou que não é escalando a montanha das virtudes morais que alcançamos o amor de Deus. Esta a proposta dos fariseus e a rota de Sísifo. É nos entregando ao amor de Deus, gratuito e misericordioso, que logramos fidelidade à sua Palavra. Fé, confiança e fidelidade são palavras irmãs. Têm a mesma raiz. E a vida ensina que João é fiel à Maria e vice-versa, não porque temem o pecado do adultério, e sim porque vivem em relação amorosa tão intensa que nem cogitam a menor infidelidade.

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.

O que aconteceu nos pampas?

                                  Júlio Lázaro Torma
    Passado o período eleitoral vem o tempo de se analisar o que aconteceu, no caso a derrota do PT e do governo Tarso no último domingo de outubro de 2014.
      O Estado do Rio Grande do Sul sempre foi considerado vanguardista, politizado em relação aos outros estados da federação.
    Em primeiro lugar desde a redemocratização do país em 1985, nenhum partido se reelegeu para ocupar o Palácio Piratini, bem como a velha ARENA, hoje Partido Progressista ( PP), tem ocupado a cadeira de Júlio de Castilho ( * 1860-+ 1903).
     O povo gaúcho tem a cultura da alternância de governo assim foi com Pedro Simon( PMDB) de 1987-1990; Alceu Collares ( PDT) de 1991-1994; Antônio Britto ( PMDB) DE 1995-1998; Olívio Dutra ( PT) de 1999-2002; Germano Rigotto ( PMDB) de 2003-2006; Yeda Cruzius ( PSDB) de 2007-2010 e Tarso Genro ( PT) de 2011-2015.
    Onde parece que continua aquela velha rivalidade herdada da era castilhista ( 1890-1930), da eterna rivalidade entre chimangos ( Partido Republicano Rio-grandense/ PRR) e os maragatos do Partido Libertador ( PL), e depois PTB, PL.
   O debate ideológico existente desde a revolução farroupilha ( 1835-1845), entre república x monarquia, positivismo x federalismo;trabalhismo x anti trabalhismo;defensor da ditadura x oposição, direita x esquerda, neoliberalismo x estatismo.
     Que marcou os debates e disputas no pampa no final do século XIX e o século XX, parece que não existe mais na pampa.
     Mas a disputa entre PT x PMDB, continua reinando no estado. Um dos pontos fortes foi o antipetismo, em que as pessoas falavam " odeio o PT", " temos que tirar o PT do poder", mas não sabiam explicar o porque deste ódio ao PT ou a  pessoa do Tarso Genro, não respondiam ou simplesmente fugiam do assunto, usavam argumentos delirantes sem fundamentação.
    A vitória de Sartori ( PMDB) 61% sobre Tarso Genro ( PT) 38%, mostrou uma despolitização e infantilização da política sem um debate ideológico de projetos de estado. Tal despolitização levou á um discurso de ódio que empobrece cada vez mais a política e a democracia.
    Jamais o eleitorado que votou no PP ou PDT no primeiro turno votaria em Tarso ou no PT. Visto que o PP um partido de direita e o PDT um partido de centro direita que não tem mais nada de brizolismo no Rio Grande do Sul.
      O povo gaúcho que era considerado a vanguarda da politização se converteu em vanguarda da despolitização e da falta de uma ideologização da política e dos partidos.
     Sartori além de representar está desideologização, representa uma nova fase do capitalismo gaúcho que está se formando e tendo força no pampa. Um capitalismo pós moderno imaterial, tecnológico e urbano, aliado a uma sociedade do espetáculo, há onde a pessoa se identifica com aquele que usa o humorismo, como demostrou a campanha eleitoral de Sartori.
    Do outro lado a campanha Tarso, parece que quis usar os velhos e conhecidos métodos políticos da direita em atacar Sartori. Que em vez de ajudar a campanha de Tarso,parece que contribuiu para a vitória de Sartori e fortaleceu o antipetismo no estado.
   Mesmo que Tarso tivesse conseguido a renegociar as dividas do estado com a união e pago o piso do funcionalismo estadual como ele desejava não se reelegeria.
  Se Tarso tivesse ganhado de Sartori e derrubado a barreira do antipetismo e da alternância de governo, teria realizado um grande feito em que partido e governador algum conseguiu realizar nestas três décadas de democratização mais longa da História Republicana do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Esta é a pergunta que fica com todas as melhoras que o governo petista fez no estado, aliado ao governo Dilma e após ter pego um estado quebrado e sucateado deixado pelo desgoverno, goverlixo de Yeda Cruzius, e colocado nos eixos, o que aconteceu?

25 de out de 2014

O Maior dos Mandamentos

                                             Júlio Lázaro Torma*
                              " Mestre, qual é o maior mandamento da Lei ?"
                                                                            ( Mt 22,36)
    Após o embate de Jesus com os fariseus e herodianos sobre a " moeda de César" ( Mt 22, 15-21) e ter silenciado o partido dos saduceus, que eram ligado ao poder financeiro ( chefes do Sinédrio), aliado dos romanos, sobre o tema da ressurreição ( Mt 22,23-33).
    No tempo de jesus as pessoas eram obrigadas a cumprir 613 mandamentos, 248 prescrições e 365 proibições. As pessoas humildes não conseguiam cumprir e eram chamadas de" menos informados", " ignorantes", de " quem não está com nada" e " povinho, que não conhece a Lei é maldito" ( Jo 7,49) e que não entrariam no Reino dos céus.
    Os fariseus levam o debate deles para pegar Jesus sobre o amor a Deus e amor ao próximo o que seriá mais importante?
      Ele responde á um Amor, mas tem dois destinatários Deus e o próximo. Não é um sem o outro, os dois juntos...o que dizer?
      " A Palavra de Deus faz sentido: Amarás o Senhor teu Deus...Amarás teu próximo. O segundo mandamento é como o primeiro, mas não há um único amor.Há uma única fonte, mas dois rios diferentes", como escreve o teólogo francês Patrick Jacquemont.
        Ao amar o nosso próximo estamos manifestando a nossa filiação divina " Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo o que ama é nascido de Deus", pois " Deus é Amor" ( I Jo 4,7-8).
      E como Deus nos ama, nós devemos amar nos mutuamente, e isso traz algumas exigências preferenciais como  defender aqueles que são vítimas da exclusão social ( Ex 22,20-26) e como  fala Jesus acolher" aqueles que tem fome, sede, são migrantes, estão nus, enfermos e presos" ( Mt 25,31-45).
    Isso exige o amor a DEUS, como podemos falar que amo a Deus? e desprezo o meu próximo que esta ao meu lado, que tem os seus direitos básicos negados.
     Um cristão, deve ser " movido por grandes sentimentos de amor", como fala Ernesto Che Guevara, isso faz com que saímos de nós mesmos e do nosso comodismo, individualismo. Vivemos numa sociedade a onde devo me importa com o " eu", com o cada um por si e deus por todos; o que importa é eu me dar bem. Não importa o outro, os seus sentimentos, problemas e angústias.
     Onde vale é a livre concorrência o mundo é dos espertos, dos bons.
      A nossa sociedade se concentrou no " eu", onde importa sou eu, a fé e a religião é aquela que me agrada, eu faço o meu mandamento e não aceito exigências.
       E se critica aqueles que defendem e fazem algo para os pobres e querem a sua dignidade como filhos e filhas de Deus. Amar a Deus que não vejo é amar o próximo que vejo que esta ao meu lado, bem como aquele que não conheço, que nunca vi, pois só assim estou de fato e concretamente amando a DEUS,pois essa é a exigência do Evangelho e do seguimento de Jesus, só assim somos discípulos de fato.
     O escritor francês Eric Julien nos traz está reflexão:
     " Por que é tão difícil amar a Deus? Porque significa amar o próximo. E por que é tão difícil amar o próximo? Porque devemos amá-lo como a si mesmo, e que muitos sabem o amor pelo seu valor justo.E como amamos a nós mesmos? Tentamos olhar como Cristo está assistindo. Com o maior respeito, ternura e ... paciência"
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   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

17 de out de 2014

As Duas faces

                                 Júlio Lázaro Torma*
                                              " Hipócritas! Por que vocês me tentam?"
                                                                                          ( Mt 22,18)
     Neste final de semana somos chamados a meditarmos sobre a " moeda de César". Um dos textos bíblicos mais má ou ideologicamente usados por aqueles que querem manipular a Palavra de Deus segundo os seus interesses e manter os seus status quo.
   O presente texto se encontra em Marcos 12,15-22; Lucas 20,20-26 e as comunidades Mateus a melhoraram.
    A Palestina no século I, vivia sob o domínio romano e tinham que pagar impostos, pedágios nas estradas para Roma, o que causava o empobrecimento e a miséria no povo e um crescente descontentamento popular. A população pagava dois impostos um pró Templo e o outro a Roma que era o denário.
     No denário havia uma efíge de Tibério César e a inscrição:" TIBERIUS CAESAR, DIVINI FILIUS AUGUSTUS". No reverso podia se ler: " PONTIFEX MAXIMUS'.
    Na qual Cesar era divinificado e declarado como " Senhor do céu e da terra".
   Após Jesus calar a boca das autoridades político- religiosa do Templo, sobre a sua autoridade ( Mt 21,23-27), os fariseus e os herodianos ( partidários de Herodes Antipas e defensores de Roma), armam uma armadilha para Jesus e mandam os seus discípulos confronta-lo.
   Se ele declara que não deve pagar imposto a César, ele é acusado de incentivar uma revolução, se declara que deve pagar, a sua palavra é usada pelos políticos para desacredita-lo perante as massas empobrecidas que o segue.
    Jesus como sem terra, sem trabalho fixo, sem casa, andarilho não é obrigado a pagar imposto e nem está sob o domínio de uma autoridade.
    Ele mostra que eles estão submetidos e escravizados a autoridade do imperador que se declara deus, no lugar do verdadeiro Deus, que liberta.
    " Do Senhor é a terra e tudo o que ela contém, a órbita terrestre e todos os que nela habitam" ( Sl 24,1).
     Na qual Deus que tudo pertence e a ele que devemos optar e escolher a servir. Quando Jesus fala:" dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" e que o " meu reino não é deste mundo" ( Jo 18,36), ele não está desprezando o mundo na qual vivemos e nem com a política.
    Jesus não está preocupado com impostos, mas sim com o povo, com o ser humano,pois o povo pertence a Deus. O imposto só é justo quando reverte em beneficio do bem comum. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação interna como estrangeira, assim como a política que não é praticada em beneficio do bem comum ,mas em proveito próprio.
    Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, exige de nós escolhermos o caminho, se queremos ser coniventes com práticas injustas e corruptas.
     Dar a Deus que é de Deus é ter os mesmos sentimento de Deus de acolher os migrantes, defender os mais empobrecidos os amados por Deus. Não ser conivente e nem praticar ou justificar a corrupção este câncer que está impregnado e corrói a nossa sociedade desde nós até as altas esferas da sociedade.
   Se sou político não devo aceitar a corrupção, nem pactuar ou usar a política em meu beneficio próprio ou influenciar a sociedade com os interesses da minha igreja, religião, desrespeitando a pluralidade, ou impondo a sua fé sobre os outros, se achando que ele é o melhor.
    Ser cristão é dar testemunho da fé e da esperança aos outros e estar a serviço dos outros,principalmente dos mais pobres e necessitados; está é a única maneira de dar-lhe um gosto de acreditar e esperar.
    Quanto o Evangelho de hoje, Santo Agostinho de Hipona disse:
    " Como César procura a sua imagem em uma moeda, Deus procura a sua imagem em sua alma. Dai a César, diz o Salvador, que é devido. Requer de que César? Sua imagem. Que o Senhor pede de ti? Sua imagem. Mas a imagem de César em uma moeda, á imagem de Deus está dentro de você".               
Mt  22,15-21
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   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

11 de out de 2014

Por um sínodo permanente

Fonte: domtotal.com

Nesse domingo, o papa Francisco abriu em Roma a 13a sessão do Sínodo dos bispos, com representantes do episcopado católico do mundo inteiro. Esse sínodo extraordinário está reunido para refletir e tomar decisões que atualizem a posição da Igreja Católica em relação a questões da família e da moral sexual. Na semana passada, cinco cardeais, membros da Cúria romana, publicaram um livro coletivo. Nesse livro, afirmam que, em matéria de moral e disciplina, a Igreja nada tem a mudar, porque a lei é lei e vem de Cristo. No mundo inteiro, muitos padres e bispos são da mesma posição dogmática e rígida. Ao contrário, o papa Francisco e boa parte do povo, católico e não católico, pensa de modo diferente. O papa cita o Evangelho no qual Jesus diz claramente: “A lei foi feita para o ser humano e não o ser humano para a lei” (Mc 2, 27). “Eu vim chamar os pecadores e não os justos (Mc 2,17). Eu quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9, 13).
De fato, há mais de 50 anos, quando o papa João XXIII convocou os bispos católicos do mundo inteiro para se reunirem no Concílio Vaticano II, explicava que uma coisa é a verdade da fé e outra a expressão que, em cada época, toma essa verdade. A palavra de Deus é eterna e não muda. No entanto, a formulação de sua palavra é humana, histórica e contextual. Precisa ser interpretada à luz do projeto divino para o mundo que é justiça, paz e amor inclusivo e nunca desamor, incompreensão ou condenação de nenhuma categoria humana. No século II da nossa era, Tertuliano, um pai da Igreja do norte da África, afirmava: “Para quem é cristão, nada do que é humano pode ser estranho”.

De fato, o Concílio Vaticano II renovou profundamente a forma como a Igreja Católica interpreta a revelação divina, a relação com as outras Igrejas cristãs e sua missão no mundo. Na época do Concílio, a Igreja podia contar com muitos bispos que se colocavam como pastores do seu povo e profetas do projeto divino no mundo. Hoje, a Igreja continua contando com bispos que são homens espirituais e bons pastores do seu povo. No entanto, para garantir a continuidade dessa missão, é preciso rever a natureza e o estilo da atual formação dos padres nos seminários. Muitos bispos se dizem de acordo com a proposta de renovação eclesial do papa, mas mandam os jovens serem formados por seminários que os formam em uma linha contrária a qualquer renovação.

O que está em jogo não é apenas um modelo de atuação e de presença no mundo. O mais importante é que imagem de Deus as pessoas que creem e os ministros apresentam. Como disse alguém: “Sem dúvida, Deus é bom, mas parece que se deixa rodear de pessoas que não amam”.

No século I de nossa era, Igreja era um termo político. Designava as assembleias de cidadãos das cidades gregas do Império Romano. Tinham funções semelhantes à nossa câmara de vereadores. Em suas cartas, Paulo se apoderou desse termo (Igreja) para as primeiras comunidades cristãs. Ele fez isso para afirmar que os grupos cristãos deveriam sempre ser comunidades nas quais se pratica permanentemente o diálogo, a unidade nas diferenças, como parábola do projeto divino de justiça e de paz no mundo. Essa vocação é expressa pelo termo grego “sínodo” (caminhar juntos). Há algumas décadas, quando surgiu a teologia da libertação e alguns bispos e padres conservadores afirmavam que a Igreja não é uma democracia, Dom Pedro Casaldáliga, então bispo de São Félix do Araguaia, respondia: “Absolutamente de acordo. A Igreja não pode ser apenas uma democracia. Ela tem de ser muito mais. Deve ser e se mostrar como comunhão”.

Infelizmente, durante séculos, as Igrejas cristãs adotaram modelos de organização vindos da cultura dominante na época. O papa se tornou chefe de Estado e era sempre visto como o pontífice reinante e os bispos, príncipes da Igreja. Desde que foi eleito no dia 13 de março de 2013, Francisco optou por se apresentar como bispo de Roma e tem sempre proposto uma Igreja descentralizada e em diálogo com a humanidade, diálogo que há mais de 50 anos, o papa João XXIII começou e depois dele, não teve mais continuidade. Agora, o papa Francisco o retoma e propõe uma Igreja voltada para o mundo e a serviço dos mais pobres. Uma Igreja sinodal que caminhe junto com a humanidade. Mesmo os ritos religiosos e a espiritualidade devem ser profundamente penetrados por essa mística do diálogo e da busca de comunhão. E a profecia e os sinais de contradição devem ser vividos em relação às estruturas injustas e excludentes da sociedade e não contra as pessoas. O atual sínodo dos bispos durará três semanas, mas o mais importante de tudo é que ele recoloque a Igreja em um processo de sínodo permanente e não somente de bispos  e sim de todas as pessoas que quiserem participar desse caminho. Como escreve o anjo do Apocalipse: “Quem tiver ouvidos, escute o que o Espírito diz hoje às Igrejas” (Ap 2, 5).

Marcelo Barros Marcelo Barros é monge beneditino e teólogo especializado em Bíblia. Atualmente, é coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT). Assessora as comunidades eclesiais de base e movimentos sociais como o Movimento de Trabalhadores sem Terra (MST). Tem 45 livros publicados dos quais está no prelo: "O Evangelho e a Instituição", Ed. Paulus, 2014. Colabora com várias revistas teológicas do Brasil, como REB, Diálogo, Convergência e outras. Colabora com revistas internacionais de teologia, como Concilium e Voices e com revistas italianas como En diálogo e Missione Oggi. Escreve mensalmente para um jornal de Madrid (Alandar) e semanalmente para jornais brasileiros (O Popular de Goiânia e Jornal do Commercio de Recife, além de um jornal de Caracas (Correo del Orinoco) e de San Juan de Puerto Rico (Claridad).

4 de out de 2014

Festa de São Francisco de Assis



Estimados(as) Irmãos e Irmãs da Família Franciscana do Brasil
Paz e todo Bem!

Ao Celebrarmos a Festa do nosso Pai Seráfico, somos convocados e convocadas a mergulhar no “Evangelho da Alegria”, que a exemplo de São Francisco de Assis, encontramos a luz que ilumina a nossa caminhada; nos cerca de graças, e nos fortalece no esvaziamento interior, e nos move a sermos menores e, assim na ternura, bendizer o Pai por tudo aquilo que quis revelar aos pequenos. Hoje, proposto com vigor e insistência pelo nosso iluminado Papa Francisco... leia mais em:




3 de out de 2014

Candidatos partem para confronto na TV Globo

Fonte:  domtotal.com

No último debate do 1º turno, três principais candidatos deixaram a cautela de lado e partiram para o ataque.
Presidenciáveis deixam cautela e partem para confronto em último debate do 1º turno.
 
Por Maria Pia Palermo e Eduardo Simões
 
Rio de Janeiro/São Paulo - Os três principais candidatos à Presidência deixaram a cautela de lado e partiram para o ataque entre si no debate realizado pela TV Globo, o último antes do primeiro turno da eleição no domingo e o mais acalorado da campanha, que teve a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) como principal alvo.
O tema da corrupção voltou a ser munição para os adversários mirarem em Dilma. A candidata do PSB, Marina Silva, chegou a discutir com a presidente após o tempo destinado às duas acabar justamente numa pergunta sobre as denúncias de corrupção na Petrobras.
Aécio Neves (PSDB) aproveitou um confronto direto com a petista para afirmar que, segundo a Polícia Federal, o governo Dilma "entregou" a Petrobras "a uma quadrilha".
Marina também usou o tema corrupção para rebater a estratégia que Aécio tem adotado durante a eleição de lembrar os 24 anos que a candidata do PSB foi integrante do PT, ministra do Meio Ambiente do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, como o tucano gosta de lembrar, se manteve no governo durante o escândalo do mensalão.
"Vossa excelência também esteve em um partido que praticou o mensalão, quando foi na votação da releição. Foi ali que começou o mensalão", disparou Marina ao lembrar as denúncias de compra de voto no Congresso quando da aprovação da emenda da reeleição, no primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Eu saí do PT exatamente para manter as minhas convicções", completou a candidata do PSB.
Aécio, por sua vez, respondeu afirmando que as denúncias de compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição, que permitiu que Fernando Henrique conquistasse um novo mandato em 1998, não foram comprovadas. "Me surpreende que a senhora faz uma defesa do mensalão do PT ao compará-lo a denúncias que jamais foram comprovadas."
Ainda sobre as denúncias de irregularidades na Petrobras, Dilma voltou a afirmar que demitiu o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e foi contestada tanto por Aécio quanto por Marina, que lembraram uma ata de uma reunião do Conselho de Administração da empresa que afirma que Costa renunciou ao cargo e foi elogiado pelos serviços prestados.
"A presidente acaba de repetir aqui alguns segundos atrás que demitiu o senhor Paulo Roberto Costa da Petrobras. Não é o que diz a ata do Conselho, está aqui nas minhas mãos", disse Aécio. "A ata do Conselho da Petrobras diz que o diretor renunciou ao cargo e, pasmem, recebe elogios pelos relevantes serviços prestados à companhia".
Dilma recorreu ao depoimento dado por Costa a uma CPI no Congresso em que afirma que lhe foi pedido que escrevesse uma carta de demissão e acusou os adversários de "má fé". "Se dá sempre no serviço público o direito da pessoa pedir demissão ao se afastar do cargo", disse Dilma, ao que o tucano retrucou, posteriormente, pedindo que a petista explicasse quais foram os "relevantes serviços prestados à companhia".
Também foi justamente num embate sobre corrupção que o clima esquentou entre Dilma e Marina. A candidata do PSB lembrou que Costa está em um processo de delação premiada para reduzir sua pena e questionou a presidente se houve uma "demissão premiada" no caso do ex-diretor.
"Marina, vamos colocar os pingos nos is. O seu diretor, nomeado por você diretor de fiscalização do Ibama (quando Marina era ministra do Meio Ambiente) foi afastado no meu governo por crime de desvio de recursos", afirmou Dilma. "Eu não saí por aí, Marina, dizendo que você conhecia corrupção e acobertava corrupção."
Após o duelo, as duas continuaram discutindo com os microfones desligados e sob os pedidos do mediador para que retornassem aos seus lugares.
Economia e Bolsa Família
A economia também foi tema de embate entre os três principais candidatos ao Planalto. Em mais um confronto direto com Dilma, Aécio questionou à presidente se ela havia "fracassado" na gestão econômica. "A senhora acabou de nos brindar com uma pérola, de que 'a inflação está sob controle'; provavelmente a senhora considera também adequado o crescimento do Brasil", ironizou o tucano, antes de emendar a pergunta sobre o fracasso econômico.
"Fui bem sucedida quando se compara com o que aconteceu no governo do qual o senhor era líder, que quebrou o país três vezes", respondeu Dilma, numa referência aos momentos que o governo Fernando Henrique Cardoso teve de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
A proposta de Marina sobre a independência do Banco Central, que a campanha de Dilma tem usado como munição contra a rival, tornou-se tema de confronto direto entre ambas, quando a candidata do PSB lembrou que a presidente defendeu a autonomia do BC na campanha de 2010.
"Eu sugiro que a senhora leia o que escreveram no seu programa, porque a senhora está deliberadamente confundindo autonomia com independência", disse Dilma, ao que Marina respondeu afirmando que a presidente adotava um discurso "das eleições, não das convicções".
Outro tema de embate entre os três principais rivais foram os programas sociais do governo federal. Aécio e Marina voltaram a criticar os boatos de que, se vencerem, acabarão com o Bolsa Família e prometeram manter o programa.
Dilma, por sua vez, disse ser a melhor candidata para manter esses programas. "Vocês falam que vão continuar os programas sociais do governo. Quem é que pode achar que quem nunca fez os programas vai fazer melhor do que quem os construiu?", indagou.
Durante o debate, Aécio e Marina prometeram "aprimorar" o Bolsa Família e a candidata do PSB prometeu que, se eleita, os beneficiários do programa terão um décimo terceiro salário.
Se Dilma foi alvo dos rivais no tema da corrupção, Marina foi criticada por Dilma pelo seu discurso de "nova política". A candidata do PSB atacou a petista pelo fato de ela "nunca ter sido vereadora" e ter se tornado presidente. A presidente contra-atacou ironizando o discurso que tornou-se mantra da adversária.
"Quer dizer, candidata, que uma pessoa que não fez a carreira vereadora, deputada, senadora, ela não pode ser presidenta? Onde isso está escrito? Não na nossa Constituição", disse.
Homofobia
Entre os candidatos dos partidos chamados nanicos, o ponto alto foram os embates entre Levy Fidelix (PRTB) e Eduardo Jorge (PV) e entre Luciana Genro (PSOL) e Fidelix, por conta de declarações consideradas homofóbicas e de incitação à violência contra homossexuais dadas pelo candidato do PRTB em debate realizado no último domingo.
Jorge disse que daria a chance de Fidelix pedir desculpas pelos comentários, ao que o candidato do PRTB rebateu afirmando que o rival não tinha "moral" e que fazia "apologia ao crime" por defender a descriminalização da maconha e do aborto.
Já a candidata do PSOL afirmou que Fidelix deveria ter sido preso e algemado pelos comentários, aos quais ela comparou com o dos nazistas contra os judeus. O candidato do PRTB, por sua vez, negou que tenha incitado a violência e disse que a Constituição lhe garante o direito de livre expressão.
Reuters