25 de out de 2014

O Maior dos Mandamentos

                                             Júlio Lázaro Torma*
                              " Mestre, qual é o maior mandamento da Lei ?"
                                                                            ( Mt 22,36)
    Após o embate de Jesus com os fariseus e herodianos sobre a " moeda de César" ( Mt 22, 15-21) e ter silenciado o partido dos saduceus, que eram ligado ao poder financeiro ( chefes do Sinédrio), aliado dos romanos, sobre o tema da ressurreição ( Mt 22,23-33).
    No tempo de jesus as pessoas eram obrigadas a cumprir 613 mandamentos, 248 prescrições e 365 proibições. As pessoas humildes não conseguiam cumprir e eram chamadas de" menos informados", " ignorantes", de " quem não está com nada" e " povinho, que não conhece a Lei é maldito" ( Jo 7,49) e que não entrariam no Reino dos céus.
    Os fariseus levam o debate deles para pegar Jesus sobre o amor a Deus e amor ao próximo o que seriá mais importante?
      Ele responde á um Amor, mas tem dois destinatários Deus e o próximo. Não é um sem o outro, os dois juntos...o que dizer?
      " A Palavra de Deus faz sentido: Amarás o Senhor teu Deus...Amarás teu próximo. O segundo mandamento é como o primeiro, mas não há um único amor.Há uma única fonte, mas dois rios diferentes", como escreve o teólogo francês Patrick Jacquemont.
        Ao amar o nosso próximo estamos manifestando a nossa filiação divina " Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo o que ama é nascido de Deus", pois " Deus é Amor" ( I Jo 4,7-8).
      E como Deus nos ama, nós devemos amar nos mutuamente, e isso traz algumas exigências preferenciais como  defender aqueles que são vítimas da exclusão social ( Ex 22,20-26) e como  fala Jesus acolher" aqueles que tem fome, sede, são migrantes, estão nus, enfermos e presos" ( Mt 25,31-45).
    Isso exige o amor a DEUS, como podemos falar que amo a Deus? e desprezo o meu próximo que esta ao meu lado, que tem os seus direitos básicos negados.
     Um cristão, deve ser " movido por grandes sentimentos de amor", como fala Ernesto Che Guevara, isso faz com que saímos de nós mesmos e do nosso comodismo, individualismo. Vivemos numa sociedade a onde devo me importa com o " eu", com o cada um por si e deus por todos; o que importa é eu me dar bem. Não importa o outro, os seus sentimentos, problemas e angústias.
     Onde vale é a livre concorrência o mundo é dos espertos, dos bons.
      A nossa sociedade se concentrou no " eu", onde importa sou eu, a fé e a religião é aquela que me agrada, eu faço o meu mandamento e não aceito exigências.
       E se critica aqueles que defendem e fazem algo para os pobres e querem a sua dignidade como filhos e filhas de Deus. Amar a Deus que não vejo é amar o próximo que vejo que esta ao meu lado, bem como aquele que não conheço, que nunca vi, pois só assim estou de fato e concretamente amando a DEUS,pois essa é a exigência do Evangelho e do seguimento de Jesus, só assim somos discípulos de fato.
     O escritor francês Eric Julien nos traz está reflexão:
     " Por que é tão difícil amar a Deus? Porque significa amar o próximo. E por que é tão difícil amar o próximo? Porque devemos amá-lo como a si mesmo, e que muitos sabem o amor pelo seu valor justo.E como amamos a nós mesmos? Tentamos olhar como Cristo está assistindo. Com o maior respeito, ternura e ... paciência"
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   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

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