23 de dez de 2014

Natal, nascer de novo

Com certeza o Natal papainoélico é a única festa em que a ressaca se antecipa à comemoração
Para se fazer festa de Natal é preciso aquecer afetos e servir, à mesa, corações e solidariedade
fonte: domtotal.com
Natal é tempo de desconforto. Premidos pela publicidade que troca Jesus Cristo por Papai Noel, somos desdenhados como cidadãos e aliciados como consumidores.
Ainda que com dinheiro no bolso, instala-se um oco em nosso coração. Aquece-se a temperatura de nossa febre consumista e, discípulos fundamentalistas de esdrúxula seita, adentramos em procissão motorizada nas catedrais de Mamon - os shopping centers.
Nessas construções imponentes, falsos brilhantes da cenografia cosmopolita, aguardam-nos as oferendas da salvação, premissas e promessas de felicidade. Exibidas em requintados nichos, vitrines reluzentes, acolitadas por belas ninfas, as mercadorias são como imagens sagradas dotadas do miraculoso poder de nos fazer ingressar no reino celestial dos que tudo fazem para morrer ricos.

Livres de profanas figuras que poluem o exterior, como as crianças que transmutam as janelas de nossos carros em molduras do pavor, percorremos silentes as naves góticas, enlevados pela música asséptica e o aroma achocolatado de supimpas iguarias.

Olhos ávidos, flexionamos o espírito de capela em capela, atendidos por solícitas sacerdotisas que, se não podem ofertar de graça o manjar dos deuses, ao menos nos brindam com seus trajes de vestais romanas, condenadas à beleza compulsória.

Eis ali, no altar de nossos sonhos, o Céu antecipado na Terra na forma de joias, aparelhos eletrônicos, roupas e importados, sacramentos que nos redimem do pecado de viver neste país cuja miséria estraga a paisagem.

Com certeza o Natal papainoélico é a única festa em que a ressaca se antecipa à comemoração. Tomem-se vinhos e castanhas, panetones e perus, e um punhado de presentes, eis a receita para disfarçar uma data. E sonegar emoções e sentimentos. Mas não é Natal.

Para se fazer festa de Natal é preciso aquecer afetos e servir, à mesa, corações e solidariedade, destampando a alma e convertendo o espírito em presépio, onde renasça o Amor. Dar-se em vez de dar, estreitando laços de família e vínculos de amizade.

Urge abrir o dicionário gravado nas dobras de nossa subjetividade e substituir competição por comunidade, inveja por reconhecimento, ressentimento por humildade, eu por nós.

Melhor que nozes nesses trópicos calientes, convém saciar a língua de prudência, privando-se de falar mal da vida alheia.
Um pouco de silêncio, uma oração, a retração do ego, favorecem o encontro consigo mesmo, sobretudo a quem se reconhece alienado de Deus, dos outros e da natureza. Não custa pisar no freio dessa destrambelhada corrida de quem, no afã de ultrapassar o ritmo do tempo, corre o risco de ter a vida abreviada pela exaustão do corpo e a confusão da mente.

Antes dos copos, recomenda-se encher o coração de ternura até transbordar pelos olhos e derramar-se em afagos e beijos.
Pois de que vale o Natal se não temos coragem de nos dar de presente a decisão de nascer de novo?

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.

6 de dez de 2014

Papa Francisco abre ano da Vida Religiosa com mensagem




Em carta apostólica, Francisco indica objetivos e expectativas para o Ano da Vida Consagrada

A Sala de Imprensa da Santa Sé publicou na sexta-feira, 28 de novembro , a carta apostólica do Papa Francisco a todos os consagrados por ocasião do Ano da Vida Consagrada, que começou oficialmente  domingo, 30 de novembro. A mensagem do Papa com indicações para esse Ano é inspirada nas palavras de João Paulo II apresentada à Igreja no início do terceiro milênio com a Exortação Apostólica Pós-SinodalVita consecrata: leia mais em:

2 de dez de 2014

Gerando uma cultura do agradecimento

Fonte:  domtotal.com
Quantas vezes já não tivemos essa sensação de que 'eu não mereço tudo isso que estou recebendo'.
É esse o maior dom que recebemos de Deus, seu amor incondicional.
Por João Antônio Johas Leão

Toda última quinta-feira do mês de novembro, celebramos aqui no Brasil o Dia Nacional de Ação de Graças. Esse dia é inspirado no Thanksgiving celebrado nos Estados Unidos também na mesma data. É um feriado no qual as pessoas são convidadas a agradecer a Deus pelas boas colheitas do ano. Começou a ser celebrado oficialmente no século XVII, quando depois de algumas más colheitas, os norte-americanos conseguiram finalmente uma boa safra.

Mas hoje em dia, o que temos para agradecer? Muitos já não dependem diretamente da boa ou má safra para sobreviver. Será que ainda é valido separar um dia para agradecer?

A resposta, sobretudo para nós, católicos, deve ser um contundente "Sim!" Se olharmos para a Palavra de Deus veremos como o Apóstolo nos lembra que tudo é dom de Deus. Na primeira carta aos Coríntios, no capítulo 4, versículo 7, lemos: "Que possuis que não tenhas recebido?"

A vida, a família, os amigos, os estudos, todos os bens materiais. Tudo isso é fruto da misericórdia infinita de Deus para conosco. Misericórdia que supõe a nossa cooperação, que não invalida todos os nossos esforços, pelo contrário, os leva em consideração e os recompensa de maneira incrivelmente generosa. Quantas vezes já não tivemos essa sensação de que “eu não mereço tudo isso que estou recebendo.”

Se hoje você já não se preocupa tanto com as safras (sem esquecer as muitas pessoas que ainda hoje trabalham diretamente com a lavoura e que são fundamentais na nossa sociedade) ainda possui muito por agradecer. Esse dia de Ação de Graças é uma oportunidade para nós sermos como aquele leproso do Evangelho que volta a Jesus para agradecer a cura que tinha recebido, enquanto seus amigos leprosos continuam o seu caminho sem voltar.

De fato, essa passagem do Evangelho ilumina muito a nossa realidade, muitas vezes pouco agradecida. Hoje nos experimentamos cada vez mais autossuficientes, sem a necessidade de ajuda. Sem a necessidade de Deus. E isso colabora para a geração de uma cultura egoísta, fechada em si mesmo. Se somos como o leproso que retorna, contribuiremos para uma cultura de abertura, de solidariedade, de generosidade. Uma cultura que não se esquece dos dons que recebeu e que não se esquece também de Quem os recebeu. Por fim, construiremos uma cultura agradecida.

Mas se todos os bens citados acima um dia vão passar, também recebemos alguns bens que são eternos e por tanto mais dignos ainda de serem lembrados nesse dia de ação de graças.

Nós recebemos a Vida Nova no Batismo, que é um dom de Deus impagável, porque somos feitos filhos no Filho. As portas do Céu se abriram para nós e desde já podemos degustar essa vida eternamente feliz que somos chamados a viver junto a Deus. Também pelo batismo recebemos o dom da Fé, pelo qual assentimos de coração a esse Deus que se revela como Amor, como Pai.

Recebemos o Espírito Santo, que é o mesmo Deus, e que habita em cada um de nós, especialmente os que já foram confirmados na fé com a unção do Santo Crisma. Somos templo desse Espírito e Ele nos auxilia cotidianamente a caminhar pelos caminhos de Deus.

E esses dons não vão ser nunca tirados de nós. Pois como diz o apóstolo: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a fome, a nudez, os perigos, a espada? ... Mas em tudo isso somos mais que vencedores, graças àquele que nos amou.”

Nada pode me separar de Deus. É esse o maior dom que recebemos de Deus, seu amor incondicional. Se hoje podemos lembrar um pouco melhor desse e de todos os outros dons, teremos aproveitado bem a oportunidade que nos foi brindada por celebrar esse dia.
A12, 27-11-2014.

22 de nov de 2014

Mapa da corrupção

Fonte:domtotal.com
Na América Latina, a corrupção é um legado de nossa herança colonial
Sabe-se que a colonização da América Latina por países europeus, em especial Espanha e Portugal, foi profundamente marcada por roubos, saques, extermínio dos povos originários, escravidão e ampla corrupção daqueles que, no Novo Mundo, gerenciavam os interesses dos colonizadores.Na América Latina, a corrupção é um legado de nossa herança colonial. Somos herdeiros de uma tradição escravocrata, que deixou profundas sequelas em nossas estruturas e em nossos hábitos. Para sobreviverem ou alcançarem funções de poder, muitos recorriam a subornos, ao peculato e ao nepotismo.
Na tradição política da América Latina, os recursos públicos têm sido apropriados em função de interesses privados. A lógica do sistema capitalista favorece esse caldo de cultura ao considerar que os privilégios do capital devem estar acima dos interesses do trabalho. Prática que se estende à "corrupção" da natureza através da devastação ambiental.

Há, pois, em todo o mundo, e especialmente na América Latina, uma verdadeira oligarquia cleptocrática, para a qual a corrupção é um mecanismo intrínseco ao sistema de contratos, acordos, negócios e transações, principalmente na relação com o poder público. A cleptocracia é tanto mais facilitada quanto menos se conta com mecanismos de controle social do Estado e da administração pública.
Essa corrupção inerente ao nosso sistema político latino-americano corrobora para desacreditar as instituições políticas e viciar sempre mais os processos eleitorais. No Brasil, as empresas não votam mas ganham eleições...

Pesquisa da ONG Transparência Internacional, com sede em Berlim, divulgada em dezembro de 2013, apontou que Somália, Coreia do Norte e Afeganistão são os países onde há mais corrupção, enquanto Dinamarca e Nova Zelândia, seguidos de Luxemburgo, Canadá, Austrália, Holanda e Suíça se destacam como os países onde há mais transparência nas contas públicas.

Entre 177 países pesquisados, o Brasil figura em 72º lugar. Na América Latina, aparece como mais vulnerável à corrupção que Chile, Uruguai, Costa Rica e Cuba, entre outros. E menos que Argentina, Venezuela, Bolívia e Equador.

Dos países avaliados, em 70% há fortes indícios de que funcionários públicos são maleáveis a subornos.

A Venezuela aparece na lista como um dos países onde há mais corrupção (160º lugar), enquanto os mais transparentes são o Uruguai (19º) e o Chile (22º).

Finn Heinrich, coordenador da pesquisa, admite que a corrupção atinge, em primeiro lugar, os mais pobres: "Se você observa os últimos países da lista, os cidadãos mais pobres são os mais prejudicados. Iraque, Síria, Líbia, Sudão e Sudão do Sul, Chade, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Haiti, Turcomenistão, Uzbequistão e Iêmen figuram entre os países nos quais grassa mais corrupção na administração pública e nas empresas privadas. A corrupção está muito relacionada a países em decomposição, como Líbia e Síria." É o caso também do Afeganistão.

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.

14 de nov de 2014

Servo Bom e Fiel

                                            Júlio Lázaro Torma*
                                                           " Muito bem empregado bom e fiel".
                                                                               ( Mt 25,23)
 Estamos quase no termino do ano litúrgico de Mateus. Onde estamos no quinto livrinho do Evangelho de Mateus " A Vida Definitiva do Reino" ( 19-25,46) e o Discurso:" A vinda do Filho do Homem" ( 24-25,46).
    Onde somos convidados a esperar a volta de Jesus, mas não esperar ele de forma conformista e no Evangelho da semana que vem Jesus nos dá o critério de como devemos agir ( Mt 25,31-45).
    Jesus nos fala em talentos, talento aqui não se refere a inclinação natural de uma pessoa a realizar determinada atividade.
    Mas a Parábola dos Talentos ( Mt 25,14-30), deve ser olhado e meditado á luz da Ressurreição de Jesus e a pós a sua partida para a casa do Pai.
    A Parábola dos Talentos nos fala de um homem que foi para o estrangeiro e que deu seus bens para os seus empregados,na qual eram três e cada um recebeu conforme a sua capacidade em administra-lo, a um ( cinco talentos), outro ( dois) e o último ( um talento). O talento era uma moeda romana de 36 kg.
    Mas a Parábola se concentra todo no terceiro homem, na qual as comunidades mateanas mostram que no seu meio havia cristãos que haviam aderido a proposta de Jesus e que tinham medo de se expor por causa das perseguições e que ficavam isolados dentro da comunidade.
   O Evangelho faz uma critica ao conservadorismo e ao fundamentalismo religioso dentro das comunidades.Onde preferimos uma pastoral de conservação, do que ser uma Igreja missionária e uma pastoral de fronteira que vai ao encontro do outro, principalmente das periferias geográficas e da existência.
   Muitas vezes por causa da diversidade no mundo, alguns acabam se agarrando ao passado e ao conservadorismo se tornando pessoas estereis,medrosas e conformistas, que não estão dispostas a mudar a realidade e a sair do eu,onde o que importa é a sua salvação individual.
    Isso faz com que tenham uma fé, fria, mesquinha e estéril. Que acaba muitas vezes enfraquecendo a própria Igreja e a própria vivência da pessoa que se afasta da comunidade.
   Jesus critica este conservadorismo, de enterrar o " talento" e que faz com que não sejamos criativos.
     A Igreja deve ir " além de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária " ( D. Ap 370), isso faz com que tenhamos a criatividade pastoral de novos métodos missionários que exige;
    " Toda conversão supõe um processo de transformação permanente e integral,o que implica o abandono de um caminho e a escolha do outro. A conversão pastoral sugere renovação missionária das comunidades, para passar de uma pastoral de mera conservação pára uma pastoral decididamente missionária.Isso supõe mudança de estruturas e métodos eclesiais, mas exige nova atitude dos pastores, agentes de pastoral e dos membros das associações de fieis e movimentos eclesiais" ( CNBB; Doc." Comunidade de Comunidades:Uma Nova Paróquia, Doc 100).
     Ser conservador não quer disser que está servindo a Deus e que é fiel a Deus. A verdadeira fidelidade a  Deus não se vive a partir da passividade e da inércia, mas a partir da vitalidade e do risco de quem trata de escutar hoje seus chamados.
                                      Mt 25,14-30
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     * Membro do Colegiado da Pastoral Operária Nacional

6 de nov de 2014

Bondade de Elton John: ´Façam do papa santo´!

Fonte  domtotal.com
Esperança, que seja a palavra de ordem, a qual nos protege de todo mal e de todo desânimo
'Ele é um homem amável e compassivo, que quer que todo mundo seja incluído no amor de Deus', afirmou Elton John sobre o papa.
Por Geovane Saraiva*

Nosso querido papa Francisco, nas palavras de alegria, gratidão e esperança, ao receber em audiência o Arcebispo Metropolitano de Brasília, Dom Sérgio da Rocha, em 31 de outubro de 2014, que renovou o convite para visitar a Capital Federal em 2017, dentro do contexto do jubileu dos 300 anos da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, a qual foi encontrada no ano de 1717, nas águas do rio Paraíba do Sul. Neste sentido, como resposta do Vigário de Cristo, Dom Sérgio ouviu nas três palavras: “Alegria por sentir o afeto por parte do povo e do episcopado brasileiro, gratidão pelo convite e, por fim, a esperança que ele mesmo demonstrou de concretizar a visita”.

Esperança parece ser a tônica do seu profícuo pontificado, quando afirmou na manhã do mesmo dia: “O amor abre as portas da esperança e não o rigor da lei”. Também alegra-nos e enche-nos de esperança as palavras da figura emblemática e planetária de Elton John, ao elogiar empolgadamente o Bispo de Roma em 29 de outubro 2014: “Ele é um homem amável e compassivo, que quer que todo mundo seja incluído no amor de Deus; o Papa Francisco está quebrando as barreiras da Igreja Católica”, disse ao público durante a edição 2014 do evento Elton John AIDS Foundation, que foi realizado em Nova Iorque, na qual o célebre cantor e gênio da música internacional pronunciou um discurso marcado pela generosidade, que logo teve enorme repercussão. Na ocasião, John pediu para que o Papa Francisco fosse reconhecido imediatamente como santo: "Há dez anos um dos maiores obstáculos para o combate à sida era a Igreja Católica e hoje temos um Papa que questiona isso" e finalizou com a feliz expressão: “Agora façam imediatamente desse homem um santo”!

Sem esquecer o trinômio terra, moradia e trabalho, palavras saídas da boca abençoada do Santo Padre e dirigidas às lideranças dos movimentos populares, que concluíram no dia 29 de outubro de 2014 um encontro inédito, convocado a pedido do Santo Padre, que causou inaudito eco: “Estar ao lado dos pobres é Evangelho, não comunismo”, palavras que nos fazem lembrar da célebre frase de Dom Helder Câmara: "Se eu dou comida a um pobre, me chamam de santo, mas se eu pergunto por que ele é pobre, me chamam de comunista”. Também são oportunas as palavras do pastor dos empobrecidos: “Ai do mundo se não fosse a utopia, ai do mundo se não fossem os sonhadores”, ao ser acusado de demagogo, sonhador ou outro cavaleiro andante.

É missão de todos nós colocarmos bem no centro da nossa existência a esperança, na certeza de que, a partir da mesma, a humanidade saiba perceber que é chamada a olhar para frente, de recordar e ter diante dos olhos e no âmago do coração a promessa do próprio Deus feita a Abraão: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que eu te mostrarei” (cf. Gn 12, 1).  Daí a exortação do apóstolo Pedro, quando nos deixa clara a razão da nossa esperança, que se deve mostrar ao mundo (cf. 1Pd 3, 15), tão viva e presente no papa Francisco.

O que é esperança para nós cristãos? É a mais absoluta certeza do caminho certo, de que o mundo necessita de homens e mulheres com espíritos imbuídos desta virtude teologal, que no dizer do Santo Padre, o Papa Francisco, na catequese de 29 de outubro de 2014, significa: “Quando se olha Cristo não se erra”. E aqui me recorda a assertiva do apóstolo dos gentios: “Esperança, com efeito, é para nós qual âncora da alma, segura e firme, penetrante para  além do véu, onde Jesus entrou por nós, como precursor, feito  sumo sacerdote para a eternidade, segundo a ordem de Melquisedec” (cf. Hb 6,19-20).

Esperança, que seja a palavra de ordem, a qual nos protege de todo mal e de todo desânimo, além de ser alento diante do sofrimento e esmorecimento; que permanentemente saibamos dar a devida importância, considerando-a um símbolo sólido de firmeza, força, tranquilidade e fidelidade, de tal modo que por meio dela, quando surgirem tempestades, possamos sempre mais nos colocar no caminho seguro e duradouro da existência humana. Quem sabe esperar no Senhor, jamais irá passar pelo perigo de ver seu barco naufragar. “O cristão deve ter paixão pela esperança” (Papa Francisco).
*Geovane Saraiva é padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso. É autor dos livros “O peregrino da Paz”, “Nascido Para as Coisas Maiores”, “A Ternura de um Pastor”, “A Esperança Tem Nome”, "Dom Helder: sonhos e utopias" e "25 Anos sobre Águas Sagradas”.

30 de out de 2014

Família: Psicologia e Teologia articuladas podem ajudar ação da Igreja junto dos casais


           
Fonte: Agência Ecclesia
 

Terapeuta Petter Damgaard Hansen está em Portugal para um ciclo de conferências

Lisboa, 30 out 2014 (Ecclesia) – O terapeuta familiar Peter Damgaard Hansen afirmou hoje que Psicologia e Teologia deveriam “trabalhar mais próximas” para ajudar a pessoa em situação de sofrimento, propondo um sentido para a vida do homem moderno.
“Se a Psicologia puder ajudar a abrir a mente das pessoas, aprofundando as questões psicológicas e tocar o coração, então poderemos entender mais as razões da fé, porque as pessoas vão questionar-se e querer perceber o sentido da sua vida”, afirma à Agência ECCLESIA o especialista, com uma experiência de 40 anos.
O psicólogo dinamarquês, que se encontra em Portugal para um ciclo de conferências, entende que a Igreja “é perita em humanidade”, no entanto “não está a saber transmitir a sua mensagem à mente moderna”.
“Não entendo a Psicologia como uma alternativa à fé - o caminho que a Psicologia secular está a encetar. Não é uma alternativa à religião”, explica o terapeuta que se converteu ao catolicismo já adulto.
A experiência clínica de quatro décadas mostra-lhe que o melhor tratamento para a pessoa humana é “holístico” e, nesse sentido, trabalhando simultaneamente “mente, corpo, espírito” há mais probabilidade de “sucesso”.
Peter Damgaard Hansen garante que os “problemas psicológicos têm uma origem espiritual”, e que advêm do facto de hoje “o estado habitual do homem se encontrar numa maior necessidade de procurar amor do que de capacidade para dar amor”.
Frustração, conflito, raiva são sentimentos comuns quando se inicia uma relação matrimonial “sem ter consciência da necessidade primeira de receber amor e por isso muitos vão tentar encontrar outra pessoa”.
O terapeuta indica que apenas “existe uma solução espiritual para esse dilema”: “Encontrar uma fonte de amor para além do casal, para além do companheiro”.
“Quando olhamos para um casamento percebemos que é um projeto condenado ao insucesso a não ser que possamos encontrar uma fonte de amor que ultrapassa o casal. Quando se olha para o amor de Deus, o coração abre-se e o amor entre as pessoas acaba por fluir. Por isso é normal não amar, mas não podemos não deixar-nos amar”, insistiu.
Esta é a mensagem cristã “em linguagem psicológica”, traduz Peter Damgaard Hansen.
O terapeuta encontra-se em Portugal para um ciclo de conferências promovidas pelo setor da Pastoral Familiar do Patriarcado de Lisboa.
Esta tarde está no Instituto de Formação Cristã de Lisboa a partir das 17hoo para falar com agentes da pastoral familiar; no sábado dirige-se especialmente a psicólogos, psiquiatras e profissionais da saúde no Auditório Orlando Ribeiro; na segunda-feira fará uma conferência aberta ao público no auditório São João de Deus.
LS

29 de out de 2014

Deus é gay?

Fonte: domtotal.com
Nunca antes na história da Igreja um papa ousou, como Francisco, colocar a questão da sexualidade no centro do debate eclesial: homossexualidade, casais recasados, uso de preservativo etc. O Sínodo da Família, reunido no Vaticano, só dará sua palavra final sobre esses temas em outubro de 2015, quando voltará a se reunir. Quem, como eu, transita há décadas na esfera eclesiástica, sabe que é significativo o número de gays entre seminaristas, padres e bispos. Por que não gozarem, no seio da Igreja, do mesmo direito dos heterossexuais de se assumirem como tal? Devem permanecer "no armário", vitimizados pela Igreja e, supostamente, por Deus, por uma culpa que não têm? É preciso reler o Evangelho pela óptica dos gays, como já se faz pela óptica feminista, já que a presença de Jesus entre nós foi lida pelas ópticas aramaica (Marcos); judaica (Mateus); pagã (Lucas); gnóstica (João); platônica (Agostinho) e aristotélica (Tomás de Aquino). A unidade na diversidade é uma característica da Igreja. Basta lembrar que são quatro os evangelhos, e não um só: quatro enfoques distintos sobre o mesmo Jesus.  Até a década de 1960, predominava no Ocidente uma única óptica teológica: a europeia, tida como "a teologia". O surgimento da Teologia da Libertação, com a leitura da Palavra de Deus pela óptica dos pobres, causa ainda incômodo àqueles que consideram a óptica eurocentrada como universalmente ortodoxa. Diante dos escândalos de pedofilia, dos 100 mil padres que abandonaram o sacerdócio por amor a mulheres, e da violência física e simbólica aos gays, Francisco ousa se erguer contra o cinismo dos que se arvoram em "atirar a primeira pedra." Como Jesus, a Igreja não pode discriminar ninguém em razão de tendência sexual, cor da pele ou condição social. O que está em jogo é a dignidade da pessoa humana, o direito de casais gays serem protegidos pela lei civil e educarem seus filhos na fé cristã, o combate e a criminalização da homofobia, um grave pecado. A Igreja não pode continuar cúmplice e, por isso, acaba de superar oficialmente a postura de considerar a homossexualidade um "desvio" e "intrinsecamente desordenada". A dificuldade de a Igreja Católica aceitar a plena cidadania LGTB se deve à sua tradição bimilenar judaico-cristã, que é heteronormativa. Por isso, os conservadores reagem como se o papa traísse a Igreja, a exemplo do que fizeram no passado, quando se recusaram a aceitar a separação entre Igreja e Estado; a autonomia das ciências; a liberdade de consciência; as relações sexuais, sem fins procriativos, dentro do matrimônio; a liturgia em língua vernácula. Deus é gay? "Deus é amor", diz a Primeira Carta do apóstolo João, e acrescenta "o amor é de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus." E se somos capazes de nos amar uns aos outros "Deus permanece em nós." Por ser a presença de Deus entre nós, Jesus transitou, sem discriminação, entre o mundo dos "pecadores" e dos "virtuosos". Não apedrejou a adúltera; não fugiu da prostituta que lhe enxugou os pés com os próprios cabelos; não negou a Madalena, que tinha "sete demônios", a graça especial de ser a primeira testemunha de sua ressurreição. Jesus também não se recusou a dialogar com os "virtuosos" – aceitou jantar na casa do fariseu; acolheu Nicodemos na calada da noite; dialogou sobre o amor samaritano com o doutor da lei; propôs ao rico que, "desde jovem", abraçava todos os mandamentos, a fazer opção pelos pobres. Sobretudo, Jesus ensinou que não é escalando a montanha das virtudes morais que alcançamos o amor de Deus. Esta a proposta dos fariseus e a rota de Sísifo. É nos entregando ao amor de Deus, gratuito e misericordioso, que logramos fidelidade à sua Palavra. Fé, confiança e fidelidade são palavras irmãs. Têm a mesma raiz. E a vida ensina que João é fiel à Maria e vice-versa, não porque temem o pecado do adultério, e sim porque vivem em relação amorosa tão intensa que nem cogitam a menor infidelidade.

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.

O que aconteceu nos pampas?

                                  Júlio Lázaro Torma
    Passado o período eleitoral vem o tempo de se analisar o que aconteceu, no caso a derrota do PT e do governo Tarso no último domingo de outubro de 2014.
      O Estado do Rio Grande do Sul sempre foi considerado vanguardista, politizado em relação aos outros estados da federação.
    Em primeiro lugar desde a redemocratização do país em 1985, nenhum partido se reelegeu para ocupar o Palácio Piratini, bem como a velha ARENA, hoje Partido Progressista ( PP), tem ocupado a cadeira de Júlio de Castilho ( * 1860-+ 1903).
     O povo gaúcho tem a cultura da alternância de governo assim foi com Pedro Simon( PMDB) de 1987-1990; Alceu Collares ( PDT) de 1991-1994; Antônio Britto ( PMDB) DE 1995-1998; Olívio Dutra ( PT) de 1999-2002; Germano Rigotto ( PMDB) de 2003-2006; Yeda Cruzius ( PSDB) de 2007-2010 e Tarso Genro ( PT) de 2011-2015.
    Onde parece que continua aquela velha rivalidade herdada da era castilhista ( 1890-1930), da eterna rivalidade entre chimangos ( Partido Republicano Rio-grandense/ PRR) e os maragatos do Partido Libertador ( PL), e depois PTB, PL.
   O debate ideológico existente desde a revolução farroupilha ( 1835-1845), entre república x monarquia, positivismo x federalismo;trabalhismo x anti trabalhismo;defensor da ditadura x oposição, direita x esquerda, neoliberalismo x estatismo.
     Que marcou os debates e disputas no pampa no final do século XIX e o século XX, parece que não existe mais na pampa.
     Mas a disputa entre PT x PMDB, continua reinando no estado. Um dos pontos fortes foi o antipetismo, em que as pessoas falavam " odeio o PT", " temos que tirar o PT do poder", mas não sabiam explicar o porque deste ódio ao PT ou a  pessoa do Tarso Genro, não respondiam ou simplesmente fugiam do assunto, usavam argumentos delirantes sem fundamentação.
    A vitória de Sartori ( PMDB) 61% sobre Tarso Genro ( PT) 38%, mostrou uma despolitização e infantilização da política sem um debate ideológico de projetos de estado. Tal despolitização levou á um discurso de ódio que empobrece cada vez mais a política e a democracia.
    Jamais o eleitorado que votou no PP ou PDT no primeiro turno votaria em Tarso ou no PT. Visto que o PP um partido de direita e o PDT um partido de centro direita que não tem mais nada de brizolismo no Rio Grande do Sul.
      O povo gaúcho que era considerado a vanguarda da politização se converteu em vanguarda da despolitização e da falta de uma ideologização da política e dos partidos.
     Sartori além de representar está desideologização, representa uma nova fase do capitalismo gaúcho que está se formando e tendo força no pampa. Um capitalismo pós moderno imaterial, tecnológico e urbano, aliado a uma sociedade do espetáculo, há onde a pessoa se identifica com aquele que usa o humorismo, como demostrou a campanha eleitoral de Sartori.
    Do outro lado a campanha Tarso, parece que quis usar os velhos e conhecidos métodos políticos da direita em atacar Sartori. Que em vez de ajudar a campanha de Tarso,parece que contribuiu para a vitória de Sartori e fortaleceu o antipetismo no estado.
   Mesmo que Tarso tivesse conseguido a renegociar as dividas do estado com a união e pago o piso do funcionalismo estadual como ele desejava não se reelegeria.
  Se Tarso tivesse ganhado de Sartori e derrubado a barreira do antipetismo e da alternância de governo, teria realizado um grande feito em que partido e governador algum conseguiu realizar nestas três décadas de democratização mais longa da História Republicana do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Esta é a pergunta que fica com todas as melhoras que o governo petista fez no estado, aliado ao governo Dilma e após ter pego um estado quebrado e sucateado deixado pelo desgoverno, goverlixo de Yeda Cruzius, e colocado nos eixos, o que aconteceu?

25 de out de 2014

O Maior dos Mandamentos

                                             Júlio Lázaro Torma*
                              " Mestre, qual é o maior mandamento da Lei ?"
                                                                            ( Mt 22,36)
    Após o embate de Jesus com os fariseus e herodianos sobre a " moeda de César" ( Mt 22, 15-21) e ter silenciado o partido dos saduceus, que eram ligado ao poder financeiro ( chefes do Sinédrio), aliado dos romanos, sobre o tema da ressurreição ( Mt 22,23-33).
    No tempo de jesus as pessoas eram obrigadas a cumprir 613 mandamentos, 248 prescrições e 365 proibições. As pessoas humildes não conseguiam cumprir e eram chamadas de" menos informados", " ignorantes", de " quem não está com nada" e " povinho, que não conhece a Lei é maldito" ( Jo 7,49) e que não entrariam no Reino dos céus.
    Os fariseus levam o debate deles para pegar Jesus sobre o amor a Deus e amor ao próximo o que seriá mais importante?
      Ele responde á um Amor, mas tem dois destinatários Deus e o próximo. Não é um sem o outro, os dois juntos...o que dizer?
      " A Palavra de Deus faz sentido: Amarás o Senhor teu Deus...Amarás teu próximo. O segundo mandamento é como o primeiro, mas não há um único amor.Há uma única fonte, mas dois rios diferentes", como escreve o teólogo francês Patrick Jacquemont.
        Ao amar o nosso próximo estamos manifestando a nossa filiação divina " Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus e todo o que ama é nascido de Deus", pois " Deus é Amor" ( I Jo 4,7-8).
      E como Deus nos ama, nós devemos amar nos mutuamente, e isso traz algumas exigências preferenciais como  defender aqueles que são vítimas da exclusão social ( Ex 22,20-26) e como  fala Jesus acolher" aqueles que tem fome, sede, são migrantes, estão nus, enfermos e presos" ( Mt 25,31-45).
    Isso exige o amor a DEUS, como podemos falar que amo a Deus? e desprezo o meu próximo que esta ao meu lado, que tem os seus direitos básicos negados.
     Um cristão, deve ser " movido por grandes sentimentos de amor", como fala Ernesto Che Guevara, isso faz com que saímos de nós mesmos e do nosso comodismo, individualismo. Vivemos numa sociedade a onde devo me importa com o " eu", com o cada um por si e deus por todos; o que importa é eu me dar bem. Não importa o outro, os seus sentimentos, problemas e angústias.
     Onde vale é a livre concorrência o mundo é dos espertos, dos bons.
      A nossa sociedade se concentrou no " eu", onde importa sou eu, a fé e a religião é aquela que me agrada, eu faço o meu mandamento e não aceito exigências.
       E se critica aqueles que defendem e fazem algo para os pobres e querem a sua dignidade como filhos e filhas de Deus. Amar a Deus que não vejo é amar o próximo que vejo que esta ao meu lado, bem como aquele que não conheço, que nunca vi, pois só assim estou de fato e concretamente amando a DEUS,pois essa é a exigência do Evangelho e do seguimento de Jesus, só assim somos discípulos de fato.
     O escritor francês Eric Julien nos traz está reflexão:
     " Por que é tão difícil amar a Deus? Porque significa amar o próximo. E por que é tão difícil amar o próximo? Porque devemos amá-lo como a si mesmo, e que muitos sabem o amor pelo seu valor justo.E como amamos a nós mesmos? Tentamos olhar como Cristo está assistindo. Com o maior respeito, ternura e ... paciência"
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   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

17 de out de 2014

As Duas faces

                                 Júlio Lázaro Torma*
                                              " Hipócritas! Por que vocês me tentam?"
                                                                                          ( Mt 22,18)
     Neste final de semana somos chamados a meditarmos sobre a " moeda de César". Um dos textos bíblicos mais má ou ideologicamente usados por aqueles que querem manipular a Palavra de Deus segundo os seus interesses e manter os seus status quo.
   O presente texto se encontra em Marcos 12,15-22; Lucas 20,20-26 e as comunidades Mateus a melhoraram.
    A Palestina no século I, vivia sob o domínio romano e tinham que pagar impostos, pedágios nas estradas para Roma, o que causava o empobrecimento e a miséria no povo e um crescente descontentamento popular. A população pagava dois impostos um pró Templo e o outro a Roma que era o denário.
     No denário havia uma efíge de Tibério César e a inscrição:" TIBERIUS CAESAR, DIVINI FILIUS AUGUSTUS". No reverso podia se ler: " PONTIFEX MAXIMUS'.
    Na qual Cesar era divinificado e declarado como " Senhor do céu e da terra".
   Após Jesus calar a boca das autoridades político- religiosa do Templo, sobre a sua autoridade ( Mt 21,23-27), os fariseus e os herodianos ( partidários de Herodes Antipas e defensores de Roma), armam uma armadilha para Jesus e mandam os seus discípulos confronta-lo.
   Se ele declara que não deve pagar imposto a César, ele é acusado de incentivar uma revolução, se declara que deve pagar, a sua palavra é usada pelos políticos para desacredita-lo perante as massas empobrecidas que o segue.
    Jesus como sem terra, sem trabalho fixo, sem casa, andarilho não é obrigado a pagar imposto e nem está sob o domínio de uma autoridade.
    Ele mostra que eles estão submetidos e escravizados a autoridade do imperador que se declara deus, no lugar do verdadeiro Deus, que liberta.
    " Do Senhor é a terra e tudo o que ela contém, a órbita terrestre e todos os que nela habitam" ( Sl 24,1).
     Na qual Deus que tudo pertence e a ele que devemos optar e escolher a servir. Quando Jesus fala:" dá a César o que é de César e a Deus o que é de Deus" e que o " meu reino não é deste mundo" ( Jo 18,36), ele não está desprezando o mundo na qual vivemos e nem com a política.
    Jesus não está preocupado com impostos, mas sim com o povo, com o ser humano,pois o povo pertence a Deus. O imposto só é justo quando reverte em beneficio do bem comum. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação interna como estrangeira, assim como a política que não é praticada em beneficio do bem comum ,mas em proveito próprio.
    Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, exige de nós escolhermos o caminho, se queremos ser coniventes com práticas injustas e corruptas.
     Dar a Deus que é de Deus é ter os mesmos sentimento de Deus de acolher os migrantes, defender os mais empobrecidos os amados por Deus. Não ser conivente e nem praticar ou justificar a corrupção este câncer que está impregnado e corrói a nossa sociedade desde nós até as altas esferas da sociedade.
   Se sou político não devo aceitar a corrupção, nem pactuar ou usar a política em meu beneficio próprio ou influenciar a sociedade com os interesses da minha igreja, religião, desrespeitando a pluralidade, ou impondo a sua fé sobre os outros, se achando que ele é o melhor.
    Ser cristão é dar testemunho da fé e da esperança aos outros e estar a serviço dos outros,principalmente dos mais pobres e necessitados; está é a única maneira de dar-lhe um gosto de acreditar e esperar.
    Quanto o Evangelho de hoje, Santo Agostinho de Hipona disse:
    " Como César procura a sua imagem em uma moeda, Deus procura a sua imagem em sua alma. Dai a César, diz o Salvador, que é devido. Requer de que César? Sua imagem. Que o Senhor pede de ti? Sua imagem. Mas a imagem de César em uma moeda, á imagem de Deus está dentro de você".               
Mt  22,15-21
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   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

11 de out de 2014

Por um sínodo permanente

Fonte: domtotal.com

Nesse domingo, o papa Francisco abriu em Roma a 13a sessão do Sínodo dos bispos, com representantes do episcopado católico do mundo inteiro. Esse sínodo extraordinário está reunido para refletir e tomar decisões que atualizem a posição da Igreja Católica em relação a questões da família e da moral sexual. Na semana passada, cinco cardeais, membros da Cúria romana, publicaram um livro coletivo. Nesse livro, afirmam que, em matéria de moral e disciplina, a Igreja nada tem a mudar, porque a lei é lei e vem de Cristo. No mundo inteiro, muitos padres e bispos são da mesma posição dogmática e rígida. Ao contrário, o papa Francisco e boa parte do povo, católico e não católico, pensa de modo diferente. O papa cita o Evangelho no qual Jesus diz claramente: “A lei foi feita para o ser humano e não o ser humano para a lei” (Mc 2, 27). “Eu vim chamar os pecadores e não os justos (Mc 2,17). Eu quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9, 13).
De fato, há mais de 50 anos, quando o papa João XXIII convocou os bispos católicos do mundo inteiro para se reunirem no Concílio Vaticano II, explicava que uma coisa é a verdade da fé e outra a expressão que, em cada época, toma essa verdade. A palavra de Deus é eterna e não muda. No entanto, a formulação de sua palavra é humana, histórica e contextual. Precisa ser interpretada à luz do projeto divino para o mundo que é justiça, paz e amor inclusivo e nunca desamor, incompreensão ou condenação de nenhuma categoria humana. No século II da nossa era, Tertuliano, um pai da Igreja do norte da África, afirmava: “Para quem é cristão, nada do que é humano pode ser estranho”.

De fato, o Concílio Vaticano II renovou profundamente a forma como a Igreja Católica interpreta a revelação divina, a relação com as outras Igrejas cristãs e sua missão no mundo. Na época do Concílio, a Igreja podia contar com muitos bispos que se colocavam como pastores do seu povo e profetas do projeto divino no mundo. Hoje, a Igreja continua contando com bispos que são homens espirituais e bons pastores do seu povo. No entanto, para garantir a continuidade dessa missão, é preciso rever a natureza e o estilo da atual formação dos padres nos seminários. Muitos bispos se dizem de acordo com a proposta de renovação eclesial do papa, mas mandam os jovens serem formados por seminários que os formam em uma linha contrária a qualquer renovação.

O que está em jogo não é apenas um modelo de atuação e de presença no mundo. O mais importante é que imagem de Deus as pessoas que creem e os ministros apresentam. Como disse alguém: “Sem dúvida, Deus é bom, mas parece que se deixa rodear de pessoas que não amam”.

No século I de nossa era, Igreja era um termo político. Designava as assembleias de cidadãos das cidades gregas do Império Romano. Tinham funções semelhantes à nossa câmara de vereadores. Em suas cartas, Paulo se apoderou desse termo (Igreja) para as primeiras comunidades cristãs. Ele fez isso para afirmar que os grupos cristãos deveriam sempre ser comunidades nas quais se pratica permanentemente o diálogo, a unidade nas diferenças, como parábola do projeto divino de justiça e de paz no mundo. Essa vocação é expressa pelo termo grego “sínodo” (caminhar juntos). Há algumas décadas, quando surgiu a teologia da libertação e alguns bispos e padres conservadores afirmavam que a Igreja não é uma democracia, Dom Pedro Casaldáliga, então bispo de São Félix do Araguaia, respondia: “Absolutamente de acordo. A Igreja não pode ser apenas uma democracia. Ela tem de ser muito mais. Deve ser e se mostrar como comunhão”.

Infelizmente, durante séculos, as Igrejas cristãs adotaram modelos de organização vindos da cultura dominante na época. O papa se tornou chefe de Estado e era sempre visto como o pontífice reinante e os bispos, príncipes da Igreja. Desde que foi eleito no dia 13 de março de 2013, Francisco optou por se apresentar como bispo de Roma e tem sempre proposto uma Igreja descentralizada e em diálogo com a humanidade, diálogo que há mais de 50 anos, o papa João XXIII começou e depois dele, não teve mais continuidade. Agora, o papa Francisco o retoma e propõe uma Igreja voltada para o mundo e a serviço dos mais pobres. Uma Igreja sinodal que caminhe junto com a humanidade. Mesmo os ritos religiosos e a espiritualidade devem ser profundamente penetrados por essa mística do diálogo e da busca de comunhão. E a profecia e os sinais de contradição devem ser vividos em relação às estruturas injustas e excludentes da sociedade e não contra as pessoas. O atual sínodo dos bispos durará três semanas, mas o mais importante de tudo é que ele recoloque a Igreja em um processo de sínodo permanente e não somente de bispos  e sim de todas as pessoas que quiserem participar desse caminho. Como escreve o anjo do Apocalipse: “Quem tiver ouvidos, escute o que o Espírito diz hoje às Igrejas” (Ap 2, 5).

Marcelo Barros Marcelo Barros é monge beneditino e teólogo especializado em Bíblia. Atualmente, é coordenador latino-americano da Associação Ecumênica de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT). Assessora as comunidades eclesiais de base e movimentos sociais como o Movimento de Trabalhadores sem Terra (MST). Tem 45 livros publicados dos quais está no prelo: "O Evangelho e a Instituição", Ed. Paulus, 2014. Colabora com várias revistas teológicas do Brasil, como REB, Diálogo, Convergência e outras. Colabora com revistas internacionais de teologia, como Concilium e Voices e com revistas italianas como En diálogo e Missione Oggi. Escreve mensalmente para um jornal de Madrid (Alandar) e semanalmente para jornais brasileiros (O Popular de Goiânia e Jornal do Commercio de Recife, além de um jornal de Caracas (Correo del Orinoco) e de San Juan de Puerto Rico (Claridad).

4 de out de 2014

Festa de São Francisco de Assis



Estimados(as) Irmãos e Irmãs da Família Franciscana do Brasil
Paz e todo Bem!

Ao Celebrarmos a Festa do nosso Pai Seráfico, somos convocados e convocadas a mergulhar no “Evangelho da Alegria”, que a exemplo de São Francisco de Assis, encontramos a luz que ilumina a nossa caminhada; nos cerca de graças, e nos fortalece no esvaziamento interior, e nos move a sermos menores e, assim na ternura, bendizer o Pai por tudo aquilo que quis revelar aos pequenos. Hoje, proposto com vigor e insistência pelo nosso iluminado Papa Francisco... leia mais em: