31 de jan de 2014

Morre, aos 81 anos, o padre jesuíta João Batista Libanio

Fonte:   domtotal.com
Mineiro de Belo Horizonte, Teólogo, professor e amigo incondicional da Escola Superior Dom Helder Câmara.

João Batista Libanio era colunista do DomTotal
Faleceu na manhã desta quinta-feira (30) o padre jesuíta João Batista Libanio. Mundialmente reconhecido como um dos mais notáveis teólogos da atualidade, o jesuíta Libanio era professor da FAJE e colunista do DomTotal. Ele sofreu um infarto aos 81 anos em Curitiba, PR (no dia 18 de fevereiro faria 82 anos), enquanto assessorava ums reunião da Irmãs de Nossa Senhora de Sion. João Batista Libanio também é conhecido como Teólogo da Libertação, sendo considerado um dos fundadores da linha teólogica da opção preferencial pelos pobres. O religioso era licenciado em Teologia em Frankfurt (Alemanha) e doutor pela Universidade Gregoriana (Roma).
Libanio publicou mais de 125 livros, dos quais 36 de autoria exclusiva e os demais em colaboração com outros autores. No DomTotal, seus artigos eram muito apreciados pelos internautas e tinham grande repercussão. Segundo o reitor da Escola Superior Dom Helder Câmara, Libanio sempre foi um apoiador e um amigo incondicional desta Escola de Direito, tendo sido, inclusive, professor do Curso de Pós-Graduação em Direitos Humanos. No ano passado, João Batista Libanio recebeu com entusiasmo o fato de Francisco ser escolhido como o primeiro latino-americano a se tornar papa. Em um seminário sobre o primeiro aniversário do Papa Francisco, previsto para acontecer na Escola Superior Dom Helder Câmara, Pe. Libanio teria uma participação no debate do dia 13 de março.
Para o Reitor da Escola Superior Dom Helder Câmara, o referido seminário servirá também para celebrar e agradecer a vida do Pe. Libanio, um dom de Deus vivido a serviço da Igreja e dos mais pobres.
O velório será realizado na manhã de sexta-feira, 31 de janeiro, no auditório da Faje - Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Avenida Dr. Cristiano Guimarães, 2127 - bairro Planalto - BH/MG). No sábado, às 8h, o arcebispo dom Walmor Oliveira de Azevedo preside Missa, que será transmitida ao vivo pela TV DomTotal. Em seguida, o corpo segue para velório na Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Vespasiano. O enterro será no sábado, às 17h, no Cemitério Bosque da Esperança.

30 de jan de 2014

Você está cumprindo suas promessas de Ano Novo?

O primeiro mês do ano já está chegando ao fim. Alguns até estão achando que ele passou rápido demais enquanto outros torcem para ele chegue logo ao fim. Mas, independente do ponto de vista, o mais importante é questionarmos: estamos colocando em prática nossas metas de 2014?
Se a sua resposta for “não”, não precisa se incomodar – ainda mais se sua lista de metas for grande. Quanto mais a gente quer, mais difícil fica a obtenção do êxito.
Mas isso também não é motivo para desanimar, não. Viu? Existem algumas formas práticas para alcançarmos nossas vontades. É o que mostra o livro “Suba a Escada: 7 Passos Para Alcançar o Verdadeiro Sucesso”. O autor, Rory Vaden, é especialista em autodisciplina.
Rory alega que é mais fácil começarmos escolhendo apenas uma meta para ser cumprida por vez, e, se ela não for cumprida, deveremos definir um valor a ser pago. Esse tipo de punição pode ser financeira, engraçada ou até mesmo um exercício físico.
O autor também explica que não podemos ficar mensurando os resultados, e sim manter o foco até o fim. Essa é uma forma para evitarmos a desistência caso nossa mudança comportamental não esteja rendendo. Se for para checar alguma coisa, é bom que se cheque o progresso, e não o resultado. Afinal, o bom resultado nunca vem de forma imediata, mas após uma sequência de progressos positivos. Concordam?
Outra dica interessante é que se comece do zero toda semana, e que se conte com a ajuda de um amigo para te dar mais ânimo. Como exemplo, você pode contar com duas opções: ou você descobre alguém que tenha a mesma meta que você, e um apoia o outro, ou você conta sua meta para um amigo, explicando motivo e importância, e pede para ele te lembrar/cobrar/animar quando for preciso.
Simples e prático. Divertido, talvez. O importante mesmo é só fazermos aquilo que nos trará satisfação, melhor qualidade de vida e felicidade. Então, boa sorte!
fonte: http://www.a12.com/jovensdemaria/voce-esta-cumprindo-suas-promessas-de-ano-novo/

Mensagem do Papa para o XXII Dia Mundial do Doente




Fé e caridade: «Também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16)
Amados irmãos e irmãs!
1. Por ocasião do XXII Dia Mundial do Doente, que este ano tem como tema Fé e caridade: também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16), dirijo-me de modo particular às pessoas doentes e a quantos lhes prestam assistência e cura. A Igreja reconhece em vós, queridos doentes, uma presença especial de Cristo sofredor. É assim: ao lado, aliás, dentro do nosso sofrimento está o de Jesus, que carrega connosco o seu peso e revela o seu sentido. Quando o Filho de Deus subiu à cruz destruiu a solidão do sofrimento e iluminou a sua escuridão. Desta forma somos postos diante do mistério do amor de Deus por nós, que nos infunde esperança e coragem: esperança, porque no desígnio de amor de Deus também a noite do sofrimento se abre à luz pascal; e coragem, para enfrentar qualquer adversidade em sua companhia, unidos a Ele.
2. O Filho de Deus feito homem não privou a experiência humana da doença e do sofrimento mas, assumindo-os em si, transformou-os e reduziu-os. Reduzidas porque já não têm a última palavra, que é ao contrário a vida nova em plenitude; transformados, porque em união com Cristo, de negativas podem tornar-se positivas. Jesus é o caminho, e com o seu Espírito podemos segui-lo. Como o Pai doou o Filho por amor, e o Filho se doou a si mesmo pelo mesmo amor, também nós podemos amar os outros como Deus nos amou, dando a vida pelos irmãos. A fé no Deus bom torna-se bondade, a fé em Cristo Crucificado torna-se força para amar até ao fim também os inimigos. A prova da fé autêntica em Cristo é o dom de si, o difundir-se do amor ao próximo, sobretudo por quem não o merece, por quantos sofrem, por quem é marginalizado.
3. Em virtude do Baptismo e da Confirmação somos chamados a conformar-nos com Cristo, Bom Samaritano de todos os sofredores. «Nisto conhecemos o amor: no facto de que Ele deu a sua vida por nós; portanto, também nós devemos dar a vida pelos nossos irmãos» (1 Jo 3, 16). Quando nos aproximamos com ternura daqueles que precisam de cura, levamos a esperança e o sorriso de Deus às contradições do mundo. Quando a dedicação generosa aos demais se torna estilo das nossas acções, damos lugar ao Coração de Cristo e por Ele somos aquecidos, oferecendo assim a nossa contribuição para o advento do Reino de Deus.
4. Para crescer na ternura, na caridade respeitadora e delicada, temos um modelo cristão para o qual dirigir o olhar com segurança. É a Mãe de Jesus e nossa Mãe, atenta à voz de Deus e às necessidades e dificuldades dos seus filhos. Maria, estimulada pela misericórdia divina que nela se faz carne, esquece-se de si mesma e encaminha-se à pressa da Galileia para a Judeia a fim de encontrar e ajudar a sua prima Isabel; intercede junto do seu Filho nas bodas de Caná, quando falta o vinho da festa; leva no seu coração, ao longo da peregrinação da vida, as palavras do velho Simeão que lhe prenunciam uma espada que trespassará a sua alma, e com fortaleza permanece aos pés da Cruz de Jesus. Ela sabe como se percorre este caminho e por isso é a Mãe de todos os doentes e sofredores. A ela podemos recorrer confiantes com devoção filial, certos de que nos assistirá e não nos abandonará. É a Mãe do Crucificado Ressuscitado: permanece ao lado das nossas cruzes e acompanha-nos no caminho rumo à ressurreição e à vida plena.
5. São João, o discípulo que estava com Maria aos pés da Cruz, faz-nos ir às nascentes da fé e da caridade, ao coração de Deus que «é amor» (1 Jo 4, 8.16), e recorda-nos que não podemos amar a Deus se não amarmos os irmãos. Quem está aos pés da Cruz com Maria, aprende a amar como Jesus. A Cruz «é a certeza do amor fiel de Deus por nós. Um amor tão grande que entra no nosso pecado e o perdoa, entra no nosso sofrimento e nos confere a força para o carregar, entra também na morte para a vencer e nos salvar… A Cruz de Cristo convida-nos também a deixar-nos contagiar por este amor, ensina-nos a olhar sempre para o outro com misericórdia e amor, sobretudo para quem sofre, para quem tem necessidade de ajuda» (Via-Sacra com os jovens, Rio de Janeiro, 26 de Julho de 2013).
Confio este XXII Dia Mundial do Doente à intercessão de Maria, para que ajude as pessoas doentes a viver o próprio sofrimento em comunhão com Jesus Cristo, e ampare quantos deles se ocupam. A todos, doentes, agentes no campo da saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica.
Vaticano, 6 de Dezembro de 2013.
FRANCISCO
Finte>  http://www.franciscanos.org.br/?p=51431#sthash.gHxhXaZp.dpuf

29 de jan de 2014

Brasil aparece em 77º em ranking de desempenho ambiental

 Autor: Fabiano Ávila   
 Fonte: Instituto CarbonoBrasil

Índice avaliou 178 países em diversas categorias, sendo que o Brasil se destaca negativamente principalmente na questão do saneamento básico, no desmatamento e na tendência de aumento da intensidade de carbono na economia


Pesquisadores das Universidades de Yale e Colúmbia, ambas nos Estados Unidos, em parceria com o Fórum Econômico Mundial, divulgaram nesta semana o Environmental Performance Index 2014 (EPI), classificando 178 países de acordo com dois grandes temas: “Proteção da saúde humana das ameaças da natureza”, que inclui questões como saneamento básico e impactos da poluição do ar e da água; e “Vitalidade dos ecossistemas”, que engloba, entre outros fatores, leis de proteção da biodiversidade e impactos da matriz energética no meio ambiente.
Considerando todos os critérios, a Suíça aparece como o líder do ranking, seguida por Luxemburgo, Austrália, Singapura e República Tcheca.
“Muitos dos países que figuram no topo neste ano são os mesmos de edições passadas. Isso demonstra como um bom desempenho ambiental está relacionado com políticas de longo prazo que priorizem a proteção dos ecossistemas e que comprometam investimentos neste sentido”, afirmou Angel Hsu, principal autor do índice.
Entre as grandes potências, a Alemanha é a melhor classificada, em sexto lugar. O Reino Unido está em 12º, o Japão, em 26º, a França, em 27º, e os Estados Unidos, em 33º. 
Já os países emergentes apresentaram modestas melhoras no ranking, mas ainda ocupam baixas posições, devido principalmente à sua urbanização desordenada, crescimento acelerado – movido muitas vezes pela destruição de ecossistemas – e pela ausência de leis de proteção ambiental.
A África do Sul está em 72º, a Rússia, em 73º, o Brasil, em 77º, a China, em 118º e a Índia aparece bem ao fim da lista, em 155º.
A posição ruim do Brasil se justifica pelo seu péssimo desempenho em alguns dos critérios. Em mortalidade infantil, por exemplo, apesar dos avanços dos últimos anos, o país ainda é o 95º no ranking. Em acesso a saneamento básico, que também resulta na alta mortalidade infantil, é o 98º.
 Em “tendência para o aumento de intensidade de carbono”, o Brasil está em 93º, um sinal de que a economia e o setor de energia estão seguindo um caminho de mais emissões de gases do efeito estufa, algo que é facilmente constatado pelo maior uso de termoelétricas e pelas promessas do governo de mais investimentos em carvão.
Mas a pior classificação do país é em “mudança de cobertura florestal”, 105º, destacando o aumento do desmatamento no ano passado, que pode estar relacionado com o enfraquecimento do Código Florestal, alterado em 2012.
No entanto, nem tudo é ruim para o Brasil; aparecemos em primeiro no item “poluição do ar – exposição a particulados (PM 2,5)”. Isso se deve ao grande número de habitantes do país que não vive metrópoles, e que, portanto, não está exposto a tanta poluição de automóveis e fábricas. A nossa atual matriz energética baseada em hidroeletricidade também explica o bom resultado.
Todas as cinco piores nações do ranking, Somália, Mali, Haiti, Lesoto e Afeganistão, estão envolvidas em conflitos civis ou em caos social devido a catástrofes naturais. É o caso do Haiti, que ainda está buscando se recuperar do terremoto de 2010, um reflexo de que, sem estabilidade política e institucional, não há proteção do meio ambiente, afirma o EPI.
“O nosso índice pode ajudar a direcionar os esforços internacionais na busca por cumprir as Metas de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Porém, ainda vemos que existe uma falta de estrutura política para que se acelere a transformação necessária para um modelo econômico e social realmente sustentável”, concluiu Hsu.
Imagem: Crianças brincam perto de esgoto a céu aberto em Brasília / Valter Campanato / AgenciaBrasil.O desmatamento voltou a crescer no Brasil em 2013 / Wikimedia Commons
    

28 de jan de 2014

Sexo e celibato na igreja católica

O Vaticano admitiu, pela primeira vez, no Comitê da ONU para os Direitos da Criança, em Genebra, a 16 de janeiro, crimes de abuso sexual, como pedofilia, praticados por membros da Igreja Católica.  Tais crimes ocorrem em quase todas as instituições que lidam com menores, e sobretudo no interior do núcleo familiar, onde pais estupram filhas. Porém, sua prática deve ser severamente punida, e não acobertada em uma Igreja que se propõe a educar crianças segundo os valores do Evangelho. O papa Francisco, em missa na manhã de 16 de janeiro, declarou que os escândalos da Igreja “são tantos” que não podem ser citados individualmente e são uma “vergonha”: “Essas pessoas não têm ligação com Deus. Tinham apenas uma posição na Igreja, uma posição de poder”, disse o pontífice. Francisco surpreende positivamente por suas afirmações a respeito da sexualidade. Além de não demonizar os gays, ao contrário de tantos prelados que consideravam a homossexualidade uma doença (e nisso coincidiram com governos socialistas), e relativizar o tema do aborto nesse mundo em que poucos protestam contra as guerras e, menos ainda, apoiam a erradicação da fabricação e comércio de armamentos (incluídas as de armas químicas). Francisco convidou, para ocupar a importante função de Secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, que afirmou não ser o celibato um dogma. Há tempos a Teologia da Libertação e as teologias feministas defendem o fim do celibato obrigatório para sacerdotes católicos, o que não se justifica à luz da Bíblia. Pedro, escolhido primeiro papa, era casado (Marcos 1, 30), e na Igreja primitiva homens casados eram ordenados sacerdotes. O preconceito à sexualidade nasce na Igreja por influência neoplatônica, que culmina na (falsa) justificativa de que a lei natural associa sexo e reprodução. Daí o fato de perdurar, ainda hoje, na doutrina oficial da Igreja Católica, a exigência de os casais só terem relações sexuais se houver intenção de procriar. Até 1903 gestos de carinho entre casados eram considerados pecados... Tive um professor de teologia moral que afirmava ser a associação entre sexualidade e reprodução um princípio zoológico, e não teológico. Hoje, sei que ele se equivocou. Mesmo animais ignoram o vínculo entre sexo e reprodução. Pesquisas demonstram que muitos deles fazem sexo por ser prazeroso, e não por quererem se reproduzir. O afeto costuma falar mais alto que inclinações naturais. O pesquisador Frans de Waal (2010) conta que, em cativeiro, porquinhos órfãos foram adotados por uma tigresa de Bengala. “Em lugar de cuidar daqueles porquinhos, seria mais adequado, do ponto de vista biológico, que a tigresa os usasse como uma refeição rara em proteínas” (p. 67). Porém, animais também possuem predisposição psicológica para cuidar de filhotes vulneráveis. Outro argumento que se utiliza para justificar o celibato é o contábil. Casado, o sacerdote poderia dilapidar os bens da Igreja se valendo do direito de herança. Ora, se assim fosse, sacerdotes das Igrejas Ortodoxa e Anglicana, e pastores protestantes, que se casam, já teriam levado suas comunidades à falência. O celibato é apenas uma opção de vida, sem a qualidade do matrimônio, que a Igreja enaltece como um dos sete sacramentos – fontes de união com Deus. Se não é um dogma, como afirmou o cardeal Parolin, então pode ser removido, facultando aos atuais e futuros sacerdotes optar ou não por ele. O que abriria aos cinco mil padres casados que vivem no Brasil a possibilidade de serem reintegrados ao ministério sacerdotal. Será meio caminho andado para que, no futuro, a Igreja Católica exclua a mulher do estatuto de ser de segunda categoria, e permita também a ela o acesso ao sacerdócio, assim como Jesus fez da samaritana e de Maria Madalena as primeiras apóstolas.

Frei Betto é escritor e religioso dominicano. Recebeu vários prêmios por sua atuação em prol dos direitos humanos e a favor dos movimentos populares. Foi assessor especial da Presidência da República entre 2003 e 2004. É autor de "Batismo de Sangue", e "A Mosca Azul", entre outros.
Fonte: http://www.domtotal.com/colunas/detalhes.php?artId=4067

27 de jan de 2014

Vida Religiosa Consagrada; presença do Reino

Qual a finalidade da Vida Religiosa Consagrada, como presença do Reino? Antes de tudo, sabemos que o chamado é uma iniciativa de Deus a cada pessoa. Deus que chama a uma íntima comunhão com Ele, convidando-nos a conformar nossa vida à do Cristo sob a luz do Espírito Santo. Portanto, a finalidade principal da vida religiosa consagrada é a vivência da primeira consagração na aliança do sacramento do batismo, do qual todos os cristãos leigos também assumem igualmente. leia mais:

26 de jan de 2014

Imigrantes haitianos são escravizados no Brasil

Em dois flagrantes diferentes, 121 haitianos foram resgatados. Grupo de migrantes vivia em alojamento que, segundo equipe de fiscalização, parecia uma senzala
Por Stefano Wrobles 
Fonte: http://reporterbrasil.org.br/2014/01/imigrantes-haitianos-sao-escravizados-no-brasil/
O Haiti é o país em que ocorreu a mais famosa revolta de escravos durante o período colonial. Em 1791, milhares de pessoas começaram uma revolta que culminou na abolição da escravidão do país, tornando-se o primeiro do mundo a abolir a prática. O processo abalou proprietários de escravos em toda a América e inspirou diferentes mobilizações em outros países. Mais de dois séculos depois, haitianos voltam a ser escravizados, agora no Brasil. Ao todo, 121 migrantes foram resgatados de condições análogas às de escravos em duas operações diferentes realizadas em 2013. Na maior delas, em que 100 pessoas foram resgatadas, o auditor fiscal Marcelo Gonçalves Campos, que acompanhou ação de fiscalização pelo Ministério do Trabalho e Emprego, comparou a situação em que um grupo estava alojado com a da escravidão do passado. “Uma das casas parecia uma senzala da época da colônia, era absolutamente precária. No fundo, havia um espaço grande com fogões a lenha. A construção nem era de alvenaria”, afirmou.
Soldados brasileiros no Haiti. Foto: Divulgação/Exército Brasileiro
Soldados brasileiros no Haiti. Foto: Divulgação/Exército Brasileiro
A exploração de migrantes no Brasil está relacionada à ausência de políticas públicas adequadas, que deixa milhares de pessoas em situação vulnerável. A estimativa é de que 22 mil haitianos migraram para o país desde 2010, ano em que aconteceu o mais intenso terremoto da história do país. O Brasil, à frente das tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) que invadiram e ocupam o Haiti desde 2004, virou um dos destinos escolhidos entre os desabrigados na tragédia.
Os dois casos de trabalho escravo recentes são os que mais ganharam destaque e receberam atenção das autoridades. Movimentos sociais e organizações que trabalham em defesa de direitos de migrantes ouvidas pela reportagem alertam que os casos se multiplicam no país e que há violações que não se tornam públicas.
Anglo American
O principal caso envolvendo a libertação de haitianos no Brasil até hoje culminou no resgate de 172 trabalhadores – entre eles, os 100 haitianos que viviam em condições degradantes. O flagrante de escravidão aconteceu em uma obra da mineradora Anglo American no município mineiro de Conceição do Mato Dentro, que tem população de 18 mil habitantes e fica a 160 quilômetros de Belo Horizonte. A fiscalização aconteceu em novembro de 2013 a pedido da Assembleia Legislativa de Minas Gerais depois que a chegada da mineradora foi discutida em uma audiência pública. “Houve um incremento de cerca de 8 mil trabalhadores por conta da presença da mineradora e a cidade não estava preparada”, explica Marcelo.
Haitianos resgatados afirmam que foram informados de que não poderiam deixar o emprego antes de três meses
As vítimas foram encontradas em diversos alojamentos, incluindo a casa que, segundo o fiscal, lembrava uma senzala. Ainda de acordo com a fiscalização, todos os resgatados viviam em condições degradantes. A comida fornecida era de baixa qualidade e alguns dos trabalhadores chegaram a ter hemorragia no estômago. Entre os brasileiros, foram libertados migrantes nordestinos que a equipe verificou terem acabado endividados após serem obrigados a pagar entre R$ 200 e R$ 400 como custo de transporte para chegar até o local de trabalho, o que caracterizou servidão por dívida. Além disso, diversos funcionários haitianos disseram à fiscalização ter sido informados pelo empregador que não poderiam deixar o trabalho antes de três meses, o que foi rebatido pelo patrão como uma falha de compreensão dos migrantes.
Uma das casas onde os resgatados em Minas Gerais dormiam estava sendo reformada e ainda não tinha camas ou piso (Foto: MTE)
Uma das casas onde os resgatados em Minas Gerais dormiam estava sendo reformada e ainda não tinha camas ou piso (Foto: MTE)
Tanto a Anglo American quanto a Diedro, construtora contratada pela Anglo American para a obra em que ocorreu o resgate, negam a responsabilidade pelo caso. Os resgatados trabalhavam na construção de casas onde viverão os empregados da mineradora, que planeja a exploração de minério de ferro na região em um projeto de mais de US$ 5 bilhões, conforme anunciado no site da empresa. Procurada pela Repórter Brasil a Anglo American afirma , em nota, que “atua rigorosamente de acordo com a legislação trabalhista e exige de suas terceirizadas o mesmo” e informou que “possui um rígido controle sanitário de suas contratadas, aplicando multas, notificações e treinamentos sempre que identificados desvios”.
A Diedro afirma ter sido “injustamente acusada de aliciamento na contratação desse grupo [nordestinos]. Os sergipanos foram contratados de acordo com as normas da legislação brasileira e a Diedro possui cópias de toda documentação, carteiras de trabalho e contracheque”. As empresas firmaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho se comprometendo a regularizar a situação de todas as vítimas e a pagar R$ 100 mil em indenização por dano moral coletivo.
Minha Casa Minha Vida
Outra libertação envolvendo haitianos aconteceu em junho de 2013 na capital do Mato Grosso, Cuiabá. De acordo com a fiscalização, as 21 vítimas foram alojadas em uma casa em condições degradantes. Além de superlotada, faltava água com frequência e não havia camas para todos. Elas haviam sido contratadas para a construção de casas de um conjunto residencial financiado com verbas do programa de habitação do Governo Federal, Minha Casa Minha Vida, em que flagrantes de trabalho escravo têm sido constantes.
Cama improvisada na frente de alojamento de trabalhadores haitianos de obra do Minha Casa Minha Vida (Foto: MTE)
Cama improvisada na frente de alojamento de trabalhadores haitianos de obra do Minha Casa Minha Vida em Cuiabá (MT) (Foto: MTE)
Na carteira de trabalho, o registro foi feito em nome de uma empresa terceirizada pela Sisan Engenharia, a construtora responsável pela obra. Depois de duas semanas de trabalho, a terceirizada demitiu os funcionários sem pagar nenhum salário, o que só aconteceu depois que a fiscalização chegou ao local. Como os empregados trabalhavam na mesma atividade-fim da Sisan, a terceirização foi considerada ilícita com base na súmula nº 331 do Tribunal Superior do Trabalho e a empresa foi responsabilizada pelo problema. A Repórter Brasil procurou a Sisan para comentar o fato, mas a empreiteira não respondeu ao pedido de entrevista.
Longe de casa
O caminho percorrido entre o Haiti e o Brasil é longo e difícil. Do país caribenho, a maioria dos haitianos viaja dois mil quilômetros de avião para o Equador, que não exige visto de nenhum país do mundo. Por terra, eles cruzam a fronteira com o Peru e seguem viagem até Brasileia – um pequeno município acriano com cerca de 21 mil habitantes –, em um percurso de mais de 3,6 mil quilômetros.
Caminho percorrido pelos haitianos que chegam ao Brasil por Brasileia, no Acre (Imagem: Reprodução/Google Maps)
Quase seis mil quilômetros: da capital Porto Príncipe (A), os haitianos com destino ao Brasil vão de avião até o Equador (B) e percorrem o Peru para entrar no país com destino a Brasileia, no Acre (C) (Imagem: Reprodução/Google Maps)
Em janeiro de 2012, a obtenção de vistos de haitianos no Brasil foi limitada a 1200 vistos permanentes de caráter humanitário por ano, emitidos somente na embaixada brasileira em Porto Príncipe (no mesmo mês, por pressão do governo brasileiro, o Peru passou a exigir vistos dos haitianos que entrassem no país). A limitação de 1200 vistos por ano caiu em abril de 2013 e, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores, foram emitidos mais de cinco mil vistos aos migrantes do Haiti só no ano passado.
Quando os haitianos chegam a Brasileia, equipes do Sistema Nacional de Emprego (SINE) – vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) – e do Governo do Estado do Acre emitem os documentos necessários para que os migrantes possam morar e trabalhar no Brasil, além de auxiliá-los a conseguir emprego.
Empresas que contratam empregados em locais distantes são responsáveis por garantir a contratação e o transporte
Nem sempre, porém, empregadores e trabalhadores têm recebido as orientações corretas. No caso da Anglo American, representantes da empresa afirmam que chegaram a consultar o próprio SINE e o Governo do Acre, mas alegam não ter sido informados de que deveriam efetuar a contratação antes da viagem do Acre para Minas Gerais, conforme determina a lei. Trata-se de uma exigência da Instrução Normativa nº 90/2011 do MTE, que prevê que a empresa que contrata empregos em locais distantes é responsável pela segurança no transporte e por arcar com custos no caso de eventuais acidentes que aconteçam no caminho. A medida evita a superexploração em condições análogas às de escravos ao impor, também, a necessidade de informar ao MTE sobre o transporte.
O auditor fiscal Marcelo Gonçalves Campos questionou a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre sobre o caso e recebeu como resposta que a pasta “não é agência de emprego”. “Nos dispomos a fazer a ponte entre empresa-haitiano por razões humanitárias”, diz o texto assinado por Francisca Mirtes de Lima, coordenadora da Divisão de Apoio e Atendimento aos Imigrantes e Refugiados, órgão subordinado à secretaria mencionada. O posicionamento é questionado pelo auditor que fez o resgate dos trabalhadores. “Como é que o Governo do Estado do Acre e o SINE patrocinam essa contratação ao arrepio da lei e em uma situação de vulnerabilidade tão acentuada?”, pergunta Marcelo.
Repórter Brasil procurou ouvir o SINE no Acre, mas não recebeu qualquer resposta do MTE até o fechamento desta matéria. O secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, não respondeu aos telefonemas.

25 de jan de 2014

Iluminados Pela Luz de Cristo


                             Júlio Lázaro Torma*
                              " Eles deixaram imediatamente as redes"
                                                               ( Mt 4,20)
  Mateus nos prepara o coração para o " Discurso do Sermão da Montanha" ( Mt 5-7), que vamos meditar até o ínicio da Quaresma. Jesus após nascer em Belém, viver o exílio no Egito e depois retornar para a sua terra e viver na pequena Nazaré na Galileia.
   No tempo em que o Evangelho de Mateus, foi escrito havia uma rivalidade entre as comunidades de João Batista e as comunidades cristãs, para saber qual delas era a verdadeira, se era João Batista ou Jesus de Nazaré.
   Jesus incía o seu ministério na Galileia, uma região habitada por " Gentios", uma região que era rota comercial do Oriente médio e ao mesmo tempo habitado por camponeses, pessoas pobres.Na periferia longe dos poderes constituídos Jesus inicia a sua missão entre os pobres e no meio deles, ele escolhe os discípulos, pescadores profissionais.
    Os pescadores eram considerados impuros pela Religião Oficial, por tocarem em peixes que " tem barbatanas e escamas" ( Lv 11,9-12) e estes seguem Jesus e deixam as suas redes. Na Galileia entre pessoas simples, de que não se espera nada que a luz de Cristo ilumina.
   João é preso, o movimento profético e a lei está encerrada e fechada, já não tem sua liberdade passada; mas nós passamos da LEI ao EVANGELHO.
   Agora inicia o tempo de Jesus. A pregação de Jesus é radical como a de João e exige que as pessoas mudem de vida e de atitudes para acolher e reconhecer o Reino do Céu que está se aproximando. Se João Batista pregava no deserto, Jesus vai as cidades, como sintetiza todo o Evangelho, os versículos ( 23-25) e desenvolve a sua atividade, que é a palavra( ensinar, pregar) e ação ( curar).
Sua atividade é dirigida os mais pobres, necessitados e marginalizados.
   Como discípulos devemos evangelizar, sair de nós mesmos e fazer como o Mestre, não ficarmos encastelados ou no deserto. Mas ir a cidade as suas periferias. Muitas vezes as nossas cidades são verdadeiros desertos, desertos da própria existência humana. Quantas pessoas estão longe da luz que é Cristo?
   Olhemos para a cidade, onde reina cada vez  mais o individualismo, consumismo e a indiferença, que gera o vazio, onde não me importo com o outro e nem sei quem ele é e nem os seus sentimentos.
   Vamos a periferia, vamos sair do nosso comodismo, deixar o medo de lado, medo que temos daquele que é diferente de nós. Que temos dos pobres e dos caídos na beira das calçadas, dos que mais precisam de nós e que nós não vamos e deixamos apagar a LUZ de Cristo que nos ilumina.
   Esta Luz que recebemos no nosso Batismo, ela não deve ficar só em mim. Quantos cristão mesmo dentro da Igreja deixaram a luz apagar ou são velas apagadas?
  Vamos deixar a luz de Cristo nos iluminar e viver de fato o seu Evangelho como discípulos e deixar com que está luz nos impulsione a ir ao encontro do outro e ir a cidade, as periferias ser sinal do Reino dos Céus que está em nosso meio.
  Como nos fala Santo Agostinho de Hipona:
  " Temos de buscar a Deus com o desejo de encontrar e tendo encontrado, devemos ter o desejo de encontrar novamente".
     Boas Meditações
        Bom Final de Semana
       ( Sexta Feira 24/ 01, inicio da Novena em Louvor a Nossa Senhora dos Navegantes)
       Mt 4,12-23
______________________________
   * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária

Campanha da Fraternidade 2014


Tema: Fraternidade e Tráfico Humano
Lema: Para Liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1)


Fraternidade e Tráfico Humano - CF 2014
Objetivo Geral
Identificar as práticas de tráfico humano em suas várias formas e denunciá-lo como violação da dignidade e da liberdade humana, mobilizando cristãos e a sociedade brasileira para erradicar esse mal, com vista ao resgate da vida dos filhos e filhas de Deus.
Objetivos específicos
1. Identificar as causas e modalidades do tráfico humano e os rostos que sofrem com essa exploração.
2. Denunciar as estruturas e situações causadoras do tráfico humano.
3. Reivindicar, dos poderes públicos, políticas e meios para a reinserção das pessoas atingidas pelo tráfico humano na vida familiar e social.
4. Promover ações de prevenção e de resgate da cidadania das pessoas em situação de tráfico.
5. Suscitar, à luz da Palavra de Deus, a conversão que conduza ao empenho transformador dessa realidade aviltante da pessoa humana.
6. Celebrar o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo, sensibilizando para a solidariedade e o cuidado às vítimas desse mal.
Guia Litúrgico da Quaresma
09/03/2014 1° Domingo da Quaresma Roxo / Gn 2,7-9;3,1-7 / Sl 50
Rm 5,12-29 / Mt 4,1-11
Não só de pão vive o homem.
16/03/2014 2° Domingo da Quaresma Roxo / Gn 12,1-4 / Sl 32
2Tm 1,8-10 / Mt 17,1-9
Senhor, é bom ficarmos aqui.
23/03/2014 3° Domingo da Quaresma Roxo/ Ex 17,3-7 / Sl 94
Rm 5,1-2.5-8 / Jo 4,5-42
Dê-me de beber.
30/03/2014 4° Domingo da Quaresma Roxo / 1Sm 16,1.6-7.10-13 / Sl 22
Ef 5,8-14 / Jo 9,1-41
Não é ele que ficava sentado pedindo esmola?
06/04/2014 5° Domingo da Quaresma Roxo / Ez 37,12-14 / Sl 129
Rm 8,8-11 / Jo 11,1-45
Senhor, aquele a quem amas está doente.
13/04/2014 Domingo de Ramos Vermelho / Is 50,4-7 / Sl 21
Fl 2,6-11 / Mt 26,14-27,66
Judas procurava uma boa oportunidade para entregar Jesus.
20/04/2014 Páscoa Branco / At 10,34.37-43
Cl 3,1-4 / Jo 20,1-9
Ele viu e acreditou.
 
Fonte: www.portalkairos.net