28 de abr de 2014

Tocar a Ferida: Curar nossas Feridas

                                        Júlio Lázaro Torma*
                                                 " Nós vimos o Senhor"
                                                                 ( JO 20,25)
 Estamos no Caminho da Páscoa, onde celebramos o grande Domingo da Ressurreição do Senhor.
  O Evangelista João nos apresenta a aparição de Jesus aos discípulos que ocorre no entardecer do domingo de Páscoa.Onde ele une a Páscoa com o Pentecostes, que se dá no entardecer do domingo.
   Os discípulos estão sozinhos e com medo, após a morte de Jesus, estão desorganizados, desorientados, como escrevia o profeta Zacarias: " ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho serão dispersas" ( Zc 13,7).
    Quando morre um ente querido, ficamos desorientados e feridos, com a sua perda, que causa muito medo e saudade. Pois perdemos aquela pessoa que foi o suporte para a nossa vida.
   A comunidade apostólica está desorientada e no meio da dor, das feridas, trancados em casa quando Jesus se faz presente. Lhes declara Shalón, a paz plena e integral para a pessoa que a recebe.
    Tomé, Dídimo, não está presente, na comunidade e não acredita na alegria de ver o ressuscitado.
    Ele é o protótipo do cristão que só acredita, vendo e que não acredita na alegria e na vida, da comunidade. Na transforma,ação em que se tem quando se começa a participar e a viver em comunidade. Muitas vezes as nossas dores são maiores no isolamento e quando participamos e vivemos na comunidade elas se tornam leves.
  Tomé no meio da sua dor só acredita vendo e toca com os dedos nas feridas das mãos, põe a mão no lado.
    Nas feridas daquele que por amor, carregou as nossas dores e as feridas em que nós carregamos nas nossas vidas e no nosso dia a dia.
    O mundo hoje carrega as suas dores da violência normativa, do tráfico de drogas, do tráfico de pessoas, das guerras, da exclusão social, da fome, miséria, pobreza, desigualdades sociais que faz com que vivemos sem esperança, muitas vezes frustrados, perdidos e distantes da fé. Onde o socorro e a paz parecem que não vem de lugar algum.
    Tocamos como Tomé, nas feridas do Ressuscitado daquele que carregou sobre si as nossas dores, não vamos ter medo. E ao tocar as suas feridas, dizemos como canta o Pe. Antônio Maria:
     " Cura Senhor, onde dói
       Cura Senhor, bem aqui
       Cura Senhor, onde eu não posso, eu".
     Deixamos que o seu lindo olhar nos envolva e nos cure de todo o mal que nos aflige e que faz com que ficamos com medo e carregando as feridas não cicatrizadas. O mundo vive sem esperança e entristecido pelas dores e feridas e nos exige uma palavra de consolo e testemunho.
   Como os discípulos outrora entristecidos pela dor da morte corporal de Jesus, não tenhamos medo de fazer a experiência do Ressuscitado. Vamos deixar o Ressuscitado, tocar com o seu amor e em nossas vidas e vamos levar ao mundo a alegria da Ressurreição, da Vida Nova e dizermos alegremente como os discípulos á Tomé:
     " Nós vimos o Senhor" ( Jo 20,25) e como Tomé dizemos " Meu Senhor e meu Deus" ( Jo 20,28);Porque somos felizes por crer sem ter visto o Senhor, com os nossos olhos físicos.
                        São João 20,19-31
__________________________
  * Membro do Colégiado Nacional da Pastoral Operária
  

24 de abr de 2014

IPCC: Novo relatório é alerta para governos e sociedade

Autor: Fabiano Ávila   -   Fonte: Instituto CarbonoBrasi

Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas destaca que as transformações no clima podem ser vistas por todo o planeta e que ainda não estamos preparados para elas

Os impactos das mudanças climáticas já afetam agricultura, ecossistemas, recursos hídricos, oceanos, setores econômicos e a saúde humana. Felizmente, ainda há tempo para ações de mitigação e adaptação que reduzam os prejuízos desses efeitos. Porém, atualmente, não estamos prontos para enfrentar as piores consequências do aquecimento global.
Essa é a principal mensagem do relatório “Impactos da Mudança Climática, Adaptação e Vulnerabilidade”, apresentado nesta segunda-feira (31) pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, entidade que reúne milhares de cientistas de mais de uma centena de países.
“Vivemos na era das mudanças climáticas produzidas pelo homem. Em muitos casos, não estamos preparados para os riscos que já enfrentamos. Investimentos em uma melhor preparação podem render benefícios no presente e no futuro”, declarou Vicente Barros, co-presidente do Grupo de Trabalho II do IPCC, responsável pelo documento.
Para ser escrito, o relatório, que possui mais de duas mil páginas, contou com 309 autores, 436 colaboradores e 66 revisores de 70 países. No total, mais de 12 mil referências científicas foram citadas.
Uma das conclusões do trabalho é a de que, apesar de as mudanças climáticas afetarem a todos, serão os pobres os mais impactados. A alteração do clima está agindo como um multiplicador de outras ameaças, como a dificuldade em conseguir alimentos e moradia.
“As pessoas, sociedades e ecossistemas por todo o mundo são vulneráveis em escalas diferentes. As mudanças climáticas interagem com outras ameaças e aumentam seus riscos”, disse Chris Fields, co-presidente do GT II.
O IPCC destaca que, quanto mais demorarmos para adotar medidas de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, piores elas serão.
A entidade tenta convencer governos, empresas e a sociedade de que existem oportunidades na adaptação, com ganhos econômicos e de saúde pública a serem conquistados por aqueles que fizerem investimentos em setores como energias limpas, conservação ambiental e manutenção de serviços ecossistêmicos.
“Compreender que as mudanças climáticas são um desafio de gestão de risco abre uma ampla variedade de oportunidades para integrar a adaptação ao desenvolvimento social e econômico (...) Lidar com o aquecimento global de forma criativa é uma importante forma de melhorar o mundo”, disse Fields.
Impactos
O relatório é dividido em 30 capítulos, a maioria destinada a indicar os impactos já vistos e projetados das mudanças climáticas em determinada região ou ecossistema.
Entre os efeitos que já possuem sólidas evidências de estarem acontecendo, o IPCC destaca:
- Pessoas em desvantagem social ou geográfica estão tendo suas vidas ainda mais prejudicadas por efeitos das mudanças climáticas;
- Espécies marinhas e terrestres estão alterando sua abrangência, atividades sazonais, padrões de migração e interação;
- Os eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, estão mais frequentes e intensos;
- Os preços dos alimentos têm sofrido com momentos de altas drásticas, causadas por eventos climáticos extremos;
- O nível dos oceanos está subindo devido ao maior calor absorvido e ao derretimento de geleiras e dos polos.
- O processo crescente de acidificação dos oceanos está relacionado ao aumento da concentração de CO2.
Já entre as previsões classificadas como altamente confiáveis e com evidências robustas, aparecem, por exemplo:
- Para cada um grau de aumento da temperatura média global, ocorrerá uma queda de 20% na disponibilidade de recursos hídricos para 7% da população mundial;
- Se as emissões de gases do efeito estufa seguirem subindo, no pior cenário, até o fim do século XXI, o número de pessoas expostas a grandes enchentes será três vezes maior do que se as emissões tiverem sido reduzidas;
- Maiores riscos de mortes resultantes de ondas de calor;
- Maior exposição a doenças transmitidas pela água e por alimentos;
- O aquecimento global colocará em risco a produtividade pesqueira e os serviços ecossistêmicos dos oceanos;
América do Sul
No capítulo sobre a nossa região, o IPCC destaca que o aquecimento global pode ser de 1,7°C, no melhor cenário de redução de emissões, a até 6,7°C, no pior cenário.
A questão dos recursos hídricos preocupa, com o Nordeste brasileiro, por exemplo, podendo enfrentar uma redução de 22% na precipitação até 2100. Além disso, com o degelo contínuo dos Andes, o fornecimento de água na região poderá estar ameaçado no futuro.
No Brasil, o aumento das temperaturas resultará na migração de espécies para o Sul e Sudeste, o que deve aumentar os riscos de extinções, visto que essas regiões não possuem tantas áreas naturais.
O relatório indica, com alta confiança, que uma série de doenças, como malária, cólera, problemas cardiovasculares e respiratórias, ficará mais comum na América do Sul.
Uma boa notícia é a redução das previsões negativas sobre o futuro da Amazônia. O processo de transformação da floresta em uma savana, causado principalmente pela redução da precipitação, está mais lento do que se pensava. Um dos motivos para isso pode ser a diminuição do desmatamento: uma floresta mais preservada e menos fragmentada seria mais resiliente.
Adaptação
O IPCC afirma que esse relatório representa um sinal de alerta para os governos e sociedade, mostrando que é preciso desde já minimizar os efeitos das mudanças climáticas.
A entidade tenta deixar claro que além de úteis para lidar com o clima, as ações nesse sentido podem resultar na geração de emprego, melhorias na saúde pública e crescimento econômico.
Por exemplo, na América do Sul e Central, já há acordos para a conservação de áreas naturais que envolvem comunidades locais para garantir o fornecimento de serviços ecossistêmicos. Trata-se de um tipo de iniciativa que representa diversos benefícios, como a manutenção dos recursos hídricos e o aumento da renda dos povos nativos.
“A adaptação às mudanças climáticas não demanda uma agenda exótica de ações nunca antes tentadas”, explica Fields, destacando que a maioria das medidas, como obras de saneamento básico, remoção de pessoas de áreas de risco e melhor tecnologia para a agricultura, deveriam ser realizadas mesmo se a transformação no clima não estivesse ocorrendo.
“Os principais climatologistas do mundo estão nos dizendo que devemos transformar a maneira que utilizamos nossos recursos naturais – das florestas ao petróleo – para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. Essa transformação já está a caminho, mas não na velocidade necessária”, declarou Christiana Figueres, secretária-geral da Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC).
O “Impactos da Mudança Climática, Adaptação e Vulnerabilidade” é a segunda parte da quinta avaliação do IPCC (IPCC Fifth Assessment Report – AR5), que será apresentada em dezembro durante a Conferência do Clima de Lima (COP 20), no Peru.
A primeira parte, “Base Científica da Mudança Climática", foi publicada em dezembro e a terceira, “Mitigação da Mudança Climática”, será divulgada em abril.

Espírito e natureza na reflexão Teológica atual

Ao propor o título acima, queremos conjugar duas preocupações latejantes: 1) a centralidade que o Espírito Santo deve ocupar na reflexão teológica, tal como acontece nas comunidades de fé; e 2) a atual situação de constante ameaça em que se encontra este planeta. Num campo mais amplo de reflexão, trata-se de estabelecer uma relação entre teologia e ecologia, bem como investigar sobre quais bases há a possibilidade de pensar uma teologia ecológica. Com isso, destacaremos a importância de trazer a pneumatologia e a ecologia para o centro da reflexão teológica e os desafios que se apresentam quando isso se efetiva. Portanto, os objetivos aqui são......leia mais:

21 de abr de 2014

Frei Mateus de Bascio, apontamentos para uma biografia.

FREI MATEUS DE BASCIO
Mateus de BascioConhecemos muito pouco a figura de Mateus de Bascio. Esta crônica histórica, ou apontamentos para uma biografia, não pretende suprir lacunas e pesquisas. A passagem do autor, Flávio Gianessi, pela cidade de Bascio em companhia de outro frade e de um sacerdote diocesano, lhe oferece ocasião para apresentar a questão: Quem é frei Mateus de Bascio? Que lugar lhe cabe na história franciscana?
Acompanhemos a narrativa. Ela acrescentará alguns dados interessantes à história desse homem que já foi considerado fundador da nossa Ordem Capuchinha......leia mais:

20 de abr de 2014

A Vitória da Periferia


                      Júlio Lázaro Torma*
                          " Ele não está aqui.Ressuscitou como havia dito"
                                                                       ( Mt 28,6)
  Estamos celebrando a Vigília Pascal, a grande noite que nos prepara para a Festa da Páscoa. Após a tragédia de Jesus que vivemos na Sexta Feira Santa, do Mistério da Paixão.
   Tudo é Silêncio, trevas, onde forças que geram morte, venceram e destruíram, aquele que é a fonte de toda a vida.Como nos escreve São João da Cruz ( 1542-1591), " Em uma noite escura, em ânsias e de amor toda inflamada". A Vida outrora destruída ressurge com mais força, como brotos verdes, que germinam e crescem no silêncio.
   " Nascendo da noite escura a manha futura", que nasce a onde ninguém acredita, a vida nasce o túmulo sinal de morte se converte em vida nova.
  Jesus ressuscita num jardim na periferia de Jerusalém, longe do Templo, onde está o poder político, religioso opressor. Ele não aparece a algum sacerdote, levita, mas aparece a Maria Madalena e a outra Maria. As mulheres outrora desprezadas, cuja palavra não tem valor na sociedade como testemunhas, se tornam as grandes anunciadoras, da Ressurreição de Jesus e as animadoras da comunidade que está dispersa e enfraquecida.
  Jesus, as manda ir " Não temais! Ide dizer aos meus irmãos que se dirijam a Galiléia, pois lá que eles me verão" ( Mt 28,10).
   A Missão de Jesus inicia  na Galiléia, se desenvolve nesta região, a periferia do seu país, longe dos poderes que o matam. Ele nasceu, viveu, morreu na periferia, fora dos muros de Jerusalém, foi sepultado, num jardim a onde ressuscita e ressuscitado retorna para onde tudo iniciou.
   Enquanto a cidade de Jerusalém, mata Jesus com uma morte violenta, com medo de perder os seus privilégios, o povo da periferia o acolheu com todo o carinho a sua mensagem. A ressurreição estremece todo o poder dominante que exclui e mata as pessoas, principalmente os mais pobres que são exterminados.
   A ressurreição de JESUS e a VITÓRIA dos pobres e dos moradores da periferia que dia e noite em suas orações gritam a Deus e falam, como nos diz a música:
   " Deus olhai o povo da Periferia
     É tanta gente triste nessa cidade
     É tanta desigualdade desse outro lado da cidade
     Mas eu tenho fé eu acredito em Deus
     Olhai por esses filhos teu Senhor
     Ó pai olhai o meu povo sofrido da Periferia"
                                ( Mc Naldinho)
  Jesus ao ressuscitar, ele não aparece a Anás ou Caifás, Pôncio Pilatos, aos discípulos, mas as mulheres na periferia. Onde tudo aparece acabado, destruído ou arruinado, a vida renasce. A vida nova, surge até no absurdo onde nós não queremos ver, ali é a onde nasce a vida. E confirma o projeto de vida trazido por Jesus e que foi a causa de sua Paixão e Morte.
   Eis que nós devemos ir a periferia, a Galiléia e de lá entre os mais pobres e sofredores da nossa sociedade. Iniciar o anúncio da Boa Nova da Ressurreição, onde a Vida até então ameaçada, destrói as amarras e se converte em Vida Nova que ressurge com força e vitória a partir da Periferia do Mundo.
            Boas Meditações e bom Final de Semana
                      Mt 28,1-10
_______________________________
  * Membro do Colegiado Nacional da Pastoral Operária
                                                                 

Relatório e guia sobre tráfico de pessoas são lançados em São Paulo

Baixe a versão digital do relatório “Tráfico de pessoas na imprensa brasileira” e do “Guia para jornalistas com referências e informações”
Por Daniel Santini 
Fonte: http://reporterbrasil.org.br/2014/04/relatorio-e-guia-sobre-trafico-de-pessoas-sao-lancados-em-sao-paulo/
SONY DSC
Juliana Armed, Carlos Bezerra Jr., Fernanda dos Anjos, Leonardo Sakamoto, Larissa Beltrami e Gilberto Duarte na mesa de abertura do evento. Foto: Stefano Wrobleski
A Repórter Brasil apresentou na manhã desta sexta-feira, dia 11, duas publicações sobre tráfico de pessoas,  desenvolvidas com apoio do Ministério da Justiça e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Trata-se de um relatório sobre a cobertura da imprensa e um guia para jornalistas com referências e informações sobre o enfrentamento ao problema. O lançamento foi realizado nesta manhã durante evento realizado no Auditório da Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, que fica no Pateo do Collegio, no Centro de São Paulo, durante evento que reuniu alguns dos principais especialistas do Brasil sobre o tema.
Publicações da Repórter Brasil sobre Tráfico de Pessoas
O relatório “Tráfico de pessoas na imprensa brasileira” (versão digital em PDF) teve como base a análise de 655 textos publicados entre 1º de janeiro de 2006, ano de lançamento da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, e 1º de julho de 2013, ano do II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. O estudo indica que o tema ainda não recebe atenção suficiente por parte da mídia. Em 57% dos textos analisados, o tráfico de pessoas é apenas mencionado, não raro de forma equivocada, misturando conceitos e interpretações. Entre os 43% restantes, a maioria (54%) não trata de causas ou contextualiza a questão e boa parte (44%) é focada apenas no tráfico para fins de exploração sexual.  A cobertura se baseia na agenda governamental ou em ações policiais e em muitos casos limita-se a aspectos criminais, sem os aprofundamentos necessários para tratar de um fenômeno complexo, multifacetado e dinâmico, com diferentes modalidades, causas e consequências.
O “Guia para jornalistas com referências e informações sobre enfrentamento ao tráfico de pessoas” (versão digital em PDF), baseado em entrevistas com mais de 20 especialistas, entre autoridades, acadêmicos e representantes da sociedade civil, reúne recomendações para a cobertura e acompanhamento, incluindo sugestões de fontes, datas importantes e o marco legal, com indicações da legislação e de tratados internacionais ratificados pelo Brasil. A publicação elucida que as definições previstas no Protocolo de Palermo são as mais amplas sobre o problema e destaca que o o Brasil é um país de origem, trânsito e destino de tráfico de pessoas, o que torna a cobertura complexa, delicada e relevante. Aos jornalistas preocupados em acompanhar a questão, o guia recomenda focar direitos humanos, contextualizar acompanhar políticas de prevenção, diversificar fontes, a ter atenção para identificar novas modalidades de tráfico.

Por se tratar de um fenômeno clandestino e de difícil mensuração, a publicação sugere cuidado com números e estatísticas, e com os mitos e estereótipos que ainda são comuns e mais atrapalham do que ajudam no entendimento sobre o tema. Mais do que reforçar a ideia de que o tráfico hoje se limita a redes criminosas internacionais e atinge apenas mulheres, a publicação propõe uma abordagem integral, e destaca que não existe um perfil único de vítimas; em tese, qualquer pessoa pode ser traficada. Ao aprofundar a questão é preciso sensibilidade com vítimas, que não devem ser tratadas como coitadas, inocentes, ignorantes, mas como sujeitos de direitos que merecem respeito. Também vale cuidado redobrado em casos que envolvem crianças e adolescentes, e estar atento a termos inadequados (o guia traz diversos exemplos). Outras recomendações são ter a perspectiva de gênero e lembrar que diferenças sexuais são produtoras de desigualdades sociais; entender migração como um direito humano; e considerar que a prostituição não é crime no Brasil.  Há análises específicas sobre cada um desses pontos na reportagem.
Os trabalhos de pesquisa foram encabeçados pelas jornalistas Raiana Ribeiro e Fernanda Sucupira, com edição de Leonardo Sakamoto, Daniel Santini e Igor Ojeda. A diagramação é de Gustavo Monteiro. Participaram do evento de lançamento Carlos Bezerra Jr, deputado estadual, criador da Lei Paulista de Combate ao Trabalho Escravo; Fernanda dos Anjos, diretora de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça; José Guerra, secretário executivo da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo; Juliana Armede, da Comissão Estadual pela Erradicação do Trabalho Escravo de São Paulo (Coetrae-SP) e do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico Humano do Estado de São Paulo; Larissa Beltramim, secretária-executiva da Secretaria Municipal de Direitos Humanos; Leonardo Sakamoto, coordenador da Repórter Brasil; Luiz Machado, coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo da Organização Internacional do Trabalho- OIT; Maurício Hashizume, jornalista, membro da Repórter Brasil; Gilberto Duarte, oficial de campanhas da UNODC; Renato Bignami, membro do programa de erradicação do trabalho escravo da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo;  e Roque Pattussi, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante.
Clique nas imagens para baixar a versão digital em PDF das publicações apresentadas: 
pesquisatráficoguiatráfico
Acesse também:
Versão digital de outras publicações da Repórter Brasil
Reportagens e artigos sobre tráfico de pessoas

18 de abr de 2014

A Semana Santa



Frei Alberto Beckhäuser
Apresentamos aqui uma visão de conjunto da Semana Santa.
Deveríamos partir sempre da celebração do Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, com especial destaque à Vigília da Páscoa.
A Vigília pascal constitui o núcleo central de toda a Semana Santa. Por isso mesmo deveria estar em primeiro lugar em toda a ação pastoral. Importa encontrar formas e meios para trazer a Vigília pascal à prática dos cristãos mais conscientes.
O Domingo de Ramos pode ser chamado de abertura do retiro anual das comunidades eclesiais. O dia litúrgico é um tanto sobrecarregado. Chama-se hoje: Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Os mistérios evocados são vastos. Quem sabe, se poderia dar destaque à procissão de ramos na Missa de sábado à noite e realçar, no Domingo, a Paixão do Senhor. Talvez a 2ª leitura do Domingo, a carta de São Paulo aos Filipenses 2, 6-11, possa dar a chave para a compreensão dos dois aspectos: a Entrada triunfal de Jesus e a Paixão. Cristo humilhou-se… Deus o exaltou. A certeza da palma da vitória sobre o pecado e a morte em Cristo deve acompanhar os cristãos na contemplação dos passos da Paixão durante toda a Semana Santa.
Na segunda, terça e quarta-feira da Semana Santa, a Igreja contempla o Servo sofredor, aparecendo, como figuras eloqüentes, Maria Madalena que perfuma o corpo do Senhor, Pedro e Judas. A Igreja prepara-se para o Tríduo pascal.
A Quinta-feira Santa é de uma riqueza muito grande. Oferece dois momentos. A Liturgia do Santo Crisma na parte da manhã em que, profeticamente, celebra os sacramentos onde ocorre a sagrada unção: Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordem. Na Missa vespertina já temos o início do Tríduo pascal. Celebram-se os mistérios da última Ceia: o novo mandamento, pelo lava-pés, a Eucaristia e o sacerdócio ministerial. Tudo isso, pela entrega de Jesus para ser crucificado, pela entrega de Jesus em cada Santa Missa, pela entrega dos cristãos pelo amor fraterno.
Na Sexta-feira Santa, a Igreja não celebra a Eucaristia. Ela permanece em jejum. Comemora a Morte de Cristo por uma Celebração da Palavra de Deus, constando de leituras bíblicas, de Preces solenes, adoração da Cruz e Comunhão sacramental.
No Sábado Santo, com início na Sexta, a Igreja celebra a Sepultura do Senhor, sobretudo através da Liturgia das Horas, aguardando na esperança a ressurreição do Senhor. A comemoração da Sepultura do Senhor é enriquecida na piedade popular pelo descendimento da Cruz e a procissão do Senhor Morto.

Celebração Popular da Semana Santa

Em muitas regiões do Brasil, com especial destaque para Minas Gerais, encontramos expressões populares na celebração da Semana Santa. Vários foram os motivos que levaram a isso. Entre eles estão certamente a língua, a clericalização da liturgia e seu caráter muito intelectual. Criou-se, assim, um certo paralelismo entre a Liturgia romana e a expressão popular. Importa, no entanto, compreender e valorizar essas formas populares, para, a partir delas, se chegar a uma vivência maior dos mistérios de Cristo pelo Rito romano e realizar uma possível integração das expressões populares.
A celebração popular da Semana Santa comemora essencialmente o mesmo Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor. Ela o faz ao ar livre através de procissões.
Assim, os Passos da Paixão são vividos na Procissão do Encontro. Podemos valorizar todo um conteúdo ligado ao encontro entre Deus e a humanidade, depois do desencontro por causa do pecado. O encontro de Jesus com sua Santíssima Mãe no caminho do Calvário representa o encontro da humanidade com seu Deus, encontro que passa pelo mistério da cruz. Esta procissão é realizada no Domingo de Ramos, na Terça ou na Quarta-feira da Semana Santa. Isso tem seu motivo. Na Liturgia anterior à reforma da Semana Santa, nesses dias se proclamava a Paixão de Jesus conforme os sinóticos. A agonia e a morte de Jesus recebem um destaque especial através do Sermão das Sete Palavras. Trata-se de uma celebração da Palavra de Deus, com proclamação da Palavra, o canto, a homilia e a oração, em sete etapas.
A Sepultura do Senhor é comemorada pelo Descendimento da Cruz, com pregação, a Procissão do Senhor morto e o sermão da Soledade. Tendo sido a semente lançada à terra, o Senhor repousa na esperança da ressurreição.
Finalmente, temos a Procissão do Senhor ressuscitado, realizada, em geral, após a Missa da Vigília. Em outros lugares, na madrugada ou na manhã da Páscoa. É a procissão do triunfo de Jesus Cristo sobre a morte, vivo e presente na Igreja, sobretudo no mistério da Eucaristia.
Às vezes, temos uma quarta procissão, sem contar outras procissões de menor importância: a do Triunfo de Nossa Senhora. Em certas cidades é realizada na tarde do Domingo da Páscoa. A humanidade triunfante com Cristo é representada por Maria. Outras vezes ela é solenemente coroada após a Procissão da Ressurreição do Senhor.
A participação popular caracteriza as celebrações: os leigos são os agentes, enquanto o clero acompanha. Sobressaem a linguagem visual e a ação, sobretudo pelo andar.
 (*) texto do livro ” Viver o Ano Litúrgico”, de Frei Alberto Beckhäuser
Fonte:
http://www.franciscanos.org.br/?page_id=55807#sthash.XBzH8jhx.dpuf