22 de jan de 2011

"Jesus, Parábola de Deus"

Ficha técnica:
"Jesus, Parábola de Deus - Cristologia narrativa"
Frei Sinivaldo S. Tavares
Editora Vozes
91 páginas
Professor do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis, Frei Sinivaldo Silva Tavares está lançando um novo livro: "Jesus, Parábola de Deus", sobre cristologia narrativa. Esta obra procura indagar acerca das atitudes tomadas por Jesus, das palavras cheias de encanto que saíam de sua boca, dos valores pelos quais Ele viveu e morreu, do sentido que deu a cada gesto ou palavra pronunciada. Foram estas atitudes e uma determinada mensagem que entusiasmaram o coração e a mente dos apóstolos de ontem e de hoje, fazendo com que deixassem/deixem tudo para segui-lo.
A experiência de nossa relação com Jesus Cristo nem sempre é explícita, embora esteja presente na raiz mesma da nossa existência cristã, tanto pessoal quanto comunitária. Aprofundar as distintas relações de Jesus constitui a oportunidade de estreitar ainda mais nossa relação com Ele. Resgatar as relações constitutivas da vida de Jesus é, portanto, criar uma proximidade que nos permitirá experimentá-lo como alguém que, para além dos condicionamentos do seu tempo, continua presente entre nós, agindo no e mediante seu Espírito.
Não se trata de um para além que deixa para trás os condicionamentos históricos e sociais de Jesus, como se eles fossem meros adereços sobrepostos à pessoa e à missão do mestre de Nazaré. Ele somente conseguiu transcender os condicionamentos biográficos e sociais do próprio tempo porque os assumiu com singular e inusitada intensidade. Neste sentido, Jesus só pode ser experimentado como alguém que nos é contemporâneo porque foi alguém que, decididamente, sorveu até à última gota a seiva da sua existência ordinária e circunstanciada.
Sinivaldo Silva Tavares é frade franciscano ; doutor em Teologia Sistemática pela Pontifícia Universidade Antonianum (Roma); professor no Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ) e coordenador do Curso de Pós-Graduação lato sensu - Espiritualidade, Ecologia e Educação: uma abordagem transdisciplinar.
É autor e/ou organizador também de "Inculturação da fé, A cruz de Jesus e o sofrimento no mundo"; "Memória e profecia - A Igreja no Vaticano II", além de estudos em obras coletivas e artigos para revistas especializadas: REB, Grande Sinal, Rhema, Scintilla.
Fonte:http://www.franciscanos.org.br/v3/cultura/literatura/publi21.php
 

Como explicar que Jesus fosse Deus e Homem?


Publicado 2011/01/06
Autor: Gaudium Press
Secção: Espiritualidade

É difícil imaginar, caro leitor, o gáudio e a felicidade interior experimentada por Maria Santíssima, ao aceitar a proposta do Arcanjo São Gabriel, feita na Anunciação. Com efeito, a Virgem puríssima de Nazaré tornara-se a Mãe do Redentor, do "Salvador", como o nome Jesus significa. Realizava-se em seu casto seio o sonho de toda mulher hebreia: ser a escolhida por Deus para dar à luz o Messias de Israel. Com um acréscimo: a sua tão amada virgindade permaneceria intacta. Seria Ela, a primeira e única Virgem e Mãe na história da humanidade. Por fim, o longo e penoso período de espera chegara ao seu termo: o povo eleito recebia, no silêncio da humilde casa de Maria, Aquele por quem os patriarcas suspiraram, e a quem os profetas anunciaram, prevendo inclusive, com luxo de detalhes, tantos aspectos e minúcias de sua vida, seus sofrimentos e sua glória. Ocorreria assim o acontecimento central da história da humanidade: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós" (Jo 1, 14), pela ação do Espírito Santo (cf. Lc 1, 35) e pela plena aceitação amorosa e cheia de Fé de Maria. Entretanto, como explicar tão alto mistério? É possível que Deus se torne homem sem deixar de ser Deus?
Pode alguém ser Deus e homem ao mesmo tempo?
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A primeira a receber a "boa notícia" do grandioso mistério da Encarnação do Verbo foi Nossa Senhora. As palavras do Anjo foram explícitas e Ela, a "cheia de graça", deve tê-las entendido com preclara inteligência. Por um lado, o mensageiro celeste lhe diz: "conceberás e darás à luz um filho" (Lc 1, 31), e, de outro lado, lhe anuncia: "será chamado Filho do Altíssimo" (Lc 1, 32). O que significa claramente, segundo nos explica São Beda, que o fruto das entranhas de Maria seria verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Mesmo antes de receber a visita do Arcanjo, Nossa Senhora, agraciada com a plenitude dos dons do Espírito Santo, devia perscrutar as Escrituras com finíssima atenção, compreendendo amplamente seu significado. Antes de tudo, é conjecturável que procurasse Ela compor a fisionomia moral do Messias esperado. É essa a opinião de São Leão Magno: "Deus elege uma Virgem da descendência de Davi, e esta Virgem, destinada a levar no seio o fruto de uma sagrada fecundação, antes de conceber corporalmente a sua prole, divina e humana ao mesmo tempo, a concebeu em seu espírito" .
Lendo com Maria as profecias sobre a Encarnação
Certamente, da leitura dos pergaminhos contendo os trechos das Escrituras, terá Ela se impressionado vivamente diante dos anúncios gloriosos dos profetas a respeito do Messias esperado, como por exemplo, ao ler estas palavras de Miquéias: "Mas tu, Belém de Éfrata, pequenina entre as aldeias de Judá, de ti é que sairá para mim aquele que há de ser o governante de Israel. Sua origem é antiga, de épocas remotas. [...] Ele se levantará para apascentar com a força do Senhor, com o esplendor do nome do Senhor seu Deus" (Mq 5, 1-3). Também em Isaías encontraria Nossa Senhora trechos empolgantes e grandiosos: "Nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado. O poder de governar está nos seus ombros. Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai para sempre, Príncipe da paz" (Is 9, 5). Porém, leitora atenta da Palavra de Deus, Maria Santíssima não deve ter deixado de considerar outros aspectos do anúncio profético do Messias. Aspectos esses quiçá não tão compreendidos no seu tempo, pois muitos esperavam sobretudo um Messias triunfador, um libertador político. Todavia, a Revelação era clara: "[O meu servo] era o mais abandonado e desprezado de todos, homem do sofrimento, experimentado na dor, indivíduo de quem a gente desvia o olhar, repelente, dele nem tomamos conhecimento. Eram na verdade os nossos sofrimentos que ele carregava, eram as nossas dores, que levava às costas. E a gente achava que ele era um castigado, alguém por Deus ferido e massacrado. Mas estava sendo traspassado por causa de nossas rebeldias, estava sendo esmagado por nossos pecados. O castigo que teríamos de pagar caiu sobre ele; com os seus ferimentos veio a cura para nós. Como ovelhas estávamos todos perdidos, cada qual ia em frente por seu caminho. Foi então que o Senhor fez cair sobre ele o peso dos pecados de todos nós" (Is 53, 1-6). Diante desse panorama tão complexo, como seria então o Messias, o esperado das nações? Por um lado, grande e potente, chamado de "Deus Forte", com mando e governo, mas, de outro lado, homem de dores, vítima de expiação dos pecados dos homens. Como se realizariam esses extremos, aparentemente contraditórios, na mesma pessoa?
No convívio com o Homem Jesus
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Para Nossa Senhora esse enigma deve ter-se tornado paulatinamente mais claro depois de conceber o Deus humanado e conviver com Jesus. O Menino que "crescia e se fortalecia, cheio de sabedoria" (Lc 2, 40), dava provas irrefutáveis de ser homem verdadeiro, e, ao mesmo tempo, Deus verdadeiro. Assim, a mesma criança que se alimentava e dormia como todas as outras, ao ser interrogada por seus pais, no episódio da perda e do encontro no Templo de Jerusalém, por que havia se separado deles, responde de forma surpreendente: "Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu Pai?" (Lc 1, 49). Nossa Senhora guardou essas palavras no seu coração (cf. Lc 1, 51). E, durante os trinta anos de vida oculta, que conversas não terá havido, ao cair da tarde, entre São José, Nossa Senhora e Jesus, a respeito da Pessoa e da missão do Filho de Deus feito Homem? Todavia, as silenciosas paredes da Santa Casa de Nazaré - agora venerada na Itália, na cidade de Loreto - são as únicas testemunhas mudas desse convívio íntimo da Sagrada Família! Na vida pública de Jesus - acompanhada com discrição por Nossa Senhora - Nosso Senhor revelou-se claramente diante dos apóstolos, dos discípulos e do povo enquanto Filho de Deus e Filho do Homem. Com efeito, os Evangelhos nos narram que Jesus teve fome (cf. Mt 4, 2) e dormira (cf. MT 8, 24), que, no meio do caminho, sentiu cansaço (cf. Jo 4, 6), e diante do túmulo de Lázaro chorou de pena pela perda do amigo muito amado (cf. Jo 11, 35). E, no auge destas provas de sua humanidade, conta-nos São Mateus, como diante da sombria perspectiva da paixão, sua alma sentiu uma tristeza de morte (cf. Mt 26, 37-38). Atitudes e sentimentos esses que caracterizam a sua verdadeira e completa natureza humana.
E sua Divindade?
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São prolixos também os testemunhos das Escrituras. No evangelho de São João, Cristo declara diante do povo reunido que Ele e o Pai são um (cf. Jo 10, 30). Em São Mateus encontramos a feliz declaração de Fé de Pedro, ratificada por Jesus: "E vós, retomou Jesus, quem dizeis que sou eu? Simão Pedro respondeu: tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Jesus então declarou: Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu". (Mt 16, 16-17). A essas afirmações claras deve-se juntar a consideração dos fatos de sua vida. Jesus demonstrou ser o Filho de Deus pelo poder e a autoridade própria com que realizou inúmeros milagres. Pôs em evidência ter um domínio absoluto sobre doenças, na época totalmente incuráveis, como a Lepra (cf. Lc 17, 11-19) e a paralisia (cf. Jo 5, 1-9), inclusive, sobre a mesma morte ressuscitando, por exemplo, o filho da viúva de Naim (cf. Lc 7, 11-17). Obedeciam-lhe as forças da natureza. Basta lembrar nesse sentido a multiplicação dos pães e dos peixes (cf. Mt 14, 13-21) e a furiosa tempestade acalmada a uma ordem sua (cf. Mt 8, 23-27). Mas o evento no qual Ele mostra de forma mais patente sua divindade é na sua Ressurreição. Primeiro, profetizando-a (cf. Mt 20,19) e depois cumprindo à risca sua própria previsão: "Ninguém me tira a vida, mas eu a dou por própria vontade. Eu tenho poder de dá-la, como tenho poder de recebê-la de novo. Tal é o encargo que recebi do meu Pai" (Jo 10, 18). Depois da consideração atenta do testemunho infalível das Escrituras, ainda resta-nos a pergunta: Sim, cremos que Jesus é Deus e homem verdadeiro mas, como explicar essa realidade?
Pe. Carlos Werner Benjumea, EP

15 de jan de 2011

Bispo brasileiro nomeado Prefeito para a Vida Consagrada

O Papa Bento XVI nomeou o arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz, o novo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. De acordo com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a nomeação ocorreu em 14 de dezembro, mas só foi anunciada dia 04 de janeiro, pelo Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.
Dom João sucederá o cardeal francês Franc Rodé, que pediu renúncia da função por limite de idade. Ele tem 76 anos e, segundo prevê o Código de Direito Canônico, só pode ocupar a posição até os 75 anos.

Dom João Braz de Aviz

Nascido em Mafra (SC), em 24 de abril de 1947, Dom João  foi bispo auxiliar da arquidiocese de Vitória (ES), bispo de Ponta Grossa (PR) e arcebispo de Maringá (PR). Em 28 de janeiro de 2004 foi nomeado arcebispo de Brasília.
Dom João Braz vai coordenar o trabalho da Congregação que se ocupa das Ordens e Congregações Religiosas, com os Institutos seculares, as Sociedades de Vida Apostólica, a Vida Eremítica, as Virgens Consagradas e suas associações e com as novas formas de Vida Consagrada.
Dom João que o Senhor conceda luz e força em sua nova missão.
Fonte: http://blogpaulinas.blogspot.com/2011/01/bispo-brasileiro-nomeado-prefeito-para.html

Semana do Consagrado de 30 de janeiro a 6 de Fevereiro.

CIRP: Semana do Consagrado de 30 de Janeiro a 6 de Fevereiro

Lisboa, 07 Jan (ECCLESIA) – A Semana do Consagrado vai realizar-se em 2011 de 30 de Janeiro a 6 de Fevereiro, por decisão da Conferência Episcopal Portuguesa, tendo por tema «Vida Consagrada na Missão da Igreja».
“A escolha do tema tem a ver em grande parte com a sintonia no processo sinodal em curso «Repensar juntos a Pastoral da Igreja em Portugal»”, sublinha, em comunicado, o padre Manuel Barbosa, presidente da Conferência de Institutos Religiosos de Portugal (CIRP).
Em coordenação com a Comissão Episcopal Vocações e Ministérios (CEVM), a CIRP vai divulgar, a partir do próximo dia 9 de Janeiro, materiais para “momentos de oração, celebração e reflexão”.
Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=83654

14 de jan de 2011

O processo no qual Deus é réu.

10.01.11 - MUNDO




Marcelo Barros *

Fonte: Adital - 
No ano passado, as agências norte-americanas noticiaram que Ernie Chambers, senador por Nebraska, abriu na justiça dos Estados Unidos, um processo criminal contra Deus. Ele descobriu que, por trás de muitas iniciativas terroristas existe um fanatismo religioso. Decidiu, então, acusar o Criador de ser responsável pelas contínuas ameaças terroristas que prejudicam milhões de pessoas no mundo inteiro. Culpou também a Deus de provocar terremotos, furacões, guerras e nascimentos de crianças com má formação. Além disso, Deus teria ainda distribuído, em forma escrita, documentos considerados sagrados, como a Bíblia, que, de acordo com a acusação, servem para transmitir medo e insegurança às pessoas só com a finalidade de conseguir obediência total e servil. O processo caminhou até o Tribunal de Justiça, mas o Juiz encarregado do processo respondeu que não poderia abrir o processo contra Deus e condená-lo porque Deus não tem um endereço fixo e reconhecido. "Se o senhor não tem um endereço postal certo do acusado e um número de telefone com o qual possamos nos colocar em contato com ele, não temos como convocá-lo a uma audiência e julgá-lo". "Mesmo à revelia, podemos fazer o julgamento, mas depois, como contatá-lo?"
Este fato pode parecer quase folclórico, mas tem a sua seriedade e até sua consistência. Em 2003, um escritor sério como José Saramago, prêmio Nobel de literatura, declarou: "De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus".
Quem é crente em qualquer religião ou tradição espiritual gostaria de contestar que nosso Deus é fonte de paz e unidade e nunca de divisão ou violência. Entretanto, a história mostra que isso não é tão simples. De fato, todas as grandes religiões da humanidade foram envolvidas em conflitos violentos. No decorrer da história, infelizmente, o Cristianismo foi a religião que mais patrocinou ou legitimou guerras, atos de intolerância e de violências. Graças a Deus, hoje, ministros de todas as Igrejas têm se posicionado pela paz e um dos fenômenos mais importantes do século XXI tem sido a proliferação de congressos e organizações para o diálogo entre as religiões. No Brasil, em 2007, uma portaria assinada pelo Presidente da República consagra o dia 21 de janeiro como dia nacional contra a intolerância religiosa. Se naquele processo, o juiz norte-americano aceitasse, se poderia dizer que Deus tem sim endereço neste mundo. Jesus disse no Evangelho: "Quem der até um copo de água fria a um pequenino em meu nome é a mim que está dando". Deus mora onde moram os pequeninos e pobres do mundo. É claro que isso muda a imagem de Deus que a maioria de nós recebeu quando criança. O padre Ernesto Balducci, filósofo e espiritual italiano, dizia com convicção: "Enquanto não renunciarmos à idéia de um deus onipotente, não compreenderemos profundamente a fé cristã".
De fato, a imagem clássica de um Deus todo-poderoso, de acordo com a visão de poder deste mundo, responsável por tudo o que acontece e sem o qual nada acontece, merece mesmo a acusação e o processo do senador Chambers. Atualmente, a cada dia, aumenta o número de crentes de todas as religiões que testemunham: Deus é fonte de paz porque ele mesmo é Amor. Em um livro de meditações cotidianas, o irmão Roger Schutz, prior da comunidade ecumênica de Taizé, deixou claro: "Deus não castiga ninguém. Deus só pode amar e só ama. Se não, não seria Deus".
Atualmente somos todos chamados a nos tornar crianças para aprender de Jesus a espiritualidade mais profunda. Até hoje, todos nós somos chamados a valorizar a criança divina que está adormecida no mais profundo de nosso coração. Muitas vezes, a tradição ocidental fixou-se em métodos de espiritualidade que tornam as pessoas sérias demais, artificialmente adultas. O Mestre Eckhart, místico medieval, ensinava que "cada um de nós tem uma dimensão mística. Esse ser místico é a criança que existe dentro de nós". Na música popular brasileira, Milton Nascimento tem a música "Bola de Gude, Bola de meia", na qual canta: "Dentro de mim mora uma criança, um moleque. Quando em mim, o adulto fraqueja, a criança vem e me dá a mão".

* Monge beneditino e escritor