Baixe a versão digital do relatório
“Tráfico de pessoas na imprensa brasileira” e do “Guia para jornalistas
com referências e informações”
Por Daniel Santini
Fonte: http://reporterbrasil.org.br/2014/04/relatorio-e-guia-sobre-trafico-de-pessoas-sao-lancados-em-sao-paulo/

Juliana
Armed, Carlos Bezerra Jr., Fernanda dos Anjos, Leonardo Sakamoto,
Larissa Beltrami e Gilberto Duarte na mesa de abertura do evento. Foto:
Stefano Wrobleski
A Repórter Brasil
apresentou na manhã desta sexta-feira, dia 11, duas publicações sobre
tráfico de pessoas, desenvolvidas com apoio do Ministério da Justiça e
do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Trata-se
de um relatório sobre a cobertura da imprensa e um guia para jornalistas
com referências e informações sobre o enfrentamento ao problema. O
lançamento foi realizado nesta manhã durante evento realizado
no Auditório da Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado
de São Paulo, que fica no Pateo do Collegio, no Centro de São Paulo,
durante evento que reuniu alguns dos principais especialistas do Brasil
sobre o tema.
O relatório “Tráfico de pessoas na imprensa brasileira” (versão digital em PDF) teve como base a análise de 655 textos publicados
entre 1º de janeiro de 2006, ano de lançamento da Política Nacional de
Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, e 1º de julho de 2013, ano do II
Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. O estudo indica
que o tema ainda não recebe atenção suficiente por parte da mídia. Em
57% dos textos analisados, o tráfico de pessoas é apenas mencionado, não
raro de forma equivocada, misturando conceitos e interpretações. Entre
os 43% restantes, a maioria (54%) não trata de causas ou contextualiza a
questão e boa parte (44%) é focada apenas no tráfico para fins de
exploração sexual. A cobertura se baseia na agenda governamental ou em
ações policiais e em muitos casos limita-se a aspectos criminais, sem os
aprofundamentos necessários para tratar de um fenômeno complexo,
multifacetado e dinâmico, com diferentes modalidades, causas e
consequências.
O “Guia para jornalistas com referências e informações sobre enfrentamento ao tráfico de pessoas” (versão digital em PDF),
baseado em entrevistas com mais de 20 especialistas, entre autoridades,
acadêmicos e representantes da sociedade civil, reúne recomendações
para a cobertura e acompanhamento, incluindo sugestões de fontes, datas
importantes e o marco legal, com indicações da legislação e de tratados
internacionais ratificados pelo Brasil. A publicação elucida que as
definições previstas no Protocolo de Palermo são as mais amplas sobre o
problema e destaca que o o Brasil é um país de origem, trânsito e
destino de tráfico de pessoas, o que torna a cobertura complexa,
delicada e relevante. Aos jornalistas preocupados em acompanhar a
questão, o guia recomenda focar direitos humanos, contextualizar
acompanhar políticas de prevenção, diversificar fontes, a ter atenção
para identificar novas modalidades de tráfico.
Por se tratar de um fenômeno clandestino e de difícil mensuração, a
publicação sugere cuidado com números e estatísticas, e com os mitos e
estereótipos que ainda são comuns e mais atrapalham do que ajudam no
entendimento sobre o tema. Mais do que reforçar a ideia de que o tráfico
hoje se limita a redes criminosas internacionais e atinge apenas
mulheres, a publicação propõe uma abordagem integral, e destaca que não
existe um perfil único de vítimas; em tese, qualquer pessoa pode ser
traficada. Ao aprofundar a questão é preciso sensibilidade com vítimas,
que não devem ser tratadas como coitadas, inocentes, ignorantes, mas
como sujeitos de direitos que merecem respeito. Também vale cuidado
redobrado em casos que envolvem crianças e adolescentes, e estar atento a
termos inadequados (o guia traz diversos exemplos). Outras
recomendações são ter a perspectiva de gênero e lembrar que diferenças
sexuais são produtoras de desigualdades sociais; entender migração como
um direito humano; e considerar que a prostituição não é crime no
Brasil. Há análises específicas sobre cada um desses pontos na
reportagem.
Os trabalhos de pesquisa foram encabeçados pelas jornalistas Raiana
Ribeiro e Fernanda Sucupira, com edição de Leonardo Sakamoto, Daniel
Santini e Igor Ojeda. A diagramação é de Gustavo Monteiro. Participaram
do evento de lançamento Carlos Bezerra Jr, deputado estadual, criador da
Lei Paulista de Combate ao Trabalho Escravo; Fernanda dos Anjos,
diretora de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação da Secretaria
Nacional de Justiça do Ministério da Justiça; José Guerra, secretário
executivo da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho
Escravo; Juliana Armede, da Comissão Estadual pela Erradicação do
Trabalho Escravo de São Paulo (Coetrae-SP) e do Núcleo de Enfrentamento
ao Tráfico Humano do Estado de São Paulo; Larissa Beltramim,
secretária-executiva da Secretaria Municipal de Direitos Humanos;
Leonardo Sakamoto, coordenador da Repórter Brasil; Luiz Machado,
coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo da Organização
Internacional do Trabalho- OIT; Maurício Hashizume, jornalista, membro
da Repórter Brasil; Gilberto Duarte, oficial de campanhas da
UNODC; Renato Bignami, membro do programa de erradicação do trabalho
escravo da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São
Paulo; e Roque Pattussi, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante.
Clique nas imagens para baixar a versão digital em PDF das publicações apresentadas: 

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