29 de out de 2014

O que aconteceu nos pampas?

                                  Júlio Lázaro Torma
    Passado o período eleitoral vem o tempo de se analisar o que aconteceu, no caso a derrota do PT e do governo Tarso no último domingo de outubro de 2014.
      O Estado do Rio Grande do Sul sempre foi considerado vanguardista, politizado em relação aos outros estados da federação.
    Em primeiro lugar desde a redemocratização do país em 1985, nenhum partido se reelegeu para ocupar o Palácio Piratini, bem como a velha ARENA, hoje Partido Progressista ( PP), tem ocupado a cadeira de Júlio de Castilho ( * 1860-+ 1903).
     O povo gaúcho tem a cultura da alternância de governo assim foi com Pedro Simon( PMDB) de 1987-1990; Alceu Collares ( PDT) de 1991-1994; Antônio Britto ( PMDB) DE 1995-1998; Olívio Dutra ( PT) de 1999-2002; Germano Rigotto ( PMDB) de 2003-2006; Yeda Cruzius ( PSDB) de 2007-2010 e Tarso Genro ( PT) de 2011-2015.
    Onde parece que continua aquela velha rivalidade herdada da era castilhista ( 1890-1930), da eterna rivalidade entre chimangos ( Partido Republicano Rio-grandense/ PRR) e os maragatos do Partido Libertador ( PL), e depois PTB, PL.
   O debate ideológico existente desde a revolução farroupilha ( 1835-1845), entre república x monarquia, positivismo x federalismo;trabalhismo x anti trabalhismo;defensor da ditadura x oposição, direita x esquerda, neoliberalismo x estatismo.
     Que marcou os debates e disputas no pampa no final do século XIX e o século XX, parece que não existe mais na pampa.
     Mas a disputa entre PT x PMDB, continua reinando no estado. Um dos pontos fortes foi o antipetismo, em que as pessoas falavam " odeio o PT", " temos que tirar o PT do poder", mas não sabiam explicar o porque deste ódio ao PT ou a  pessoa do Tarso Genro, não respondiam ou simplesmente fugiam do assunto, usavam argumentos delirantes sem fundamentação.
    A vitória de Sartori ( PMDB) 61% sobre Tarso Genro ( PT) 38%, mostrou uma despolitização e infantilização da política sem um debate ideológico de projetos de estado. Tal despolitização levou á um discurso de ódio que empobrece cada vez mais a política e a democracia.
    Jamais o eleitorado que votou no PP ou PDT no primeiro turno votaria em Tarso ou no PT. Visto que o PP um partido de direita e o PDT um partido de centro direita que não tem mais nada de brizolismo no Rio Grande do Sul.
      O povo gaúcho que era considerado a vanguarda da politização se converteu em vanguarda da despolitização e da falta de uma ideologização da política e dos partidos.
     Sartori além de representar está desideologização, representa uma nova fase do capitalismo gaúcho que está se formando e tendo força no pampa. Um capitalismo pós moderno imaterial, tecnológico e urbano, aliado a uma sociedade do espetáculo, há onde a pessoa se identifica com aquele que usa o humorismo, como demostrou a campanha eleitoral de Sartori.
    Do outro lado a campanha Tarso, parece que quis usar os velhos e conhecidos métodos políticos da direita em atacar Sartori. Que em vez de ajudar a campanha de Tarso,parece que contribuiu para a vitória de Sartori e fortaleceu o antipetismo no estado.
   Mesmo que Tarso tivesse conseguido a renegociar as dividas do estado com a união e pago o piso do funcionalismo estadual como ele desejava não se reelegeria.
  Se Tarso tivesse ganhado de Sartori e derrubado a barreira do antipetismo e da alternância de governo, teria realizado um grande feito em que partido e governador algum conseguiu realizar nestas três décadas de democratização mais longa da História Republicana do Rio Grande do Sul e do Brasil.
Esta é a pergunta que fica com todas as melhoras que o governo petista fez no estado, aliado ao governo Dilma e após ter pego um estado quebrado e sucateado deixado pelo desgoverno, goverlixo de Yeda Cruzius, e colocado nos eixos, o que aconteceu?

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