11 de mar de 2012

Jesus:O Indignado


                                                               Júlio Lázaro Torma*
  Neste Terceiro Domingo da Quaresma, vamos meditar em nossas comunidades cristãs, o Evangelho de João.
  O Evangelista João, nos fala sobre á expulsão dos vendedores do Templo de Jerusalém.Ele coloca o episódio no inicio da vida pública de Jesus.Os Evangelhos Sinóticos nos narra nos últimos dias e momentos da vida de Jesus, após a sua entrada triunfante em Jerusalém.
 " Jesus, ao ir a Festa da Páscoa, entra no Templo e encontra os vendedores de bois,ovelhas, pombas e as mesas dos cambistas( trocadores de moedas).Faz um relho de cordas expulsa todos, vendedores, ovelhas, bois, espalhou pelo chão o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas".
  Diante do uso do Templo, como casa de oração,de acolhida,de gratuidade e sinal de inclusão, libertação.Vemos que o Templo se converte, num mercado e num grande banco.
  Onde era beneficiada a classe sacerdotal, que tinha grandes latifúndios na verdejante Galiléia, onde criavam bois, ovelhas, para os 329 sacrifícios diários oferecidos no Templo.
  O Templo tinha um imposto e dinheiro próprio.O imposto do templo era exigido 10% da produção familiar.
  Jesus se opõe e se indigna, á esta exploração da fé, como bem atesta, segundo os evangelhos de Mateus,Marcos e Lucas, após a crucificação, confirmada pelos membros do sinédrio na prisão do diácono Estêvão ( At 6,14).
  A cena da expulsão dos comerciantes do Templo, nos apresenta uma outra imagem diferente daquela imagem lírica, serena e angelical em que temos de Jesus.
  Os Evangelhos noa apresentam diversas imagens da face humana de Jesus, sentimentos, como nos escreve o autor da carta aos Hebreus:" Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado" ( Heb 4,15).
  Vemos Jesus que tem compaixão pelo povo que sofre, pela viúva de Naim, indiferente diante da cananéia, reprende os discípulos, chora pela morte de Lázaro e o futuro de Jerusalém,se alegra nas festas, fica com medo e deprimido no jardim do Getsêmani.
  Agora o vemos com raiva, indignado com o mau uso da religião e da fé das pessoas.As indignações e a revolta contra qualquer ato injusto, faz parte do ser humano, está na sua natureza biológica.
  João, nos fala que JESUS DISSE AS AUTORIDADES:" Destruirei este Templo e reerguirei em três dias".Aqui o evangelista não fala em Templo de pedra, mas das pessoas como Templo vivo de Deus.
  Hoje estamos vivendo no mundo, uma tendência de shoppingzação, onde tudo é transformado em mercadoria, pelo sistema capitalista, a terra, água, florestas, os sentimentos e gostos das pessoas e elas próprias.Mas tudo tem o seu limite, que esbarra em uma lei básica da Terra: o crescimento econômico e o consumismo infinitos não são possiveis com recursos da natureza, que são finitos.
  Essa é a essencia das atuais crises energética e ecológica.
  Jesus fala " não façais da casa do meu PAI um mercado", podemos falar das diferentes casa em que habitamos a casa pessoal, casa social e a casa ambiental em que moramos e nenhuma delas é um mercado.
  Hoje o ser humano vive a desumanização, os falsos valores do consumismo, que destroi a si próprio e o planeta em que vive quebrando os laços em que interligam com a criação.
  Devemos como cristãos discipulos de Jesus indignado, fazer com que as comunidades cristãs se tornam " Casa do Pai", uma casa acolhedora, onde ninguém fecha as portas e ninguém exclui.Ao mesmo tempo em que ninguém se sinta rejeitado e excluido.
  Onde possamos ouvir o grito e o sofrimento dos que mais sofrem e não o nosso próprio interesse pessoal.
  Uma casa onde possamos invocar a Deus como Pai, porque nos sentimos os Seus filhos amados e procuramos viver como irmãos.
  Queremos mudar o mundo, é o desejo de nossa indignação, construir novos valores e novas relações, que superem a lógica do consumismo e da shoppingzação.
  Ao purificarmos o nosso templo, nós devemos mudar as nossas relações pessoais, nossa mentalidade que tem nos regido, mesmo querendo mudar a sociedade e o mundo ainda, temos os genes da sociedade capitalista e do mercado.
  O tempo da Quaresma é um tempo de reflexão, recolhimento, de pensarmos sobre as nossas atitudes e atos.E devemos estar conscientes de que somos templos vivos de Deus, e com este titulo valemos mais do que todas as igrejas, catedrais do mundo, bem como todos os shoppingcenters, templos do deus mercado.
   " NÃO TRANSFORMEM A CASA DE MEU PAI NUM MERCADO"
   ______________
  * Membro da Equipe da Pastoral Operária da Arquidiocese de Pelotas RS

Nenhum comentário: