2 de fev de 2013

Pesquisas do Fórum de Davos e do WWF permitem traçar cenários para 2013


Fórum Econômico Mundial divulga relatório sobre o Índice de Confiança Econômica, enquanto o WWF lança levantamento sobre empresas que investem em energia limpa.
Por Jorge Abrahão*
O Fórum Econômico Mundial reunido em Davos, na Suíça, divulgou os resultados do Índice de Confiança Econômica, uma pesquisa feita com 390 especialistas que avaliou o teor de confiança em relação a cooperação, economia e governança global.
O item dessa pesquisa que mais causou preocupação foi o relacionado à governança global, em que mais da metade dos entrevistados alegou ter pouca ou nenhuma confiança e apenas 14,6% disseram estar otimistas. Quando se trata de governança global, a responsabilidade não é apenas do governo, mas também das grandes empresas e de líderes de uma forma geral.
Outro ponto que discute sobre líderes é o quesito referente à cooperação global, em que apenas 24,6% dos entrevistados disseram confiar.
No Brasil, ao contrário do que ocorre em outros países, os empresários estão sendo vistos com bons olhos. Outra pesquisa realizada no Fórum de Davos colocou o país em quarto lugar no quesito “otimismo dos executivos”. O Brasil foi citado por 15% dos 1.330 presidentes como um dos três mais importantes países para o crescimento das empresas.
Esses dados colocam em discussão um grande desafio para 2013, que é o de criar lideranças mais confiáveis. Necessitamos de uma governança global adequada, que tenha em mente os preceitos do desenvolvimento sustentável e esteja comprometida com eles. Esse compromisso é a única forma de reverter a crise econômica que vivemos atualmente. O Brasil está em posição de destaque e podemos atribuir isso ao fato de que é um dos países que mais investem em energias renováveis e em projetos sociais.
E as empresas têm um papel fundamental em criar essas lideranças. E é necessário que elas tenham em mente o que comentamos tantas vezes: o desenvolvimento sustentável. Para que criar uma liderança confiável é preciso mostrar à sociedade seu comprometimento com o futuro e com seus impactos sobre sociedade e o meio ambiente. É preciso ações que diminuam tais impactos e mostrem o quanto a empresa está disposta a evoluir, desde que não prejudique a sociedade e o meio ambiente.
WWF: empresas e energias renováveis
Nesse caminho de se criar uma liderança confiável que rume para o desenvolvimento sustentável, uma pesquisa do WWF chamada Energia Adiante: Por Que as Maiores Empresas do Mundo Estão Investindo em Energia Renovável mostrou que, no que tange às emissões, as empresas estão indo bem. De acordo com a pesquisa, seis em cada dez das maiores empresas do mundo estão investindo em energia renovável, com metas para reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2), metano e outros gases de efeito estufa, com o uso de fontes de energia limpa, como painéis solares.
O relatório concluiu que as práticas de energia renovável estão se tornando padrão e preocupação para algumas das empresas mais rentáveis do mundo. Além disso, 14% dessas companhias criaram metas específicas para usar energia limpa.
No Brasil, um exemplo de iniciativa empresarial que temos é o Fórum Clima – Ação Empresarial sobre Mudanças Climáticas, que tem contribuído para o avanço da agenda de clima em nosso país. Criado para acompanhar os compromissos da Carta Aberta ao Brasil sobre Mudanças Climáticas, o Fórum Clima é composto por empresas e organizações que acreditam que o setor empresarial pode dar uma contribuição decisiva à necessária transição mundial para uma economia de baixo carbono, aproveitando novas oportunidades de negócio e, ao mesmo tempo, reduzindo significativamente os impactos negativos das mudanças climáticas globais sobre o planeta. O grupo conta com a participação de 17 empresas e duas organizações apoiadoras. O Instituto Ethos é responsável pela secretaria executiva do projeto.
Uma das ações do Fórum Clima foi criar uma meta de redução de emissões nas indústrias da construção civil, a qual foi assumida pelo Grupo de Trabalho Engenharia e Construção Civil, liderado por construtoras como a Andrade Gutierrez, a OAS, a Camargo Corrêa e a Odebrecht. As empresas publicaram o inventário de suas emissões de GEE e as monitoram com a meta de reduzi-las em 30% até 2030. Uma oportunidade para alcançar essa meta está em construções verdes que incorporem a sustentabilidade em sua gestão.
Esperamos que essas ações se espalhem para outros setores e que as empresas invistam cada vez mais em projetos que tragam benefícios tanto econômicos quanto para  ambientais e sociais.
* Jorge Abrahão é presidente do Instituto Ethos.
fonte: http://www3.ethos.org.br/
28/1/2013

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