22 de mar de 2013

Seguir Jesus Crucificado

 Júlio Lázaro Torma*
                            " Desejei ardentemente comer convosco esta ceia da Páscoa
                              antes de sofrer"
                                           ( Lc 22,15)
   Neste final de semana celebramos o " Domingo de Ramos", o inicio da Semana Santa, da " Grande Semana", a " Semana das Semanas".Para nós cristãos e cristãs é a mais importante das semanas, onde celebramos o centro da nossa Fé, que é a entrega, morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
   Somos convidados a ler, meditar e rezar o Evangelho de Lucas, os relatos do livrinho da " Paixão e Ressurreição de Jesus"( Lc 22, 14-23,56).
  Onde nos é apresentado a última ceia, Pedro, Judas Iscariotes, multidão, Simão Cirineu, piedosas mulheres ( carpideiras) e o bom ladrão.
   Olhando as pessoas envolvidas nos trágicos episódios do martírio de Jesus, nós podemos nos encontrar em cada um deles.
   Assim como nos anos de 80-100 d.C, havia também nas comunidades lucanas pessoas que aderiam, havia os que negavam, traiam a fé no projeto de vida trazida por Jesus de Nazaré.
   O homem carregando o cântaro, nos mostra que está tudo fora do lugar, fora do tino, pois carregar cântaro é trabalho para escravo e mulheres, na cultura semita como na greco-romana.Jesus se põe á mesa e se entrega por nós no sacrifício da cruz, ao se oferecer na forma do pão e do vinho.Onde pede para fazer em " memória de mim"; fazer a memória de Jesus é viver, assumir o seu projeto, viver a sua vida e ter os mesmos sentimentos em que ele teve, que moveu a sua vida no anúncio do Reino de Deus.
  Ao viver está caminhada em comunidade encontramos obstáculos,pois viver a vida de Jesus é assumir a cruz, ela exige renúncia e entrega total, onde eu devo ser servo, seguir aquele que se fez servo( Is 50,4-7; Fl 2,6-11).
  No seguimento encontramos aqueles que acreditam que devem ser melhor que o outro.Mas se esquecem que devem servir e não ser servido.Onde caem no carrerismo e na competição, exibicionismos, que tem ferido e sangrado muito a Igreja o corpo Místico de Cristo ( I Cor 12,12).
  Muitas vezes somos Judas Iscariotes que traem o projeto de Jesus, nos afastamos da comunidade, Judas não foi expulso, ele se auto-afastou ao trair Jesus.Retorna as velhas práticas ao projeto de morte do anti-reino.Ao se deixar seduzir pelos benesses do reino deste mundo, dos falsos valores que contradizem o programa de Jesus de Nazaré.
  Pedro que professa a fé em Jesus em nome da comunidade( Lc 9,20), reconhecendo-o como " O Cristo de Deus", fraqueja e o nega três vezes.diante das dificuldades, onde parece que estamos só, com os pés fora do chão, fraquejamos,da pressão negamos a nossa fé com medo das represárias, chacotas e de sofrermos até o martírio.
  E diante do poder de Pilatos e Herodes, a multidão pede a morte de Jesus do autor da Vida.Manipulados pelos falsos valores do capitalismo, neoliberalismo e do consumismo desenfreado, nós trocamos o projeto de vida que liberta, por um projeto de morte que é um programa duvidoso e caímos na armadilha, como falava Pedro as multidões; " Agora irmãos, sei que o fizestes por ignorância"( At 3,17).
  O caminho da cruz é doloroso,Jesus após sofrer um julgamento injusto, falso, forjado, contraditório nas mãos do sinédrio, de Pilatos e Herodes, agora condenado pela religião e pela política, agora vai carregar a cruz até o Calvário.
  No caminho encontram Simão Cirineu, que a escolta obriga a levar a cruz, um cortejo no meio da multidão.
  Simão Cirineu é solidário á Jesus ele carrega a cruz, divide o peso da cruz, daquele desconhecido.Olhamos para o Cirineu, ele é solidário com a dor do outro, prontamente assume a sua causa e sua dor.
  E vemos as mulheres " carpideiras" que o segue pelo caminho, Jesus lhes lembra a dura realidade da destruição de Jerusalém e de sua pátria.
  No Calvário fora dos muros da cidade, longe do poder na periferia, mais uma vez Jesus é rejeitado, como aconteceu no seu nascimento, onde nasce na periferia do mundo, na gruta entre os pastores.Agora ele é rejeitado e morto, é assassinado, como um criminoso, deliqüênte,terrorista, entre dois ladrões, como diz o profeta; " Ele foi contado entre os malfeitores" ( Is 53,12).
  O inocente é barbaramente condenado e morto como o pior dos piores criminosos que a terra já viu.
  Assim como naquela noite os pastores acolhem Jesus no seu nascimento; no seu suplício da dor e da morte, um deliqüente se arrepende e adere ao projeto de JESUS,"onde os últimos serão os primeiros",contrariando os discípulos que queriam ser os primeiros.
  No Natal aparece a luz que ilumina a longa noite, agora no meio da tarde, as trevas tomam conta, a morte e as trevas matam a vida e o principio de toda a vida.
  O pecado que mata Jesus, mata ea humanidade, destrói a criação e a nossa relação com os outros, Deus e com toda a criação que acaba submetida pelo nosso egoísmo e desamor.
  Somos chamados a pegar a cruz; " Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me"( LC 9,23).
  Onde ao viver o programa de Jesus devemos saber que devemos sofrer perseguições, vamos cair por terra e até sofrer o martírio a incompreensão das pessoas, as vezes daqueles que mais gostamos e amamos.
   Ao olharmos para Jesus, nos, nos perguntamos se estamos dispostos a segui-lo?
   Tomar a sua cruz e sofre as conseqüências?
   Ou somos como Judas que trai?, Pedro que nega?, 
   Simão Cirineu que é solidário? , as mulheres que choram impotentes?
   Ou como o bom ladrão que no alto da sua cruz no Calvário, assim como o centurião romano, adere e reconhece Jesus como Libertador da humanidade?
   Este reconhecimento só acontece quando estamos dispostos a fazer uma opção preferencial pelos pobres, ai sabemos se de fato assumimos a cruz de Cristo.
   Ou ficamos num piedismo opaco e desvinculado do verdadeiro Jesus que derramou o seu sangue na cruz e morreu como deliqüênte na periferia a mando dos donos do poder político e religioso.
   Nesta Semana Santa pensamos se estamos mesmo dispostos a assumir de fato a cruz de Cristo e enfrentar as conseqüências que está opção acarretará ou não.
   E refletir diante da cruz de Cristo quem eu sou afinal?  e o que eu desejo de fato?
         Boa meditação e bom final de semana
                 Lc 22, 14-23,56

     * Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas/ 

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