23 de jun de 2013

Somos Passivos?


                                     Júlio Lázaro Torma*
   O Filósofo e pedagogo Ivan Illich( 1926-2002), escrevia que " quem vive no silêncio é ingovernável".
   Nos últimos dias estamos vivendo em nosso país uma onda de protestos de norte a sul.
   Onda esta que teve como estopim o abusivo preço das tarifas e a precarização do transporte coletivo nas regiões metropolitanas do sudeste.E que chegou nas cidades do interior ao Brasil profundo, onde o povo vivia conformado com a situação em que vive.
    Diante da onda de protestos que sacode o país podemos elencar os povos indígenas e quilombolas que após 513 anos tapados e esquecidos,se levantam com garra para se apropriarem do que realmente lhes pertence de suas terras que foram roubadas pelo estado e entregue para famílias tradicionais e grileiras que se adonaram de várias hectares que realmente pertencem de fato e de direito aos povos originários.
   Os fatos que nós estamos vivendo e que o mundo inteiro olha admirado.Tem mostrado a outra face oculta,acoberta da sobre o povo brasileiro diferente daquela vendida pelas ellites e pelos sucessivos governos.
   De que o Brasil é a terra da " putaria", da " patifaria",do que tudo é permitido.Um povo pacífico, que curte sol,praia, futebol e carnaval, que leva tudo na brincadeira,gozação.Onde os políticos, latifundiários,empresários,banqueiros fazem e acontece e tudo fica numa boa.
   Mas se olharmos para  o povo brasileiro temos visto que o brasileiro não é um povo pacífico,passivo,trouxa,mané,como é a imagem vendida lá fora e colocada para os filhos da " Pátria amada Brasil", da " Mãe gentil",pela mídia, pela burguesia nacional, transnacional e as forças repressivas do estado.
   Ao longo da História oficial da chegada de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, naquela manhã de  1500, até agora a história de Pindorama foi uma história de resistência dos povos indígenas,quilombolas,escravos,mulheres e dos pobres das cidades e do campo á violência estatal.
  Onde ao longo da História Oficial que reprimiu e escondeu os indesejáveis, tivemos as lutas de resistência silenciosa dos povos originários e tradicionais.
    Povos estes que foram massacra dos como os Sete Povos das Missões, Palmares,Balaiada, Muckers, Canudos, Contestados, Monges Barbudos, as lutas dos escravos africanos por libertação,revolta dos três vintém,lutas operárias,revolta da Chibata, Coluna Prestes, revolta da vacina, as ligas camponesas, a luta da legalidade, resistência a ditadura militar ( 1964-1985), as greves do ABC, a retoma da da luta pela terra em Encruzilhada do Natalino e Fazenda Annoni ( RS), o processo de redemocratização do país.
   Se a luta do povo nestes cinco séculos foram de reivindicativas,a repressão estatal foi muita mais violenta e cruel em cima da população carente e descontente que não tem acesso aos seus direitos básicos.
   Quantas vezes olhamos os nossos direitos sendo rasgados e pisoteados pelas elites e nos esquecemos que estes direitos foram frutos de muita luta ,que muito sangue, suor e lágrimas foram derramados e que isso não é fruto da bondade da burguesia nacional e transnacional.
   O povo brasileiro não é trouxa e nem passivo, termo usado muitas vezes de maneira pejorativa em relação aos pacíficos.
   Mas é um povo ativo que vai a luta em busca de seus direitos que não tem mais medo,assim como nunca teve.
   Um povo que ao longo destes cinco séculos de silêncio tem demonstrado que ao mesmo tempo tem garra, valentia para trabalhar,lutar e resistir a violência dos aparelhos da burguesia.
   Pois o estado deve estar a serviço do cidadão e não o cidadão submisso e curvado diante de um estado servil aos interesses da burguesia nacional e transnacional.
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  * Membro da Equipe Arquidiocesana da Pastoral Operária de Pelotas/ RS

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