23 de out de 2013

Amazônia apresenta 'grande risco de perda de árvores'

Autor: Alex Kirby   -  
Fonte: http://www.institutocarbonobrasil.org.br/noticias2/noticia=735473
Fonte: Climate News Network

Parte da floresta tropical amazônica pode ser mais vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas do que se pensava anteriormente, afirma estudo

Pesquisadores dizem que a parte sul da floresta tropical amazônica está em um risco muito maior de perecer do que apontam os modelos usados no mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).
A equipe de pesquisa, liderada pela professora Rong Fu, da Universidade do Texas, afirma que isso é porque a floresta está ‘secando’ muito mais rapidamente do que o previsto.
O grupo usou medições de precipitação terrestre das últimas três décadas. Os resultados mostraram que, desde 1979, a estação seca no sul da Amazônia durou cerca de uma semana a mais em cada década.
Ao mesmo tempo, a estação anual de incêndios se tornou maior. Os pesquisadores colocam que a explicação mais provável para as estações secas cada vez mais longas é o aquecimento global.
“A estação seca no sul da Amazônia já restringe a manutenção da floresta”, observou a professora Fu. “Em algum momento, se ela se tornar longa demais, a floresta tropical atingirá um ponto crítico.”
Ela comentou que a duração da estação seca é o fator climático mais importante que controla o sul da floresta tropical amazônica. Se a estação for muito longa, a floresta não sobreviverá.
Se o dano for suficientemente severo, os pesquisadores declaram que a perda da floresta tropical pode emitir um grande volume de dióxido de carbono para a atmosfera, e pode também prejudicar comunidades de plantas e animais em uma das regiões mais ricas em biodiversidade do mundo. O estudo foi divulgado no Proceedings of the National Academy of Sciences.
Os novos resultados também contrastam com as previsões feitas pelos modelos usados pelo IPCC: mesmo sob cenários futuros em que os gases do efeito estufa aumentem dramaticamente, esses modelos preveem que a estação seca do sul da Amazônia será no máximo dez dias mais longa até o final do século, e que o risco de perecimento da floresta tropical induzido pelas mudanças climáticas deve, portanto, ser relativamente baixo.
Chuva limitada
A professora Fu e seus colegas dizem que a água armazenada no solo florestal ao final de cada estação úmida é o que as árvores têm para sobreviver nos meses secos. Quanto mais durarem os meses secos – independentemente de quão úmida foi a estação das chuvas – mais estressadas as árvores se tornam e mais suscetíveis elas ficam a incêndios florestais.
Eles afirmam que a explicação mais provável para a extensão da estação seca nas últimas décadas é o aquecimento global causado pelo homem, que inibe as chuvas de duas formas: Torna mais difícil para o ar quente e seco perto da superfície subir e se misturar com o frio e úmido acima; e bloqueia as incursões de frentes de clima frio de fora dos trópicos que poderiam desencadear a precipitação.
A equipe declara que os modelos climáticos do IPCC representam mal esses processos, o que pode explicar por que eles preveem uma estação seca amazônica apenas um pouco mais longa.
A floresta tropical amazônica normalmente age como um sumidouro de carbono, capturando CO2 atmosférico e armazenando-o. Mas, durante uma severa seca em 2005, isso se inverteu, liberando um petagrama de carbono (um bilhão de toneladas – cerca de um decimo das emissões humanas anuais) para a atmosfera.
Fu e seus colegas estimam que se as estações secas continuarem a se alongar a apenas metade da taxa vista nas últimas décadas, a seca de 2005 na Amazônia pode se tornar a norma em vez da exceção até o final deste século.
Alguns cientistas acreditam que a combinação de estações secas mais longas, temperaturas superficiais mais altas e florestas mais fragmentadas causadas pelo desmatamento pode eventualmente converter muito do sul da Amazônia de floresta tropical em savana.
Já que a Amazônia norte-ocidental tem muito mais precipitação e uma estação seca mais curta do que a sul, os pesquisadores acreditam que essa região é muito menos vulnerável às mudanças climáticas.
Traduzido por Jéssica Lipinski
Leia o original no Climate News Network (inglês)

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