12 de jan de 2014

O Átrio dos Gentios

                                Júlio Lázaro Torma*
                           " Para que o diálogo e a comunicação sejam eficazes e fecundos
                              é necessário estar sintonizados numa mesma freqüência, 
                              em âmbitos de encontros amigáveis e sinceros".
                                                                 ( Papa Bento XVI)
 Por iniciativa do Pontifício Conselho da  Cultura e  do Cardeal Gianfranco Ravasi e com apoio dos Papas Bento XVI e Francisco. A Igreja tem desde 2010, buscado diálogo aberto, amigável e sincero com o mundo, como falava o Papa emérito Bento XVI, ao anúnciar o " Átrio dos Gentios", na qual a " Igreja deveriá abrir uma espécie de Átrio dos Gentios", para dialogar com as diversas formas de pensamentos encontrados na cultura contemporânea.
  O Átrio dos Gentios, remete a uma grande esplanada que cercava o templo de Jerusalém e que foi construido no tempo de Antioco III ( 223-187 a.C), o átrio dos " goyim".
   Segundo as leis da época do Grande Templo, um estrangeiro não poderiá pisar no Templo,pois poderia ser assassinado por ter violado e profanado o Santuário.
   Em 1871, o arqueólogo e orientalista Charles Clermont Ganneau ( 1846-1923), encontrou a seguinte inscrição, advertindo o intrussso pagão:
   " Nenhum estrangeiro pode entrar no interior da balaustrada e da cerca que circundam a esplanada do Templo; seguir-se à a morte de quem for apanhado".
  Nesta esplanada ficava os sacerdotes e rabinos que dialogavam com os estrangeiros que queriam conhecer a Religião Judaica.E neste local Jesus diálogava e ensinava as pessoas que o procurava para escutá-lo.
   Com Jesus, o '' véu do templo se rasgou em duas partes de alto a baixo" ( Mt 27,51), o que separava Deus da humanidade se extingue, pois ele está no meio de nós. Ao mesmo tempo em que não há mais distinção entre judeus e gregos, pois todos nós somos um em Cristo ( Rm 10,12; Gl 3,28).
  Desde os primórdios é missão da Igreja dialogar com outras formas de religião, pensamento e culturas( At 2,1-13;17,16-32).
  Pois como escreve Santo Agostinho de Hipona ( 354-430):" Tudo o que é realmente humano não nos será estranho" e " só podemos amar quem realmente conhecemos".Se nós queremos conhecer algo e encontrar saídas para algum problema devemos dialogar, com respeito, compreensão, sinceridade, diante do outro e de ambos os lados, sem revanchismos.
  Nos últimos tempos a Igreja tem organizado diversas iniciativas de diálogo com pessoas crentes ou não crentes, como os ateus, agnósticos, como foi s iniciativa do Cardeal Carlo Maria Martini ( 1927-2012), quando estava a frente da Arquidiocese de Milão o " pórtico dos não crentes", onde escutava e dialogava com pessoas que tinham formas diferentes da sua de pensar.
  O mundo atual avança em segundo e é necessário a Igreja dialogar com os diversos setores, com o mundo da política, das artes, da música, do esporte, do trabalho, da tecnologia;das ciências como a psicologia, medicina, sociologia, filosofia, literatura, com os ateus, agnósticos e os indiferentes, onde não podemos ficar alheios a sua forma de pensar e nem aos avanços das ciências humanas e exatas.
   Há também a necessidade de dialogar com as pessoas que se interrogam sobre Deus e sobre o sentido da vida. Isso implica abrir instâncias de diálogo com a cultura atual.Serve de inspiração a experiência do Pátio dos Gentios.
   A própria fé necessita de diálogo e dinamismo, não só para aprofundar e saber dar razão dela mesma, mas também para fazer-se permeável e depurar-se de toda a rigidez, de todo o fundamentalismo,de toda a posição deduzida e já incapaz de fecundidade pelo espírito.
  Pois ao dialogar, escutar a opinião dos que pensam diferente, não estamos perdendo a nossa identidade, mas sendo de fato Católica= Universal, aberto a todos, e a todas as formas de pensamento, dos homens  mulheres de nosso tempo, que desejam dialogar, com respeito, amizade e sinceridade.
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  * Membro do Colegiado da Pastoral Operária Nacional

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