3 de fev. de 2014

Proteger a natureza é proteger o homem



Aprendamos a desejar outro modo de vida que passe, primeiramente, pela necessidade de salvar o planeta Terra. (Foto: Divulgação)

Marcus Eduardo de Oliveira

Aprendamos a desejar outro modo de vida que passe, primeiramente, pela necessidade de salvar o planeta Terra. Sonhemos com um mundo em a prosperidade dos homens não esteja centrada na aquisição material, mas sim nas coisas mais simples como respirar ar puro, beber água potável, colher um fruto amadurecido, receber o vento no rosto para, apenas diante disso, perceber como vale a pena viver, como muito bem asseverou o poeta Fernando Pessoa. Deixemos de lado a economia da destruição e rumamos na direção segura de uma economia ecológica que faz da preservação do meio ambiente condição necessária e imprescindível para se atingir bem-estar e equilíbrio. Centremos todos os nossos esforços para tudo aquilo que confere valor à vida: a preservação do espaço natural, das espécies vivas, a contemplação e reverência em todas as dimensões da Mãe Natureza, o viver de forma moderada, consumindo somente o necessário, abandonando o supérfluo, praguejando contra o desperdício, males esses que “alimentam” a cultura da destruição do mundo. Saltemos para outra direção: a de uma vida vivida sob a regência das leis da natureza, e não as do mercado, para que saibamos valorizar o canto dos pássaros, e não o som das buzinas no caótico trânsito das nossas grandes cidades. Deixemos do lado de fora, em qualquer esquina do mundo, esse modelo econômico ora dominante e influente que somente enxerga valor ao aspecto monetário, às finanças, às cotações nas bolsas de valores, à produção excessiva, à produtividade. Em lugar de tudo isso, construamos novos modelos econômicos que sejam caracteristicamente solidários, participativos e inclusivos, que priorizem o patrimônio ecológico, reconhecendo a natureza como suporte (base) da atividade econômica, e que por isso faça a nossa aproximação junto aos laços que embelezam a vida, que promovam harmonia, afetividade, solidariedade, numa relação de contemplação do homem e a natureza.
Saibamos administrar algumas pré-condições econômicas que certamente facilitarão nossa caminhada rumo a um mundo melhor, onde os modelos econômicos procurarão atingir menos produtividade e mais proximidade; menos produção material e mais proteção em todos os sentidos; menos crescimento e mais preservação; menos mercadorias disponíveis e mais bem-estar; menos abundância material e mais abundância de sentido.
Não sejamos obececados pela quantidade, mas sim pela qualidade. Pela qualidade da vida, do viver, do sentir, do contemplar a amizade, a reciprocidade, o afeto entre os pares. Sejamos conhecedores de que o mundo é limitado em matéria de recursos e que não irá, em hipótese alguma, aumentar de tamanho. Não percamos de vista que a nossa imaginação não tem limites, pois é assim, sem limites para imaginar um mundo novo que iremos construir um novo modo de viver. Tenhamos noção de que nada permite esperar que os processos tecnológicos façam milagres e mudem o atual estado de escassez de recursos para o de abundância. Se o desenvolvimento tem alguma finalidade ímpar, daquelas consideradas imprescindíveis, certamente essa é a de promover o progresso do homem em todas as suas dimensões. Para se chegar a isso, é de fundamental importância proteger a natureza, pois isso implica, antes, proteger o homem.
Fonte: http://www.domtotal.com/diario_bordo/detalhes.php?diaId=185
Marcus Eduardo de Oliveira é economista e professor de economia da FAC-FITO e do UNIFIEO, em São Paulo. Contato: prof.marcuseduardo@bol.com.br

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