3 de mai de 2014

O Caminho de Emaús

                               Júlio Lázaro Torma*
                                 " O que é que vocês andam conversando pelo caminho."
                                                                                        ( Lc 24,17)
   Estamos, fazendo o " Caminho da Páscoa", onde neste final de semana somos chamados a meditar sobre os " Discípulos de Emaús".
   A Páscoa celebramos todo o ano. Mas temos uma época especial para celebrarmos a Páscoa da Ressurreição que é este tempo que nos separa o domingo da Páscoa de Pentecostes.
   As comunidades lucanas nos apresentam um fato inédito na qual só elas narram, no seu evangelho que é a caminhada de Jesus Ressuscitado, com dois discípulos para a aldeia de Emaús.
   Os discípulos após os trágicos episódios envolvendo Jesus, onde acontece a derrota final de sua vida e de seu programa, retornam para o seu lar e a sua vida cotidiana. Onde tudo agora acabou e que Jesus foi um eterno fracasso, que eles haviam sido enganados.
   Os dois caminham desolados pelo caminho,segundo alguns exegetas, poderiam ser um casal, Cléofas e Maria ( Jo 19,25), o discípulo anônimo que caminha pela estrada em destino a Emaús.
   Jesus se faz presente no meio deles como um simples peregrino e caminha com eles, um pouco recordando um dos nomes do movimento de Jesus que era o " Caminho" ( At 9,2).
    No caminho Jesus faz uma pequena celebração da Palavra, Homília, onde ele fala do seu sofrimento, retomando tudo o que havia sido dito sobre ele nas Escrituras, na Thorá e nos Profetas. E com eles reparte o pão fazendo o grande gesto da partilha da última ceia pascal( Lc 22,19).
   Assim como nos mostra a pintura do pintor Rembrandt Harmenzoon van Rijn ( 1606-1669), onde nos apresenta na obra " Estrada para Emaús" ( 1640), Jesus caminhando ladeado por dois discípulos um do seu tempo e outro do século XVI.
   Na qual quer nos dizer que ele caminha conosco, com a Igreja até o fim dos tempos.
   Os discípulos estavam como cegos, não percebiam a presença do Ressuscitado que se faz peregrino no meio deles, uma das exigências das comunidades cristãs eram e é acolhida a quem chega, principalmente do migrante, estrangeiro ( Mt 25,31-46).
   Aqui a comunidade encontra e faz a experiência do Cristo Ressuscitado, que está presente no nosso meio. Quando escuta a Palavra de Deus ( Lc 24,25-27) e quando Reparte o Pão ( Lc 24,30), e a sua presença anima a comunidade e faz após se reanimar, fortalecer na mesa da Palavra e da Eucaristia, ser uma Igreja Missionária.
  Assim como em forma física Jesus, enviou os discípulos de dois a dois a evangelizar( Lc 10,1-20), agora os discípulos de Emaús vão reanimar a comunidade de Jerusalém.Toda a comunidade após fazer a sua experiência do Ressuscitado é chamada a dar o seu testemunho ir ao encontro do outro, da periferia, daqueles que a desesperança se abateu.
   Nós não devemos esconder, privatizar a Boa Nova da Ressurreição, mas anunciar a alegria da vida Nova do ressuscitado a toda a humanidade sem fazer distinção de pessoa, credo, cultura ou nacionalidade.
  Jesus se revela na comunidade, e como comunidade devemos seguir caminhando até a sua volta; Emaús não é a última parada, mas sim a continuação da caminhada e ela se torna mais fácil quando fazemos juntos e em comunidade.
                             Lc 24,13-35
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  * Membro do Colégiado Nacional da Pastoral Operária

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