Não há uma Igreja sem as pessoas que se reúnem, pois Igreja já significa convocação.Dizemos que os outros devem mudar. Mudemos a nós próprios.

O que podemos notar na Igreja é a grande quantidade de santos que
souberam usar o poder para servir a Deus no anúncio do Evangelho e
servir ao povo na sua dedicação. Quem seguiu Jesus foi desapegado dos
bens materiais e cuidou dos necessitados, estando sempre a serviço de
todos. Mesmo vivendo nos palácios, souberam viver a santidade do poder
que é a capacidade de servir. Sem muita santidade torna-se impossível
ter o poder sadio. Jesus disse: “Quem entre vós é o maior, torne-se como
o último; e o que governa seja como o servo... Todavia, eu estou no
meio de vós, como aquele que serve (Lc 22,26-27). Jesus soube ter poder.
Temos as fragilidades e os pecados de cada tempo. Se estivéssemos lá
não faríamos diferente. O pior é dar justificativas evangélicas ao que
não tem a ver com o Evangelho de Jesus.
Como sabemos, a Igreja está sempre em conversão, por isso tem sempre
que renovar estruturas humanas para viver melhor o Evangelho. Muitos
reformadores quiseram renovar a Igreja, mas separando-se dela. A doença
se cura no doente e não criando a desunião que é uma doença a mais.
Entre os males dos tempos que grudaram no corpo dos seguidores de Jesus,
está o modo como conduzir o povo de Deus. Moisés dirigia um grande povo
pelo deserto. Era um povo de cabeça dura, como diz a Escritura (Ex
9,32). Ele, contudo era uma pessoa “muito humilde, mais que qualquer
pessoa deste mundo” (Nm 12,3). Moisés nos mostra um caminho. Jesus tem o
mesmo perfil: humildade e simplicidade. Que ganhamos com poder,
autoritarismo e prepotência? Muitos se afastam por culpa deste modo de
agir. Não estamos mais que deixando nos levar por nossos males pessoais e
pelo mal que nos envolve. Será que o Evangelho não é suficiente para
governar o povo de Deus? Se buscarmos este caminho poderemos fazer um
anúncio puro do Evangelho.
Quando dizemos Igreja, no caso a católica, dizemos comunidades que
formam a Igreja. Não há uma Igreja sem as pessoas que se reúnem, pois
Igreja já significa convocação. Ela se faz de pessoas concretas que são
as células que compõe esse Corpo. É nela que acontece a vida e se leva
adiante a evangelização. É na base que se faz a renovação permanente da
Igreja. O povo de Deus é sempre chamado a se organizar de modo a
expressar o Evangelho. O mandamento do amor tem conseqüências práticas e
penetram o modo de agir. É na base que se cria o mundo novo. Sempre
dizemos que os outros devem mudar. Mudemos a nós próprios que todos
serão renovados.
A12, 29-06-2014.
*Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R., é padre e missionário redentorista.
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