17 de ago de 2012

Mudanças Climáticas deslocam espécies marinhas australianas para o sul, diz estudo

O estudo mostra novas evidências de que o aquecimento global está causando mudanças nos oceanos


Uma nova análise publicada nesta sexta-feira (17) pela Organização para a Pesquisa Industrial e Científica da Comunidade da Austrália (CSIRO) revelou que as mudanças climáticas estão levando diversas espécies da fauna e da flora marinhas australianas para o sul, alterando a composição dos ecossistemas da região.
A pesquisa, elaborada por cerca de 80 especialistas em vida marinha, avaliou e comparou dados dos principais trabalhos científicos da área dos últimos três anos, e está sendo considerada a mais abrangente já feita na Austrália sobre mudanças climáticas.
De acordo com os autores, o estudo mostra novas evidências de que o aquecimento global está causando mudanças nos oceanos. Segundo eles, no último século a temperatura da superfície dos mares australianos aumentou cerca de um grau Celsius, o que está levando ao deslocamento de diversas espécies de animais e plantas marinhos para o sul da região, onde as águas são mais frias.
Além disso, as mudanças climáticas alteraram a corrente leste australiana, intensificando-a em aproximadamente 30% desde a década de 1950, o que também ajudou a levar a vida marinha para o sul, segundo os pesquisadores.
“As mudanças climáticas já estão acontecendo; mudanças físicas generalizadas, incluindo o rápido aquecimento do sudeste [da Austrália] e o crescente fluxo da corrente leste australiana. Uma gama de espécies, incluindo plâncton, peixes e invertebrados,é agora encontrada mais ao sul por causa do maior transporte de larvas e indivíduos jovens pela [corrente] mais forte e por causa da alta taxa de aquecimento regional”, afirmaram os cientistas.
O resultado disso é que as espécies de clima temperado estão perdendo seu habitat para as espécies tropicais, o que pode levar a um desequilíbrio ecossistêmico. Além disso, com a maior intensidade das emissões de carbono, os oceanos estão absorvendo mais CO2, o que causa a acidificação das águas, que por sua vez prejudica o desenvolvimento de plantas, peixes e animais com concha.
“Há agora evidências marcantes de extensos movimentos de espécies de peixes tropicais e plâncton em direção ao sul no sudeste da Austrália, declínios na abundância de espécies de clima temperado, e os primeiros sinais do efeito da acidificação oceânica em espécies marinhas com conchas”, diz o relatório.
Apesar das consequências que já foram registradas, os pesquisadores enfatizam que é difícil especificar quais serão exatamente os efeitos que as mudanças climáticas terão na vida marinha. Como e se as espécies se adaptarão às alterações ambientais ainda não é certo.
“Há potencial para animais e plantas mudarem, mas se eles vão ou não depende de como conseguem lidar com as mudanças em seu atual ambiente. Se tal capacidade de aclimatação é generalizada em peixes marinhos tropicais e se alguns processos essenciais [como] a reprodução são significativamente prejudicados é incerto”, comentou Elvira Poloczanska, principal autora do estudo.
Os cientistas também lembraram que, apesar de a primeira vista o aparecimento de novas espécies em determinado local parecer inofensivo, ele pode afetar não apenas o bioma em questão, mas também o ser humano.
No caso dos mares australianos, a chegada de novas espécies pode fazer com que os animais utilizados como alimentos se tornem mais escassos, prejudicando a oferta de comida. Soma-se a isso o fato de que, para haver equilíbrio ambiental, é necessário que haja determinadas espécies em determinados locais, para que cada cumpram sua função biológica.
“O que realmente sabemos é que provavelmente haverá grandes mudanças sobre as quais não podemos fazer muito. Podemos mudar nossas práticas de pesca, mas não podemos ajudar micróbios ou plâncton”, ressaltou Anthony Richardson, ecologista marinho do CSIRO e da Universidade de Queensland.
“Provavelmente nossa maior preocupação e nossa maior incógnita é como a produtividade do oceano mudará. Micróbios fazem boa parte da reciclagem de nutrientes e se livram de boa parte da poluição que produzimos”, acrescentou Richardson.
Por isso, além de procurar conservar o ambiente, a fim de manter os ecossistemas únicos, que fornecem serviços como defesa costeira, produção de oxigênio, reciclagem de nutrientes e regulação climática, os pesquisadores lembram que é importante que as pessoas comecem a se adaptar às mudanças na vida e nas características marinhas.
“Nossos oceanos nos fornecem toda uma gama de serviços: a cada segundo, o oxigênio que respiramos é fornecido por plantas marinhas; eles fornecem proteína quando comemos peixe e também relaxamento como quando vamos nadar, então é importante tomar decisões sobre o futuro”, concluiu Poloczanska.
Instituto Carbono Brasil

Nenhum comentário: