11 de nov de 2012

Os Guaranis Kaiowá

                                   Júlio Lázaro Torma*
                                    " Aqui o boi vale mais que uma criança guarani"
                                                           ( Guarani kaiowá Anastácio)
   Sou descendente de europeus, fisicamente sou europeu,meus antepassados vieram das Ilhas dos Açores ( Portugal),País Vasco ( Espanha) e Emilia Romagna ( Itália).E corre nas minhas veias o sangue indígena Charrua, única herança deixada pela minha avó paterna.
 Os charruas povo que habitava o sul do Rio Grande do Sul e a República Oriental do Uruguay,eram ótimos cavalarianos e responsáveis pelas boiadeiras.foram exterminados pelo presidente uruguaio Flutuoso Rivera,num churrasco macabro e da traição,alguns deles foram levados a Paris como atração exótica num Circo ou Zoológico humano na cidade luz.
  Acima de tudo sou Brasileiro,com orgulho.E nem por isso devo deixar de dizer e escrever o que penso. Ou até por isso mesmo.
  Tenho acompanhado a luta indígena há anos e dos guaranis kaiowá  da região de Dourados ( MS), desde 1997,onde coletei assinaturas pela demarcação de suas terras nas residências da comunidade em que resido.
  Eis que o Brasil em 1500, havia 5 milhões de habitantes divididos em 900  povos, que falavam 2 mil idiomas,que já viviam aqui á mais de 42 milhões de anos antes da chegada dos colonizadores europeus.
  Passados 512 anos da chegada dos colonizadores e do capitalismo em terras de Pindorama, temos visto o massacre silencioso e diário,extermínio dos povos originários.
 Pode ser através da ideologia do branquiamento,acobertamento,limpeza étnica,onde se diz que não existe racismo no país.
  O caso dos povos indígenas vem mostrar o contrário do que a ideologia dominante e ufanista no Brasil mostra ao mundo,de um país igualitário e sem racismo.
  Onde a população originária é o que mais sofre, sem direitos básicos a saúde, terra, moradia e trabalho.Além de estarem confinadas em verdadeiros campos de concentração.
Como o caso de 700 índios guaranis confinados em 1 hectare e do outro lado vemos uma fazendo com 10 mil hectares de um proprietário.
  Um boi precisa de 1,5 hectares,segundo os ruralistas.Ai podemos ver que o ser humano vale menos que o boi.Além de vermos produtores rurais jogando recipientes de agrotóxicos nas reservas indígenas,como se  não tivessem moradores ou que fossem lixões.
  O caso dos 170 Guaranis Kaiowá( 50 homens, 50 mulheres, 70 crianças) de Pyelito Kue nos chama atenção ao seu grito de suicídio coletivo se forem expulsos de suas terras ancestrais.
  De 2003-2010, 555 guaranis se suicidaram.O suicídio é sinal de desespero e falta de perspectivas em relação ao futuro. Ao tirar o índio de sua terra a sociedade brasileira e o estado brasileiro estão o assassinando e fazendo com que ele morra.
  Em nome do agronegócio e das transnacionais,o estado brasileiro se converte em cavalo do comissário,expulsando os de suas terras,as entregando as transnacionais.
  Para a extração de recursos minerais, criação de gado,monoculturas como soja,cana de açúcar,fruticultura e florestamento,como a construção de hidrelétricas que atira milhares de hectares no fundo de lagos artificiais que vão beneficiar o capital estrangeiro.
  Aqui no Brasil como cantava Renato Russo( 1960-1996), " Ninguém respeita a constituição" e querem " Vamos faturar um milhão.Quando vendermos todas as almas de nossos índios num leilão".
  Eis que como canta a banda pop Maná:" Quando teremos democracia?, Quando acabaremos com a burocracia?"
  está é a pergunta, se somos um país democrático, os nossos povos originários devem ter o seu direito a vida digna respeitada, bem como a demarcação de suas terras homologadas. Tirar a terra do índio é tirar a sua vida, dignidade e o mata-lo.
  Ninguém quer ser expulso de sua terra ou casa?, alguém quer?
  Numa sociedade que se valoriza tanto o sagrado direito de propriedade de alguns.Não se aceita que outros os espoliados desta sociedade á tenham, direito de viver em paz nas suas terras.
  " Estamos exigindo todo respeito.Respeito ao índio e a sua dignidade" ( Maná), pela imediata demarcação das terras indígenas e desapropriação das grandes propriedades em áreas indígenas, não expulsão dos povos originários de suas terras.
  Que o índio seja respeitado e valorizado como ser humano e não os interesses econômicos de grupos estrangeiros e de estrangeiros que se apossam de nossas terras.
 Até quando teremos que ver índios assassinados,morando em beiras das rodovias,passando fome,pobres num país rico e cuja terras já foram deles.E a pergunta que fica para nós todos fazer " Que País é esse?" e " Brasil mostra a tua cara".
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  * Membro da Equipe da Pastoral Operária Arquidiocesana de Pelotas /RS

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