5 de fev de 2013

O Amor de Deus



Frei Mauro Alves da Rosa, ofmcap
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Podemos falar de amor de várias formas: amor físico, amor platônico, amor materno, amor a Deus, amor à vida. O amor possui muitas conotações, mas essa diversidade de termos acaba criando uma dificuldade para definirmos o que é o amor. Isto ocorre não só nos idiomas modernos, mas também no grego e no latim.

O grego possui várias palavras para amor, cada qual denotando um sentido diferente e específico. No latim, encontramos amor, dilectio, charitas, bem como Eros, quando se refere ao amor personificado numa deidade, numa pessoa que se admira. Amar também tem o sentido de gostar muito e, sendo assim, torna-se possível amar qualquer ser vivo ou, até mesmo, um objeto.

Mas, qual a compreensão cristã sobre o amor?  A compreensão cristã é que o amor vem de Deus, porque Deus é amor, o amor é uma virtude teologal. O amor do homem e da mulher (éeros, em grego), bem como o amor altruísta (ágape), são frequentemente contrastados como um amor "ascendente" e "descendente", respectivamente. Mas, estes dois tipos de amor são, em última instância, a mesma coisa.

Não sei se existe uma teologia sobre o amor, mas existem teólogos e pensadores cristãos que escrevem sobre o amor. Os teólogos cristãos vêem Deus como fonte de amor, aquele espelhado no ser humano e em seus próprios relacionamentos amorosos. Entre esses especialistas, podemos citar C. S. Lewis, influente teólogo anglicano, que escreveu vários livros sobre o amor, especificamente o The Four Loves (Os quatro amores). O Papa Bento XVI, na sua encíclica Deus Caritas Est (ou seja, Deus é Amor), também pretendeu refletir sobre o amor divino para com o ser humano e a relação entre o ágape e o eros.

Falar de amor hoje em dia pode ser algo estranho, mas, o ser humano nasceu para viver no amor, para o amor e com amor. Quando se ama alguém, procura-se conhecer  sua vontade e cumpri-la.  Jesus Cristo deu-nos um mandamento novo que é de nos amarmos uns aos outros como Ele mesmo nos amou. Pois, é no amor de um ao outro que nos reconheceremos como discípulos de Jesus Cristo (Cf. Jo 13,34-35).

Nos evangelhos e especificamente no evangelho e nas cartas de João o acento principal é o amor. Na primeira carta, João escreve: “Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e chega ao conhecimento de Deus. Aquele que não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor. (1Jo 4,7-8)  O discípulo amado retoma o tema da caridade fraterna, pois é pela caridade que a comunidade vai ser reconhecida como discípula de Jesus. A caridade, e não a esmola. A caridade desprendida de toda ambição manifesta o amor de Deus entre os homens e no meio da comunidade. Todo cristão, toda a comunidade são “espelhos ou ‘portadores (as) de Cristo para os outros seres humanos (C.S Lewis).

Neste sentido, a caridade  “é um amor dirigido a um vizinho, alguma pessoa, que não possui nenhuma qualidade adorável que o objeto do amor possui. (C.S Lewis, In os Quatros Amores). Pela caridade, “mantém-se viva a esperança em meio às injustiças e adversidades.” (Documento de Aparecida nº 26).

Conforme Lewis, o cristianismo inverte a lógica: "o mundo não existe principalmente para que possamos amar a Deus, mas para que Ele possa amar-nos (C.S Lewis, In os Quatros Amores). E este Deus que nos ama caminha ao nosso lado. O Deus apresentado por Jesus é um Deus amoroso e com compaixão.

Assim, todo cristão deve “experimentar o amor de Deus de forma verdadeira e não ilusória, portanto, é experimentá-lo como nossa rendição à Sua exigência, nossa conformidade ao Seu desejo. (C.S Lewis, In os Quatros Amores). Ou seja, “Amar a Deus com todo o teu coração, mente e força e amar ao teu próximo como a ti mesmo (Marcos 12-31).

O amor de Deus pelo ser humano é como o amor do pai pelo filho mais novo que  esbanjou todos os bens em festas. Alegra-se com a volta do filho e faz festa. Assim sendo, podemos dizer que o amor de Deus é um “amor paciente”.

O amor é paciente, o amor não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará. (1Cor 13:4-8).

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