23 de set de 2013

Evidências da influência humana no aquecimento global são "esmagadoras"

Um grupo de investigadores destaca que há cada vez mais dados que comprovam que as emissões de gases do efeito de estufa resultantes das atividades humanas são uma das causas das mudanças climáticas.
Investigadores do Grupo Earth League, que reúne alguns dos mais renomados climatologistas do planeta, atestam que as mudanças climáticas são antropogénicas.
A poucos dias de o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) publicar o seu novo relatório, investigadores do Grupo Earth League, que reúne alguns dos mais renomados climatologistas do planeta, atestam que as mudanças climáticas são antropogénicas.
Segundo a declaração dos estudiosos, as evidências de que o aquecimento global é causado ou influenciado pelo homem são “esmagadoras”: dos quase 14 mil artigos climáticos publicados sobre o aquecimento global, apenas 24 negavam o fenómeno ou que as suas causas eram provenientes da ação humana.
Entre os signatários da declaração estão Sir Brian Hoskins, do Instituto Grantham para Mudanças Climáticas do Imperial College de Londres, e Carlos Nobre, Secretário do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
Para o Earth League, mesmo um aquecimento de 2ºC, ou seja, aquele delimitado internacionalmente como "seguro", pode trazer consequências mais sérias do que as previstas anteriormente: até 2300, o aumento do nível do mar poderia chegar a 2,7 metros em relação à altura atual – entre outras consequências.
O grupo afirma que, se os seres humanos continuarem a não agir, usando combustíveis fósseis e não limitando as emissões de gases do efeito de estufa, o mundo pode chegar a um aquecimento de 4ºC até o final do século ou até antes.
E esse aquecimento médio de 4ºC poderia significar consequências ainda mais graves para algumas regiões como, por exemplo, os polos, que costumam concentrar o calor absorvido pelo planeta. De acordo com os pesquisadores, nessas regiões o aquecimento poderia chegar a 8ºC, tendo grandes impactos nas massas continentais da América do Norte e Eurásia.
A declaração do grupo continua, afirmando que esse aquecimento de 4ºC mudaria dramaticamente a Terra, e alguns litorais e ilhas inteiras submergiriam devido ao aumento do nível do mar, e mais ondas de calor causariam a diminuição de colheitas e até a perda de vidas.
“Apesar da afirmação errónea de que o aquecimento global já parou, evidências mostram que uma vez que os conhecidos impactos do El Niño, aerossóis vulcânicos e variabilidade solar são retirados das observações, a tendência de aquecimento do sistema oceânico-atmosférico é ininterrupta; e que isso continuará [potencialmente até 4ºC] a menos que sérias ações de mitigação sejam tomadas”, diz o grupo.
“Que o aquecimento global continua inabalável na última década é confirmado pelas medições oceânicas. Noventa por cento do calor adicional que a Terra absorve é devido ao aumento dos gases do efeito de estufa armazenados nos oceanos, e os milhares de robôs de mensuração científica no oceano provam que eles continuam aquecendo a um ritmo constante. Enquanto isso, satélites mostram que os níveis do mar também aumentam de forma constante”, continuaram eles.
“As duas últimas décadas foram pontuadas por secas devastadoras (como o dilúvio do Paquistão em 2010) que pode estar relacionado a uma reestruturação da circulação atmosférica. Os sinais do clima estão expressos pelo derretimento acelerado do gelo marinho do Ártico e pela retração da maioria das geleiras no mundo todo para todos verem. E isso é apenas o começo. Embora a ciência climática nos diga apenas o que pode acontecer e não o que fazer sobre isso, sentimos que a inação é uma perspetiva inaceitável”, acrescentaram os cientistas.
Já outros dados, do Coupled Model Intercomparison Project (CMIP5), são ainda mais pessimistas: apontam um aumento de 6ºC nas temperaturas planetárias até 2100 comparadas aos níveis pré-industriais caso não haja nenhuma ação de mitigação. As consequências, nesse caso, seriam ainda piores.
Felizmente, os investigadores indicam que pelo menos ações estão a ser tomadas por parte de algumas instituições.
“Em resposta a esses factos e números alarmantes, instituições políticas cruciais (tais como o Conselho de Segurança da ONU), agências internacionais (como o FMI) e associações empresariais (como o WBCSD) concluem que a prosperidade do ser humano está a ser desafiada. O Banco Mundial tem interesse particular na maioria das consequências evidentes de que a natureza e a civilização teriam que enfrentar um mundo 4ºC mais quente. E o Banco quer aprender quanto uma mudança no ambiente planetário pode colidir com suas estratégias para o desenvolvimento humano mundial e a redução da pobreza .”
Para isso, os cientistas afirmam que as próprias instituições estão a pedir por uma estabilização climática agressiva, embora algumas das consequências já não possam mais ser completamente eliminadas, e eles acreditam que o tempo é curto para que decisões importantes sejam tomadas.
“Instituições globais reconhecem que a ciência fala efetivamente com uma só voz sobre a realidade das mudanças climáticas. Em 2015, a comunidade global quer selar um acordo climático e também substituir as Metas de Desenvolvimento do Milénio por Metas do Desenvolvimento Sustentável. Dois anos é um período muito curto para criar a dinâmica política necessária. Ainda assim o consenso científico cresceu fortemente para garantir uma ação”, concluíram.
Artigo de Jéssica Lipinski do  
 Fonte: Instituto CarbonoBrasil.

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