20 de mar de 2014

O Amor de Cristo



Irmãos, quero que saibais que luta difícil sustento por vós, pelos fiéis de Laodicéia e por tantos outros, que não me conhecem pessoalmente para que sejam consolados e se mantenham unidos na caridade. Que eles cheguem a entender profunda e plenamente o mistério divino, ao conhecer o Cristo, no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência ( Paulo aos Colossenses 2, 2-3).
1. Cristo Jesus, ontem, hoje e sempre! Somos cristãos. Somos discípulos de Cristo. Vivemos envolvidos nele e respiramos sua presença na história de nossa historia. Nos momentos de meditação e de reflexão silenciosa tomamos plena consciência desse que é a imagem do Pai, que não podia dar mais nada para exprimir seu amor e o amor do Pai. Faz o dom de sua vida, morre dando suas entranhas e pela ferida de seu peito, depois de morto, pudemos olhar um ninho de tesouros de sabedoria e de ciência. Diante do amor de Cristo ficamos extasiados. Ao longo de nossa vida somos convidados a conhecer experimentalmente esse amor.
2. Para muitos tudo pode ter tido seu início muito simplesmente: começamos a descobrir Jesus em nossas casas. Os pais nos falaram dele, as imagens e ilustrações nos santinhos do missal da mãe, as missas, o catecismo, as homilias. Aos poucos fomos tendo um conhecimento “nocional” de Cristo. Pode ser que não poucos tenham parado apenas na apreensão de noções a seu respeito: nascimento, milagres, posturas, textos a respeito dele nos evangelhos. Importante e fundamental que todos os cristãos venham a se aprofundar nesse conhecimento “intelectual”. Para tanto existem cursos de formação cristã. Mas isto é pouco.
3. De tanto ler as páginas dos evangelhos, depois de participar de dias de recolhimento e de retiro, muitos foram se dando conta de que esse Jesus é o vivo, o ressuscitado, aquele que está bem perto de nós e, com sua força e seu espírito, ele vai fazendo conosco nossa história. Não sabemos apenas intelectualmente que instituiu a eucaristia, mas na fé, experimentamos a força desse alimento na consecução de nosso projeto de vida. Em muitos momentos, como os primeiros discípulos, nossos olhos se abrem. “É o Senhor”. Temos a nítida certeza de que ele nos chama, nos interpela. Tudo isso no universo da fé, mas existencialmente.
4. Os que são tocados por Cristo desejam abeirar-se dele e deixar que ele se revele com ajuda das palavras das Escrituras e com suas inspirações. Aos poucos, bem aos poucos, os discípulos sinceros, acolhendo a presença do Ressuscitado vão se dando conta que esse Jesus é a expressão do Pai, revelação do Pai. Ele nos atrai e nos leva ao Pai num jogo de amor contemplativo que não se realiza quando os ruídos, a superficialidade de uma catequese o impedem. Felizes aqueles que, abertos ao mistério, tiveram catequistas e pregadores lúcidos, humildes e competentes para falar dos mistérios de Deus.
5. Ele se apresenta como sabedoria, sabor, experiência saborosa das coisas de Deus. Paulo o diz claramente: em Cristo Jesus estão encerrados os tesouros da sabedoria e da ciência. Na convivência com Cristo, ao longo da vida, na saúde e na doença, no casamento e na viuvez, sacerdotes e religiosos, jovens e menos jovens vão sendo “seduzidos por ele, de modo especial quando contemplam o Coração aberto do Senhor. Sabedoria do amor e ciência da oração, sabedoria em dar mais do que receber, ciência da compreensão de que aquele coração aberto é o coração de Deus. Deixamos para trás um conhecimento frio e passamos a dizer que esse Cristo é o ar que respiramos, o presente que vivemos e o amanhã que esperamos. O amor do coração aberto nos mostra esse Cristo.
6. Na mesma epístola ao Colossenses Paulo afirma que serve à Igreja exercendo o cargo “de transmitir a palavra de Deus em sua plenitude. Esta palavra é o mistério escondido por séculos e gerações, mas agora revelado a seu povo santo. A este Deus quis manifestar como é rico e glorioso entre as nações este mistério: a presença de Cristo junto a vós, a esperança da glória. Nós o anunciamos, admoestando a todos e ensinando a todos, com toda sabedoria, para tornar perfeitos a todos a sua união com Cristo. Para isso eu me esforço com todo o empenho, sustentado pela força que em mim opera” (1, 25-29).
7. Paulo fala do mistério escondido que se revela e que se manifesta mais abertamente na paixão de Cristo e em seu peito aberto. Insiste na necessidade da união com Cristo. Precisamente esta união é que leva ao conhecimento experimental. E os que convivem leal e sinceramente com Cristo Jesus entram no universo da união mística. Ele, o Senhor, opera em cada um. São Boaventura afirma: “Considera, ó homem redimido, quem é aquele que por tua causa está pregado na cruz, qual a sua dignidade e grandeza. A sua morte dá a vida aos mortos; por sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras. Para que do lado de Cristo morto na cruz se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz: Olharão para aquele que traspassaram”.
8. Francisco de Assis foi convivendo carinhosamente com Cristo. Tomás de Celano, um de seus biógrafos, afirma: “Os irmãos que viveram com ele sabem com quanta ternura e suavidade, cada dia e continuamente falava-lhes de Jesus. Sua boca falava da abundância de seu coração e a gente teria dito que a fonte do puro amor que enchia sua alma, jorrava de sua superabundância. Quantos encontros entre Jesus e ele. Levava Jesus no seu coração, Jesus em seus lábios, Jesus nos ouvidos, Jesus nos seus olhos, Jesus em suas mãos, Jesus em toda parte. Durante as viagens também, muitas vezes, de tanto meditar e cantar Jesus, esquecia-se de caminhar e convidava todos os elementos a louvarJesus” (1Celano 115). Estamos diante de um conhecimento todo experimental.
9. Francisco, segundo sólida tradição, teve as chagas de Cristo em seu corpo. No alto do La Verna o Poverello se une como que definitivamente a seu Senhor. Os biógrafos falam de uma oração que teria feito o Serafim de Assis: “Meu Senhor Jesus Cristo eu te suplico que me concedas duas graças antes de morrer: a primeira é que durante a minha vida eu sinta em minha alma e em meu corpo, tanto quanto possível, a dor que, ó doce Jesus, suportaste na hora de tua crudelíssima paixão; a segunda é que eu sinta em meu coração, tanto quanto possível, o amor sem medida de que estavas abrasado e que te levou à tua crudelíssima paixão”. Estamos diante de um conhecimento nada livresco, mas experiencial e místico. Todos somos chamados a conhecer os mistérios de Deus pela janela do Coração de Jesus.
Fonte: http://www.pvf.com.br/o-amor-de-cristo.html#sthash.ItFWNBhh.dpuf

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