(Uma versão ligeiramente modificada deste estudofoi publicada na revista Louvain, nº 97, de abril de 1999) Traduziu: Cecilia Fridman, Rio Negro, PR, Brasil, para o Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo, em 5/7/1999.A questão das
origens do monaquismo cristão é uma das que voltam periodicamente. Sem
dúvida porque se trata de uma questão à qual não se pode oferecer uma
resposta totalmente satisfatória, e novas descobertas em muitas
disciplinas correlatas a colocam sem cessar de um modo diferente.... leia miis:
Um dos maiores indicadores da profunda transformação que está a acontecer na experiência do religioso é a crise que atravessa a vida religiosa tradicional. O elevado número de homens e mulheres que abandonaram as congregações e ordens religiosas, e a crescente falta de vocações, anunciam que o modo atual de vida religiosa cumpriu a sua função e é provável que não tenha continuidade por muito tempo. Porque se chegou a esta situação?
A vida religiosa nasceu na segunda metade do século III e teve a sua primeira grande expansão no século IV. Os primeiros religiosos não quiseram fazer apostolado nem pretenderam transformar a Igreja ou modificar a sociedade. Não se preocupavam com o que deveriam fazer, mas com o que tinham de ser. Pretendiam afastar-se do sistema (econômico, político. legal, administrativo, social e até familiar) dominante do seu tempo para oferecerem um modelo alternativo de ser. E viver em liberdade.
Os motivos que originaram a crise atual estão presentes desde o início da vida religiosa: a pretensão de viver uma vida de anjos, mais perfeita do que a dos outros; uma imagem de Deus afastada do Deus que se revela no Evangelho; e, sobretudo, o puritanismo que desencadeia a mais cruel violência interior de que sofrem os seres humanos. Hoje vemos que a vida assim não pode integrar-se na nossa cultura: não tem poder para convocar nem contribui com o que mais necessita o mundo do século XXI